Chantagens

8 Apenas uma chance


Notas iniciais
Aqui um cap novinho. Espero que gostem e boa leitura :)

Peter Povs:

Acordo com minha visão embaçada pisco meus olhos até enxergar perfeitamente o que está em minha frente.

Deadpool está sentado em sua poltrona, mas em vez dela estar virada para a TV ela está virada para mim. O fito por um tempo até me lembrar de tudo que ele me fez noite passada. Ódio, raiva, fúria e vergonha, todos juntos percorrem meu corpo de uma só vez.

– Você – digo em um tom acusatório – Você! Eu vou te matar Deadpool!

O encaro por mais uns segundos respirando pesadamente. Não tenho palavras pra descrever o ódio que estou sentindo dele nesse momento.

Com meu corpo todo dolorido apoio minhas mãos trêmulas no colchão da cama, na esperança de me levantar.

– Eu não faria isso se fosse você. – Deadpool me avisa com um sorriso brincalhão. O fuzilo com o olhar.

Bem vagarosamente me sento na cama, sentindo meu traseiro arder ao encostar-se ao colchão. Fecho minhas mãos em punho segurando a vontade de gritar.

– Eu disse. – Deadpool parece que está se divertindo com isso.

Sinto mais ódio ainda.

Tomo fôlego diversas vezes até tomar coragem de me levantar.

Devagar firmo minhas pernas no chão e as forço a se manterem eretas. Assim que fiz isso senti umas dores nas coxas se alastrar até meu quadril, onde ficou infernal. Com minhas pernas trêmulas fiquei em pé alguns segundos, mordendo o lábio para aguentar a dor.

No meu primeiro passo a dor em meu quadril aumentou, parecendo queimar toda aquela região.

– Ah! – não aguentando mais desabo no chão massageando a área dolorida.

– Se ficar assim por mais tempo não sei se eu vou conseguir me segurar. – Deadpool me fitava me olhando de cima a baixo.

Respiro fundo novamente e me ponho de pé, tentando ao máximo esquecer a dor em meu corpo.

– Vá se ferrar! – Esbravejo.

Pego minha calça e cueca no chão e coloco-as enquanto saia gemidos de dor em minha boca, qualquer movimento que faço dói, e muito.

Minha blusa não adianta, está em pedaços. Pego minha mala e visto uma nova, toda hora olhando Deadpool, mas ele está imóvel na poltrona.

Vou à porta e a abro, mas não saio antes de encarar Deadpool.

– Se você acha que vou esquecer o que me fez está muito enganado Deadpool. – Digo sentindo meu sangue ferver.

– Você diz isso como se nós não iremos fazer de novo. – Seus olhos brilhavam.

– E não vamos – digo em alto e bom tom – Você me estuprou seu cretino! Como isso pode se repetir?

– Desde o dia em que eu quiser fazer de novo. Lembra que posso te entregar pra qualquer um? Ou eu mesmo posso fazer uma visitinha pra sua tia.

– Não existe pessoa tão baixa quanto você Deadpool. – Sinto repulsa ao olhar pra ele.

– Eu sei. Mas não se esqueça disso, de um jeito ou de outro é você quem sai perdendo.

Saio de seu apartamento com mais raiva. Que pessoa usa um inocente para obter o que quer? Não existe golpe mais baixo.

– Eu só quero que saiba que nunca vou deixar de te odiar. – O aviso fechando totalmente a porta.

Olho para o largo corredor onde vou ter de andar. A passos trêmulos o percorro, sentindo a dor só aumentar. Uma coisa boa tem elevador. Não sei o que seria de mim se só houvesse escadas.

Adentro ao elevador, pelo menos vou ter uns minutos de descanso. Como isso pode estar acontecendo. Até uns dias atrás estava sendo chamado aos Vingadores, e agora acabei de ser violentado, chantageado e minha tia está correndo perigo. Sou um péssimo herói.

Saio do prédio do Deadpool correndo – andando com as pernas trêmulas – o mais rápido possível.

Pego meu celular e vejo que já são 11:30. Tinha me esquecido que marquei de me encontrar com Harry. O café não está muito longe, mas mesmo assim vou pedir um taxi, não está muito legal de andar agora.

Entro no primeiro que para e digo aonde quero ir. Não importa em qual posição eu me sente, sempre dói, mas para minha sorte o taxi parou em frente a cafeteria.

Pago o taxista a saio as pressas. Pela janela da cafeteria vejo Harry tomando um café a minha espera, e de repenta, vejo as cadeiras, são finas e duras. Viro-me na esperança de sair na encolha, não estou muito a fim de sentar naquilo, Harry acena para mim com um sorriso nos lábios. Droga! Sorrio de volta e entro na cafeteria. Bem devagar sento na cadeira, contendo uns gemidos de dor.

– Por que essa mala? – Harry me pergunta. Ele parece melhor. Ainda está com olheiras e está pálido, mas não está tão ruim quanto dá ultima vez que o vi.

– Não tenho onde ficar. Tia May foi viajar e estão dedetizando minha casa. – O encaro envergonhado – Posso ficar na sua mansão por uns dias?

– É claro. Aquele lugar está um tédio mesmo, pelo menos agora tenho uma companhia.

– Obrigado. – Eu sei que ainda tem o risco dele descobrir que sou o Homem-Aranha, mas não posso fazer nada, ainda mais agora que estou sem meus propulsores de teias.

– Você ouviu o que estão dizendo por ai? Que o Homem-Aranha está nos Vingadores?

– Eu fiquei sabendo.

– Não acredito nisso, ele nem deveria ter sido aceito na Shield.

– Por quê? – Indago.

– Ele é um péssimo herói. Sempre que salva a cidade, ela é destruída, e duvido que seus poderes se comparem com os dos Vingadores. Se ele entrar será o mais fraco.

– Mas ele pode ficar forte.

– Duvido, se ele estivesse naquela batalha contra os alienígenas e aquele deus, teria sido o primeiro a morrer.

– Talvez, ele sabe lutar. A Viúva Negra e o Gavião Arqueiro também não tem nenhum poder e sobreviveram. Por que o Aranha não?

– Não sei, talvez só esteja dizendo isso porque o odeio.

Antes que pudesse dizer alguma coisa à garçonete nos atendeu. Sinceramente não estava com fome, pedi um café tamanho médio e Harry um bolo de chocolate com calda de morango.

Conversamos sobre coisas banais, mas sempre ficava meio aéreo. Pensava de novo na noite de ontem, nunca vou esquecê-la, e fica bem clara em minha mente toda vez que me movo na cadeira. Estava difícil de sorrir, mas não podia deixar que Harry desconfiasse de alguma coisa.

E sem falar que pensava no que Deadpool me disse. Harry a fim de mim? Isso não é possível. Ele só aparece em revistas saindo com garotas famosas, mas então por que toda hora ele fica me encarando de um jeito que nunca vi antes? Isso está ficando cada vez mais confuso.

– Vamos? – Harry me pergunta, acordando-me de meus devaneios. Só então percebi que o encarava.

– Vamos. – Respondo. E de novo me levantando com o máximo cuidado.

– Você tá legal? – Harry me pergunta – Parece estar machucado e tem um corte em sua mão.

– Não, eu to legal. Só levei um tombo, isso aqui é só um cortinho, não precisa se preocupar.

– Tem certeza?

– Tenho – afirmo.

Fomos ao carro de Harry, nós dois ficamos na parte de trás, enquanto seu motorista seguia caminho para a mansão.

Apoiei meu cotovelo na abertura da janela do carro e fiquei olhando a vista. Não estou muito a fim de conversar, só quero ficar quieto e fingir que tudo isso é um sonho ruim, por mais que eu feche os olhos com força, quando os abro volto a ver os vários prédios sumindo conforme o carro seguia seu caminho e as pessoas andando apressadas, e me recordo que não é um sonho.

Saímos do carro assim que o motorista o estacionou. Olho para a mansão, ela deve dar meu bairro inteiro. Minha casa deve ser do tamanho da sala. Assim que eu entro vejo duas garotas vindas ao nosso encontro. Uma morena e uma loira, a morena eu já conheço, é aquela mercenária que atirou em mim, se não me engano é a Dominó.

– Quero que as conheça – Harry se aproxima delas – Essa é a Dominó, e essa é a Silver, elas trabalham para mim.

– Do que? – pergunto – Não parecem as mulheres que trabalham nessa mansão.

– Elas são um tipo de guarda-costas. Eu as pago para fazerem trabalhos para mim, mas nunca são os mesmos.

Eu sei quais são, capturar o Aranha.

Silver se aproxima de mim.

– Você é mais lindo pessoalmente. Já tinha visto umas fotos suas, mas não achei que seria tão gatinho.

– E fica bem fofo com esses óculos. – Dominó me olha de cima a baixo.

– Você tem namorada? – Silver me pergunta com um olhar malicioso.

– N-Não.

– E está afim? – As duas chegam bem perto de mim.

– Eu... Bem... É...

– Garotas, ele mal chegou e vocês já ficam assediando ele? – Harry me salva. Ele pega em minha mão – Vou te mostrar seu quarto. E vocês nem tentem vir junto. – Ele olha de relance para as garotas. Ele me puxa para cima da escada. Paramos na terceira porta da esquerda.

– O que achou? – Harry pergunta.

– É bem grande. – Coloco minha mala no chão e olho para o quarto. No centro tem uma cama de casal com uma coberta azul cobrindo o lençol azul bebe. No lado tem um cômodo pequeno que abriga um abajur e no outro lado um guarda-roupa de madeira clara.

– Espero que goste. Não é sempre que alguém vem morar aqui.

– Lembre-se que é temporário. Vou ficar aqui talvez só uns quatro dias.

– Infelizmente, seria legal se você ficasse aqui mesmo.

Não sei o que responder. Sento-me na cama, é tão macia.

– Tá tudo bem? – Pergunto ao Harry. Ele está me encarando e de novo com aquele olhar.

– Estou não é nada.

– Tem certeza? – Pergunto preocupado.

– Tenho. Acho que está na hora de tomar outra dose de meu remédio.

Ele tomba na hora de andar, involuntariamente levanto-me e o seguro abaixo dos ombros.

– Onde estão seus remédios? Posso te levar. – Digo.

– Está em meu quarto. Posso ir andando.

– Não pode não. Você mal está se aguentando em pé.

Harry dá de ombros.

– Tudo bem então.

Ele envolve seu braço em meu ombro e o seguro com mais força. Pelo menos seu quarto é perto.

Harry abre uma gaveta e tomas dois comprimidos com as mãos trêmulas, ele respira um pouco e toma postura, sumindo a tontura que sentirá.

– Obrigado. – Ele me agradece.

– Não precisa. Esse comprimido foi feito a partir da minha equação? – Pergunto.

– Sim. Mas ainda preciso de amostras do DNA das aranhas, ou seja, ainda preciso do sangue do Aranha.

– Você sabe que isso é perigoso não é? Talvez seu DNA não seja compatível.

– Eu não me importo – ele abaixa seu tom de voz – De qualquer jeito vou morrer mesmo. Qual vai ser a diferença?

– Harry... – fixo meu olhar no seu com tristeza – Talvez tenha outra saída.

– Eu duvido que tenha. – Ele se aproxima de mim, ficando a milímetros de distância – Você ainda gosta da Gwen?

Fico surpreso com a pergunta.

– Por que quer saber? – Pergunto o encarando.

– Às vezes parece que sim – solta uma risada fraca – Hoje você estava tão aéreo. Era nela em que estava pensando?

– Mais ou menos...

– E vocês pensam em voltar?

– Não. – Fixo meu olhar naqueles olhos azuis que brilhavam – Mas por que tudo isso?

Harry aproxima seu rosto do meu fazendo-me sentir seu hálito quente.

– Talvez devesse me dar uma chance... – Ele chega bem perto de mim, colando levemente nossos corpos. Harry coloca uma mão em minha bochecha e outra em minha cintura.

Já sentia sua respiração quando... Desvio meu rosto. Retiro sua mão de meu quadril, que ainda está dolorido e recuo o máximo que posso.

Harry me fita confuso.

– Eu... Eu tenho que ir! – Digo saindo de lá sentindo meus olhos lacrimejarem.

– Peter espera! – Harry tenta puxar meu braço, mas desvio de seu toque.

Praticamente corro para meu quarto, soltando leves gemidos de dor.

Fecho a porta bruscamente e me atiro na cama. Escondo meu rosto no travesseiro esperando minha respiração voltar ao normal. Raiva e ódio voltam a me consumir. Seguro minhas lágrimas e fecho meus olhos. Recuso-me a chorar! Nunca vou perdoar o Deadpool pelo que me fez. Antes apenas sentia raiva dele, mas depois que ele ameaçou minha tia, tudo se transformou em repulsa. Posso conviver com suas chantagens pelo bem da tia May. Mas se ele um dia esperar que o perdoe está muito enganado!

Notas finais
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