Change Of Directions
24 Capitulo 24
Notas iniciais
De todas as vezes que eu estive aqui, à espera de alguém para abrir a porta para mim, essa foi a experiência mais estressante e assustadora. Essa tensão era demais para aguentar, eu mal podia respirar sob a pressão que eu tinha feito para mim mesma. Agora eu podia entender por que Santana se sentiu tão enjoada naquele dia, quando eu a tinha obrigado a fazer as pazes com Brittany. Eu não estava me sentindo melhor, e eu nem sequer tinha alguém para me apoiar mentalmente enquanto eu estava aqui. Evidentemente, eu tinha proibido Puck, Santana e Brittany a me acompanhar, porque esta era a minha batalha. Meu erro, minha culpa. A porta se abriu, e tudo o que eu tinha preparado para dizer e fazer voou da minha mente.
J: Você.
Era Judy, e não a Fabray que eu procurava. E se não fosse por qualquer meio estranho ou irregular encontrá-la abrindo a porta para mim sempre que eu visitava Quinn, pensaria que algo estava definitivamente errado desta vez. A loira mais velha olhou para mim com uma expressão vazia e sua saudação tinha sido curta, quase desagradável. Havia uma possibilidade de ela estar irritada antes de abrir a porta para mim, e eu só tinha sido azarada por escolher este momento para bater na porta. Mas algo me dizia que o olhar examinador em seus olhos era para mim.
R: Olá, Sra. Fabray, — Eu gaguejei nervosa, me sentindo intimidada sob seu olhar duro.
J: Quinn não quer vê-la, — Ela disse rapidamente direto ao ponto.
Oprimida, eu disparei,
R: Eu sinto muito?
J: Bom, você está aqui para vê-la, não é? — Judy logo disse, e o tom desagradável agora evidente em sua voz me matou. Eu nunca fui tratada assim por ela, e eu não pude deixar de me sentir magoada.
R: Sim, — Eu murmurei.
J: E ela não quer vê-la. Sendo assim, você já pode voltar para sua casa agora.
E ela fez isso de novo, me matou com suas palavras inóspitas. Ela não me insultava abertamente, ela não era rude ou mandava eu ir me foder, mas não havia nada que poderia ter me machucado mais. Eu a respeitava, a admirava mesmo, pela sua força de criar a Quinn sozinha enquanto Shelby tinha me abandonado. Eu quase a via como minha figura materna. O jeito que ela sempre colocava mais comida no meu prato, quando eu já estava cheia, do jeito que ela me lembrava de vestir algo quente e dirigir com segurança, sempre que levava Quinn para a escola, tudo sobre como ela me fez sentir como uma criança amada. Me fez lembrar os dias em que os meus pais costumavam fazer essas coisas para mim. E agora ela estava me dando o ombro frio, me empurrando, me jogando para fora de sua casa. E do caralho me rasgou em pedaços. Nada dói mais do que a rejeição daqueles que você ama e se preocupa.
R: Por favor, eu preciso vê-la, é importante, — E o tom desesperado na minha voz não poderia ter sido mais evidente. Mas a expressão de Judy ficou indiferente.
J: Sério? — Ela disse, arqueando uma sobrancelha. — O que é tão importante que você não pode esperar para contar a ela segunda na escola? Ela ainda não está se sentindo bem, como você deve saber desde que ela perdeu escola hoje também.
R: Não, eu preciso -
J: Precisa? — Ela me interrompeu de novo, e eu senti como se tivessem roubado meu ar. — Não há nada que você precise fazer agora. Não há nada que você possa fazer agora. É melhor você ir embora.
Por que ela estava fazendo isso comigo? Ela sabia que eu tinha quebrado o coração da sua filha? Ela estava tentando proteger Quinn? Por que não podia, pelo menos, me deixar consertar as coisas, reparar o que poderia ser reparado da nossa amizade?
R: Por favor, você não entende, é -
J: Importante? — Judy me cortou. E tudo o que eu tinha na minha mente desapareceu no ar quando eu olhei para o rosto carrancudo. — Não, você não entende Rachel. Você sabe o que é importante agora? que Quinn pode tomar seu tempo para resolver as coisas. Sem você.
Era oficial. Apenas uma Fabray tinha a capacidade de quebrar meu coração.
À medida que os segundos passavam com ela examinando meu olhar perdido e quebrado, sua expressão se suavizou e ela disse de repente,
J: Entre eu preciso falar com você de qualquer maneira.
Eu não queria segui-la porque eu tinha certeza de que havia mais tortura para vir antes de eu ser perdoada. Mas não havia outra opção, eu tinha que superar isso, mais cedo ou mais tarde. Eu parei atrás dela na cozinha, disparando olhares inseguros no teto. Saber que Quinn estava tão perto, mas fora do alcance era como cortar um pedaço do meu coração. Saber que ela tinha faltado a escola hoje de novo por minha causa fez eu me sentir mais miserável do que nunca. Ate mesmo Sue Sylvester suspeitava que eu era o motivo da ausência da loira, a prática das Cheerios numa sexta-feira sem a capitã era inaceitável.
J: Sente-se, — Judy disse distraidamente enquanto mexia na maquina de café.
Pela primeira vez eu não senti vontade de beber um de seus cafés viciantes. Pela primeira vez eu não queria estar aqui nesta cozinha. Eu só queria estar com Quinn agora, para dizer a ela que eu tinha sido uma idiota, e que gostaria de nos dar uma chance. Mil chances se ela estivesse disposta a me dar apenas uma.
J: Aqui. — Eu me assustei quando uma caneca de café foi colocada em cima da mesa na minha frente com um baque forte.
J: Beba.
Contra a minha vontade, a minha mão alcançou a caneca. Mas quando eu tomei um gole, minha boca estava seca demais para engolir o líquido. Eu quase gemi de dor pelo café quente deixando um rastro queimando minha garganta. Até mesmo o café estava com raiva de mim. Suprimindo uma careta, eu virei os meus olhos para mesa para evitar olhar para Judy e brinquei com a alça da caneca.
J: Então, me diga. O que é tão importante que você precisa dizer a Quinn agora? — Eu não ousei olhar para cima.
O que eu deveria responder? O que Judy sabe? Será que Quinn não lhe disse nada, ou, o quanto que ela disse?
R: Hm, — Eu ouvi seu suspiro, e eu fiquei mais insegura em poucos segundos.
J: Rachel, eu não sou cega.
Então, ela sabia. Agora, a pergunta era quanto.
J: E por um longo tempo, eu queria que não fosse verdade.
Minha mão apertou em torno da caneca de café com esta admissão estranha. Não estranha no sentido de não entender ela, pensando que era uma coisa estranha para se dizer. Estranho, porque eu não sabia se era ruim ou uma coisa boa.
J: Eu não tenho orgulho do que eu vou admitir Rachel. — Meu coração batia acelerado em pavor. — Mas antes que você me julgue, você tem que saber por que eu mudei minha opinião agora. — Meus dedos tremeram, o único sinal físico que eu tinha reconhecido as suas palavras.
J: Eu não esperava que minha filha fosse gay.
E ali estava, a confissão que me esfaqueou milhares de vezes no coração. Muitos pensamentos passaram pela minha mente agora, principalmente aqueles de pânico. 'E se Judy me proibir de ver Quinn?'
J: Desde que meu ex-marido me deixou, o desejo de ter um neto de Quinn se tornou mais forte. Você tem que entender, minha solidão está me fazendo uma pessoa egoísta. Eu Pensava que se Quinn tivesse filhos, ela poderia deixá-los ficar comigo, enquanto ela estivesse no trabalho. Fazia sentido na minha mente.
Eu não podia culpar Judy por este pensamento. Não só faz sentido em sua mente, era plausível para cada mãe cujos filhos cresceram e saíram de casa para se estabelecer em outro lugar no mundo.
J: Eu queria que ela se casasse com o homem perfeito, tivesse dois filhos adoráveis, vivesse em algum lugar do bairro em uma bela casa.
Era pura tortura, ouvir isso. Sabendo que eu simplesmente não me encaixava nesse cenário, que não havia lugar para mim estar neste sonho americano perfeito, nenhum papel para mim na vida de Quinn.
J: Você reparou no termo ‘passado’ nas minhas palavras?
Levantei minha cabeça e olhei para Judy, com os olhos arregalados. Ela me deu um sorriso fraco, quase imperceptível. Mas foi isso que me deu esperança. Ele me deu esperança, porque eu sentia como se estivesse me afogando e eu estivesse desesperada para me agarrar a qualquer coisa que ela estivesse disposta a jogar para mim, mesmo que fosse apenas o menor vestígio de um sorriso.
J: Eu estava tão envolvida planejando a vida de Quinn para ela, oh Rachel, eu não sabia que o que eu fiz foi completamente errado, levei muito tempo para aprender isso porque Quinn nunca se opôs aos meus planos. É tudo minha culpa que ela tem sido infeliz por todo esse tempo.
Para o meu horror absoluto, a voz de Judy tinha começado a tremer e todos os sinais de lágrimas eram claros. Por que, que eu sempre achava uma maneira de fazer um Fabray chorar? E talvez não fosse culpa minha, mas eu ainda era responsável de alguma forma, porque ela estava falando comigo, e ela estava prestes a chorar na minha presença, como poderia não ser minha culpa?
R: Não, não é culpa sua, você só queria o melhor para ela... — Tentei acalmá-la, mas ela começou a soluçar. Toda esta situação era estranhamente familiar, e a vontade enorme de chorar assim borbulhava sob meu peito. Porque, mais uma vez, eu tinha conseguido fazer alguém chorar quando eu tentava acalmá-los.
J: Sim é minha culpa, — Judy soluçou. — Eu nunca pensei muito nisso, mas agora tudo é tão claro as pequenas coisas que eu mencionei, Quinn deve ter feito por que ela é uma boa garota, ela só queria me fazer feliz após o divórcio conturbado, mas ela arriscou a própria felicidade.
Isso era uma coisa que Quinn faria. E eu caí no amor com a loira um pouco mais.
J: Eu nunca soube que ela levava meus desejos tão a sério, que eu nem percebi as dicas, mas agora é tão óbvio. 'Quinnie, que bom seria se você namorasse alguém popular como você, o Quarterback talvez? Quinnie, não seria ótimo se você fosse a Rainha do baile e colocasse a tiara em sua prateleira?' Ah, eu era tão estúpida.
Minha garganta ficou seca. Quinn nunca tinha se interessado por Finn. Talvez isso não importasse mais de qualquer maneira, talvez fosse um fato que não valesse a pena lembrar, pois era óbvio que ela não sentia nada por ele. Mas isso importava para mim, saber que ela nunca sentiu nada em relação a ele, e não apenas recentemente perdeu interesse.
J: Eu queria que ela vivesse a minha idéia de uma vida perfeita para mim, porque eu não fui capaz de fazer isso sozinha, — Judy soluçando disse, fazendo minhas entranhas se contorcerem. — E eu nunca parei por um segundo para ver se isso era o que Quinn realmente queria. Eu nunca notei sua infelicidade. Não até ela te conhecer.
Meus dedos se contraíram novamente.
J: É claro que, num primeiro momento eu pensei que o relacionamento dela com Finn estava ficando mais forte no momento e que esta era a razão pela qual ela sorria com mais frequência.
E eu me encolhi com isso.
J: Mas ela nunca falou sobre ele, nunca falou dele em nossas conversas. O quer que fosse que falávamos sempre de alguma forma a conversa se voltava para você. E eu não pensava muito nisso, vendo que vocês são amigas íntimas, e eu era bastante afeiçoada a você, Rachel. Ainda sou.
A esperança brilhou nos meus olhos enquanto eu olhava para ela, completamente vulnerável e tímida. Judy lentamente assentiu com um sorriso arrependido, os restos das lágrimas brilhando nas bochechas.
J: Eu sinto muito por ter sido tão rude com você. Eu sou uma mãe solteira, então você tem que entender a minha natureza protetora. E eu tenho que ter dizer, ver minha filha vir para casa com lágrimas desencadeia uma série de sentimentos negativos dentro de mim.
Tentei engolir, mas desisti após a terceira tentativa.
J: Oh, Rachel, — Ela suspirou, e meu coração acelerou.
O que ela vai dizer agora?
J: Eu deveria saber que havia mais coisa entre vocês duas, mas eu estava tentando tanto ignorar, negar. Mas as interações de vocês uma com a outra explodiu todos os limites de uma amizade.
Isso era tudo que eu conseguia pensar. Se tínhamos sido tão óbvias?
Parecia que todo mundo sabia sobre nós antes que nós percebemos. Santana sabia o que significava, Brittany sabia também. Ate mesmo Puck sabia. Kurt estava tentando me dizer. Todo mundo sabia que merda, mas não acho que seria necessário nos contar.
J: A maneira como vocês agem em torno de si. Com tanta familiaridade que só os namorados tem.
Era porque eu confiava Quinn. Brega ou não, eu confiava nela com a minha vida. Era as pequenas coisas que ela fazia que fez com que eu confiasse nela cegamente, de modo simples e pequeno, mas que fez a grande diferença. Sempre que eu dormia na aula de espanhol, ela fazia Santana parar de jogar pedaços de papel no meu cabelo. Sempre que eu tinha manchas de tinta no rosto, ela iria segurar meu queixo e limpar as manchas, fazendo minha respiração acelerar no processo. Pequenas coisas que ela se preocupava em fazer, e que os outros provavelmente ignoravam porque eles não se importavam se eu parecia uma idiota com pedaços de papel no meu cabelo e com manchas de tinta nas minhas bochechas.
J: A maneira como você se atira do sofá para ajudar Quinn a fazer pipoca, quando a cena de ação mais emocionante do filme está passando. Do jeito que ela deixa tudo cair quando você bate na porta. A maneira como você duas sempre me obrigam a descansar depois do jantar, assim vocês podem lavar os pratos juntas.
Eu não tinha nada a dizer em minha defesa. Eu não tinha vergonha. Eu estava aprendendo a aceitar essas coisas. Eu tinha que aceitar, se eu quisesse ficar com Quinn como mais do que apenas amigas.
J: Uma mãe sempre sabe, — Judy suspirou, e eu olhei para baixo. — Uma mãe suspeita, mas não quer acreditar. Ela olha para as coisas sem vê-las, ela ouve coisas sem ouvi-las. Eu gostava de acreditar que o que vocês duas tinham era só amizade.
Eu esperei. Esperei pela a parte em que ela me dizia que ela tinha aprendido a aceitar a verdade.
J: Mas eu neguei, ignorando os sonhos de Quinn. — A determinação na voz de Judy era admirável. Isso significava que não era uma promessa vazia, mas uma resolução real de mudar alguma coisa. — Eu quero que ela seja feliz agora, depois de todo esse tempo que eu a impedir de ser assim. — Respirando profundamente, ela olhou para mim.
J: E se ficar com você faz ela feliz, então eu não vou ficar no caminho mais.
Era isso. Eu não sabia o que 'ela' era exatamente, mas eu sabia que isso significava algo grande. Não havia mais bloqueios entre Quinn e eu, além de nós mesmas. Agora cabia a nós, se quisesse fazer funcionar. Cabia a mim.
R: Eu posso... Eu posso falar com ela agora? – Eu perguntei humildemente minha voz estava áspera e rouca por não ser usada por muito tempo.
Judy olhou para mim por um tempo, e eu estava com medo de que ela voltasse a ser fria e distante. Eu poderia entender se ela não quisesse que eu falasse com Quinn imediatamente, depois de tudo que eu tinha feito. Mas eu simplesmente não podia e eu não queria esperar um fim de semana. E eu tinha certeza que ela iria me evitar na escola, então eu tinha que tentar isso agora.
J: Não espere que ela te responda, — Afirmou Judy finalmente, e ela se levantou, saindo da cozinha. Este era um escondido 'sim', e eu me levantei, deixando a cozinha para subir as escadas. A cada passo que eu dava, o medo aumentava novamente.
Agora que estava na frente da porta fechada do quarto de Quinn, eu estava perdida. Havia uma chance muito pequena de que ela abrisse a porta e me deixasse entrar para falar com ela. Mas eu bati na porta de qualquer maneira, só para deixá-la saber que eu estava lá. Talvez ela me confundisse com sua mãe e abrisse a porta?
Quando eu não tive resposta, eu suspirei. Não era inesperado, não havia nenhuma maneira que ela não soubesse que eu toquei a campainha e falei com sua mãe. Ela sabia que era eu. Ela deve ter nos ouvido na cozinha, também.
R: Quinn? — Minha voz soou quebrada, como se eu tivesse esquecido como falar e estava fazendo as primeiras tentativas de falar novamente.
Inclinei minha testa contra a porta e fechei os olhos, agora falando sobre a superfície de madeira.
R: Eu entendo se você não quer me ver de novo. Eu não suporto o meu reflexo no espelho muito, também. — Deixei escapar uma risada vazia que não poderia ter sido mais deprimente.
R: Eu quebrei o meu espelho ontem. Quebrei com meu punho, — Falei contra a porta, — Shelby ficou apavorada. Mas eu não tenho certeza se ela assustou sobre o espelho antigo estar agora em mil pedaços, ou se ela estava preocupada com os machucados no meu punho.
Eu não sei porque eu estava dizendo isso a ela. Eu nem sequer sei se ela estava ouvindo. Ela poderia muito bem estar dormindo ou ouvindo música com fones de ouvido.
R: De qualquer forma, ela gritava como louca, me perguntando por que diabos eu fiz isso, — Continuei, encolhendo os ombros, embora ninguém pudesse me ver. — E eu disse que vi um monstro feio no espelho. Tipo, realmente feio. Shelby pareceu não entender.
Eu tinha enlouquecido. Dei um sorriso doloroso e suspirei novamente.
R: Ela nunca me pareceu entender muito. Ela ainda não sabe que eu sou gay, eu acho. — Fiz uma pausa. Ela sabe ou não sabe? Encolhendo os ombros novamente, pensei, quem se importa.
R: Acho que ninguém nunca entendeu muito de mim, — Pensei, franzindo a testa. — Nem mesmo eu me entendo às vezes. — Eu me afastei da porta, esfregando minha testa. Me virando, encostei na porta com as costas e deslizei para baixo até que eu caí de bunda.
R: Mas você me entende, — Eu disse, e parte de trás da minha cabeça encostada na porta. — Você sabe como me ler. Você tem paciência para decodificar a minha maneira de pensar quando os outros desistiram de mim há muito tempo. Não, não desistiram, eles nem sequer tentam.
Eu era patética, eu tinha que ser. A forma como eu me afogava na auto-piedade, era nojento. Eu estava pingando da ponta do meu cabelo aos meus dedos do pé, pingando gotas invisíveis de miséria.
R: E talvez essa é a verdadeira razão pela qual eu fiquei com medo, — Eu continuei assim mesmo. — Ninguém nunca chegou tão longe assim debaixo da minha pele. Ninguém nunca teve tanto controle sobre mim, sem realmente me controlar. Era tudo tão novo para mim e eu não sabia como lidar com isso. — Parei, e respirei fundo.
R: Eu ainda não sei como lidar com isso. Mas eu estou disposta a aprender. Eu só preciso de alguém para me ensinar, eu preciso de você para me ensinar. — Era um apelo, um apelo forte e patético. Mas eu estava sofrendo demais para me importar.
R: Quinn, eu não sei se você se lembra daquela vez que eu joguei uma caixa de lápis na testa do Finn. — Eu fracamente sorri para esta lembrança terna. — Eu não quis correr das bolas de papel, como eu disse. Eu só não gostava dele, só porque ele era seu namorado. Sempre pensei que você merecia algo melhor.
Eu fechei os olhos.
R: Mas eu nunca me considerei ser uma opção.
Confissões e mais confissões, e eu ainda não tinha terminado.
R: E eu não sei se você se lembra da Véspera de Ano Novo também, mas há uma razão pela qual eu não te beijei. — Agora, esta era uma memória dolorosa. — Não, porque eu não quis te beijar, porque foda, nunca na minha vida curta e fodida eu já quis beijar alguém assim. Mas não seria certo. Isso não é o que eu queria para você e eu. — Aqui era. Outra grande confissão.
R: Você estava vulnerável naquele momento. Você tinha acabado de me dizer um segredo seu e eu não queria usá-lo. E você ainda estava com Finn, e mesmo que eu realmente não me importe com ele, não é o que eu queria para nós. Eu não quero nos esconder, eu não quero ter apenas uma parte de você.
Eu suspirei de novo, me sentindo cansada.
R: Te digo como teria acontecido.
Não era muito difícil imaginar tudo isso, porque eu tinha certeza que teria acontecido desta forma.
R: Você e eu roubando beijos em banheiros e armários, até que você se sinta culpada por traí-lo e então você me dispensa, porque ele é a aposta mais segura. Ele não vai a lugar nenhum, ele não vai deixá-la após o primeiro ano, ele é mais aceito na sociedade de Lima. E nós duas vamos ficar com o coração partido, sabendo que era apenas uma aventura, mas ainda assim muito mais do que isso. Nossa amizade será danificada além do reparo, e tudo que já tivemos terá desaparecido.
Era isso que eu queria evitar, mas agora eu tinha conseguido chegar perto de destruir a nossa amizade sem esse cenário. E eu nem sequer sabia como era beijá-la. Pelo menos no meu cenário de pior caso, eu tinha que roubar beijos dela.
R: Quinn, — Eu disse realmente esperando que ela pudesse ouvir tudo isso, porque eu não tinha certeza se eu era capaz de dizer tudo de novo, — Eu não vou dizer algo estúpido como devemos ficar amigas, porque isto é besteira e nunca funciona. Se funcionar para algumas pessoas, então eles realmente nunca se amaram.
Toda aquela conversa sobre 'nós poderíamos ficar amigas', eu nunca acreditei nisso. Quando você ama alguém e teve que deixá-lo ir, você só realmente teve que deixá-lo ir. Não seria nada, mas uma auto-tortura, se você ficar ao redor, se agarrando às últimas patéticas e pequenas conexões com o seu ex disfarçado de uma amizade. Coisas como essas não funcionam na vida real como nos filmes ou novelas ou qualquer outra coisa. As pessoas reais não são tão difíceis e masoquistas, ninguém poderia suportar estar perto de alguém que deseja, mas que não pode tocar.
R: Eu não posso mais ser apenas sua amiga, porque iria doer muito.
Eu sabia que eu não poderia suportar.
R: É por isso que eu vou deixar você escolher. Se você ainda me quer, então eu vou deixar você me tenha. Cada parte de mim, tudo de mim, eu vou ser sua. Se você ainda estiver disposta a ficar comigo.
E depois, claro, havia o outro lado, o que eu esperava que ela nunca fosse escolher.
R: Se não... Então, por favor, me diga imediatamente, — Eu implorei. – Me diga para sair, e eu vou fazê-lo. Pelo menos eu posso parar de me torturar sobre com seria, sabendo que eu nunca tive uma chance em primeiro lugar.
Se ela me dissesse para ir embora, eu não saberia o que fazer. Eu ficaria dividida entre me jogar de moto num precipício ou pular de um avião para Nova York sem pára-quedas. Não, mas sério, eu não saberia como lidar com isso. Sim, eu iria embora, mas o que então? Rastejar de volta para ela de joelhos, pateticamente pedindo para ela me aceitar?
R: Quinn, agora é com você, — Eu disse fracamente. — Eu coloquei para fora minhas cartas. E eu não tenho quaisquer nas mangas.
Suspirando, eu considerei me levantar e sair, sem saber se ela tinha ouvido o meu monólogo.
R: Você sabe, eu sinto muito que eu arruinei o clichê de dizer ‘Eu te amo’ pela primeira vez em um momento romântico, — Acrescentei. — Mas pelo menos você sabe que foi sincero, que veio de um momento de emoção crua.
A vida real era menos romântica do que nos filmes. Não tinha violinos tocando no fundo quando chega mais perto do momento em que você diz a alguém que você a ama, sem câmera lenta esse momento se estenderia em algo mais significativo e profundo. Eu costumava dizer as meninas que eu gostava delas o tempo todo, e talvez isso realmente não fosse comparável com ‘Eu te amo’, era uma espécie de relacionado. ‘Eu gosto de você' no sentido romântico, era o primeiro passo que deveria ser significativo em um relacionamento. Era como direito comum, não escrito. Ninguém diz 'Eu gosto de você’ sem rodeios. E para ser dito num momento de consciência e de coração num momento comovente.
Assim, sempre que eu queria dizer a uma garota que eu gostava dela, eu iria parar de repente no meio da frase e ficar nervosa. Ela iria me perguntar: 'O que há de errado?’ e eu, claro, iria dizer: 'Não é nada, provavelmente é estúpido' e ela iria continuar perguntando, e eu iria me esquivar até que eu respirasse fundo, fechasse os olhos e timidamente dizer: 'Eu realmente gosto de você'. E aqui tivemos um momento romântico, ela iria corar, retornar meus sentimentos falsos, e eu entraria em suas calças. Mas, é claro, que isso não tinha acontecido desde que eu cheguei em Lima. Talvez porque, primeiro: Eu não tinha necessidade de confessar quaisquer sentimentos falsos para entrar nas calças de ninguém e segundo: Eu iria começar a me sentir como uma babaca por fazer isso. Essa merda não era mais legal.
R: Mas se você estiver disposta a me dar outra chance, eu vou dizer ‘Eu te amo’ em um ambiente mais romântico novamente e podemos fingir que esta é a primeira vez que eu disse isso. Vou dizer umas mil vezes, um milhão de vezes novamente até que você entenda o que eu quero dizer.
Eu até já tenho planos para nosso próximo encontro. Mas isso só vai funcionar se ela me der uma chance, se ela me perdoar, se ela me aceitar de volta.
R: Então, Quinn, — Eu suspirei, — Não há nada que eu possa dizer mais. Você sabe que eu te amo. Acho que todo mundo sabe, e eles não sabiam antes de mim. E eu não estou mais com medo, eu realmente quero saber como poderia ser, e que eu gostaria de descobrir com você, juntas.
Eu lentamente me levantei do chão e cambaleei um pouco, minha bunda estava dolorida de sentar no chão duro. Me virando para a porta, eu disse:
R: Eu sinto muito que eu tenha sido tão covarde. Uma idiota, cega, estúpida. E eu poderia ficar aqui o dia todo e dizendo nomes idiotas de mim, mas eu entendo que você precisa de tempo e distância. — Recuando um passo, minha voz ficou mais alta e eu continuei,
R: Mas só sei que eu estarei lá. Como eu prometi. — Eu ri sem jeito para isto enquanto eu me lembrava das minhas palavras na véspera do Ano Novo. — Eu estou tentando, Quinn, eu estou tentando mudar. Estou aprendendo a ser menos idiota, porque eu realmente quero mudar para você. Só queria que você soubesse.
Soltando um último suspiro, eu coloquei minhas mãos nos bolsos da calça jeans e desci as escadas. Não havia mais nada que eu pudesse fazer agora, eu tinha que esperar até segunda-feira para vê-la e tentar falar com ela pessoalmente. Depois que eu saí da casa dela e entrei no meu carro, eu não consegui me mover por um longo tempo, eu olhava fixamente para o espelho retrovisor. O monstro no espelho tinha ido embora. Mas a Rachel Berry ainda não tinha voltado.
Um súbito ruído profundo e vibrante me assustou e eu vi meu celular vibrando no banco do passageiro até que ele ficou em silêncio novamente. Tinha chegado uma mensagem, mas eu não estava com vontade de lê-la. Provavelmente Santana ou Puck, perguntando sobre qualquer progresso. E eu realmente não poderia responder com um: ‘Eu não sei’. Eu era forte o suficiente para me fazer entender que não era nenhum passo mais próximo de ficar definitivamente com Quinn. A única coisa que aconteceu esta tarde, o que poderia ser considerado como um progresso, foi Judy aceitar sua filha ser gay e aceitar que eu fique com ela.
Suspirando, eu peguei o meu telefone de qualquer maneira, porque eu não tinha mais nada para fazer, e olhei para tela, lendo ‘Uma mensagem recebida(s)'. Meu coração parou quando li o remetente.
Quinn Fabray: Eu não quero que você mude.
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