Changes Love

9 Capítulo 8 – Precisamos conversar


Notas iniciais
Postando cedinho hoje porque não vou ter tempo depois... Espero que gostem Nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Stefan

Cheguei ao aeroporto e fui diretamente para a área de desembarque olhar o painel dos voos que chegariam nas próximas horas. Procurei pelo vindo de Miami e ele já estava com o status de “avião no pátio”, agora era só esperar que logo meu irmão apareceria aqui.

Fiquei ali esperando juntamente com o restante das pessoas que esperavam seus amigos ou seus familiares e como já tinha adivinhado, não demorou muito para Damon sair da área dos passageiros. Ele estava trazendo uma única mala de rodinha e assim que me viu acenou e veio caminhando na minha direção.

– Irmãozinho! – me deu um forte abraço, seguido por um tapinha nas costas – Como é bom te ver, Stef!

– Também é muito bom te ver, Damon – admiti; nós dois éramos muito próximos quando eu era criança e embora eu tivesse apenas doze anos quando ele foi embora, sinto muito de ter o meu irmão mais velho por perto sempre que eu preciso – Já estava começando a achar que ia precisar ir te visitar em Miami, porque você não queria vir até Toronto de jeito nenhum.

– Eu estou aqui agora, não é? – lembrou – E acredite em mim, depois de passar o verão inteiro comigo você vai ficar até cansado de olhar para a minha cara e agradecendo aos céus quando eu for embora.

– Duvido muito – disse – Mas então, vamos logo embora?

– Só se for agora – respondeu – Foi uma viagem cansativa, pode ter certeza de que tudo que eu preciso agora é ir logo para o seu apartamento.

– Então vamos – concordei.

Quando chegamos ao carro lembrei que tinha dito que mandaria uma mensagem para Caroline avisando que estava indo para casa. Então peguei o meu celular e comecei a digitar.

Care,

O voo do Damon já chegou e estamos saindo do aeroporto agora, daqui a pouco estaremos no meu apartamento.

Você pode ir indo para lá, se quiser.

Stefan.

– Caroline Forbes... – Damon estava parado atrás de mim e, provavelmente, lendo a mensagem que eu escrevia – Não sei por que eu ainda me surpreendo.

– Eu chamei ela para ir lá em casa mais tarde – avisei – Espero que não se importe.

– Claro que não me importa, a casa é sua e pode chamar quem quiser – apenas deu de ombros – Mas agora me diga, como é que estão as coisas entre vocês? Já admitiu os seus sentimentos para ela?

– Sério mesmo que você está me perguntando isso, Damon? – revirei os olhos – Eu já te disse todos os meus motivos para não contar nada para ela e pensei que você tivesse entendido.

– Você se magoou muito com a sua ex-namorada, porque ela te traiu, te magoou e coisa e tal; então agora você tem medo de que ela não corresponda, daí além de sofrer outra decepção amorosa, também corre risco de perder a sua melhorar amiga para sempre – citou tudo que eu já tinha dito milhares de vezes para ele – Eu entendo todas as suas preocupações, Stef, mas você nunca vai saber o que a Caroline sente se não falar nada; já parou para pensar que ela pode estar passando pela mesma coisa?

Era óbvio que eu já tinha pensado nessa possibilidade, por várias vezes eu estive a beira de contar toda a verdade para ela, principalmente nesses últimos meses. Mas meu medo é bem maior do que a minha curiosidade.

– Eu sei o que estou fazendo, Damon – disse, por fim.

– Certo, não está mais aqui quem falou – levantou as mãos em sinal de rendição – Só achei que a Caroline tinha alguma coisa a ver com esse roxo no seu pescoço.

– O que? – gritei um pouco mais alto do que estava planejando.

Eu me afastei um pouco para poder usar a janela do meu carro como espelho. Damon tinha razão, a macha roxa estava lá no meu pescoço, alguns dedos acima da clavícula; quando estou de paletó provavelmente não dava para ver, mas eu a tirei, juntamente com a gravata, assim que saí da empresa.

– Essa não... – murmurei por.

– Irmãozinho..., eu não sei quem fez isso em você, mas posso dizer que ela estava empolgada – brincou – Relaxa, não vou querer saber quem foi, mas só vou dizer uma coisa: se não foi a Caroline, certamente essa não é a melhor maneira de esquecê-la.

– Mas e quanto a você, Damon – mudei de assunto – Tem tido muitos encontros lá em Miami?

– Você conhece o meu lema: solteiro sim, sozinho nunca – lembrou – Claro que eu tive alguns encontros, mas nada de importante. Tem que ser uma garota mais do que especial para me convencer a mudar o meu estado civil.

Revirei os olhos com esse comentário dele. Sei muito bem o que Damon estava passando, nós dois víamos o relacionamento dos nossos pais como um exemplo, um casal modelo, e o fim do casamento deles meio que destruiu isso. Acontece que meu irmão já está com quase 30 anos e está mais do que na hora de tomar uma atitude; quero muito vê-lo conhecendo uma garota legal e começando a pensar e formar uma família com ela.

– Nem vou comentar nada sobre isso – completei – Agora vamos, a Caroline já deve ter lido a minha mensagem e daqui a pouco está indo lá para casa.

– Vamos – concordo – Não podemos deixar a Caroline esperando, não é mesmo?

Entramos no veículo e logo estávamos no meio do caótico transito de Toronto, rumo ao meu apartamento.

***

– É um belo apartamento, irmão – tínhamos acabado de chegar e Damon estava parado no meio da sala – Sem dúvida melhor do que o seu antigo dormitório na faculdade.

A primeira e única vez que meu irmão veio a Toronto depois que se mudou definitivamente para os Estados Unidos foi no ano passado, para a minha formatura na faculdade. Na época eu ainda tinha me mudado para esse apartamento, por isso ele precisou ficar hospedado em um hotel.

– É mesmo muito melhor – concordei – Eu, pessoalmente achei um pouco de exagero, mas o nosso pai insistiu que eu deveria ter um apartamento grande, pois quando eu assumir a empresa vou precisar receber pessoas importantes em casa.

– Não importa quanto tempo passe, Giuseppe Salvatore não muda – revirou os olhos – Tudo com o que ele se preocupa é com a empresa, depois fica reclamando quando fala sobre a nossa mãe ter ido embora de casa e ainda fica tentando se fazer de vítima.

– Damon, não vamos falar sobre isso, por favor – pedi – Temos pensamentos diferentes a respeito dessa história e não quero correr o risco de brigar com você.

Nós dois temos uma diferença de idade de seis anos, por isso sei que Damon tinha muito mais consciência do que estava acontecendo em casa quando a nossa mãe foi embora e tem muito mais capacidade de julgar os fatos. Claro que ela pode ter tido diversos motivos para acabar com o casamento e fugir, mas nenhum deles justifica abandonar os filhos e não querer nem mesmo saber se estamos vivos ou mortos.

– Tem razão, não tem o porquê discutirmos sobre isso – concordou – Você vai ser o presidente da Salvatore’s Entertainment um dia e se isso te deixa feliz, não vou me opor; só me faz um favor, não fica igual a ele, existem coisas mais importantes nessa vida além do trabalho.

O toque do meu celular interrompeu a nossa conversa antes que eu pudesse responder. Pedi um minuto para o meu irmão e peguei o aparelho no meu bolso, foi quando descobri que a mensagem que tinha acabado de chegar era de Caroline.

Stef,

Desculpa por não ter respondido antes, eu estava no banho e só via a sua mensagem agora.

Vou terminar de me arrumar e já vou para o seu apartamento.

Até daqui a pouco,

Caroline.

A Care está vindo para cá – avisei depois voltar a guardar o telefone – Daqui a pouco ela deve estar chegando.

– Então me mostra aonde é o meu quarto – ele pediu – Vou ver se consigo arrumar algumas coisas, trocar de roupa e talvez até tomar um banho.

– Oh sim, claro – concordei – Vamos até lá.

Levei Damon até um dos três quartos de hóspede que eu tenho, por sorte Esther limpa todos eles sempre que vem aqui, então estava tudo perfeitamente arrumado. Disse para meu irmão ficar a vontade e o deixei sozinho voltando para o andar de baixo do apartamento.

***

Não demorou muito para eu ouvir o som da campainha tocar e eu fui atender imediatamente. Lá estava Caroline; ela usava uma saia jeans, uma camisa amarela, uma jaqueta por cima e um sapato de salto. Não pude deixar de dar um sorriso bobo ao vê-la.

– Oi, Stef... – se apoiou no batente da porta enquanto falava.

– Oi, Care! – me estiquei para dar um selinho nela – Será que eu posso saber por que você tocou a campainha? Eu te dei uma chave justamente para você ter livre acesso ao meu apartamento.

– Achei que era melhor assim, já que o Damon está aqui e ele pode desconfiar por eu ter uma chave do seu apartamento – respondeu – Era o mais prudente a se fazer.

– Sempre pensando em tudo – concordei – Mas entra, tenho certeza de que você não quer ficar a noite inteira.

– Obrigada... – acenou com a cabeça antes de passar por mim – E onde é que está o Damon? – quis saber quando percebeu que meu irmão não estava na sala.

– Foi até lá em cima colocar as coisas dele, mas daqui a pouco ele aparece – expliquei – Sabe, hoje foi um dia tão confuso que eu até esqueci de te perguntar como foi na consulta da doutora Fell; está tudo bem?

– Está sim – afirmou com a cabeça enquanto tirava a jaqueta e colocava em cima do sofá – Aliais, Stefan, nós precisamos conversar.

– Pode ser depois? – pedi – Tem uma coisa que eu quero fazer o dia inteiro e não aguento esperar nem mais um segundo.

Antes que ela pudesse falar ou perguntar qualquer outra coisa, segurei seu rosto com as duas mãos e a beijei. Caroline soltou um suspiro antes de entreabrir os lábios e corresponder.

– Stef, não...! – tentou me empurrar, mas ou ela não tinha forças ou não queria realmente fazer isso – O seu irmão pode aparecer a qualquer momento.

– Duvido muito que ele apareça aqui tão cedo... – passei a beijar o seu pescoço nesse momento – Ele disse que talvez fosse tomar banho; eu já dividi muito banheiro com o Damon em viagens para saber o quanto ele pode demorar, é pior que muita mulher por ai.

Dessa vez foi ela que me puxou e uniu os nossos lábios e eu não pude deixar de dar um sorriso vitorioso. Care soltou um pequeno gemido e enroscou os dedos no meu cabelo, o que me fez puxá-la pela cintura para que encostasse mais o corpo contra o meu.

– Com licença... – uma voz seguida de um pigarro, fez com que nós dois nos separássemos quase que imediatamente.

E lá estava Damon parado mais ou menos na metade da escada. Ele estava com os braços cruzados e nos encarava com um sorriso que demonstrava o quanto estava se divertindo com tudo aquilo.

– Estou atrapalhando alguma coisa, casal? – perguntou.

– Claro que você não está atrapalhando nada, Damon – apressei-me em dizer – Não é mesmo, Care?

– Exatamente... – ela concordou – Não está atrapalhando nada.

– Que ótimo! – nesse momento ele já tinha se aproximado e agora estava parado bem em frente a nós – Por que eu acho que temos muito o que conversar, irmãozinho...

– Vamos até o meu escritório, podemos conversar melhor lá – avisei – Você se importa de esperar aqui por uns minutos, Care?

– De maneira nenhuma – garantiu – Podem ir lá, eu fico esperando bem aqui.

– Não precisa se preocupar, cunhadinha, eu trago ele de volta para você são e salvo – Damon completou e começou a me puxar na direção ao escritório, que ficava poucos metros de onde estávamos.

Entramos no outro cômodo e eu fechei a porta.

– Certo, Stef, pode começar a me explicar tudo – meu irmão se jogou no sofá de dois lugares que eu tinha no local, eu preferi permanecer em pé – Para duas pessoas que não tem absolutamente nada, vocês dois pareciam bem íntimos.

– Tudo bem, eu menti para você mais cedo, Damon – falei – Eu e Caroline estamos meio que juntos.

– Então isso significa que você contou para ela sobre os seus sentimentos – não foi uma pergunta e sim uma afirmação – E por que você não me disse que você tinha feito isso?

– Eu não contei nada para ela – abaixei o meu tom de voz com medo de que minha amiga ouvir alguma coisa – Se você ficar quieto um minuto eu posso te explicar tudo.

– Certo... – apenas cruzou os braços e apenas ficou me encarando – Pode falar, eu estou aqui ouvindo.

Comecei a andar em círculos enquanto contava para ele toda a minha história com Caroline nos últimos três meses. Nosso primeiro beijo, a primeira noite que passamos juntos, a decisão de seguirmos com uma amizade com benefícios e como temos levado tudo isso até agora.

– E é isso – completei — Acredite, irmão, eu estou feliz e tenho certeza de que a Care também está muito feliz. Vamos continuar com isso enquanto ela me quiser.

Quando me virei na direção de Damon, ele estava encarando os próprios pés. Quase podia ver a sua mente trabalhando enquanto pensava sobre a história que tinha acabado de contar.

– Não vai falar nada, Damon? – decidi perguntar.

– Bom, Stef..., não vou dizer que eu entenda, mas se você já está decidido a prosseguir com isso da maneira que está, não vou dizer nada – disse – Até porque eu também não tenho um relacionamento estável há vários anos e não posso te julgar.

– Obrigado por entender, irmão – agradeci.

– Não precisa me agradecer, cara – respondeu enquanto se levantava – Agora vamos, não é educado deixar uma garota esperando.

Quando abri a porta do escritório, Caroline estava sentada no sofá vendo algo no celular e assim que nos viu ela parou o que estava fazendo e se levantou.

– Está tudo bem...? – quis saber, parecendo um pouco incerta e temerosa ao mesmo tempo.

– Está tudo bem sim – afirmei – Eu e Damon já conversamos e expliquei toda a situação.

– Exatamente, cunhadinha – aproximou-se dela e colocou o braço em volta dos seus ombros – E quero que você saiba que estou muito feliz por vocês dois.

– Obrigada, eu acho... – respondeu.

– Acho que no fundo eu sempre soube que isso ia acabar acontecendo uma hora ou outra – continuou – Nunca acreditei que essa “amizade” de vocês fosse ficar só na amizade mesmo.

– Certo, Damon, informação demais – o interrompi – Bom, o que vocês acham de pedirmos uma pizza? Tenho certeza de que tenho um cardápio de entrega em algum lugar na cozinha.

– Stefan Salvatore querendo pedir uma pizza? – Care se fingiu de chocada – O que foi que aconteceu para termos esse milagre.

– Só estou com preguiça de cozinhar alguma coisa – expliquei – Mas é claro que se vocês não quiserem, podemos pensar alguma outra coisa.

– Não estou reclamando, de maneira nenhuma – balançou a cabeça negativamente – Vamos pedir uma pizza sim, é uma excelente ideia.

– Perfeito, vamos procurar o número da pizzaria – avisei enquanto colocava a mão nas suas costas – Até vou deixar você escolher um sabor.

***

Pouco mais de uma hora depois estávamos na cozinha comendo uma pizza de Peperoni. Além disso, Damon começou a contar umas histórias minhas de quando era pequeno e que eram um pouco constrangedoras e que estavam fazendo Caroline rir bastante.

– Estou falando sério, Stefan morria de medo de tempestades – ele continuou – Uma vez, acho que ele tinha uns sete ou oito anos, eu estava no meu quarto e começou a chover, daqui a pouco eu só vejo o meu irmãozinho entrando correndo e pedindo para ficar lá até que a chuva passasse; claro que ele acabou dormindo lá naquela noite.

– Consigo até imaginar a cena... – minha amiga se virou para mim enquanto falava – Você devia ser um fofo com essa idade, Stef.

– Só lembrando que eu tinha cinco anos, não sete – o corrigi.

– Relaxa, Stefan, eu também tinha medo de tempestades quando era pequena – ela disse – Já pedi as contas de quantas vezes eu já corri para o quarto dos meus pais a noite quando começava a trovoar.

– Tem várias histórias do Stefan quando era pequeno – prosseguiu – Se quiser posso contar todas, é bom saber disso, caso pensem em ter filhos um dia.

Care começou a enrolar a ponta do cabelo com dedo indicador, sinal de que tinha ficado nervosa com o rumo que a conversa tinha levado e não podia culpá-la por isso. Claro que seria maravilhoso ter filhos com ela, mas tínhamos começado a nos curtir há pouco tempo e ainda nem sabemos qual será o rumo que nosso “relacionamento” vai tomar, talvez não seja o melhor momento para pensar em herdeiros.

– Tenho certeza de que devem ser mesmo histórias demais e uma noite não deve ser o suficiente para contar todas, quem sabe em outra oportunidade – comentou em seguida – Por que você só não me conta uma coisa que eu sempre quis saber, mas o Stefan nunca quis me contar; ele era uma criança quietinha ou essa cara de santo é só enganação mesmo?

– Com toda certeza é só enganação – garantiu – Não posso dizer que eu era um exemplo, mas esse cara aqui... – bagunçou de leve o meu cabelo, algo que eu sempre detestei que ele fizesse – Digamos que ele enlouquecia a nossa mãe sempre que ela o levava ao parquinho ou para qualquer lugar que tivesse um grande fluxo de pessoas.

– Como você é exagerado, Damon – revirei os olhos – Certo, já ouvimos muitas histórias constrangedoras minhas, é a vez de ouvirmos uma história constrangedora sua, Care. Não é justo que só eu seja envergonhado hoje.

– Você sabe todas as minhas histórias constrangedoras minhas, Stef – lembrou.

– Então quer dizer que você não tem segredos com o meu irmão? – Damon deu um falso suspiro sonhador – Que coisa mais meiga, cunhadinha.

– Cala a boca, Damon! – dissemos ao mesmo tempo.

– Certo, não está mais aqui quem falou... – levantou as duas mãos em sinal de rendição – Mas, mudando de assunto, quem é que vai ficar com o último pedaço de pizza?

E dentro da caixa estava apenas uma única fatia de pizza. Eu já tinha comido dois pedaços e certamente não agüentava mais nenhum outro.

Eu não quero – neguei com a cabeça – Já estou satisfeito.

– Também estou satisfeito – foi a vez de Damon responder – Dois pedaços de pizza é o meu limite.

– Já que é assim, eu como o último pedaço de pizza – Caroline disse ao mesmo tempo em que pegava pizza e colocava no seu prato.

– Esse já é o seu quarto pedaço de pizza, cunhadinha... – meu irmão observou – Estou mesmo impressionado, a maioria das garotas não gosta nem mesmo de pensar em carboidratos com medo de engordar.

– Eu te garanto que a Caroline não é assim – falei – Aquela consegue comer mais que a população de um pequeno país e ainda consegue não engordar, provavelmente porque ela tem mais energia do que uma pessoa normal.

– Fui líder de torcida e ainda organizava a maior parte das festas da escola e algumas festas beneficentes de Mystic Falls – lembrou – Então podem acreditar, eu tenho muita energia para gastar; sem contar que eu ainda estou com fome.

– Só cuidado para não comer demais e acabar passando mal – a alertei – Não se esqueça do que aconteceu no inicio da semana.

– Fica tranquila, Stef, eu estou perfeitamente bem – garantiu.

– Vocês dois são mesmo feitos um para outro – Damon comentou antes de colocar a mão sob a boca para poder bocejar – Não é que eu não goste da companhia de vocês, mas foi uma viagem muito cansativa e eu preciso mesmo de uma boa noite de sono para me recuperar, então eu vou para o meu quarto.

– Claro, Damon, não tem problema – garanti – Care, você quer assistir um filme? Ou podemos ficar ouvindo música na sala também, se preferir.

– Para falar a verdade eu estava pensando em ir embora – respondeu – Também estou ficando com sono, essa foi uma longa semana.

Não pude deixar de soltar um suspiro de frustração. Agora que meu irmão já sabe sobre mim e Caroline, pensei que poderíamos passar um tempo a sós, mas também não posso forçá-la a fazer algo que não queira.

– Então está bem – lamentei – Vem, eu vou te levar em casa.

– Não precisa me levar em casa, Stef – garantiu – Sabe muito bem que eu posso pegar um táxi aqui na frente do prédio.

– Você sabe que eu não me importo – insisti – Só preciso pegar a chave do carro que está lá na sala.

Então coloquei os pratos, os talheres e os copos dentro da pia para lavar depois que eu voltasse. Damon se despediu de nós e subiu as escadas ao mesmo tempo em que eu abria a porta principal para podermos sair do apartamento.

***

Assim que cheguei em frente ao prédio de Caroline, dei a volta para poder parar o carro no estacionamento. Então desliguei o veículo e retirei os sinto de segurança.

– Stef, não que eu não goste da sua companhia – disse – Mas o seu irmão veio aqui para Toronto só por sua causa e mesmo que ele tenha ido dormir, não é legal deixá-lo sozinho.

– Fica tranquila, eu sei disso, Care – afirmei – Acontece que eu lembrei que você queria conversar alguma coisa comigo, então pensei que você quisesse que eu subisse por alguns minutos para podermos nos falar sobre o que quer que seja.

– As vezes eu esqueço que você tem uma memória de dar inveja a qualquer elefante – revirou os olhos – Por um momento eu pensei que você pudesse esquecer, então eu só voltaria a tocar no assunto em algum outro momento. Na semana que vem, no mês que vem..., em algum momento em que estivesse mais preparada do que agora.

– Você está se esquivando, sinal de que é mesmo algo sério... – dei um longo suspiro e segurei a mão dela – Se quiser conversar outra hora, tudo bem, eu...

– Não, vamos conversar agora – me interrompeu – Eu só não tinha certeza se o seu carro era o melhor lugar para termos essa conversa tão importante quanto essa.

Acho que nunca vi a minha amiga tão seria antes e devia mesmo ser algo bem sério.

– Care..., você está começando a me assustar – admiti – Por favor, fala logo o que está acontecendo.

– Eu passei, literalmente, a tarde inteira pensando na melhor maneira de te contar isso para você, cheguei até a pesquisar dicas de como fazer – deu um sorriso tímido antes de olhar para as nossas mãos unidas – Poderia te seqüestrar para jantar no meu apartamento e escrever alguma coisa com a sobremesa, podia ter comprado um par de sapatinhos e te dado, existem milhares de idéias espalhadas por ai..., mas então eu percebi que nada nesse nosso louco relacionamento foi comum ou até mesmo tradicional, o que faz sem completamente normal estarmos tendo essa conversa aqui dentro do carro.

– E agora você não está falando coisa com coisa... – revirei os olhos – Será que você pode ser um pouco mais direta?

– Eu estou grávida, Stefan! – disse por fim, um pouco rápido demais, mas eu tinha entendido perfeitamente cada palavra.

– O que? – foi tudo que eu consegui dizer alguns segundos depois, um pouco mais alto do que eu estava planejando – Mas isso é... Quero dizer, eu...

– Por favor, só não me pergunta como foi que isso aconteceu – pediu – Nós dois sabemos muito bem como é que essas coisas acontecem.

– Relaxa, eu não ia perguntar isso – sorri – Eu só estou surpreso, sabia que esse tipo de coisas poderia acontecer, mas nunca conversamos sobre isso, então achei que você estava tranquila sobre isso.

– E eu estava tranquila – afirmou – Pensei que não fosse conseguir engravidar com tanta facilidade, por causa do tempo em que eu tomei pílula; mas, como você mesmo pode ver, não foi bem assim.

– Acho que isso explica os seus enjoos no inicio da semana, você ter se incomodado com o cheiro do meu perfume e até mesmo a fome excessiva – consegui comentar.

– Sim, é exatamente isso – foi nesse momento que ela soltou a minha mão – E Stefan, se você não estiver feliz com isso, eu entendo. Só quero que você saiba que eu já amo esse bebê, muito, e em momento algum eu pensei nem vou pensar em não tê-lo.

Ela colocou uma das mãos sob a barriga e também pude ver as lágrimas se acumulando no canto dos seus olhos. Caroline estava com medo de qual poderia ser a minha reação e apesar de saber perfeitamente que nunca rejeitaria ela ou o nosso bebê, acho que não posso culpá-la por estar temerosa, provavelmente todas as mulheres ficariam assim em um momento como esse.

– Eu nunca faria isso, Care – coloquei a mão sob a dela, que ainda estava pousada na sua barriga – Acredite, eu também já amo esse bebê e você não sabe o quanto está me fazendo feliz com essa notícia.

Minha amiga deu um sorriso bobo e eu me inclinei para encostar os lábios no dela para um beijo bem calmo.

– Não sabe o quanto ouvir isso me deixa aliviada – sussurrou quando nos separamos – Mas agora acho que é melhor eu entrar.

– Então é isso, você vai me dar essa notícia e vai simplesmente embora? – brinquei.

– Você sabia que seria assim – lembrou – Como eu disse antes, você não pode deixar o Damon e caso eu deixe você ir para o meu apartamento para “comemorarmos”, sei que não vai sair de lá tão cedo.

– Você me conhece tão bem, Caroline Forbes... – sorri e dei mais um beijo nela, dessa vez apenas um selinho – Será que eu posso te ver amanhã, então?

– Me liga de manhã e vemos a possibilidade... – ela colocou a bolsa no ombro e saiu de dentro do carro – Boa noite, Stefan!

– Boa noite, Care – acenei antes que Caroline fechasse a porta do veículo – Sabe que qualquer coisa você pode me ligar, não é mesmo?

– Sei sim! – afirmou antes de se afastar.

Fiquei ali observando a minha amiga, foi então que eu percebi a verdadeira importância da conversa que tínhamos acabado de ter. Um filho, Caroline e eu vamos ter um bebê; é assustador e é incrível e assustador ao mesmo tempo, mas mesmo assim não consigo conter a minha felicidade nesse momento.

– É..., eu vou ser pai... – disse para mim mesmo.

Notas finais
Prontinho gente, ta ai... O que vocês acharam da reação do Stefan? Nos próximos capítulos (não sei exatamente quando ainda...), teremos o caminho do Stefan e da Caroline até o casamento, qual será que foi o motivo para eles casarem? Será que vai ser mesmo o bebê? *** Bom gente, é isso Comentem e digam o que estão achando.