Changes Love
13 Capítulo 12 – O dia anterior
Notas iniciais
Stefan
Abotoei os últimos botões da minha camisa e peguei o paletó em cima da cama para poder vesti-lo, decidi não colocar gravata porque eu uso isso todos os dias e sempre me sinto sufocada. Pelo espelho vi uma sombra passando e poucos segundos depois Caroline parou na porta do quarto.
– Será que eu posso dizer o quanto você está lindo? – cruzou os braços enquanto perguntava – Aliais, posso te falar o quanto essa roupa te deixa sexy.
– Obrigado pelo elogio... – decidi entrar no jogo quando ela se aproximou e colocou os braços em volta do meu pescoço – Você também está maravilhosa, como sempre é claro.
Care estava usando um vestido azul no mesmo tom dos seus olhos, a minha cor favorita em todo mundo, também usava uma sapatilha baixa e para completar prendeu o cabelo em uma espécie de trança e a deixou caída sob um dos ombros, por último completou com uma maquiagem simples.
– Que bom que falou isso, ou eu ia ficar muito irritada com você – fingiu-se de brava antes de encostar os lábios nos meus – Agora..., o que você acha de esquecermos onde temos de estar hoje e ficamos por aqui, apenas nós dois.
– Uma oferta tentadora, mas infelizmente vou precisar recusar – lamentei – E o nosso jantar de ensaio, Care, somos os convidados de honra e não podemos faltar.
Três semanas, apenas três semanas separam o momento em que Caroline aceitou o meu pedido de casamento até o dia de hoje. Foi um curto noivado e sendo bem sincero, eu até agradeço que as coisas tenham sido assim, esperar meses ou até anos pela cerimônia deve ser um pesadelo, mas nós não precisamos passar por isso. Amanhã a essa hora seriamos oficialmente marido e mulher e apesar de tudo, tenho certeza de que será perfeito.
– Isso é muito injusto – reclamou – É a véspera do nosso casamento devíamos escolher o que queremos fazer e com quem queremos estar nesse dia. O que foi que aconteceu com a boa e velha despedida de solteiro?
– Não é assim que funciona a despedida de solteiro, Care... – observei.
– Eu não me importo... – deu de ombros – Além disso, vamos ver todas essas pessoas amanhã no casamento, porque precisamos vê-los hoje também.
– Você é mesmo impossível, Caroline... – foi impossível não revirar os olhos – Acha mais que vai conseguir me convencer do contrário?
– Acredite em mim, senhor Salvatore, eu sou muito insistente quando eu quero – foi descendo as mãos pelas minhas costas até chegar ao bolso de trás da minha calça – E nesse momento é exatamente isso que eu quero.
Ela voltou a me beijar e eu acabei não resistindo, coloquei a mão no seu rosto, correspondendo na mesma intensidade. Começamos a caminhar pelo cômodo, mas antes que pudéssemos chegar até a cama, meu celular começou a tocar.
– Por que é que alguém sempre tem que nos interromper? – reclamou.
– Justamente porque não deveríamos estar fazendo isso, é um sinal do destino – dei de ombros antes de pegar o telefone para ver quem estava ligando – Está vendo, é o meu pai, provavelmente querendo saber onde é que nós estamos.
– Sem graça – fez uma cara emburrada e sentou na ponta do colchão.
– Oi, pai! Nós ainda estamos aqui no meu apartamento – já fui avisando assim que atendi, mesmo sabendo que era provável que eu fosse ouvir um sermão por isso – Mas não se preocupe, já estamos de saída.
– Ótimo! – para minha surpresa, ele até pareceu animado – Acabamos de chegar, ainda não tem ninguém aqui, mas acho que é interessante que você e a Caroline cheguem antes do restante dos convidados.
– Eu sei disso... – afirmei com a cabeça – Fica tranquila que daqui a uma meia hora vamos estar ai.
– Estaremos te esperando – garantiu antes de desligar.
Caroline parecia bastante interessada em alguma coisa no teto do quarto, mas tinha certeza de que ela tinha ouvido tudo, pois se virou para mim no momento em que parei de falar.
– Agora nem adianta mais reclamar – comentei – Precisamos ir antes que meu pai ou a Pearl venham até aqui nos buscar a força.
– Isso é tão injusto... – soltou um gemido de frustração enquanto enroscava as pernas na minha cintura – Eu sou a noiva, a minha opinião deveria contar mais do que a de qualquer um.
– Quando foi que você ficou tão tarada, Care? – tinha um sorriso divertido no rosto – Tenho a impressão de que estou te transformando em uma ninfomaníaca.
– Eu sempre fui assim, meu caro Stefan – usou um tom de voz provocador – Você que não conhecia esse meu lado...
– Pois saiba que eu estou adorando esse seu lado – mesmo sem saber que não deveria estar fazendo isso, comecei a provocá-la – E só de pensar que a partir de amanhã você vai ser apenas minha.
– Exatamente... – balançou a cabeça afirmativamente enquanto tentava puxar o meu rosto para perto do seu – Você tem mesmo certeza de que não quer ir treinando para a lua-de-mel?
– Eu até queria, mas não podemos – voltei a me afastar.
– Poxa... – se jogou na cama, voltando a encarar o teto – Elena já vai me arrastar para uma “despedida de solteira”, com o apoio da minha mãe, é claro, a desculpa delas é que não é bom o noivo e a noiva dormirem juntos na véspera do casamento e que é melhor eu passar a noite no meu próprio apartamento uma última vez.
– Não posso deixar de ficar preocupado com essa história de despedida de solteira – me sentei próximo a ela – Será que eu posso saber exatamente o que vocês pretendem fazer?
– Eu, Elena e Bonnie vamos fazer uma festa do pijama: filmes de comédia romântica, pizza e muito sorvete – explicou – Vai ser como voltar os velhos tempos.
– Parece divertido – comentei – Acho que vai ser bom para você passar um tempo com as suas melhores amigas, vocês três não tem passado tanto tempo juntas desde a formatura no Ensino Médio e sabe muito que a tendência é isso piorar quando depois que o bebê nascer.
– Tem razão – deu um beijo na minha bochecha – Mas eu queria tanto ficar aqui com você.
– Care, amanhã a essa hora nós dois seremos marido e mulher e estaremos sempre juntos – lembrei – Acredite, você vai acabar se cansando de mim.
– Tenho certeza de que nunca vou me cansar de você – garantiu antes de se levantar – Agora vamos, acho que você não que chegar tarde no nosso jantar de ensaio, não é mesmo?
– Claro que não quero – repeti o gesto dela e fomos até a porta do quarto.
***
Assim que descemos as escadas dei de cara com o meu irmão, que estava travando uma espécie de batalha com a gravata.
– O que você está fazendo, Damon? – Caroline perguntou antes mesmo que eu pudesse abrir a boca – Ou será que eu devo dizer: O que você está tentando fazer?
– É essa gravata horrível – reclamou retirando a peça de roupa do pescoço – Nada que eu faça é capaz de fazer um nó descente nisso.
– Bom, isso é um alívio, pensei que você estivesse tentando se enforcar – brincou enquanto descia as escadas e se aproximava dele – Deixa eu te ajudar com isso.
Ela rapidamente fez o nó da gravata, que ficou totalmente perfeito.
– Estou impressionado – Damon se olhou rapidamente no espelho que eu tinha na sala – Irmãozinho, isso pode ser útil e ao mesmo tempo preocupante; é bom você não fazer nada de errado ou ela sabe muito bem como te enforcar.
– Engraçadinho... – Care revirou os olhos – Pois saiba que foi o seu irmão quem me ensinou a fazer nó de gravata – apontou para mim com o polegar – Para que eu pudesse ajudá-lo quando estivesse se paciência ou com pressa.
– E acredite, já perdi as contas de quantas vezes ela já fez isso por mim – me aproximei e abracei minha noiva pela cintura antes de dar um beijo no seu pescoço.
– Como isso é meigo – percebi pelo seu tom de voz que meu irmão estava sendo irônico – E essa é a vantagem de morar em uma cidade praiana, a maior parte das vezes não preciso ser formal, nem mesmo em reuniões de trabalho.
– Mas hoje e amanhã também você precisa – lembrei – Por falar nisso, é melhor nós sairmos agora. Você já está pronto?
Só preciso pegar o meu paletó – avisou – Que eu esqueci lá em cima..., já voltou.
Então ele subiu rapidamente as escadas, desaparecendo no andar de cima em poucos segundos.
– É impressão minha ou o Damon não parece tão animado assim para ir ao nosso jantar de ensaio? – Caroline perguntou, fazendo com que eu me virasse para ela.
– Com certeza não é só impressão – neguei com a cabeça – E acho que eu sei exatamente o porquê dele estar assim.
– O seu pai... – aquilo não era exatamente um pergunta, mas mesmo assim eu respondi afirmativamente.
– Damon está aqui há um mês e conseguiu evitar o nosso pai por todo esse tempo – comentei – Só que agora não tem mais como fugir, a não ser que ele queira faltar ao nosso casamento, o que eu acho difícil, já que ele é padrinho.
– Acho que não tem como culpá-lo, essa vai ser a primeira que ele vai ver o pai de vocês em anos – lembrou – Quero dizer, os dois se viram no ano passado na sua formatura, mas hoje vai ser meio difícil deles não conversarem.
Espero por esse dia há onze anos, desde que Damon decidiu sair de casa e ir embora de Toronto e finalmente tinha chegado o momento do tão esperado reencontro. Mas sendo sincero estou um pouco temeroso agora, principalmente por não ter ideia do que pode acontecer, por nenhuma das duas partes.
– Voltei! – meu irmão já estava de volta a parte de baixo do apartamento – Vocês pareciam com pressa há alguns minutos, então vamos logo.
Caroline provavelmente percebeu que eu estava preocupado, pois segurou a minha mão para deixar claro que estava ali comigo para o que quer que fosse. Não pude deixar de sentir certo alívio com aquele pequeno gesto da parte dela.
– Sim, eu estou mesmo com um pouco de pressa – afirmei – É hora de irmos.
***
O casamento do principal herdeiro da Salvatore’s Entertainment é um grande evento par a cidade de Toronto e mesmo com os meus protetos, teremos a cobertura da imprensa amanhã, por isso meu pai concordou em fazer um evento simples no jantar de ensaio, diferente de como a maioria das pessoas costuma fazer nessa ocasião. Então hoje a noite será apenas para as nossas famílias e os padrinhos (no caso optamos por apenas dois casais: Damon com a Elena e Lexi, minha melhor amiga da época do Ensino Fundamental com quem eu continuei mantendo contato mesmo quando fui morar em Mystic Falls, juntamente com o namorado), tudo bem simples.
Parei o carro no estacionamento e fomos caminhando na direção ao restaurante. Já estávamos quase na porta quando minha irmã caçula veio correndo na nossa direção.
– Stefan! – ela me abraçou – Que saudades! Faz tanto tempo que você não vai lá em casa!
– Eu sei, minha princesinha! – dei um beijo no topo da sua cabeça – É que eu estive ocupado essas últimas semanas, por isso não consegui ir até lá.
– Papai disse que você vai se casar amanhã – olhou rapidamente para Caroline antes de se virar para mim novamente – Isso é mesmo verdade.
– Sim, Val, é verdade – afirmei um pouco incerto, ela sempre disse que eu e a Care deveríamos namorar, mas agora que aconteceu não sabia qual seria a sua reação – E esse jantar é para isso, para comemorarmos o meu casamento com a Caroline.
– Mas que legal! – começou a pular na direção da minha noiva – A Anna sempre disse que vocês dois ainda iam ficar juntos um dia e sabia que ela estava certa.
– Então essa é a nossa irmãzinha caçula? – Damon finalmente falou depois de alguns instantes de silêncio – Ela parecia menor quando a vi na sua formatura no ano passado.
– Isso já faz um ano, Damon – lembrei – Crianças crescem, caso você não se lembre.
Nesse momento Valentina estava em uma conversa animada com Caroline e prestava atenção no que eu e Damon estávamos falando nesse momento.
– Val, quero te apresentar uma pessoa – eu as interrompi – Essa aqui é o Damon, nosso irmão mais velho.
– Nosso irmão? – pareceu surpresa com isso – Por que eu não conhecia ele ainda?
– Acontece que eu estou morando em uma cidade muito longe de Toronto – foi a vez dele de explicar e se ajoelhou para ficar na altura da nossa irmã – Miami, você já ouviu falar?
– Não – negou com a cabeça – É um lugar bonito?
– Sim, uma das cidades mais bonitas que eu já conheci e olha que eu conheço muitas cidades – a sua resposta fez com que Valentina risse – Quem sabe você não vai conhecer um dia, vou ficar feliz em te mostrar tudo.
– Vou adorar! – garantiu – Stef, bem você e a Caroline poderiam ir também, não é?
– Val, eu tenho tentado convencer esse teimoso a ir me visitar há muito tempo, mas ele nunca vai – comentou – Quem sabe você não consegui convencê-lo.
– Sim, vamos! – pediu.
– Quem sabe a gente não vai nas férias de verão do ano que vem? – sugeri, fiz umas contas rápidas e até lá o bebê já vai ter nascido e já poderia fazer uma viagem grande dessas – Isso, é claro, se o papai e a Pearl autorizarem que a gente te leve.
– Valentina, onde é que você está, minha filha? – a voz da minha madrasta fez com que todos nos virássemos na sua direção, ela parecia bem preocupada – Eu disse que não era para você sair correndo para fora do restaurante, pode acabar se machucando aqui fora.
– Desculpa, mãe... – disse – Mas eu estava aqui com os meus irmãos, não ia acontecer nada comigo.
– Stefan! Caroline! Eu nem vi vocês dois aqui! – nos cumprimentou – E..., oi, Damon! Quanto tempo que a gente não se vê.
– Oi, Pearl... – ele repetiu o gesto dela de volta – Faz mesmo muito tempo.
– Você conhece o Damon? – e mais uma vez ela pareceu bem surpresa com a nova revelação.
– Mas é claro que eu conheço – afirmou – Eu conheci o Damon na época em que comecei a namorar o pai de vocês, quando ele ainda morava aqui em Toronto; na mesma época em que eu conheci o Stefan, é claro.
– Legal! – bateu palminha animada.
– Agora vamos voltar para dentro do restaurante – sugeriu- Está ficando um pouco frio e se continuar aqui a senhorita vai acabar ficando gripada.
Avistei um casal caminhando na direção de onde estávamos. Mesmo a uma certa distância pude verificar que se tratava de Lexi, eu não a via há vários anos, mas ela não tinha mudado quase nada.
– Vocês podem ir entrando – avisei – Eu e Caroline encontramos vocês em alguns minutos.
– E você, Damon, vem com a gente? – Val segurou a mão dele totalmente esperançosa.
Meu irmão me olhou como se pedisse ajuda e eu apenas devolvi o olhar para dele, um incentivo para que a seguisse. Tenho certeza de que, mesmo com todos os problemas que tem com o nosso pai, Damon não quer magoar uma garotinha de quatro anos.
– Tudo bem, vamos lá – acabou concordou e deixou ser arrastado pela nossa irmãzinha.
Eu os observei entrando no local antes de voltar a me virar na direção dos nossos convidados recém-chegados, que agora estavam cada vez mais próximos.
– Stefan! – minha amiga me abraçou com tanta força que poderia ter quebrado alguma costela – Que saudades eu estava de você! Cinco anos é muito tempo para ficar sem te ver pessoalmente.
Lexi e eu nos conhecemos quando tínhamos seis anos e ficamos amigos logo de cara, fazíamos tudo juntos, tanto no colégio quanto fora dele; então, no Ensino Médio eu fui para Mystic Falls, mas continuamos em contato e contávamos tudo da vida um do outro. Embora a gente ainda se fale por telefone e pela internet, a última vez que nos vimos pessoalmente foi logo depois que eu voltei para Toronto, algumas semanas antes dela ir embora para a faculdade.
– Digo o mesmo para você – fui obrigado a concordar – Acho que ainda não conhece a minha noiva, Caroline.
– Pessoalmente, não! – então ela abraçou a Care da mesma maneira que tinha feito comigo – Confesso que eu fiquei surpresa quando Stefan me contou que ia se casar, mas ele sempre fala de você e já tem um bom tempo que eu cheguei a conclusão de que vocês estão apaixonado, então tenho certeza de que serão mais do que felizes juntos. E eu, é claro, não poderia estar mais feliz pelos dois.
Revirei os olhos, Lexi como sempre falando um pouco mais do que deveria, espero que Caroline não desconfie de nada.
– Você já deve ter percebido, mas essa é a minha amiga Lexi – expliquei – Já falei dela para você.
– Claro que falou – afirmou – E eu estou muito feliz por você ter aceitado ser a nossa madrinha, mesmo tão em cima da hora
– Como se eu fosse negar um pedido do meu melhor amigo aqui... – bagunçou um pouco o meu cabelo – Espero que a gente tenha tempo para conversar hoje, Caroline, tenho várias histórias embaraçosas do Stefan para te contar.
– Com certeza eu vou adorar ouvir – garantiu antes de dar um pequeno sorriso.
Por fim ela nos apresentou ao seu namorado e nós quatro também fomos para dentro do restaurante onde meu pai, Pearl, Anna, Val e Damon já estavam nos esperando. Tenho certeza de os pais de Caroline e Elena não demorariam muito para chegar também.
***
O jantar de ensaio transcorreu sem maiores problemas. O grande assunto da mesa, é claro, foi o casamento e perguntas sobre as nossas expectativas para a nossa vida juntos. É claro que não terminou muito tarde, amanhã será um grande dia e todos precisam acordar cedo para se preparar.
Damon avisou que precisava ir ao banheiro antes de irmos, então eu fui esperá-lo do lado de fora.
– Então é aqui que você está se escondendo... – a voz de Caroline me tirou do meu pequeno transe – Meu pai já estava me perguntando se você estava fugindo dele.
– Nem tive tempo de conversa com os seus pais hoje – lamentei – Por favor, explica para eles, não quero que pensem que eu estava sendo mal educado ou fugindo deles de alguma maneira.
– Tudo bem, Stef, eles entendem; você vai ser genro deles e terão bastante tempo para várias conversas – colocou o braço em volta do meu pescoço – E pelo jeito conseguimos sobreviver ao dia de hoje, agora é só esperar por amanhã.
– Você sabe que ainda dá tempo de desistir, não é mesmo? – lembrei – Eu sei perfeitamente que esse não é o casamento dos seus sonhos e que também não é a melhor ocasião para isso, então...
– Então vamos fazer com que seja a ocasião certa para isso – sussurrou com a boca perto da minha – Sei que eu disse que não queria me casar as pressas por causa do bebê, mas agora nós dois temos outra motivação, o seu futuro na empresa e fico mais do que feliz em te ajudar com isso.
Dei vários selinhos nela e por fim a beijei delicadamente. Era a primeira e provavelmente a última vez que tínhamos conseguido ficar sozinhos essa noite, então era bom aproveitar.
– Brooke... – infelizmente esse momento não durou muito, Elena surgiu fazendo com que nos afastássemos rapidamente – Desculpa eu não queria interromper vocês – pareceu visivelmente sem graça com isso – Acontece que eu não consigo achar a Brooke.
– Eu a vi junto a Val correndo pelo restaurante – Caroline respondeu – Elas devem estar em algum lugar lá dentro, vou procurá-la para você.
– Se quiser eu posso fazer isso – sugeri.
– Não precisa – garantiu – Não precisa se preocupar, eu volto em poucos minutos.
E lá estávamos eu e Elena sozinhos pela primeira vez em uns seis anos. Um silêncio constrangedor se instalou e tudo que consegui fazer foi passar a encarar os meus pés.
– Então... – decidi puxar assunto – Sua filha e a minha irmã parecem ter ficado amigas.
– Sim, parece mesmo – concordou – Não sabe o quanto ela ficou feliz quando viu que tinha uma garota da idade dela aqui.
– Acho que eu nunca poderia imaginar uma coisa dessas acontecendo há alguns anos – sussurrei, mas tinha certeza de que ela tinha conseguido escutar.
– Stefan, acho que eu ainda não tive a oportunidade de te pedir de desculpas – mudou de assunto – Por tudo que aconteceu.
– Elena, você não precisa fazer isso – avisei — Já faz tanto tempo, é um assunto encerrado.
– Por favor, Stefan, eu preciso fazer isso – pediu – Você era o namorado perfeito, fazia tudo por mim e eu fui uma completa idiota te traindo daquele jeito e eu mereci tudo que aconteceu comigo depois disso.
– Elena, você não precisa mesmo se explicar – insisti.
– Só me deixa terminar – colocou a mão sob o meu ombro – Amanhã você vai se casar com a Caroline, que sempre esteve ao seu lado, te apoiou quando você precisou, ela certamente te valorizou da maneira que eu não fiz. Vocês dois vão ser mais do que felizes e isso é totalmente incrível.
– Obrigado – foi tudo que eu consegui dizer.
– Há duas semanas quando eu cheguei aqui em Toronto e meio que pediu a minha benção para o casamento de você e foi o que eu fiz – completou – Só queria deixar isso bem claro para você também, não quero que fique nenhum clima estranho entre nós.
– E não ficará – garanti – Afinal, você é a melhor amiga da minha futura esposa, seremos amigos também.
– Claro... – concordou – Seremos amigos.
– E aqui estamos – Caroline voltou trazendo a filha da Elena junto consigo – Está tudo bem aqui?
– Sim! – respondemos ao mesmo tempo.
– Lena acho melhor irmos embora – avisou para a amiga – Você sabe que não posso ficar até muito tarde vendo filmes, já que eu preciso estar bem descansada para amanhã.
– Claro, vamos – afirmou com a cabeça.
– Se vocês quiserem eu posso levar vocês – sugeri – Damon quer me arrastar para uma despedida de solteiro, mas podemos nos desviar do caminho um pouco por uma boa causa.
– Não precisa, Stefan, nós vamos de táxi e vamos aproveitar para ligar para a Bonnie no caminho – Caroline respondeu – Mas que tipo de despedida de solteiro com o Damon? Algo com o qual eu deva me preocupar?
– Só vamos sair para beber, não é nada demais – tentei tranquilizá-la – Garanto que estarei bem amanhã para o nosso casamento.
– Acho bom mesmo... – segurou o meu rosto para um último selinho – Vou esperar ansiosamente por isso.
– Eu também – sussurrei antes de sorrir.
Chamei um táxi para elas e abri a porta para que pudessem entrar no veículo e depois fiquei na calçando o observando se afastar. Essa era a última vez que eu e Caroline precisaremos nos separar a noite, a partir de amanhã tudo será diferente.
***
– Você ficou tão quieto o jantar inteiro – eu e Damon estávamos a caminho do bar em que ele está fazendo questão de me levar para a minha despedida de solteiro, não entendo o porque de estar sendo tão específico, mas decidi não questioná-lo – Tem certeza de que está tudo bem?
– Claro que está tudo bem – nesse momento ele estava olhando a passagem que passava rapidamente pela janela do carro – E por que não estaria? É totalmente normal você estar evitando o seu pai há vários anos e ser obrigado a ficar na mesma mesa de um restaurante com ele.
Desde que meu noivado com Caroline foi oficializado tentei marcar um jantar na casa do meu pai, mas Damon sempre inventava uma desculpa. Claro que eu sabia que eles iriam se encontrar hoje, mas não tive muito sucesso com isso também.
– Será que eu posso saber o que vocês conversaram enquanto eu e a Care estávamos lá fora conversando com a Lexi? – assim que chegamos a nossa mesa os dois estavam sentados em lados opostos e não tinha a mínima ideia do que tinha acontecido antes – Se é que vocês conversaram.
– Ele apenas me viu, me cumprimentou e depois eu fiquei conversando com a Val – deu de ombros enquanto falava – Isso não me surpreende nem um pouco, nosso pai sempre foi teimoso, ele nunca admitiria dar um primeiro passo quando o assunto sou eu.
– Sei que eu já te perguntei isso e você não quis me responder – continuei – Mas qual foi o real motivo por trás da sua saída de casa aos 18 anos para nunca mais voltar?
– Eu já disse que é complicado, Stef – lembrou – Não é um assunto para se falar hoje.
– Acontece que eu já estou cansado de você falar sempre a mesma coisa – elevei um pouco o tom de voz, embora não tenha chegado exatamente a gritar – Quero uma resposta, eu preciso de uma resposta.
– Apesar de tudo, você sempre viu o nosso pai como uma espécie de herói – falou – Não destruir essa imagem que você tem dele.
Tudo que eu fiz foi suspirar pesadamente e voltar as minhas atenções para a estrada a minha frente. Pelo jeito a situação é mais grave do que eu poderia imaginar e não vou conseguir arrancar nada do meu irmão hoje.
– E chegamos! – voltou a falar depois de alguns minutos – Aqui está o bar que eu te falei.
Era bar pequeno com um letreiro de neon. Não era um lugar caído aos pedaços como existe aos montes na cidade, mas certamente não era um ponto comum de encontro, fiquei me perguntando como Damon conheceu esse lugar.
– Aqui? – consegui perguntar – Você tem certeza?
– Claro – afirmou com a cabeça – Acredite em mim, irmãozinho, você vai adorar, eu tenho uma surpresa para você lá dentro.
– Certo... – já que não tinha muita escolha, acabei concordando.
Por sorte consegui uma vaga que não ficava muito longe do bar e parei o meu carro lá. Não sabia muito o que esperar do restante dessa noite, mas é melhor eu me jogar de cabeça em seja lá o que meu irmão está aprontando para mim.
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