Changes Love

2 Capítulo 1 – Difícil de superar


Notas iniciais
Postando mais cedo do que planejado essa semana (agradeçam a Karol - vulgo Caseride Lover - por isso). Não vou me ater muito aqui, espero que gostem do cap Nos vemos lá embaixo nas notas finais

Caroline

Umas das milhares de vantagens de ser maior de idade, morar sozinha em Toronto há vários quilômetros de distância dos meus pais e ainda ser totalmente solteira é poder sair para dançar e encher a cara sem precisar da satisfação para ninguém; e eu estou curtindo cada minuto disso. Já estava naquela boate há horas e estava na minha terceira ou quarta dose de Cosmopolitan, garanto que não pretendo sair daqui tão cedo.

– Quero mais uma... – chamei o barman empurrando mais uma taça vazia na sua direção – E pode colocar o dobro de vodca dessa vez.

O homem ficou me encarando por algum tempo como se tentasse me analisar ou ainda ler a minha mente. Na mesma hora eu lancei um olhar avisando que se ele se negasse a me servir uma outra bebida alegando que eu já estava bêbada, iria ouvir um dos meus famosos monólogos.

– Já vou trazer a sua bebida, senhorita – foi tudo que disse antes de se afastar.

Estava com a minha bolsa no colo, por isso não foi muito difícil sentir o meu celular vibrar. Peguei o aparelho e imediatamente vi o número do meu melhor amigo piscando no identificador de chamadas.

– Stefan! – disse animada assim que atendi a ligação – Mas que surpresa receber uma ligação a essa hora da noite em um dia de semana, pensei que estivesse ocupado demais com a empresa para se preocupar com a sua amiga aqui.

– Não é surpresa nenhuma eu estar te ligando, Care – “Care”, ele começou a me chamar assim quando começamos a ficar mais próximos ainda no Ensino Médio, é um apelido carinhoso e totalmente exclusivo, não admito que mais ninguém o use – A surpresa é eu estar ouvindo essa música ao fundo, levando em consideração que hoje é quinta-feira e você provavelmente trabalha amanhã. Será que eu quero saber onde você está ou vou me arrepender da pergunta?

Foi nesse momento que o barman voltou trazendo a meu Cosmopolitan. Eu o peguei e tomei um grande gole, bebendo quase metade do conteúdo de uma vez só.

– Muito obrigada! – agradeci sem nem ao menos afastar o telefone do ouvido, o que significa que Stef tinha ouvido tudo.

– Por favor, Care, não me diga que você está em uma boate? – voltou a perguntar, seu tom de voz era de uma leve decepção.

– Eu não disse isso... – dei de ombros, mesmo sabendo que ele não estava vendo; mas a verdade é que não devia estar sendo tão convincente assim, nunca consegui mentir para ele –Toronto é uma cidade enorme, eu posso estar em qualquer lugar dela.

– Pois eu tenho certeza de que esse lugar é uma boate – garantiu – Sem contar que você já está completamente bêbada.

– Eu não estou bêbada, Stef – não sei por que, mas me deu uma vontade de incontrolável de rir – Só tomei algumas doses de Cosmopolitan, não é nada de mais. Tenho uma boa tolerância para bebidas alcoólicas.

– Sim, eu sei muito bem disso... – estava usando seu tom de voz sarcástico – Care, me fala onde você está. Não posso te deixar voltar para casa sozinha, seria uma grande imprudência da minha parte.

– E quem foi que disse que eu pretendo voltar para casa sozinha? – brinquei – A noite é uma criança e aqui tem vários gatinhos, o que não falta é oportunidade, se é que você me entende.

– Care, eu estou falando sério... – insistiu, sabia que quando ele começava com isso nada o fazia mudar de ideia, iria insistir até que eu dissesse onde estou.

– Certo – fiz uma careta – Eu estou naquela boate nova que fica há duas quadras da minha casa; você sabe qual é, já passamos na porta várias vezes antes dela inaugurar.

– Sim, eu sei perfeitamente – afirmou – Olha, eu só preciso terminar umas planilhas que o meu pai pediu que eu fizesse e assim que acabar vou direto para aí.

– Está bem... – então começou a tocar uma música totalmente animada e não consegui pensar em mais nada depois – Eu amo essa música, preciso ir! Tchau, Stef!

Desliguei antes que ele pudesse falar qualquer coisa e joguei o celular dentro da bolsa novamente. Depois disso eu me levantei e corri na direção da pista de dança.

***

Acho que eu dancei mais do que eu já tinha dançado em toda a minha vida, sem contar que devo ter beijado pelo menos uns dez caras enquanto estava ali; mas um desses caras foi o que mais me chamou atenção. O nome dele é Liam e depois de passarmos algum tempo nos agarrando decidimos ir para um canto perto de uma parede, assim poderíamos ter um pouco de “privacidade”.

– O que você acha de irmos para um outro lugar? – perguntou com os lábios grudados no meu pescoço – Assim nós ficamos mais a vontade, não acha?

– É uma ideia perfeita! – balancei a cabeça afirmativamente – Meu apartamento é aqui perto, podemos para lá.

Ele se afastou o suficiente para que eu pudesse ver o seu enorme sorriso malicioso e então segurou uma das minhas mãos.

– Você mostra o caminho, então – começou a caminhar e me puxou juntamente consigo.

Colocou o braço meu ombro e quando estávamos quase chegando na porta de saída demos de cara com Stefan. Meu amigo estava usando um terno escuro, uma blusa provavelmente branca e uma gravata que não consegui definir qual era a cor por causa da luz escura da boate; ele cruzou os braços e percebi que não estava com uma cara muito feliz por me encontrar naquela situação.

– Muito bonito, Caroline Forbes – usou meu nome completo, sabia que quando isso acontecia era sinal de que não vinha coisa boa por ai – Será que posso saber ande é que a senhorita pensa que vai?

– Para a minha casa – dei de ombros, como se aquela fosse a cena mais natural do mundo – Juntamente com o Liam aqui... – então eu o abracei e dei um beijo na sua bochecha.

– Você não vai a lugar nenhum – já foi deixando bem claro – Sinto muito..., Liam, certo? Mas ela não está com capacidade de julgar o que é certo e o que é errado nesse momento. Por isso a Caroline vem comigo e eu mesmo vou cuidar dela.

– Liam olhou para mim e para Stef repetidas vezes. Não sei o que estava se passando pela sua cabeça, mas com certeza não era bom.

Desculpe-me, cara, não sabia que ela já estava acompanhada – falou por fim – Quem sabe a gente não se vê outro dia – deu um beijo no rosto antes de se afastar.

Eu o observei caminhar até desaparecer na multidão que ainda estava se divertindo na boate; e aquele era o fim da minha noite..., oficialmente. Voltei a me virar para o meu amigo e revirei os olhos, deixando bem clara a minha ingratidão.

– Tudo bem, Care, eu sei que você está chateada comigo agora, mas vai me agradecer por isso depois – explicou-se – Agora vamos, vou te levar para casa.

– Não vou lugar nenhum com você, Stefan – bati o pé como uma criança mimada – Vim aqui para me divertir e é isso que vou continuar fazendo, apesar de você ter estragado o meu encontro.

– Eu disse no telefone e vou repetir: não vou te deixar sair daqui sozinha – percebi que estava começando a perder a paciência comigo – Você está bêbada e já é quase meia-noite. Toronto é uma grande cidade e cheia de crimes sem explicações, tenho certeza de que você não quer entrar para a estatística de assassinatos sem a menor explicação.

Antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa ele me pegou no colo, fazendo com que eu soltasse um grito de surpresa.

– Me solta, Stef! – comecei a empurrar seu peito com toda força que eu tinha, mas infelizmente meu amigo é muito mais forte do que eu – Stefan Salvatore, eu te odeio!

– Sim, eu já ouvi essa – foi a vez dele revirar os olhos para mim – Você me odeia, nunca mais quer falar comigo ou até mesmo me ver na sua frente. Estou mais do que acostumado com essas palavras, Care, o suficiente para não levá-las a sério.

– Mas agora eu estou falando mais do que sério... – gritei e comecei a me espernear..., quem sabe eu consegui chutá-lo no rosto? – É melhor você me colocar no chão, agora mesmo!

– Talvez depois – deu de ombros – Só que antes eu vou te levar para casa.

Apesar de toda a minha relutância, Stefan não me colocou ao chão, em vez seguiu para o lado de fora da boate. Entregou o cartão para o guardador, que logo trouxe o seu carro; então ele me colocou sentada no banco do passageiro e prendeu o meu cinto de segurança, antes de dar volta para chegar o lugar o motorista.

– Prontinho... – me olhou novamente antes de ligar o veículo – Agora podemos ir.

– Não acredito que você está mesmo fazendo isso... – encostei o cotovelo no vidro da janela e encostei a mão no rosto.

– Oh sim, eu estou fazendo isso – afirmou – Já que minha melhor amiga decidiu perder todo o juízo que ela tinha, cabe a mim ajudá-la a procurá-lo de volta.

Em seguida saiu com o carro pelas vazias ruas de Toronto.

***

Sendo bem sincera, no curto caminho entre a boate e o prédio em que eu morava já tinha esquecido completamente por que estava com raiva do Stefan. Ele estacionou em frente ao edifício e saiu do carro indo me ajudar a fazer a mesma coisa.

– Já está mais calma agora, Care? – quis saber – Ou vai voltar a gritar e a espernear comigo?

– Estou mais calma sim – balancei a cabeça afirmativamente antes de apoiá-la no seu ombro e me encostar melhor nele – E também estou com sono, muito sono.

– E depois ainda tem coragem de dizer que não é fraca para bebida – riu – Acho que tudo que você precisa agora é de uma boa noite de sono.

– Meu herói... – passei a mão pelo seu cabelo e a desci pelo seu rosto, até chegar ao seu queixo – Eu já te disse alguma vez o quanto você é lindo?

– Decididamente você está bêbeda – respondeu.

A minha grande sorte é que Stefan já tinha vindo várias vezes nesse um ano e meio que moro aqui, por isso o porteiro deixou que subíssemos sem fazer nenhum tipo de pergunta.

Senti os meus pais encostarem no chão novamente quando chegamos ao um andar e estávamos parados em frente a porta do meu apartamento.

– Acho que temos um grande problema – comecei a virar a minha bolsa tentando descobrir como abri-la – Não me lembro onde foi que eu coloquei as chaves de casa.

– Deixa que eu pego a chave ... – puxou o objeto das minhas mãos e o abriu para retirar o chaveiro, era um pequeno globo de neve com Mystic Falls dentro, a minha cidade natal.

– Stefan abriu a porta. Ele me ajudou a entrar e a caminhar na direção do sofá.

– Espera bem aqui que eu vou preparar um café bem forte para você – pediu.

– Não gosto de café forte – voltei a reclamar, fazendo uma careta.

– Mas ajuda com a bebedeira e, principalmente, na enorme ressaca que você vai sentir amanhã de manhã – garantiu.

– Espera, Stefan – segurei a sua mão antes que pudesse se levantar – Por que mesmo a gente nunca ficou junto?

– Care, você é mesmo hilária – ele não estava levando a minha pergunta nem um pouco a sério.

– Eu estou falando sério... – insisti – Nós somos amigos desde o Ensino Médio, viemos fazer faculdade na mesma cidade e fazemos tudo juntos. Por que não podemos tentar ser nada mais do que isso?

– Exatamente por tudo isso que você acabou de dizer – respondeu calmamente passando a mão pelo meu cabelo – Somos amigos, aliais, grandes amigos, uma tentativa de namoro poderia estragar tudo isso que temos e eu iria me odiar pelo resto da vida se deixasse isso acontecer.

– É por causa da Elena, não é mesmo? – insisti – Não sou apenas a sua melhor amiga, sou a melhor amiga da sua ex-namorada e talvez pensar em ter alguma coisa comigo pode te fazer lembrar o quanto ela te magoou.

Ele estava me encarando seriamente agora. Tinha acabado de tocar em uma ferida antiga, uma ferida que eu sabia que ainda não tinha cicatrizado.

– Não é por causa da Elena, Care – balançou a cabeça negativamente enquanto, finalmente, respondia – Você é sim uma mulher maravilhosa e vai fazer um cara muito feliz um dia, mas com certeza não serei eu.

Então o puxei pelas duas pontas do paletó para que chegasse mais perto ainda de mim, mas antes que eu pudesse encostar os seus lábios nos meus, um enorme enjoo subiu pela minha garganta e tudo que tive tempo de fazer foi me virar para o lado e vomitar no chão. Sorte que tinha tirado o tapete que tinha ali há alguns dias por estar acumulando muita poeira.

– Essa não, sou mesmo um desastre total – disse por fim – Agora eu entendo porque você nunca quis ficar comigo, Stef.

– Care, tudo bem, isso acontece – segurou o meu rosto dos dois lados e me fez olhá-lo – Por que você não vai tomar um banho enquanto eu limpo isso tudo e também faço o café que tinha prometido antes.

Concordei e com certa dificuldade consegui me levantar e caminhar até o banheiro. Chegando lá eu tirei a minha roupa e entrei no box, deixando então a água cair pelo meu corpo de maneira totalmente relaxante.

***

Como já era de imaginar, acordei com dor de cabeça, mas que não era tão insuportável assim, talvez a enorme xícara de café que Stefan me fez tomar depois que eu saí do banho tenha feito alguma diferença mesmo.

Decidi levantar da cama sem mais enrolação. Preciso comer alguma coisa bem rápido, tomar uma ducha, trocar de roupa e ir para o trabalho, não tenho ideia da hora, mas espero que não esteja atrasada.

Ainda no corredor do apartamento eu já pude sentir um cheiro muito bom vindo da cozinha, então pude comprovar que meu amigo tinha dormido lá por que ver o seu paletó, a gravata e a camiseta jogados no meu sofá.

– Stef... – comecei a chamá-lo.

Então eu o encontrei em frente ao fogão de costas para mim, ele estava mexendo alguma coisa na frigideira, totalmente distraído, tanto que nem me ouviu entrando no local.

– Stef... – voltei a chamá-lo, fazendo com que finalmente se virasse.

Foi impossível não prender a respiração ao ver o peitoral definido de Stefan, certamente todos aqueles anos no time de futebol da escola fizeram um bem danado. Claro que eu já tinha visto meu amigo sem camisa antes e toda vez que isso acontece não consigo deixar de ter “pensamentos impuros”, afinal, com todos aqueles músculos, não tem como negar que ele deve ser muito bom de cama...

– Bom dia, bela adormecida – abriu um enorme sorriso para mim – Achei que você fosse hibernar.

– Mas por que você está...? – foi só então que eu vi o relógio no micro-ondas, tinha passado um pouco mais de dez horas da manhã – Essa não! Estou atrasada para o trabalho, preciso correr para a revista antes que eu...

– Care, fica calma – segurou os meus ombros para que eu pudesse parar de andar em círculos – Você não precisa se preocupar, procurei o telefone da revista no seu celular e liguei avisando que você não estava se sentindo bem e não viram problema em te dar o dia de folga; também liguei para a empresa e pedi para a secretária avisar ao meu pai que não vou hoje e depois disso desliguei o meu celular, é claro.

Entendi muito bem o que ele queria dizer, o pai de Stef está totalmente obcecado em preparar o filho para assumir a empresa da família e isso é algo mais do que cansativo para o meu amigo, que tem trabalho praticamente dia e noite sem parar.

– Você não precisava ter feito nada disso por mim – disse, por fim – Quero dizer, dormir aqui, fazer o café da manhã..., já te dei trabalho mais que suficiente ontem a noite. Era só você colocar o meu celular para despertar e eu ficaria bem.

– Achei melhor ficar aqui, caso você precisasse de mim – explicou – E sobre o café da manhã não foi o melhor trabalho, essa desse ser a comida mais saudável que você vai comer em semanas, a julgar pelas milhares de embalagens de entrega que tem na sua geladeira.

– Idiota...! – revirei os olhos, o meu forte nunca foi cozinhar, e já que moro sozinha meio que preciso recorrer a entregas de comida para não morrer de fome – E aonde foi que você dormiu? – decidi perguntar, meu apartamento tem dois quartos, mas um deles é o meu e o outro eu uso como escritório, logo não tenho um lugar onde um hospede pode ficar.

– Acredite em mim, o sofá da sua sala é mais confortável do que pensa – respondeu – Agora venha tomar café: fiz ovos com banco, algumas torradas, suco de laranja e café com leite, sei que esses são os seus favoritos.

– Obrigada – sorri, mas ainda tinha uma outra coisa que eu queria discutir ontem a noite antes de pensar em comer – Olha, Stef, eu queria dizer que sinto muito por ter dado em cima de você, não estava pensando direito e realmente estou totalmente envergonhada por te falar todas aquelas coisas.

– Já nem lembro mais daquilo... – balançou a cabeça negativamente – Você estava bêbada, Care; disse agora mesmo que não estava pensando direito e essa é a mais pura verdade.

– Acho que tenho feito muito isso nas últimas semanas – dei de ombros e um suspiro triste – Não tem como a situação ficar pior para mim

Fazia pouco mais de um mês desde que eu e Tyler, meu ex-namorado, terminamos, ou melhor, desde que ele terminou comigo. Desde então eu tenho saído para beber quase todas as noites, e como conseqüência tenho ficado com vários caras diferentes no processo, embora, felizmente, nada disso tenha passado apenas de beijos com nenhum deles.

Stefan se aproximou de mim e colocou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha antes de me dar um beijo na testa.

– Olha, aceite um conselho de alguém que passou por uma situação semelhante a sua – continuou – Você vai superar isso. Talvez demore um pouco para acontecer, mas você vai superar.

O que aconteceu com Stefan foi muito pior do que o que está acontecendo comigo. Durante o Ensino Médio ele namorava minha melhor amiga, Elena Gilbert, os dois eram o que poderíamos chamar de o casal perfeito, todos na escola o tinham como modelo de relacionamento para os outros e achavam que ficariam juntos até muito depois que o colégio terminasse; mas no nosso último ano Lena o traiu com Kai Parker e tudo foi descoberto da pior maneira possível. Preciso admirar a força do meu amigo, acho que nunca mais conseguiria me recuperar se fosse comigo.

– É, espero que consiga mesmo me recuperar – sussurrei.

– Agora a senhorita vai tomar o seu café da manhã – puxou a cadeira que eu pudesse me sentar – Espera aqui que eu vou pegar uma aspirina para você. Imagino que esteja precisando.

– E estou mesmo – concordei antes que ele saísse da cozinha – Estão no armário do banheiro – gritei na direção da porta imaginando que estivesse perto o suficiente para ouvir.

***

Depois de terminar a minha refeição, Stefan e eu fomos para a sala assistir um pouco de televisão. Procuramos algum filme legal que estivesse na programação, mas como não tinha nenhum, apenas ficamos mudando de canal rapidamente sem realmente ver o que estava passando.

– E como foi que você conseguiu? – decidi perguntar. Estava com a cabeça deitada no colo do meu amigo e ele passava a mão pelo meu cabelo, eu estava quase dormindo por causa daquela pequena carícia.

– Como eu consegui o que? – me respondeu como um novo questionamento.

– Como foi que você conseguiu superar tudo que aconteceu? – me sentei para poder olhá-lo melhor – Você sabe, em relação ao que aconteceu com a Elena e tudo mais.

Estava olhando um ponto fixo na parede atrás mim, totalmente pensativo. Sei que ele devia estar pensando em tudo que aconteceu naquela época e quase podia ver a sua mente trabalhando.

– Tenho que admitir, não foi nada fácil – falou depois de alguns minutos – Bom, mas você sabe perfeitamente disso, acho que não preciso te lembrar.

– Sim, eu sei perfeitamente – balancei a cabeça afirmativamente.

Durante os dois primeiro anos de Ensino Médio, eu e Stefan costumávamos conversar, tínhamos o mesmo grupo de amigos e até mesmo apresentamos um trabalho de história juntos, mas nunca fomos o que poderia ser chamado de próximos. Só que depois que Elena o traiu e os dois terminaram, foi uma das únicas pessoas que teve coragem de falar o quanto minha melhor amiga estava errada em magoar um cara tão maravilhoso quanto esse e nós duas acabamos tendo uma briga feia na época; e foi assim que eu e Stef acabamos virando melhores amigos e quase inseparáveis.

– Acho que posso dizer que você foi a pessoa que mais me ajudou a superar tudo isso – completou.

– Eu fui a pessoa que te ajudou? – fiquei totalmente confusa agora – Mas o que eu posso ter feito para te ajudar tanto assim naquela época?

– Para começar, foi você quem esteve ao meu lado em todos os momentos depois de tudo que aconteceu – lembrou – Torcia por mim durante os jogos, íamos juntos ao cinema ou então para a minha casa para assistirmos televisão e jogamos vídeo-game, até mesmo me ouvia desabafar.

– Só queria te ajudar, você sabe disso – dei de ombros – Você não merecia o que a Elena te fez depois de toda a história de vocês juntos; tudo que você precisava era de alguém te dando apoio e foi isso que eu fiz.

– E eu te agradeço muito por isso – continuou – Você se lembra do nosso baile de formatura, não é mesmo?

Apenas respondi com a cabeça, esperando que ele completasse a história.

– Você me arrastou para a pista de dança, contra a minha vontade, devo lembrá-la – foi impossível não fazer uma careta depois daquele comentário – E basicamente me disse que a Elena não era a única garota no mundo e que um dia eu conheceria alguém bem legal, então me apaixonaria e seguiria em frente sem nem perceber.

Já se passaram pouco mais de cinco anos desde aquela noite, mas eu me lembrava perfeitamente daquela conversa. Tinha dito aquilo de forma totalmente casual, não tinha ideia de que as minhas palavras tinham sido tão importantes assim.

– Então, da mesma maneira que você me disse que eu ia superar a Elena, agora eu digo que você também vai superar o Tyler – completou antes de dar um beijo na minha bochecha – Não pensa muito nisso.

– Não vou pensar... – garanti – Eu prometo.

– O Tyler é um completo idiota por ter terminado com você – prosseguiu – E um dia você vai conhecer um cara te mereça e que vai te fazer muito, mas muito feliz.

Eu apenas deitei a cabeça no peito do meu amigo e deixei que ele desse um beijo no topo da minha cabeça. Da mesma maneira que eu estivesse ao lado de Stefan quando precisou, estava mais do que feliz dele estar aqui comigo agora.

– Sabe, eu estou começando a ficar com fome – disse sem me mover um milímetro – O que acha de pedirmos comida chinesa?

– Comida chinesa? — reclamou e eu tinha certeza de que estava revirando os olhos – Não acha que já come essas porcarias de restaurante o suficiente durante toda a semana?

– Mas eu gosto de comida chinesa... – o olhei, fazendo um pequeno biquinho.

– Tenho uma sugestão – falou – O que você acha de preparar alguma coisa bem legal para nós comermos? Assim não precisamos sair daqui nem pedir nada.

– É uma boa excelente ideia – concordei – Vou tomar banho enquanto você cozinha.

– Certo – também afirmou – Vou estar aqui te esperando.

Caminhei em direção ao corredor, mas antes que eu pudesse chegar ao local eu me virei a tempo de encontrar meu amigo, que ainda não tinha entrado na cozinha.

– Ah, Stef...! – o chamei uma última vez – Obrigada mesmo por tudo que você está fazendo, de verdade.

– Já disse que não é nada, Care – sorriu antes de responder, então voltou a se virar, seguindo o seu caminho.

Notas finais
E então, o que acharam? Caroline totalmente triste pelo termino no namoro e o Stefan tentando ajudá-la a superar (não se preocupem, essa fase triste dela não vai durar muito tempo) E o que acharam da Care dando em cima do Stefan? Será que esse é o gatilho para o casamento que ocorre no prólogo? *** Só mais uma coisa, vi que a fic está com 9 acompanhamentos, mas só dois comentários... Leitores fantasmas apareçam, eu sou boazinha e não mordo, sério... *** Finalizando, apesar de ter postado no domingo (expliquei o motivo lá em cima), os novos capítulos serão postados sempre as terças. *** Então é isso, comentem e digam o que estão achando.