Changes Love
3 Capítulo 2 – Por que não?
Notas iniciais
Stefan
*Flash Back*
Toda a obsessão de Caroline com fotografia podia ser vista em todos os cantos da casa de festa, a única a um raio de cinquenta quilômetros de Mystic Falls. Qualquer um que chegasse no baile de formatura e conhecesse a minha melhor amiga saberia na hora quem planejou essa festa; e na realidade é muito mais do que isso, é o cartão de visita delas e o seu passaporte para conseguir a tão sonhada vaga na U of T, sinceramente eu não podia estar mais orgulhoso.
“Pictures of You”..., a ideia Care foi espalhar por todos os lugares telões com fotos dos alunos ao longo desses últimos três anos, dando a todos pelo menos uma pequena ideia de como foi o nosso Ensino Médio. Claro que estavam faltando vários momentos ali, já que para minha sorte Caroline tinha sido sensível o suficiente para não colocar nenhuma foto minha com a minha ex-namorada e acho que ainda não a agradeci o suficiente por ter feito isso.
Era engraçado como a vida da voltas, há seis meses eu e Elena estávamos juntos, totalmente apaixonados e tinha total certeza de que estaríamos juntos aqui está noite. Em vez disso eu estou aqui sentado em um canto, sozinho, enquanto ela estava desfilando por ai com outro cara e um enorme sorriso no rosto.
– Para de encarar, isso é estranho – me virei a tempo de encontrar Caroline parada atrás de mim – Sem contar que é altamente obsessivo e apenas um passo para virar um assassino em série.
– Engraçado, Care, muito engraçado... – revirei os olhos quando ela se sentou ao meu lado.
– Só estou tentando te ajudar – deitou a cabeça no meu ombro olhando para mesma direção que eu; para Elena e Kai, que nesse momento estavam dançando uma música lenta, abraçadinhos e totalmente alheios ao mundo ao seu redor – Mas eu estou falando sério, Stef. Ficar aqui olhando os dois e se lamentando não vai ajudar em nada.
– Eu não estava fazendo isso, Caroline – garanti – Estava apenas...
– Pensando no que esse Kai tem de especial e o que fez a Elena te trocar por ele – me interrompeu completando a frase – Estou certa ou estou errada?
Não vou mentir, por várias semanas depois de tudo que aconteceu, fiquei mesmo pensando se Elena não era feliz o suficiente ao meu lado e como foi que eu não percebi os sinais. Obviamente eu ainda não me conformei, mas tento me culpar menos por tudo.
– Já que é assim, eu vou te dar a solução – avisou enquanto se levantava – Nós vamos dançar.
– De jeito nenhum, Care – fiz uma careta e neguei com a cabeça – Você sabe perfeitamente que eu odeio dançar.
– Pois hoje você vai dançar comigo... – segurou a minha mão e começou a me puxar – Sério, Stef! É o nosso baile de formatura e eu não tive todo esse trabalho e passei horas me arrumando para ficar aqui sentada vendo você se lamentar, quero me acabar de dançar hoje!
– E eu posto que pelo menos metade dos caras aqui nessa festa devem estar doidos para dança com você – argumentei – Não precisa ser comigo.
– Só que eu não quero dançar com nenhum deles – respondeu – Então, meu caro amigo, você não tem escolha.
Eu conhecia Caroline Forbes bem o suficiente para saber que não tinha como argumentar, quando ela coloca alguma coisa na cabeça, insistia até que todos concordassem. Por isso, sabendo que não tenho muita escolha, revirei os olhos e me levantei indo até a pista de dança.
– Está satisfeita? – coloquei os braços em volta da sua cintura e ela e abraçou pelo pescoço enquanto nos mexíamos no ritmo da música
– É... , um pouco – brincou, apoiando a cabeça no meu ombro – Mas fique sabendo que eu não quero dançar só uma música, vamos ficar aqui pelo menos meia hora.
– E porque será que isso não me surpreende? – decidi afastá-la um pouco para fazê-la dar uma voltinha em torno de si.
– Que bom que você sabe – riu.
Queria muito me concentrar apenas em Caroline, que nesse momento estava nos meus braços, e naquela canção lenta que entrava pelos nossos ouvidos, mas isso estava um pouco impossível. Kai e Elena estavam há poucos centímetros de nós e mesmo que eu quisesse, não conseguia parar de olhar para eles.
– Stefan, estou falando sério, para com isso – Care sussurrou – Não gosto de ver você sofrendo desse jeito, ainda mais por alguém que não merece isso.
– Eu sei disso, Care – soltei um suspiro sem conseguir tirar os olhos do casal – Acredite em mim, se eu pudesse, já tinha parado de pensar em tudo isso há muito tempo.
– Ajuda parar de olhar para ela – segurou o meu rosto com as duas mãos – Concentre-se em mim, apenas em mim.
E foi o que eu fiz, fiquei ali, apenas encarando o seu rosto. Cada detalhe da sua maquiagem, os lábios finos e seus olhos profundamente azuis, ela era mesmo muito bonita e isso não tinha como não reparar.
– Acho que eu nunca vou conseguir te agradecer o suficiente – falei depois de alguns minutos.
– Não vai conseguir me agradecer pelo que? – perguntou.
– Por estar me ajudando tanto desde que tudo aconteceu – expliquei – Não era sua obrigação ficar ao meu lado, Elena era sua melhor amiga; sem contar que você também tem se afastado da Bonnie para passar todo o seu tempo livre comigo.
Quando me mudei para Mystic Falls, no inicio do Ensino Médio, e comecei a namorar Elena pouco tempo depois, ela, Caroline e Bonnie eram inseparáveis; a cidade é pequena e as três se conhecem praticamente desde que nasceram. Isso tudo até pouco mais de cinco meses atrás, é claro, quando tudo mudou.
– Não foi nada, Stef, já te disse isso várias vezes – falou – Vi o quanto você estava sofrendo com o fim do namoro e por motivos óbvios, além disso, você sempre foi tão legal comigo e me disse várias coisas legais quando eu terminei o meu namoro com o Matt, então quis fazer a mesma coisa por você.
– Mesmo assim, não consigo deixar de me sentir culpado por destruir uma amizade de anos como era a sua e a da Elena – desabafei – Tem certeza de que não quer fazer as pazes com ela?
– Tenho certeza absoluta de que não – balançou a cabeça negativamente – Elena estava errada, ela não tinha o direito de te enganar e de te magoar desse jeito, se mais ninguém teve coragem de falar isso em voz alta, eu tive.
– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – dei um longo suspiro – Só não quero que você se sinta arrependida daqui há alguns anos por ter deixado de falar com as suas amigas.
– E quantas vezes eu preciso te dizer que não me importo com isso, Stef – lembrou – Além disso, daqui há pouco mais de um mês estarei em um avião a caminho de Toronto, nada mais daqui de Mystic Falls vai importar mais; só a minha mãe, é claro.
– Nós dois estaremos a caminho de Toronto, você quer dizer? – eu a corrigi.
Quando meu pai me mandou para ficar um tempo em Mystic Falls com o meu tio Zach, sabia que precisaria voltar para Toronto quando fosse começar a faculdade, já que ele me quer por perto para começar a me ensinar as coisas da empresa antes que eu posso assumir o comando da empresa da família. Agora Caroline também vai estudar na U of T, ela vai estudar jornalismo e minha amiga parecia pessoalmente bem animada, já que lá tem um bom curso de fotografia.
– Vai ser incrível, nós dois juntos em Toronto – continuou – Você vai ter que me mostrou todos os seus lugares favoritos na cidade, não se esqueça disso.
– Acredite, não vou esquecer – garanti.
– Ótimo, mas agora temos algo mais importante para pensar – olhei confuso na sua direção – Sobre como você vai superar a Elena..., não acha mesmo que eu vou te deixar começar a nossa nova vida em Toronto com você ainda sofrendo pela sua ex-namorada, não é mesmo?
– Achei que era só não falarmos nunca mais dela e o problema estaria resolvido – argumentei.
– E você consegue mesmo ficar sem pensar na Elena? – não falei nada, mas acho que ela sabe perfeitamente qual seria a minha resposta – Sabia...! Bom, talvez eu não consiga resolver o seu problema durante esse pouco tempo que ainda temos em Mystic Falls, seguir em frente é uma coisa que leva tempo, mas é mais fácil do que você pensa.
– Se você está dizendo isso, senhorita Forbes – brinquei – Então em diga exatamente, como eu faço para seguir em frente.
– É simples, um dia você vai conhecer uma garota – explicou – Vai se apaixonar perdidamente e terá seguido em frente, sem nem ao menos perceber.
– Caroline... – sussurrei ao mesmo tempo em que parava de dançar.
Não conseguia desviar o olhar dos seus lábios, nossos rostos estavam poucos centímetros um do outro, tudo que eu precisava fazer era me esticar e beijá-la... O que está acontecendo comigo? Nunca tinha pensado na Care desse jeito, ela é minha amiga, apenas isso.
– Stefan... – usou o mesmo tom de voz que eu e fechou os olhos, será esse um convite silencioso para que eu pudesse beijá-la? Só tem uma maneira de saber...
Infelizmente a música agitada nos fez sair daquela pequena bolha em que nos encontrávamos no momento.
– Eu disse que queria ficar horas aqui – se afastou e ficou puxando o meu braço para que voltássemos a dançar – Você não vai fugir disso, Stefan Salvatore.
– Ah não, Care! – reclamei – Já fiz muito dançando as músicas lentas, agora as agitadas, não são mesmo o meu forte.
– Já disse para você parar com isso – agora ela estava pulando, totalmente animada – Anda! Vai ser bem divertido.
Então continuamos ali na pista de dança por mais umas cinco músicas antes de voltarmos para a nossa mesa, totalmente exaustos. E eu não pensei mais em Elena durante aquela noite.
*Fim do Flash Back*
E Caroline estava certa, eu superei tudo que aconteceu entre mim e Elena, o que ela não sabe é que eu já conhecia essa garota e que estava mais perto do que até eu imaginava. Não foi fácil admitir que tinha sentimentos românticos pela minha melhor amiga, mas isso acabou se tornando mais obvio a medida em que nos aproximávamos cada vez mais depois de nos mudarmos para Toronto; afinal, quem mais me conhece tão bem, às vezes até melhor do que mim mesmo?
Soltei um longo suspiro enquanto encarava a foto em que estávamos nós dois logo que chegamos ao baile de formatura, que era o meu papel de parede, então deixei os meus pensamentos me levarem para a semana passada em que ela quase me beijou na sala do seu apartamento, eu quase me entreguei naquele momento, mesmo sabendo que ela estava bêbada e provavelmente se arrependeria logo depois. Estou escondendo esse segredo há quase seis anos e é muito provável que eu nunca o conte, já sofri muito com tudo que aconteceu com a Elena e não quero correr o risco de sofrer novamente, além disso tenho medo de perder a nossa amizade caso o sentimento não seja recíproco; prefiro tê-la por perto apenas como amiga do que não tê-la.
– Care... – passei o dedo pelo rosto “dela” na tela do computador – Por que tudo tem que ser tão complicado?
Uma leve batida na porta me fez despertar dos meus devaneios, então eu me ajeitei melhor na cadeira.
– Pode entrar...! – gritei para que a pessoa pudesse ouvir.
– Com licença, senhor Salvatore – era Emily, secretária do meu pai e que tinha passado a ser minha secretária também há algum tempo – A senhorita Forbes está na linha, posso transferir a ligação?
– Claro, pode sim – afirmei na mesma hora, qualquer oportunidade de falar com a Caroline era uma coisa boa.
– Certo, farei isso imediatamente – antes de sair da minha sala ela parou e voltou a se virar na minha direção – Só mais uma coisa, o seu pai pediu para ver o senhor assim que possível.
– Diga a ele que iria até a sua sala assim que terminar de falar com a Caroline – avisei.
Depois que ela saiu e fechou a porta, não demorou muito para o telefone na minha mesa começar a tocar, então eu atendi imediatamente.
– Care...! – disse assim que coloquei o aparelho no ouvido.
– Oi, Stef! – ouvi sua voz do outro lado da minha, parecia ligeiramente animada – O que você está fazendo?
– Absolutamente nada – dei um longo e profundo suspiro antes de me jogar para trás na cadeira – Apenas esperando se aparece alguma coisa interessante para fazer aqui hoje.
– Queria estar dessa maneira também – reclamou – Ainda não tive tempo livre aqui hoje, estou analisando as fotos para ver quais estarão na próxima edição da revista, e preciso terminar isso hoje porque segunda-feira a versão final tem que estar na mesa da editora para que ela aprove e possa enviar para a gráfica.
A segunda paixão na vida da Caroline, depois da fotografia claro, é a moda, ela nunca perde a oportunidade de fazer compras e observar as novas tendências, como costuma dizer. Por isso, quando surgiu uma vaga para trabalhar na maior revista de moda de todo o Canadá, com sede aqui em Toronto, sendo uma das editoras de fotografia, minha amiga não pensou duas vezes antes de aceitar o emprego.
– Bom, mas não foi para ficar me lamentando que eu te liguei – continuou – Você se lembra do meu colega Enzo? Que trabalha como revisor aqui na revista.
– Vagamente... – respondi – Mas o que tem ele?
– É que o Enzo tem uma banda com uns colegas da faculdade e eles vão fazer uma apresentação hoje – explicou – Não é nada demais, mas ele me deu dois ingressos e queria saber se você quer ir junto comigo, eu prometo que vai ser divertido. A banda vai tocar clássicos do final dos anos 80 e início dos 90, que eu sei que você adora, além disso, terão outras pessoas da revista lá também.
– É mesmo uma boa ideia – respondi – Vai ser mesmo bom sair um pouco e relaxar um pouco, esquecer um pouco esse estresse do trabalho.
– Perfeito! – pareceu satisfeita – Você passa na minha casa para me buscar umas sete e meia?
– Claro! – concordei – Estarei lá.
– Bom, agora eu preciso ir – completou – Como eu disse, tenho um monte coisa para fazer aqui, ou então eu não vou poder ir a lugar nenhum hoje a noite.
Então nós nos despedimos antes de desligar o telefone.
***
A sala do meu pai fica no mesmo andar que o meu, mas do outro lado do corredor. Nem precisava ser anunciado e já fui entrando diretamente no local.
– Ora! Olá, meu filho! – retirou o olhar da tela do computador assim que ouviu os meus passos – Estava aqui olhando a sua planilha com os lucros com as gravações nos próximos seis meses, e preciso dizer que ficou excelente.
Toronto é, ao lado de Vancouver, a cidade canadense que mais recebe gravação de séries de televisão e filmes; e é isso que a nossa empresa, Salvatore’s Entertainment, somos responsáveis por essas gravações e ainda agendamos todas as locações. Esse é um negócio que movimenta milhares de dólares todos os meses.
– Muito obrigado, fiz o máximo para você exatamente do jeito que você queria – agradeci, feliz pelo meu trabalho estar sendo reconhecido.
– Estou pensando em te deixar comandar a próxima reunião – avisou – Acha que está preparado para isso, Stefan?
– Se o senhor acredita que eu estou preparado, devo estar – dei de ombros – Farei de tudo para honrar essa confiança.
– Tenho certeza que sim – concordou – Ainda não tem nada marcado, mas devemos ter uma reunião de planejamento em algum dia da semana que vem, pode ficar tranquilo que eu te aviso com antecedência.
– Certo – completei.
– Aproveitando que você está aqui, tem alguma coisa para fazer hoje a noite, Stefan? – perguntou – Se não tiver nada, você pode ir jantar lá em casa. Estava conversando com a Pearl hoje e ela lamentou por você não ter nunca mais ter ido nos visitar, sem contar que as suas irmãs estão com saudades de você.
Acho que posso dizer que meus pais são divorciados, embora não tenha sido do jeito tradicional; minha mãe decidiu um dia ir embora de casa e nunca mais voltou, eu tinha 10 anos e meu irmão mais velho estava com 16. Infelizmente Damon acabou culpando o nosso pai pelo que aconteceu e foi embora de casa assim que atingiu a maioridade, ele está morando em Miami e nos falamos com bastante frequência, embora quase nunca nos vejamos pessoalmente.
Enquanto isso, eu permaneci aqui e algum tempo antes de me mudar para Mystic Falls, meu pai conheceu Pearl e não demorou muito para ir morar lá em casa. Ela já tinha uma filha chamada Annabelle, ou simplesmente Anna, que está com 17 anos atualmente e há quatro anos nasceu Valentina, minha linda e adorável irmã caçula.
– Diga a Pearl que eu agradeço o convite – respondi – Mas eu já tenho planos para hoje a noite, vou a um show com a Caroline.
– Ah sim... – percebi um certo sorriso malicioso nos lábios do meu pai – Mas já que é por uma boa causa, tenho certeza de que a Pearl vai entender perfeitamente.
– E diga para a Anna e a Val que elas não precisam ficar tristes, eu vou até lá assim que possível – avisei – Quem sabe eu não passo lá esse final de semana?
– É uma boa ideia – concordou – Mas agora me conte sobre a Caroline. Já deu para perceber, desde que ela se mudou para Toronto, que vocês são bem próximos, mas vocês estão namorando ou alguma coisa parecida?
– Não, pai, nós não estamos namorando – neguei com a cabeça – Nós somos apenas amigos.
– Bom, eu só pensei que..., sabe, por vocês estarem sempre juntos – deu de ombros – Afinal, eu nunca vi nenhuma garota que não fosse ela, durante todos esses anos.
Além de nunca ter tido coragem de me declarar para Caroline, também não fiquei com mais ninguém durante todo esse tempo desde que terminei com a Elena. Simplesmente não consegui, parecia totalmente errado.
– Se você diz – completou – Bom, você pode ir para a sua sala, meu filho; depois nós conversamos a respeito da reunião.
– Está bem – foi tudo que eu falei antes de ir embora.
***
Alguns minutos antes da hora combinada, eu estacionei em frente ao prédio de Caroline. Fui até o andar dela e toquei a campainha do apartamento, não demorou muito para a porta ser aberta.
– Uau... – disse depois de olhá-la de cima a baixo.
Care estava usando um vestido branco que batia um pouco acima do joelho, uma meia-calça, bota e jaqueta jeans para completar o visual, além disso ela estava usando o cabelo solto e cheio de cachos. Simplesmente perfeita!
– Deixei de ser bobo, Stef – sorriu e revirou os olhos – Peguei a primeira coisa que vi no meu guarda-roupa, não é nada demais.
– Acho que você não tem mesmo noção do quanto é maravilhosa, Caroline – me apoiei no batente da porta e comentei.
– E você é um idiota, Stefan – continuou a reclamar – Mas tenho que admitir que você também está ótimo, já faz tanto tempo que eu não te vejo sem ser de terno que acho que nem lembrava como era.
Foi a minha vez de sorrir. Hoje eu tinha escolhido uma calça jeans, camisa social azul e um tênis.
– E então, já podemos ir? – quis saber – Ou você ainda precisa fazer alguma coisa antes?
– Não, nós já podemos ir – respondeu – Deixe-me apenas pegar a minha bolsa.
Ela se virou e foi até o sofá antes de voltar até a entrada para podermos ir embora.
***
O local onde seria o show era logo na saída da cidade. Uma outra banda estava no palco quando chegamos e a noite tinha mesmo tudo para ser animada.
– O que acha de eu ir buscar alguma coisa para bebermos? – sugeri – Enquanto isso você pode procurar o melhor lugar para ficarmos para quando a banda do seu amigo começar.
Percebi uma dúvida nos olhos dela enquanto pensava no que responder. Depois do incidente da semana passada Caroline não devia estar muito certa sobre beber hoje.
– Claro, é uma ótima ideia – concordou, por fim – Vai até lá, eu te espero bem aqui.
Fui até o bar e pedi duas cervejas. Quando eu voltei Care estava um pouco mais afastada de onde eu a deixei e no momento conversava com duas outras mulheres.
– Obrigada! – deu um beijo na minha bochecha quando lhe entreguei uma das garrafas que estava segurando – Essas daqui são April, estagiaria lá na revista, e Sarah, namorada do Enzo, acho que você já a conhece.
– Sim, eu a conheço – afirmei enquanto cumprimentava as duas com um aceno.
– Estávamos aqui falando sobre a expectativa para quando a banda começar a tocar – minha amiga explicou.
– Eles tem ensaiado bastante nas últimas semanas – foi Sarah quem explicou – A banda é muito talentosa, merecem essa oportunidade que estão recebendo.
– April, você não estava na festa da revista no final do ano passado e perdeu a apresentação deles, foi mesmo incrível – virou-se para a outra garota, ela parecia mesmo ser bem mais nova do que nós, provavelmente ainda estava no inicio da faculdade – Você se lembra, não é mesmo, Stef?
– Sim, eu me lembro – afirmei com a cabeça, Caroline tinha me arrastado para essa festa com a desculpa de que não estávamos passando tanto tempo juntos e até que não foi tão ruim assim.
Foi nesse momento que um cara se aproximou do nosso grupo. Mesmo só tendo visto dele poucas vezes o reconheci como Enzo.
– Ah! Ai estão vocês – ele deu um selinho na namorada e acenou para o restante de nós – A banda vai subir no palco daqui há alguns minutos, só estamos esperando essa música acabar.
– Então acho que vou indo – April avisou – Vim junto com uma amiga e ela deve estar totalmente perdida em algum lugar.
– Também vamos para perto do palco – Care segurou a minha mão com a intenção de poder me puxar quando começasse a andar – Boa sorte, Enzo.
***
Como Caroline já tinha dito, a banda estava tocando basicamente músicas dos anos 80 e 90. Quando uma canção bem lenta começou permitiu que pudéssemos dançar abraçados, como não fazíamos desde o nosso baile de formatura.
– Você está tão cheiroso... – ela estava com o rosto enterrado entre meu pescoço e meu ombro – Está usando perfume, Stefan Salvatore?
– Talvez... – dei de ombros, achando graça daquela conversa – Também posso ser charmoso quando quero, senhorita Forbes.
– Pois saiba que eu gosto disso – ficou na ponta do pé para sussurrar no meu ouvido, o que me fez ficar totalmente arrepiado.
Não sabia que se era o efeito da bebida ou alguma outra coisa, mas Care estava definitivamente flertando comigo. De repente surgiu uma vontade súbita de beijá-la, mas não poderia fazer isso sem saber qual seria a sua reação.
– Sabe, Care, eu estava pensando... – coloquei a mão debaixo do seu cabelo, fazendo um pequeno carinho na região – Na realidade tenho pensado muito a semana inteira..., sobre o que você falou naquela noite em que eu te busquei na boate.
– O que eu te falei? – perguntou, agora estava me olhando atentamente.
– Sobre o fato de nos conhecermos todos esses anos e nunca termos nem ao menos cogitado a possibilidade de ficarmos juntos, nem que fosse uma vez – ela passou a olhar para os nossos pés nesse momento – Care...?
– Por favor, Stef, esquece esse assunto – pediu – Eu estava bêbada e decididamente não estava pensando direito, nem mesmo sei por que falei aquilo.
– Na hora eu também fiquei assustado, sinceramente acho que nunca pensei que viveria para ver o dia em que Caroline Forbes daria em cima de mim tão descaradamente – ri, o que a fez dar um tapa de leve no meu braço – Mas não posso mentir e dizer que nunca pensei nisso antes.
– Está falando sério? – passei a mão pelo rosto dela – Stefan, você não precisa dizer só por causa do que aconteceu na semana passada, eu...
– Care, eu não estou falando isso só por causa da semana passada – garanti – Não estou dizendo que eu e você vamos nos beijar, ficar perdidamente apaixonados um pelo outro, nos casar e ter vários bebezinhos teimosos iguais a mãe, mas depois disso não poderemos dizer que nunca tentamos, não é mesmo?
– Acho que você tem razão – concordou – Mas você tem certeza? Hoje a noite?
– A não ser que você não queira, é claro – expliquei – Obviamente não faria nada que você não queira, é claro, sabe muito bem que não sou esse tipo da cara.
Ela estava com a mão no meu cabelo e começou a empurrar o meu rosto para mais perto do seu.
– Eu quero, Stef – sua voz saiu mais como um sussurro, mas consegui entender perfeitamente o que estava falando – Você está certo, somos amigos há tanto tempo e..., bom, depois disso não poderemos dizer que nunca tentamos.
– Fico feliz que esteja de acordo... – nossas bocas estavam quase se tocando e podia sentir a respiração quente dela contra o meu rosto.
– Sim, estamos de acordo – completou.
Meus lábios tocaram os dela e coloquei minha mão na sua cintura a puxando para mais perto ainda de mim. Caroline soltou uma mistura de gemido e suspiro antes de corresponder ao beijo na mesma intensidade.
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