Changes Love

17 Capítulo 16 – Isso se chama felicidade


Notas iniciais
Antes de mais nada, eu queria agradecer a Thaiscz pela linda recomendação, a primeira da fic; eu amei, muito! E agora vamos ao capítulo, nele teremos a continuação da lua de mel do Stefan e da Caroline. Espero que gostem e nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Stefan

– Você não vai acreditar no que eu acabei de achar dentro do armário do meu antigo quarto... – comecei a descer lentamente as escadas.

– O que? – Caroline marcou a página do livro que estava lendo e o colocou em cima da mesa.

Parei no primeiro degrau e mostrei para ela o boneco de pano que estava escondendo nas minhas costas.

– Um boneco de palhaço... – comentou sem muita emoção – Que legal...

– Esse era o meu brinquedo favorito quando tinha uns três anos – explicou – Eu o deixei aqui em um final de semana e depois não consegui mais encontrá-lo; mas pelo jeito Finn ou Sage devem tê-lo achado recentemente.

– Que bom para você – Care apenas deu de ombros.

Então eu fui me sentar no mesmo sofá em que estava a minha esposa. Fiquei olhando para aquele bonequinho, era exatamente como eu conseguia me lembrar, depois o coloquei “sentado” entre nós dois.

– Pensei em levá-lo para Toronto conosco – sugeri – Levar para o bebê, quero dizer.

– Não acho que essa seja uma boa ideia, Stef – negou com a cabeça – Ele pode ser de um dos filhos do Finn e da Sage, quer mesmo que eles pensem que perderam o brinquedo como aconteceu como você?

– Duvido que eles percebam alguma coisa – garanti – Isso é um brinquedo para crianças pequenas, é para colocar no berço, talvez de decoração naquelas camas com grades protetoras. Só precisamos dar uma lavada para tirar toda essa poeira e vai ficar perfeito.

– Sei que ainda não conversamos a respeito de como vai ser o quarto do bebê e talvez fosse até mesmo melhor descobrimos se é menino ou menina para decidir isso – falou – Mas uma coisa eu tenho certeza, não quero nenhum tipo de palhaço na decoração, nenhum tipo mesmo.

Foi só então que eu entendi onde é que ela estava querendo chegar com tudo aquilo e foi impossível não começar a rir.

– Do que você está rindo...? – deu um tapa de leve no braço e fez uma cara de brava – Eu estou falando sério.

– Não acredito que você tem mesmo medo de palhaço, Caroline? – ainda não tinha conseguido parar de rir – Isso é sério mesmo...?

– Eles são assustadores – explicou – Sem contar com toda aquela maquiagem, não dá para saber quem está ali debaixo; é a maneira perfeita de cometer um crime.

– Pois eu tenho certeza de que esse palhaço aqui não vai cometer nenhum crime – garanti, me referindo ao boneco – A não ser que você também acredite naquela história de brinquedo assassino.

– Só tenho medo do que é real, Stefan – respondeu – Quando eu tinha três anos, minha mãe achou que seria legal fazer uma festa de aniversário para mim com o tempo de palhaço e essa não foi uma experiência muito feliz para mim; não quero correr o risco de causar o mesmo problema no nosso filho, então palhaços não serão bem-vindos na nossa casa nem em festas de aniversário. E acho bom você me apoiar nisso, sabe perfeitamente bem que não é bom contrariar uma mulher grávida.

– Tudo bem, Care, se você não quer palhaços, não teremos nenhum palhaço – afirmei, então ela pegou o boneco e colocou encima da mesa com o “rosto” virado para baixo – Será que tem mais alguma coisa que você tenha medo e eu devesse saber?

– Idiota... – revirou os olhos.

– Não fica brava comigo, Care – me aproximei um pouco mais e beijei o seu ombro – Já disse o quanto você fica linda quando está irritadinha desse jeito?

Caroline sorriu, mas quando percebeu que eu estava olhando, voltou a ficar séria.

– Eu só pensei... – continuei – Se estamos casados “até que a morte nos separe”, deveríamos conhecer todos os defeitos e qualidades um do outro, não é mesmo?

– Nós somos melhores amigos, Stef – lembrou – Já sabemos tudo um a respeito do outro.

– Isso era o que eu realmente pensava – disse – Mas depois de saber da sua fobia de palhaços, não tenho mais tanta certeza.

– Não achei que a minha “fobia de palhaços”, como você chamou, fosse algo importante para contar – explicou.

– Claro que era importante, Care – passei a mão pelo seu rosto, o que a fez fechar os olhos quase que automaticamente – Tudo sobre você é mais do que importante.

Inclinei-me para poder beijá-la e quando voltei a me afastar, ela estava sorrindo.

– Talvez eu tenha algo mais que eu tenha medo, por assim dizer – voltou a falar logo em seguida – Mas você tem que prometer que não vai rir de mim de novo.

– Eu prometo... – levantei as duas mãos em sinal de rendição.

– Tenho um pouco de medo de quando chegar a hora de entrar em trabalho de parto – admiti – Tenho medo de que alguma coisa dê errado e também tenho medo de que doa, dizem que é uma dor quase insuportável.

Caroline ficou me olhando seriamente esperando que eu falasse alguma coisa. Mas tudo que eu fiz foi apenas colocar a mão sob a sua e entrelacei os nossos dedos.

– Não vai dar nada de errado, Care: fora os enjoos você não está sentindo nada demais, sem contar que está se consultando com a doutora Fell, como deve ser, e é por isso que vai dar tudo mais do que certo – garanti – E sobre a dor na hora do parto, vai ser algo que vai sentir e vai passar assim que o bebê nascer.

– Quando eu nasci, minha mãe passou 14 horas em trabalho de parto – continuou, preocupada – E se eu tiver herdado isso dela.

– Não acho que isso seja algo hereditário, Caroline... – tentei acalmá-la, mas não se adiantou muita coisa.

– Mas e se for hereditário? – voltou a questionar – Não vou aguentar ficar sentindo dor por 14 horas...! Acho que vou fazer uma cesariana.

– Se te ajuda, eu nasci menos de duas horas depois da minha mãe começar a sentir as primeiras contrações – avisei – Quem sabe isso não aconteça com você?

Ela soltou um longo suspiro e deitou a cabeça no meu ombro.

– Bom, infelizmente, eu não posso sentir a dor por você – lembrei – Mas eu posso garantir que estarei com você todo o tempo, segurando a sua mão e até deixando que você me xingar um pouco se quiser.

– Já vou dizendo que pretendo cobrar isso... – avisou – É bom mesmo que você esteja lá quando o bebê nascer ou eu nunca irei te perdoar.

– Acredite em mim, Care, sou eu que não vou me perdoar se não estiver lá com você – a puxei para mais perto de mim e coloquei a mão sob a sua barriga – Mas, mudando de assunto, o que você estava lendo?

– Um livro de histórias infantis que achei na biblioteca — voltou a pegar o livro para que eu pudesse vê-lo, conhecia aquela capa muito bem – E eu até consegui me imaginar lendo para o nosso bebê. Dizem que é bom estimular a leitura nas crianças desde cedo e eu acredito nisso.

– Ganhei esse livro no meu aniversário de quatro anos e fazia a minha mãe ler para mim todos os dias antes de dormir – foi impossível não dar um sorriso bobo com aquelas lembranças – O Damon ria e dizia que isso era coisa de bebês, mas eu o peguei várias vezes escutando as histórias.

– Parece que era mesmo bem divertido sorriu antes de se virar para mim para poder passar a mão pelo meu rosto – Stef...

– Sei o que você vai dizer, Care, e a resposta é não – a interrompi – Não estou preparado para falar com a minha mãe e sinceramente, nunca estarei.

– Stefan, ela é a sua mãe – lembrou – Não estou dizendo para perdoar 13 anos de indiferença, mas você precisa pelo menos ouvir a versão dela, nem que seja apenas para dizer que ouviu.

Eu não disse nada sobe isso, apenas fiquei encarando seriamente a minha esposa.

– Sei que você disse que não queria falar sobre a volta da sua mãe no dia do nosso casamento – continuou – Mas já passaram três dias desde que você a reencontrou, já é tempo mais do que suficiente para colocar as idéias em dia.

– Mesmo assim, eu acho que ainda não estou preparada para falar com ela ou sobre ela – avisei – Para falar a verdade, acho que nunca vou estar pronto para isso.

– Já percebi que não vai adiantar nada eu falar alguma coisa agora – revirou os olhos – Só achei que você deveria dar uma chance para a sua mãe, ouvir o que a levou a ir embora daquele jeito, quem sabe assim você consegue entendê-la melhor.

– Duvido muito que isso aconteça – avisei – E, por favor, não vamos falar a respeito dela durante essa viagem. Era para serem os nossos dias felizes e eu realmente não quero me estressar.

Care não disse nada, apenas ficou em silêncio encarando algum ponto fixo na parede.

– Sabe, se você quiser... – decidi mudar de assunto enquanto dava um beijo no topo da sua cabeça – Nós podemos levar o livro conosco para Toronto, assim já temos alguma coisa para ler para o bebê.

– É uma excelente ideia — concordou enquanto se virava para poder ficar totalmente virada para mim – Principalmente se não tiver nenhuma história de palhaços nesse livro.

– Acho que eu tenho certeza quase absoluta que não tem nenhuma história de palhaços – garanti enquanto aproximava o rosto ainda mais do dela.

Ela então tomou atitude de me beijar. Inverti as nossas posições fazendo com que Caroline deitasse no sofá e eu ficasse por cima dela e comecei a passar a mão pela sua perna sob o fino tecido da sua calça.

– Uou... – estava com os lábios no seu pescoço quando Care se mexeu para poder se sentar, o que fez com que eu me afastasse.

– Está tudo bem? – perguntei preocupado, principalmente quando ela colocou a mão sob a barriga – Está sentindo alguma coisa? Quer que eu ligue para a doutora Fell? Ou chame uma ambulância?

– Está tudo bem, Stef – respondeu enquanto dava um sorriso bobo – Acho que senti ele se mexer.

– Você tem certeza disso? – imitei o gesto dela – Pensei que ainda fosse cedo para isso; a barriga nem estar aparecendo direito ainda.

– Acho que pode dizer que foi mais como um milhão de formigas caminhando rapidamente pelo meu corpo – segurou o meu pulso e pousou a minha mão pouco centímetros acima do seu umbigo – Mas eu decididamente senti alguma coisa.

Ficamos alguns instantes em silêncio esperando que eu sentisse alguma coisa, mas decididamente nada estava acontecendo.

– Acho que eu ainda não consigo sentir nada – dei de ombros – Talvez ainda precise de mais algumas semanas, ou até mesmo de mais alguns meses.

– É mesmo uma pena – soltou um suspiro pesado – Quem sabe o que eu tenha sentido talvez só seja fruto da minha imaginação também; você tem razão, ele ou ela ainda é tão pequeno, talvez ainda não dê para senti-lo.

– Sei que você deve estar ansiosa para isso, acredite, eu também estou – garanti – Sentir o nosso bebê se mexendo vai ser mesmo uma experiência incrível e nós dois iremos curtir cada momento disso.

Puxei minha esposa para mais perto de mim e ela deu um beijo no meu pescoço.

Pela porta de vidro que dava acesso ao jardim da casa eu pude ver os fracos raios de sol que agora iluminavam o gramado. O verão no Canadá não tem temperaturas tão altas como acontece em grande parte dos Estados Unidos, mas o clima hoje até que está agradável.

– Eu tenho uma proposta para te fazer – comecei a falar, o que a fez levantar a cabeça para poder me encarar – O dia hoje está tão bom, o que acha de um banho bem refrescante no lago?

– É mesmo uma proposta bem tentadora – concordou antes de me dar um selinho – Espera só eu ir até lá em cima colocar o meu biquíni.

– E quem foi que disse que a ideia era usarmos roupa de banho? – dei um sorriso malicioso e levantei as duas sobrancelhas sugestivamente.

***

– Vem logo, Caroline... – eu já tinha entrado na água enquanto minha esposa continuava em pé no pequeno cais e com a tolha enrolada no corpo – Vai mesmo ficar ai para o dia inteiro?

– Acontece que eu não acredito em você – explicou – Não acredito nem um pouco que essa água esteja mesmo com uma temperatura amena e você vai me fazer congelar.

– Você não está acreditando em mim...? – me fingi de chocado – Lamentável, Caroline, lamentável...

Mergulhei a cabeça para mostrar a ela que a água não estava gelada; claro que aquela não era exatamente a temperatura ideal, mas era o suficiente para não termos uma hipotermia.

– Não fique tão chocado assim – revirou os olhos – Será que eu devo te lembrar de um incidente na cachoeira em que você e o Matt ficaram dizendo que a água não estava gelada e então eu, a Elena e a Bonnie pulamos de uma vez só? Posso dizer que nós três nos arrependemos na mesma hora e passamos dias com raivas de vocês.

Comecei a rir com as lembranças. Isso tinha acontecido no belo dia de inicio de verão, faltavam duas semanas para o final do ano letivo, então decidimos fazer o piquenique na cachoeira para comemorar; eu a Matt, namorado da Caroline na época, ficamos um pouco entediados e decidimos fazer uma brincadeirinha com as meninas, claro que elas não levaram tão na esportiva assim, de qualquer maneira foi bem divertido.

– Ótimo a gente faz uma piada, uma vez na vida, e as pessoas nunca mais esquecem – balancei a cabeça negativamente, lamentando – Vamos combinar assim: se eu estiver mentindo a respeito da água, você pode ficar o resto da viagem sem falar comigo.

– É mesmo tentador – concordou – Mas eu ainda prefiro continuar aqui seca e em um lugar quentinho.

Conhecia Caroline muito bem para saber que ela não ia mesmo entrar no lago se não tivesse qualquer tipo de “incentivo”. Então eu comecei a jogar água na sua direção, ela tentou chegar para trás, mas isso não a impediu de se molhar mesmo assim.

– Não acredito que você fez isso, Stefan Salvatore! – começou a gritar – Agora você vai ver.

Parece que isso foi o suficiente, pois no segundo seguinte ela retirou a toalha e pulou na água. Então começou as milhares de tentativas de tentar me molhar, mas eu sou bem mais rápido e comecei a nadar para fugir dela.

– Você não vai conseguir escapar de mim – avisou –Saiba que eu fui campeã de natação na 5ª série, por isso não me subestime.

Por fim ela acabou me alcançando e colocou as mãos sob os meus ombros tentando me fazer afundar, ao mesmo tempo em que eu usava todas as minhas forças para me impedir.

– Tudo bem! – nós dois paramos o que estávamos fazendo depois de alguns minutos – Eu me rendo, você venceu...

– Ótimo! – sorriu antes de enroscar as pernas na minha cintura, enrolar os dedos nos meus cabelos e começar a me beijar.

– Pensei que você fosse ficar com raiva de mim e deixar de falar comigo até o final da nossa viagem? – argumentei quando ela passou a descer os lábios para o meu pescoço – Não que eu esteja reclamando de alguma coisa é claro.

– Isso não é conversar... – sussurrou provocadoramente no meu ouvido e passava a mão pelo meu peitoral – Vai me dizer que você nunca transou dentro de um lago?

– Não..., nunca... – nesse momento minha voz saiu mais como um gemido do que qualquer outra coisa.

– Pois não sabe o que está perdendo – riu contra a minha pele – Você se lembra do aniversário de 17 anos da Elena? Aquele que foi na casa do lago da família dela?

Balancei a cabeça afirmativamente. Jamais poderia esquecer daquele dia, foi o último aniversário da Elena que passamos juntos e um dos nossos últimos momentos de felicidade antes do nossos namoro começar a entrar em crise.

– Você se lembra que eu e o Matt sumimos em algum momento e voltamos uns vinte minutos depois? – continuou.

– Você e o Matt? – foi impossível não fazer uma careta – Está falando sério? No lago?

– Talvez seja tão grave quanto transar na banheira de hidromassagem da sua namorada – observou e eu apenas revirei os olhos – Mas agora chega de falar sobre nossas experiências anteriores e vamos nos focar apenas em nós dois e nesse momento aqui.

Levou as duas mãos até o meu membro e começou a massageá-lo lentamente e foi aumentando a velocidade gradativamente. Escondi o rosto no entre seu ombro e seu pescoço e gemi.

Ela voltou a enroscar as pernas na minha cintura e fez com que eu a penetrasse. Começamos a nos mover juntos e não demorou muito para chegarmos ao ápice, então ficamos ali parados por alguns minutos esperando nossas respirações voltassem ao normal.

– Foi mesmo maravilhoso... – tive que concordar — Pelo jeito você estava mesmo certa.

– Eu sempre estou certa, Stef, aceite isso – riu antes de dar uma mordida de leve no meu queixo – Agora é melhor nós sairmos logo daqui, a água está mesmo começando a esfriar.

– Tem razão... – concordei, me separei dela e comecei a nadar na direção da margem.

Saí de dentro do lago e ajudei Caroline a fazer o mesmo antes de pegar as nossas toalhas. Eu a abracei pela cintura e fomos caminhando na direção da casa.

– Acho melhor tomarmos banhos separados – avisei – Quero te levar a um lugar e não quer que a gente saia daqui muito tarde.

– Por mim está tudo bem – concordou – Mas será que eu posso saber onde é que você está querendo me levar? Ou é alguma surpresa daquelas que vai me deixar curiosa pelo resto do dia?

– É uma surpresa – respondi – E não se preocupe, tenho certeza de que você vai adorar.

***

Tomei banho e troquei de roupa em menos de vinte minutos, depois disso fui para a sala esperar por Caroline. Sentei o sofá e peguei o livro de história e comecei a folheá-lo.

Naqueles poucos instantes eu consegui voltar no tempo; eu me imaginei com quatro anos sentado nesse mesmo sofá e minha mãe ao lado lendo as histórias, seu tom de voz tinha o poder de fazer com que eu me acalmasse e ainda me permitia adormecer em poucos minutos.

– Demorei...? – me virei a tempo de encontrar minha esposa descendo as escadas – Como eu estou? – assim que parou em frente a mim ela deu uma volta de 360º para que eu pudesse ver melhor a sua roupa.

Care estava usando um vestido branco e azul escuro, uma sapatilha baixa e deixou os seus cabelos soltos. Abri um sorriso bobo ao vê-la daquela maneira.

– Você está incrível – afirmei – Como sempre, é claro.

– Obrigada... – fez uma pequena reverência, agradecendo – O que você está fazendo? Decidiu voltar para a infância e está lendo seu antigo livro de histórias?

– Mais ou menos – dei de ombros – Só estava me lembrando; foi com esse livro que minha mãe começou a me ensinar a ler.

– Consigo até imaginar... – ela se sentou ao meu lado e deitou a cabeça no meu ombro.

– Eu estava com cinco anos e ficava apontando para saber qual era cada letra – expliquei – Depois disso, não foi tão difícil assim começar a juntá-la e logo eu estava lendo.

– São mesmo muitas histórias – comentou – Espero que um dia tenhamos tantas lembranças boas ao lado do nosso filho ou da nossa filha como essas.

– E nós teremos – garanti – Na verdade, vai ser até melhor, porque nenhum de nós dois vai embora sem dar notícias por 13 anos.

Sabia que Caroline queria dizer mais alguma coisa a respeito da minha mãe, mas como tinha certeza de qual seria a minha reação, preferiu ficar quieta. Então, em vez disso, ela simplesmente soltou um longo e pesado suspiro.

– Acho que já podemos ir, não é mesmo? – decidi mudar de assunto logo em seguida.

– Claro, vamos – concordou enquanto se levantava e passava a mão pela saia do vestida, embora não estivesse amassada – Você não vai mesmo me contar aonde vamos, não é mesmo?

– Como você é curiosa, Caroline – ri e passei o braço em volta dos seus ombros – Só mais um pouquinho de paciência e você já vai descobrir o que eu estou planejando.

– Certo... – revirou os olhos.

Então nos fomos na direção a porta. Meu carro continuava estacionado no mesmo lugar onde eu o parei há dois dias quando chegamos aqui; não tínhamos sentido nenhuma necessidade de sair da casa até então, temos tudo que precisamos aqui mesmo, mas hoje estou abrindo uma exceção, pois quero levar a minha esposa em um lugar especial.

***

Bem pertinho da casa da minha família tinha uma pequena cidade que deve ter mais ou menos o mesmo tamanho de Mystic Falls. Lembro-me que quando vínhamos passar as férias íamos muito até lá fazer compras e às vezes até mesmo para jantar.

– Chegamos... – anunciei assim que parei o veículo em frente ao restaurante.

O local estava exatamente igual como era quando eu tinha uns 9 ou 10 anos e placa escrito “Cantina do Pepe” também era a mesma. Abri a porta e dei a volta para poder ajudar Caroline.

– Uma cantina italiana – ela segurou a minha mão enquanto seguimos pelo caminho que levava a porta do restaurante – Parece bem aconchegante.

– E é – afirmei – Tenho certeza de que você vai gostar daqui tanto quanto eu gosto.

– Assim eu espero... – deu um pequeno sorriso.

É dia de semana e como as pessoas deve estar começando a sair do trabalho agora, o local ainda está relativamente vazio, exceto por algumas mesas que já estavam ocupadas. A senhora que estava na recepção ficou nos encarando por alguns segundos antes de enfim vir na nossa direção.

– Não acredito! – ela me abraçou com bastante força – Stefan Salvatore! É você mesmo?

Ela colocou as mãos sob o meu ombro e ainda ficou alguns instantes me encarando, parecendo totalmente incrédula por estar me vendo ali depois de tanto tempo.

– É bom ver a senhora também – afirmei – Também é muito bom ver que aqui continua tudo do mesmo jeito, mesmo depois de tantos anos.

– É verdade – concordou – Mas agora você vai ter que contar porque ficou tanto tempo sumido?

– Primeiro o meu pai me mandou para ficar uns anos nos Estados Unidos com o meu tio – expliquei – Depois que eu voltei para Toronto foi para começar a faculdade, então a vida começou a ficar corrida e aí...

– Entendo... – respondeu – Mas é bom não voltar a sumir. Você sabe muito bem o caminho até aqui e pode vir a hora que quiser.

– Sei disso – garanti.

– Pepe, venha ver quem é que está aqui! – gritou na direção da cozinha – É o Stefan, filho do Giuseppe Salvatore!

O marido dela me recebeu com o mesmo entusiasmo. Enquanto isso, Care continuava apenas observando e parecia bem confusa com tudo aquilo.

– Deixe-me fazer as apresentações: essa daqui é a minha esposa, Caroline – coloquei a mão nas costas dela enquanto falava – Esses aqui são Giane e Pepe, os donos do restaurante, como já deu para perceber eles me conhecem desde criança.

– Sim, eu percebi – ela afirmou – E devo dizer que o restaurante de vocês é mesmo uma graça.

– Stefan, ela é adorável – Pepe comentou, encantado – Há quanto tempo vocês dois estão casados?

– Dois dias! – respondemos juntos.

– Estamos passando a lua de mel na casa do lago da minha família – continuei – Claro que eu não poderia trazer a Caroline até aqui sem apresentá-la para o restaurante de vocês.

– E estamos muito lisonjeados com isso – Giane afirmou – O que acha, Pepe? Vamos preparar um jantar especial para os recém-casados?

– Não poderia pensar em nada menos do que isso – respondeu.

– Por favor, me acompanhem – ela pediu – Vou levá-los até a sua mesa – saiu e nós a seguimos.

Eles nos deram a mesa mais isolada do lugar para que pudéssemos ter o máximo de privacidade possível e também colocaram algumas velas para iluminar o ambiente. Pepe preparou a sua especialidade, bife à parmigiana, e mouse de chocolate para a sobremesa, aquele foi mesmo um jantar incrível ao lado da minha esposa.

***

– Stef... – Care murmurou com voz abafada pelo travesseiro perto do seu rosto; estávamos deitados nos quarto, abraçados um ao outro e aproveitando a lareira ligada – Tenho uma confissão a fazer.

– Com tanto que não seja nada sobre a sua vida sexual com um dos seus ex-namorados – pedi – Acho que isso é uma coisa que é melhor mantermos somente para nós mesmos.

– Não é sobre isso – virou-se para poder ficar de frente para mim – Embora tenha a ver com o Tyler, quero te contar por que exatamente a gente terminou.

Lembro-me perfeitamente do dia em que Caroline me ligou totalmente chorosa para contar que o namoro dela e do Tyler tinha acabado de uma vez por todos. Obvio que eu perguntei o que tinha acontecido, mas ela não quis me contar.

– Nós terminamos por sua causa – completou, por fim.

– Como assim? – olhei totalmente confuso na sua direção – Caroline não me diga que...?

– Não é nada disso que você está pensando, Stef — deu um tapa de leve no meu ombro – Bom, você se lembra que o Tyler morria de ciúmes de você, não é mesmo? – balancei a cabeça afirmativamente – Naquele dia ele estava mais irritado do que nunca, porque eu tinha encontrado uma caixa cheia de fotos nossas na época do Ensino Médio; foi enquanto que Ty decidiu me dar um ultimato: ou você ou ele. Acho que você já deve imaginar qual foi a minha resposta.

– Care... – consegui dizer em seguida – Nunca imaginei que tivesse sido isso assim. Do jeito que você estava, pensei que ele tivesse terminado, não o contrário.

– Não significa que eu tenha ficado menos chateada – deu de ombros – Meu namoro com o Tyler foi o que mais durou e eu realmente achava que estava apaixonada por ele.

– E não acha mais esteja apaixonada? – decidi perguntar.

– Sinceramente, não – negou – Sei perfeitamente que o que nós temos é totalmente diferente, mas se eu não tivesse terminado com o Tyler, a gente nunca teria ficado juntos, não teria nenhum bebê e não estaríamos casados agora. No final, acabou que foi uma coisa boa.

Talvez eu não devesse sentir isso, mas esse comentário de Caroline fez nascer uma nova esperança dentro de mim.

– Preciso confessar também que quando decidimos nos casar eu fiquei com medo disso estragar a nossa amizade, mas eu estava errada – continuou – Sei que estamos casados há apenas dois dias, mas eu estou feliz e tenho certeza de que será assim para sempre.

– Também estou feliz, Care – peguei sua mão e a beijei – Eu também estou feliz.

Notas finais
E ai, o que acharam? Fofos né? Infelizmente no próximo cap eles já vão voltar para Toronto e vão precisar voltar a rotina, mas tem muitas coisas legais acontecendo (principalmente um certo flagra kkkkkkkkkk) *** Bom gente, é isso comentem e digam o que estão achando. Recomendações?