Notas iniciais
Olá meus cupcakes, eu sei que demorei, sério, desculpa, mas agora eu voltei! E volto a postar um capítulo por semana, sem falta. Espero que aproveitem o capítulo e me avisem de qualquer erro. Gif do capítulo: http://media.tumblr.com/0e88b223cbb335b547e0c13ce891ae78/tumblr_inline_mk05kkPj2O1qz4rgp.gif

O vento frio balançava os cabelos escuros de Castiel, que havia deixado a janela aberta, deixando junto um arrepio que seguiu pela sua espinha. O céu azul alaranjado do anoitecer brilhava mais com as luzes da cidade que pelas estrelas no céu, que perdiam na batalha para aparecerem sobre a massa luminosa artificial daquela hora. Dean estava quieto, o rádio ligado em volume alto numa estação de rock, seus dedos tamborilando no volante ao som de Guns n’ Roses. No momento estavam bem perto do local do crime, mas pegariam um hotel para descansarem, demoraram mais tempo que o previsto, uma vez que o pneu do carro furou algumas horas depois de saírem do bunker, deixando-os parados no meio de árvores por boas duas horas.

Mais um arrepio correu por Castiel, ele deveria ter trago um casaco, ele sabia, porém, na pressa, escapou-lhe. Estavam em pleno início de inverno, mas nunca precisou se preocupar em estar agasalhado ou não. Dean, por outro lado, trajava sua jaqueta pesada e confortavelmente quente. O Winchester observou, pelo canto do olho, o anjo se encolher no banco enquanto fechava a janela, numa tentativa falha de espantar o frio. Fechou sua própria e dobrou a esquina, parando no estacionamento de um hotel comum. Saiu do carro, acompanhado por Castiel e alguma bagagem, e entrou na recepção ouvindo o barulho do sininho da porta, com portas transparentes, enquanto o outro retirava as coisas dele do carro. Numa sala com papel de parede descascando, agradavelmente aquecida, porém com aparência esquecida, a atendente se reclinava pelo balcão, muito concentrada em alguma revista em quadrinhos, ela não parecia ter mais de 19 anos. De cabelos curtos muito verdes, que começavam a desbotar, e piercings por sua face, ela observou Dean desde que havia entrado.

— Não é muito cavalheiro de a sua parte deixar sua namorada lá fora nesse frio. – ele arregalou os olhos surpreso com a afirmação da menina – Mas é claro que você não liga pra isso, já que não pensou duas vezes em deixar ela pra trás com as malas. – suspirou pesadamente – Nunca ligam.

Dean estancou no lugar onde estava, o que era a uns 3 passos do balcão, pensando no que responder, ela havia dito aquilo mais pra ela que para ele, provavelmente, mas tudo o que vinha na sua cabeça era..

— Não é minha namorada. – a atendente ergueu uma das sobrancelhas – E... Isso não é da sua conta. – ela estava prestes a falar alguma coisa quando o barulho do sino se fez ouvir, indicando que Castiel havia entrado no recinto. – Eu quero um quarto aqui. – novamente ela abriu a boca, para mais algum comentário sarcástico, ele pensou, interrompeu-a: – Duas camas.

Ela se afastou do balcão de madeira de aparência empoeirada, resmungando algo coisa que Dean jurava ter sido “Hmpf, duas camas, sei”. Viu quando Castiel se aproximou dele, ficando ao seu lado, deixando a bolsa aos seus pés, com olhos sonolentos, quase se fechando, ele se perguntou a quanto tempo ele não dormia direito, pensando em Gabriel. A menina se virou, deixando sobre o balcão uma ficha e uma chave, pegando logo em seguida uma máquina quando o loiro lhe disse que seria no cartão. Tentou se lembrar de que nome usaria para si e Castiel. Donald Gollus, como informava o cartão falso dele e... Lola Bekins. Nada de sobrenomes iguais, não mesmo. Quando terminou, pegou a chave do quarto, hesitando em sair. Castiel havia pegado a bolsa novamente do chão, Dean se lembrou do comentário recente da balconista. Não faria mal a fazer morder a língua um pouco, não? Meteu a mão por entre as alças que estavam sobre a segurança do anjo e puxou, rapidamente, tirando-as de sua mão, dizendo que as levaria, sem que o olhasse, porém.

Caminharam até o quarto, ele sentindo o olhar curioso de Castiel sobre suas costas e o anjo confuso, ele podia carregar a própria bagagem, não era um inválido. Dean virou a chave preta na porta de madeira, que revelou um quarto em vermelho bem conservado que continha duas camas, não muito espaçosas, mas suficientemente grande para uma pessoa.

— É melhor você ir descansar, Cas. Eu arrumo as coisas pra amanhã. – ele pareceu hesitante – O que foi?

Ele pareceu querer falar alguma coisa, e realmente queria, mas ao invés disso, lançou-lhe um “boa noite” retirando seus sapatos na entrada do quarto, deixando-se cair em seguida na cama mais perto. Castiel sentiu o colchão macio sobre suas costas e logo em seguida relaxou o corpo, se envolvendo na coberta quentinha que o protegeria do frio naquela noite. Com o cabelo espalhado pelo rosto, fechou os olhos, se forçando a tentar dormir. Enquanto isso, Dean entrou completamente no quarto, fechando a porta atrás de si. Olhou de relance a figura deitada na cama, o rosto tão diferente do que conhecia e ao mesmo tempo parecia a mesma pessoa. “Por que é a mesma pessoa, gênio” se deu um tapa mental botando a mala sobre a mesa, retirando seu computador logo em seguida. Apalpou os bolsos a procura das identidades e distintivos falsos, acabou por achar o papel de visita da cartomante do último trabalho. Porque raios havia guardado aquilo? Bufou, amassando o papel e jogando-o na mesa. Tsc, ele precisava das suas quatro horas de sono agora. Tirou seus sapatos e sua arma da cintura, botando-a em baixo do travesseiro, como de costume, fechou os olhos, caindo em um estágio de meia consciência, diferentemente de Castiel, que se encontrava completamente acordado.

Sabendo que não iria dormir tão cedo, tomou o cuidado de se mexer devagar, cautelosamente para não fazer nenhum barulho, virando-se de frente para o, agora adormecido, Winchester. Ele lembrava que Dean não gostava daquilo, quando era um anjo, não precisava dormir, então velava seu sono. Era estranho como aquilo o fazia se sentir confortável, talvez, ele esperava, aquilo não tivesse mudado com a transformação. Assistiu o ressonar leve que ele fazia, ver ele assim era tão raro, sem estar 100% alerta a todo o momento, apesar de saber que ele não estava vulnerável mesmo dormindo, ele estava com a face serena, provavelmente envolvido em um sonho bom. Nesse momento, Castiel desejou ser um anjo novamente para poder entrar em seus pensamentos, desejou ser um anjo para não sentir o que sentia por Gabriel, para que não precisasse se preocupar se havia dormido o suficiente ou não, para que não sentisse todas as limitações e obstáculos que aquele corpo o botava. Olhou novamente para Dean imerso em seu sono, aquilo o fazia se sentir mais calmo, ele notou. Algum tempo depois, sem que ao menos percebesse, adormeceu.

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Gabriel olhava deprimido pela janela do banco de trás carro. Haviam saído assim que os outros dois partiram, ao que parecia, Sam achou uma colônia de vampiros em Midvale, que precisava ser exterminada o mais rápido possível. Não teve escolha a não ser ir, apesar de sua vontade ser de se afundar cada vez mais em sua cama, até se tornar parte dela. Era um lugar calmo, poderia ser agradável de se viver, lugar perfeito para uma colônia a longo prazo, mas Gabriel não poderia se importar menos. Cenas se repetiam em sua cabeça, ele havia vivido bastante, tinha muitas coisas para se relembrar, apesar de saber que não seria suportável se tivesse a mentalidade de um humano comum. Ele era um arcanjo, um escolhido de Deus, um dos seres mais poderosos que havia nesse mundo, nessa galáxia, e mesmo assim, não parava de ferrar as coisas constantemente. Ele se lembrou do que aconteceu na cozinha, não há muito tempo, encolheu as pernas sobre o corpo abaixando a cabeça sobre elas, lembrando do que havia dito, de como não conseguiu controlar as lágrimas que foram mais fortes do que ele pensava.

— Você está bem? – Sam disse em um tom preocupado. Respondeu com um “uhum” fraco e rouco. Houve um silêncio constrangedor. Em sua defesa, Sam não sabia o que fazer, nem soube na cozinha, só o que pode fazer foi ouvir o que o loiro tinha a dizer. Eles não tinham intimidade o suficiente para que ele confortasse Gabriel, tinham? – Ele vai te perdoar.

Foi o que conseguiu dizer, e, apesar de não ser muito, foi um tanto reconfortante para Gabriel, depois de tanto sem ouvir palavras dirigidas a ele que não fossem secas ou sarcásticas. Sorriu levemente, pensando no quão inusitada era aquela situação. Ele nunca iria imaginar estar deprimido por causa de seu irmão, na verdade, não imaginaria sentir nada, jamais. Mas ali estava ele, no banco detrás de um carro, com um cara atraente logo no banco da frente, e ele não negaria isso, havia vivido tempo demais para ligar pra esse tipo de repressão, a poucos centímetros de distância, e ele não havia tentado nenhum tipo de envolvimento ou flerte com o mesmo, quando, se fosse em outra situação, já estaria “agindo”.

— Obrigado, Sam.

Sam se sobressaltou um pouco, surpreso por Gabriel estar agradecendo. Murmurou um “obrigada” levemente enquanto parava em frente a uma lanchonete para que comessem antes de ir ao lugar em que os vampiros caçavam. Era um lugar retrô, bem cuidado até, com exceção de umas lâmpadas falhando no final do corredor de mesas. Sentaram-se em uma perto da porta. Logo em seguida, uma garçonete, vestida com uma roupa menor que a apropriada, se aproximou. Morena, estatura média, corpo com curvas. E, novamente, Gabriel estranhou não sentir vontade nenhuma de dar em cima dela, como geralmente faria, até que se lembrou que estava em um corpo de mulher também, o que obviamente não era no que ela se interessava.

O Winchester nem ao menos tirou seus olhos do cardápio, o que irritou levemente a mulher, que olhou com os olhos em chamas para o arcanjo enquanto anotava o pedido, coisa que fez Gabriel segurar um sorriso, tão previsível. Comeram em silêncio quando ela trouxe e, quando terminaram de comer, voltaram para o carro, onde Gabriel se preparava para o que viria. Era hora de caçar.

Notas finais
Espero que tenham gostado, nos vemos semana que vem! Kissus kissus Até mais!