Changing... Genres?
20 Capítulo 20
Notas iniciais
O sangue entalado na garganta impedia de falar, o cabelo molhado pelo suor provindo pela dor dava um extra na imagem digna de ser pintada, na opinião de Zadimus.
Era infeliz que tivesse que ocorrer assim, sendo tal alguém tão útil. Mas imprevistos acontecem, flechas são lançadas, palavras são jogadas ao ar e facas são cravadas no peito das pessoas, literalmente. Puxou a faca de volta, o que fez o sangue jorrar e um gemido de dor escapar pelos lábios rachados e os olhou com curiosidade. Como seriam manchados de sangue?
A porta se abriu com pressa, revelando duas figuras, um loiro e um moreno que haviam chegado, tarde demais, porém. Estava impressionado com tamanha a determinação de chegarem até ali.
—x-x-x-x-x-x- Voltando no tempo -x-x-x-x-x-x-
Crowley definitivamente não gostava daquela ideia. Nem um pouco. Eles iriam fazer o que quisessem e então o deixariam com um bote furado no Titanic como sempre, metaforicamente falando.
— Eu já disse que eu fiz um acordo com ele, eu não vou me meter nessa briga de vocês.
— Ele vai matar o Cas!-- Dean gritou em fúria.
— E eu com isso?! – o rei do inferno rebateu, imponente. Pouco lhe importava o que aconteceria com um maldito anjo. Ele tinha seu próprio reino para cuidar. – Se quer tanto uma ajuda, porque não pede pra família do queridinho? O que? Os alados não estão atendendo o telefone de novo? Que pena, porque não será EU a ajudá-los.c
Sam se aproximou, também estava começando a perder a paciência. Já haviam perdido tempo demais procurando pelo demônio, mais ainda o prendendo ali na sala.
— Tem certeza que quer fazer isso Crowley? Depois de tudo o que fizemos por você?
Crowley o olhou como se ele tivesse contado uma piada.
— Você está de brincadeira, não é? Ah, me diga que você está de brincadeira. – ele arregalou os olhos em cinismo quando o caçador mais novo permaneceu sério. – Você não est- Por onde raios eu começo? Pelo fato de eu estar preso numa cadeira, no seu porão, DE NOVO? Aliás isso vem acontecendo muito ultimamente, adoro correntes, mas acho que isso está começando a virar um feitiche de vocês. Ou será que eu devo listar todas as vezes que vocês me enganaram e me apunhalaram pelas costas? Querem cronologicamente ou por situação preferida?
Dean pressionou a ponte entre os olhos.
— Olha, não estamos pedindo para que entre lá e comece a matar vampiro por vampiro, só que nos deixe perto do maldito lugar pra eu chutar umas bundas cintilantes. Além do mais – ele trocou um olhar rápido com seu irmão – isso não vai ser de graça.
Agora o demônio parecia interessado.
— E o que eu ganho com isso?
Sam suspirou pesadamente.
— Que tal deixarmos um preço a combinar? Bote como se te devêssemos uma. – Crowley pareceu ponderar – Qualquer coisa, menos nossas almas. – completou rapidamente.
— Sem graças – Crowley murmurou, mas estreitou os olhos logo depois e sibilou – Feito. Mas se fizerem qualquer coisa, mínima que seja, que me pode me prejudicar, a situação não vai ser bonita pra vocês. Agora, se querem tanto a minha ajuda, me soltem! – ele elevou as últimas palavras, sacudindo os pulsos, fazendo o barulho das correntes como ênfase no que ele falava.
Enquanto o rei do inferno passava a mão nos pulsos, como se os estivesse massageando.
— É melhor que saibam com o que estão se metendo. Esse cara não é brincadeira. – os irmãos o olharam franzindo a testa – Ah pelo santo, é sério? Esse é o plano de vocês? Entrar lá, sem saber nada sobre quem estão enfrentando, só com a cara exposta a tapa?
— Ele é um vampiro, temos um facão para matá-lo, é só o que precisamos saber. – Crowley bateu na própria testa, simbolicamente.
— Ele não é qualquer vampiro, Alce. – Crowley encarou os dois como se fossem idiotas – Ok, hora da historinha com o tio Crowley. Era uma vez, dois idiotas que mexeram com o equilíbrio das coisas e libertaram a Mãe dos Monstros, Eva. Eva saiu passeando pelo mundo, criando novas espécies de seres desprezíveis e trazendo caos ao mundo. Agora, veja bem, um pequeno jovem, com seu milênio e poucos anos de idade, vampiro, cruza seu caminho. Eva se encanta pelo charme e potencial do garoto e decide fazer um acordo com ele. Ela daria para ele olhos que são capazes de criar ilusões e enganar, ou até controlar, a criação mais “perfeita” de Deus, os humanos, e poder de absorção, para que fosse o mais forte de sua espécie. E, em troca, ele passaria a eternidade, depois que alguém o matasse, ao seu lado, como seu filho pródigo, pois ela mesma iria buscá-lo no purgatório. Depois, quando os mesmos dois trouxas que a libertaram, a mataram, ele se viu livre da promessa, porém, ainda com seus poderes. Ele lentamente passou a sugar o poder do Pai dos Vampiros, até que este ficasse tão fraco quanto um vampiro comum, e então fez com que seus aliados o matassem. Pouco tempo depois, um rei, muito inteligente, e bonito, por sinal, viu que era melhor se aliar do que enfrentá-lo, por isso, fez um pacto de benefício mútuo. E agora, os idiotas do início da história, querem que ele arrisque esse acordo para levá-los até a boca do jacaré.
Sam e Dean ficaram em silêncio por um momento, absorvendo as informações dadas.
— Ele pode nos controlar só de olhar para nós? Isso é ridículo!
— Olha, eu não tenho os detalhes, não sou daqueles que fica ouvindo as fofocas no salão, mas eu sei que não é bem assim. Tem alguma coisa haver com encará-lo por um tempo suficiente, não sei, eu só sei que já vi acontecer e que não funciona só com humanos. – ele passou o olhar de um para o outro, cínico – E ai, ainda querem enfrentá-lo?
Sam suspirou.
— Primeiro, não temos escolha. Segundo, mesmo que tivéssemos, qual é, ele é só mais um vampiro. Enfrentamos Caim, a Escuridão e até outros Alphas. Nós podemos lidar com isso. – disse Dean.
— Se vocês dizem, quem sou eu para negar? Se apressem, vocês disseram que estavam contra o tempo não é?
—x-x-x-x-x-x-
Katherine estava passando pelo corredor do quarto dos anjos, ponderando se deveria ou não entrar. Ela queria se desculpar com eles, não conseguia mais, a culpa estava a comendo por dentro. Mas agora que eles iriam colaborar, eles estavam do mesmo lado, certo?
— Você tem certeza de que vai ficar tudo bem? – ouviu as vozes abafadas de dentro do quarto e tentou conter a curiosidade de espiar, sem sucesso. – Gabriel, eu ainda acho que deveríamos fazer alguma coisa.
Olhou pelo buraco da fechadura, vendo tudo mal claramente pelo espaço mínimo, a única coisa que conseguiu distinguir era que Castiel estava sentado na lateral cama, mas Gabriel estava em algum ponto do quarto que não era visível por ali, o que poderia significar muita coisa.
— Aé? Tipo o que, fugir? Sair batendo em todo mundo? Ah, já sei, sair voando? Seria uma excelente ideia se os meus malditos poderes já tivessem voltado completamente.
Houve silêncio, ela podia ouvir as duas respirações, meio ofegantes, demonstrando nervosismo.
— Eu… Os meus estão… Quase lá. Mais um pouco eu acho que eu conseguiria levar nós dois para pelo menos fora do hotel.
Gabriel riu em cinismo.
— E ai o que? Corremos? Ele tem olhos por toda a cidade Castiel! Isso aqui é Las Vegas, ele provavelmente deve ter acordos com todos os mafiosos do estado. Acorda! – ele pareceu perceber que foi grosseiro demais, porque logo ela ouviu passou e uma segunda pessoa entrou em seu campo de visão. – Me desculpe, você está tão tenso quanto eu e eu estou descontando em você – houve um abraço – Nós temos uma vantagem, e temos que saber usá-la. Zadimus não sabe o quanto da nossa Graça voltou, e ele precisa dela inteira para retirar. Se nós conseguirmos enganá-lo por tempo o suficiente, poderemos nos livrar e usar nossos poderes para sair daqui. Se continuarmos agindo como se estivéssemos colaborando, ele não vai nos machucar. Eu dou mais uns dois dias até que eu esteja 100%, mas amanhã a noite eu acho que já conseguimos fazer alguma coisa. Só tente não gastá-los, ou mesmo testá-los até lá.
Os olhos de Kate se arregalaram, ela se endireitou rapidamente, as costas mais retas que uma tábua. Eles planejavam traí-lo! Ela tinha que contar, não podia deixar as coisas assim. Caminhou até o elevador e sua mão parou a alguns centímetros do botão para o andar de Zadimus. Ela tinha mesmo que contar? Digo, eles eram vampiros, não eram? Provavelmente já ouviram tudo, e, se contasse, seria só mais uma coisa para pesar na consciência. Por outro lado, se não contasse e eles fugissem, estaria compactuando com o inimigo, e Zadimus não gostaria nada disso. Mordeu o lábio inferior, era melhor não arriscar… Pressionou o botão e as portas do elevador se fecharam, talvez um dia simplesmente pararia de sentir culpa?
Enquanto isso, no quarto, Gabriel ainda estava abraçado com o irmão.
— Só… Vamos descansar por agora, repor as energias, e torcer para que o feitiço de Balthazar passe. Eu juro que quando eu voltar para casa eu vou picotar todas aquelas blusas ridículas com gola gigante em V que ele insiste em usar. – soltou um risinho pelo nariz, mas Cas o olhou com dúvida nos olhos.
— … Casa? – Gabe perdeu o ar por um instante.
— Sim Cas, casa. – ele hesitou – Sabe, o lugar aonde fomos feitos… Espera, você não- Você não está pensando em ficar com os Winchester né? – ele soltou Castiel de seus braços e se sentou na cama, de frente para o outro com as pernas cruzadas sobre o colchão, parecendo quase como uma criança desolada – Cas isso é loucura! – mas o moreno o olhou determinado.
— Porque é loucura?
— Porqu- – ele perdeu as palavras naquele instante, um bolo se formou em sua garganta.
— Você não gostaria de ficar com alguém que te entende? Alguém por quem você faria qualquer coisa, e fosse retribuído. Alguém com quem você se sentisse seguro e que nada, nem ninguém pudesse interferir.
Gabriel sacudiu a cabeça, afastando pensamentos que não estavam ajudando.
— Mas podem! Eles são caçadores Cas, um tiro no lugar certo, um corte na garganta, ou até menos que isso e já era! Eles não são intocáveis, como raios você consegue confiar tão cegamente neles?! – seu coração se apertou, a voz foi crescendo, e ele não queria realmente ouvir a resposta para a pergunta.
Castiel deixou a cabeça cair de lado, como ele sempre fazia quando estava em dúvida, e demorou um tempo para respondê-lo.
— Você sabe porque, você também sente. Acho que já deixamos bem claro que nós anjos não somos soldadinhos de ferro. – o loiro engoliu em seco, olhando para a parede, e foi então que o anjo percebeu – Você tem medo. – um tremor percorreu as costas do arcanjo. – Tem medo de estar errado. – Castiel suspirou, abaixando a cabeça – Não tem como saber, honestamente. Essa é a parte ruim de ser humano, é tudo tão… Incerto. Você nunca tem como saber o que vai acontecer, nem se vai estar vivo amanhã. E é por isso que eles lutam pra fazer cada dia valer a pena. Pra fazer cada segundo contar. Você não tem como saber se vão ficar juntos pra sempre ou se vai tudo acabar no dia seguinte, se a paixão vai acabar ou aumentar. Sabe, Dean pode não me amar do jeito que eu amo ele, mas ele se importa e me quer por perto. E, nem que seja como um irmão, pra mim, isso é melhor do que nada. Isso é o suficiente – Castiel se esticou para segurar a mão do irmão e nem ao menos hesitou quando disse as palavras seguintes – E eu sei que tem um lugar pra você lá.
Os olhos de Gabriel estavam embaçados, ele apertou o lençol entre os dedos.
— Mas se você deseja viver com nossos irmãos, eu também vou entender. – Cas sorriu para este, esperando agora uma resposta.
Uma resposta que Gabriel não se sentia disposto a dar.
— É realmente um momento tocante, eu estou atrapalhando alguma coisa?
Ambos os anjos se viraram para encarar a figura que agora estava na porta.
— Eu honestamente esperava que não me forçassem a fazer isso, vocês me magoaram sabiam? – Zadimus fingiu uma expressão de choro, que logo se desmanchou em um sorriso – Sabe qual é a melhor parte disso tudo? Ver a esperança encher seus olhos e se esvair. Sempre foi minha parte preferida. – ele entrou completamente no quarto – Eu tentei ser educado, tratar vocês como meus melhores mimos… Mas agora, vocês me irritaram. Vamos ver o que vocês acham de um pequeno tour no hotel.
No momento em que Zadimus estalou os dedos, a última coisa que viram antes que suas cabeças fossem cobertas, foram dois vultos entrando pela porta.
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