Change of Plans
9 You're as cold as ice
Notas iniciais
Sebastian acabava de deixar suas coisas em sua suíte e estava saindo para tomar um banho de sol e encontrar seu cunhado, quando seus olhos arregalaram-se de surpresa e seu coração acelerou de empolgação. Ao longe, conversando com uma mulher estranhamente baixa, a morena que lhe tirava o sono quase todas as noites. Ele sorriu torto e gritou, levantando a mão:
“Hey! Santana!”
Ela virou-se prontamente e pareceu ver um fantasma. Ela voltou a olhar para Rachel e em seguida revirar os olhos, saindo do local. O garoto estranhou a atitude e correu atrás da morena. Ela andava o mais rápido possível, procurando algum buraco para se esconder. Algum tempo percorrendo em uma velocidade suspeita pelos cantos do navio e escondendo o rosto com o chapéu que usava, ela conseguiu entrar junto com um cozinheiro, na cozinha do navio.
Viu quando Sebastian passou direto pelo cômodo e suspirou fundo. Os funcionários a olhavam com expressões confusas nos rostos e ela tratou de desviar a atenção dela, do jeito mais Santana que existia:
“Estão olhando o quê? Voltem ao trabalho, bando de preguiçosos!”
Ajeitou o cabelo, jogando-o para trás e saiu cuidadosamente do local, indo em direção ao seu quarto. Enquanto Sebastian dava-se por vencido e se jogava em sua cama, deixando com que as lembranças daquela noite inesquecível, lhe invadissem livremente.
Flashback On
Aquela era apenas mais uma noite para Santana, ela estava mentalmente exausta e a única coisa que a fazia bem em momentos assim era se entregar completamente. A latina entregava seu corpo seguindo a batida da música, sem se importar em ser uma das poucas a dançar naquele bar. A bebida descia facilmente pela sua garganta e os movimentos de sua cintura continuavam totalmente ritmados.
Como em todas as vezes que a latina saía sozinha para extravasar, ela estava chamando a atenção de toda a população masculina do bar, mas ela não se importava com isso, eles eram apenas os cachorros de sempre, salivando por um bom pedaço de carne que se exibia pra eles.
Poucos homens ousavam chegar a Santana quando ela estava com esse tipo de atitude, mas entre eles, um rapaz ousado estava sentado no bar observando atentamente todos os movimentos da latina e sonhando em ter sua atenção de alguma forma. Sebastian tomou mais um gole de sua cerveja e a encarou novamente. Em um estalo de coragem se levantou e se aproximou da latina, tentando dançar no mesmo ritmo, com um sorriso simpático.
“Oi morena!” Ele falou próximo ao ouvido dela.
Santana o encarou por alguns segundos e em seguida rolou os olhos o ignorando:
“Meu nome é Sebastian e o seu?”
“Meu nome é Quero Dançar Sozinha Sai Fora!” Ela abriu um sorriso irônico e virou de costas novamente pra ele.
“Prazer senhorita, Quero Dançar Sozinha Sai Fora, belo nome.” Ele riu da própria piada e apenas recebeu um olhar de desprezo da latina. “Posso te trazer algo pra beber?”
“Qual seu nome mesmo?” Ela perguntou um pouco mais doce o encarando.
“Sebastian.” O rapaz sorriu confiante.
“Sim, Sebastian, você poderia me trazer um pouco de água?”
“Claro!”
Sebastian sorriu animado e caminhou até o bar, fez o pedido e lançou um olhar esperançoso na direção da latina que dançava novamente imersa em sua bolha. Porém o barman interrompeu seus pensamentos:
“Rapaz, essa água é para aquela moça ali?” Ele apontou Santana.
“É sim parceiro, obrigado!”
“Ei, garoto.” O barman chamou e ele o encarou. “Não é uma boa ideia...”
“Desculpe, mas o que não é uma boa ideia?”
“Levar água pra ela!”
“Mas ela pediu...”
“Apenas não leve.”
Sebastian o encarava sem entender, mas o barman apenas resmungou um “não diga que eu não avisei” e se virou de costas voltando aos seus afazeres. O rapaz caminhou animado novamente até a latina:
“Senhorita, Quero Dançar Sozinha Sai Fora, aqui está sua água!” Ele sorriu gentil e estendeu a garrafa pra ela.
Santana o encarou, desconfiada. Geralmente quando ela pedia água a algum cara, ele simplesmente desaparecia de sua vista, muitas vezes por saber o que aconteceria em seguida, ou por ser alertado por Burt, o barman que já conhecia seu temperamento.
Porém aquele rapaz estava sendo o mais ousado de todos nos últimos tempos, mas isso não faria com que ela amolecesse. Santana encarou os olhos azuis de Sebastian, desceu o olhar para a garrafa e lançou um ultimo olhar dentro dos olhos dele antes de virar de costas e o ignorar completamente.
Ele não entendeu nada, olhou pra baixo um pouco desconsertado e bagunçou os cabelos antes de tentar novamente, deu alguns passos e parou na frente de Santana com um sorriso inabalável no rosto.
“Hey, sou eu, o Sebastian!” Ele estendeu novamente a garrafa. “Aqui está sua água!”
Santana o encarou novamente com uma expressão indecifrável.
“Obrigada!”
Ela pegou a garrafinha, abriu lentamente a tampa e tomou um gole sensualmente, sem quebrar o contato com os olhos de Sebastian. O rapaz a encarava com um sorriso galanteador entre os lábios e foi surpreendido completamente quando sentiu seu rosto inteiro ficar molhado. Santana jogou todo o conteúdo da garrafa em seu rosto, molhando boa parte de sua camiseta. A latina gargalhou com vontade ao ver a expressão atônita dele e voltou a dançar bebendo um pouco mais de sua vodka.
“Por que você fez isso?” Ele segurou o braço dela sem força, mas fazendo com que ela virasse para encará-lo.
“Me larga garoto!” Santana se desvencilhou da mão forte que a segurava.
“Não me chame de garoto!” Ele bufou. “Por que você fez isso?”
“Quem mandou você trazer isso pra mim, ou falar comigo...”
“Eu só estava tentando ser gentil com você!”
“Me trouxesse uma vodka e sumisse da minha frente!”
“Mas você pediu água!”
“Ah, então você vai dizer que é diferente de todos por aí, que não quer me embebedar e me ver nua rebolando dessa maneira em cima de você?”
“O quê? Você está louca garota?” Perguntou ainda sem entender as reações dela.
“Não me chame de garota!” A latina esbravejou se aproximando mais dele.
“Garota, garota, garota!” Sebastian provocou sorrindo de lado ao perceber que estava realmente a irritando.
“Ora, não vou perder meu tempo com você.” Santana se virou novamente de costas, mas não deixou de ouvir as ultimas palavras de Sebastian.
“Eu posso ser um garoto, você pode não ser uma garota e você pode não acreditar em mim, mas eu realmente só estava tentando ser legal e te tirar dessa solidão que você parece ter se enfiado. Eu vi nos seus olhos que você precisava de companhia e eu não queria nada além disso. Mas ok, me desculpe por cruzar seu caminho.”
As palavras do moreno tiveram grande impacto dentro de Santana, sua mente repassava repetidamente tudo que ele havia falado antes de se afastar, sua voz estava carregada de sinceridade, mas ela não iria se abalar, ela não poderia se abalar de maneira nenhuma.
Sebastian voltou para o bar e pediu mais uma cerveja, bebeu mais rápido do que esperava, e em menos de meia hora estava pagando o que havia consumido. Ele caminhou ainda molhado pra fora do bar e enquanto esperava um táxi, foi surpreendido. Sentiu uma mão se apossar com propriedade de sua nuca e puxar seu rosto pra baixo. Tudo aconteceu muito rápido e ele só teve consciência de que estava beijando a mesma latina que o havia destratado, após sentir que ela deslizava as unhas em sua pele.
“Mas, o que...”
Antes que o moreno pudesse falar alguma coisa, Santana iniciou um segundo beijo, dessa vez mais consciente do que acontecia, Sebastian envolveu suas mãos na cintura da latina e a puxou para mais perto de si. Beijaram-se intensamente até que o ar se fez necessário e foram obrigados a separar seus lábios novamente.
“Olha...” Sebastian começou e foi rapidamente interrompido pela latina.
“Santana, meu nome é Santana. E não faça mais perguntas, ok?”
Sebastian apenas concordou com um aceno de cabeça e foi puxado pela latina para o estacionamento ao lado do bar, ela entrou em uma Pajero preta e abaixou o vidro o encarando.
“Vamos, entre logo!”
O moreno rapidamente entrou e colocou o cinto a encarando, várias perguntas passavam por sua cabeça, mas ele estava confuso demais com a dualidade de atitudes dela. Em poucos minutos ele se situou ao vê-la entrar com o carro em um dos motéis mais luxuosos da cidade. O rapaz engoliu em seco ao ouvi-la pedir pelo melhor quarto, pois algumas horas no cômodo custavam o equivalente de seu salário no mês.
Santana desceu decidida do carro e Sebastian se apressou em tirar o cinto e descer atrás, entrando no apartamento e novamente, antes que pudesse falar qualquer coisa, sentiu a latina pressionar seu corpo contra o dele.
“Não faça eu me arrepender disso, garoto!”
Santana sussurrou sensualmente entre os lábios de Sebastian, piscou pra ele e saiu rebolando em direção a enorme cama redonda no meio do quarto. O moreno sorriu safado e passou a mão entre os cabelos os bagunçando um pouco mais.
Continua...
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