Notas iniciais
Olá pessoal!
Como vão vocês?
Bem, deixa eu agradecer a Luiza Gomes e a CatharinaMorgenstern pelas recomendações. Muito obrigada lindas! Capítulo para vocês.
Boa leitura!

Vic decidiu seguir viagem no meio da pick-up.

Só assim para se sentir um pouco mais inclusa entre Percy e Annabeth. Parecia que uma onda de felicidade extrema e olhares pelo rabo do olho haviam pairado dentro do carro. O que havia acontecido ela não tinha nem ideia, mas que algo muito esquisito havia mudado totalmente o comportamento dos outros dois, isso sim era verdade.

Além disto, estavam tão perto da “cidade nevoeira”, ou Hallock, que Vic percebia sua pele formigando, algum Deus estava controlando aquela cidade e controlando muito bem. Só que Percy e Annabeth estavam tão distraídos um com o outro que Victória tinha quase certeza que eles não estavam com este dom de interpretação.

Naquele exato momento eles estavam muito perto de Minneapolis, uma grande cidade mais ao norte do país. Dali a um dia estariam em Hallock, e teriam que procurar o ganancioso Deus que odiava tanto os gregos.

De uma hora para outra o coração de Vic começou a bater mais rápido, como se soubesse que algo perigoso estava muito perto dali.

-Ei, vocês não estão sentindo? – choramingou ela com incerteza. Percy dirigia tranquilamente e franziu as sobrancelhas.

-Sentindo o que? – Vic não precisou responder. Graças ao belo reflexo de Perseu que virou o carro na hora eles não bateram em algum horrível monstro de três metros da altura que fazia um paredão na larga e desértica estrada interestadual.

-O que é isto? – perguntou Annabeth enquanto tirava o cinto de segurança, o carro estava parado ao meio da estrada e de lado, qualquer carro a mais de 80 km por hora bateria na pick-up sem dúvida alguma.

-Façam o carro de proteção, é um ciclope! Grande, mas lento – os três se arrastaram para trás do carro, Vic e Percy matutando para tentar mata-lo enquanto Annabeth se esforçava para não gritar.

-Ele é um siciliano – sussurrou Percy de forma que apenas Vic entendeu. – Seja lá quem for este Deus que nos quer tão mal, Júpiter não está de acordo com suas atitudes.

Annabeth não sabia o que fazer, diante daquele ciclope que olhava para os dois lados e bufava como um rinoceronte, sua adaga parecia tão besta e tão ridícula que ela realmente não fazia ideia do que iria fazer.

Sem entender praticamente nada, Annabeth viu Percy e Vic avançarem para frente do carro, o único olho do monstro centralizou-se nele.

-Ei! – ela gritou enquanto tentava pegar sua adaga, mesmo assim suas mãos estavam trêmulas demais para isto. Percy voltou-se para ela e colocou as duas mãos em seus braços.

-Fique aqui, eu não quero que você se sinta inútil, mas ele é muito para uma principiante.

-Percy! – Vic gritou fazendo-o se virar. Annabeth bufou enquanto ele corria rapidamente para o lado dela. O ciclope deu uma risada alta. Sua voz rimbombou por toda a estrada fazendo Annabeth se arrepiar.

-Perseu Jackson! — gritou ele enquanto ria ainda mais. – É bem menor do que eu imaginava ser!

-Ainda sim suficientemente grande para acabar com você – retrucou ele apontando sua espada. Annabeth franziu a sobrancelha, de onde ela havia saído mesmo? Vic também tinha uma espada em mãos. Pelo menos era o que Annabeth achava ser já que mais a frente descobriu que aquela era uma lança no estilo romano.

-Seria muito gostoso te reduzir a pó – gritou o ciclope, seu cabelo vermelho ensebado colando em sua testa – Mas eu quero a filha de Atena! Onde ela está?

Percy riu alto.

-Se procura por ela provavelmente morrerá tentando já que ela pegou um caminho totalmente diferente do nosso. Um caminho que nem mesmo nós sabemos qual é! – o ciclope parecia confuso, seu único olho amarronzado piscou algumas vezes e sua testa se franziu.

-Outro caminho? Mas ela disse que... – Vic apontou sua lança. O ciclope de três metros e meio tremeu em frente aquela espada.

-Ela quem? Quem é a Deusa que está por trás de tudo isto? – a loira deu alguns passos para frente – Anda! Diga!

-Não te interessa! – rugiu o monstro, levantando-se altivo e parecendo ter muito mais de três metros – Eu não ligo se ela está em outro caminho. Matarei vocês e depois a procurarei até ela morrer também!

Ele tentou dar um murro em Percy, que desviou com facilidade e ficou ao lado de Vic, esta que saiu correndo em direção ao monstro e deu um pulo magistral acertando seu rosto. O ciclope não teve tempo de reação, do outro lado Percy já atacava seu braço fazendo-o urrar de dor e jorrar brilho dourado por seu bíceps.

Ele abriu os braços fazendo Vic sair de cima dele e cair no asfalto como um gato. Quando ele tentou atacar Percy que estava a sua direita, Vic saiu correndo novamente e pulou em suas costas, acertando a lança em seu crânio.

Annabeth ainda não sabia como eles estavam conseguindo lutar sem plano algum, mas alguma parte de seu âmbito sabia e se incomodava com o fato de que os dois não pareciam precisar de plano, tinham tanto tempo que lutavam juntos que guerreavam de modo automático. Diferentemente de Annabeth que nem mesmo guerreava.

-Dá o aviso para sua Deusa e diga que ela vai morrer daqui a um dia! – gritou Percy cravando sua espada em seu peito. O ciclope fechou os olhos e gritou, enquanto se desfazia a pó lentamente.

Vic respirava fundo enquanto massageava seu próprio braço. Percy semicerrou os olhos e olhou para trás, Annabeth tinha um sorriso sem graça e o moreno acabou rindo por isto.

-Ei, você tá bem? — ele perguntou para Vic enquanto olhava para o braço direito dela. Ela sorriu e bagunçou os cabelos negros.

-Estou ótima – os dois sorriram um para o outro e Annabeth mordeu a parte interior da bochecha enquanto tentava não sentir ciúmes.

-Vocês foram bem lá – ela comentou enquanto chegava perto deles. Os dois estavam ofegantes e cansados. Annabeth fez um gesto para Percy deixando claro que era para ele dar algo para ela.

-O que?

-As chaves – ela passou o cabelo para trás – E rápido.

Percy e Vic se entreolharam e sorriram numa piada interna, o moreno enfiou a mão no bolso e deu a chave para Annabeth que estava decidida a dirigir. Os outros dois deram de ombros e Vic continuara no meio, enquanto Percy ia para o canto.

-Você tem certeza que sabe fazer isto? – perguntou o moreno – Quer dizer, você é acostumada com Mercedes e Maseratis...

-Eu tenho 17 anos, querido – ela franziu o cenho enquanto se repreendia. Percy e Vic tinham já seus dezenove anos e ela se sentia idiota por isto – Eu sei dirigir sem câmbio automático e câmera externa se é o que você está pensando.

Ele riu e se aconchegou melhor no banco de couro do carro.

-Lindinha, eu não estou nem aí – Annabeth sorriu de volta para ele com escárnio enquanto acelerava de uma forma que todo o corpo de Percy acabou indo para frente. O vento zuniu atrás dela e parte da vegetação do lado da estrada também.

Percy arregalou os olhos e se segurou na porta do carro enquanto Vic ria da sua expressão. Ela estava a 150 km fácil e não ligava nem um pouco para isto. A parte boa de dirigir carros bons era que não fazia sentido ir a menos de 100 km por hora com eles.

Vic ligou o rádio e uma música de rock melhorou ainda mais o clima rebelde da viagem. Percy ainda estava atordoado então ficou apenas de lado, respirando fundo.

Era impressionante a forma descontraída com que Annabeth dirigia, totalmente diferente de sua personalidade. Isto fazia Percy pensar como que talvez a coisa que ela mais gostasse era ficar no comando, talvez fosse até seu dom. Não conseguiu acabar sua hipótese já que pararam numa lanchonete de estrada com uma ótima fachada.

Sentaram-se mais uma vez ao fundo, quietos e calados.

-Porque você anunciou para aquele ciclope que estávamos indo para Hallock? – perguntou Vic indignada, Percy riu enquanto jogava uma batata frita na boca.

-Vic, querida, provavelmente esta Deusa, seja lá qual for, já sabe que estamos indo para Hallock. Caso contrário não teria nos enviado um ciclope de presente – Annabeth assentiu.

-E... – ela parou sua fala ao meio, com um barulho estrondoso na porta um homem enorme passou, com óculos escuros e jaquetas de couro. A cabeça raspada e algumas cicatrizes no rosto, não parecia ser o cara mais agradável. Ao vê-lo, os olhos de Percy ficaram escuros de raiva, de uma forma que Annabeth sabia que boas coisas não estavam por vir.

Quando ele chegou mais perto dos semideuses, com um sorriso no rosto e uma faca afiada limpando as unhas, a filha de Atena sentiu seu pulso se fechar num murro, suas bochechas ficarem vermelhas de raiva e uma súbita vontade de dar um soco na parede.

-Olá, jovens – cumprimentou ele com um sorriso ainda maior. Annabeth podia não ser a que mais sabia de mitologia grega, mas decididamente sabia quem era aquele Deus.

-Ares? — perguntou ela com os olhos semicerrados. Ele gargalhou e se sentou ao lado de Vic sem ela querer. Ao lado de Annabeth, Percy parecia cada vez mais retesado.

-Marte, bonitinha, Marte – ele olhou para o moreno dos olhos verdes – E eu sinto um grande ódio surgindo deste garoto... Você é?

-Jackson. Perseu Jackson – Annabeth nunca havia ouvido Percy se chamar de Perseu. O resultado era amedrontador.

-Ah sim... Não sei quem é — ele suspirou, tirando seus óculos escuros. Annabeth arregalou os olhos ao ver duas bolas de fogo no lugar de suas órbitas. Ele riu maldoso – Meus olhos são sedutores, não? Ah que merda, eu não posso dar encima de gregas... Vamos logo ao que interessa.

Ele roubou uma batata frita do pacote de Percy, fazendo-o resmungar de raiva.

-Victória Campbell – Annabeth franziu o cenho ao ouvir o sobrenome de Vic, não parecia soar bem aos seus ouvidos, como se o nome completo dela fosse uma grande ameaça. – Você virá comigo mais que rapidamente.

-Para...? – Vic parecia nervosa, algo que Annie nunca havia visto antes.

-Não irei te raptar ou algo do tipo, amanhã de manhã você estará com seus amigos no hotel Le Menã, em Minneapolis. Nós dois só precisamos ter uma boa conversinha, algo que sua mãe me pediu há já algum tempo – Annabeth arqueou a sobrancelha. Percy não parecia muito feliz com o acordo.

-Jure pelo Rio Estige – o moreno mandou enquanto cruzava os braços – Só assim confiarei no Deus da Guerra.

Marte riu enquanto brincava com sua faca como se fosse uma bola de basquete.

-Tudo bem, juro pelo rio Estige. Satisfeito, filhinho de Netuno? – Percy revirou os olhos enquanto encostava-se novamente no banco. – O que eu não faço por Vênus –murmurrou ele. Victória foi embora com Marte e Annabeth ao olhar para fora apenas viu os dois numa moto zunindo pela estrada.

Ela bateu em Percy, fazendo-o soltar um suspiro.

-Como você a deixou ir deste jeito? Ficou louco? – ela bateu mais uma vez em seu braço, só que ele não parecia exatamente sentir dor – Desde quando um amigo deixa a amiga pegar a moto do Deus da Guerra?

-Eu não posso lutar contra a vontade dos Deuses. Pelo menos não sempre – ele jogou os cabelos para trás com a mão – Pode ter certeza que ela chegará amanha bem, ele jurou pelo Estige.

Annabeth bufou enquanto levantava-se e ia embora da lanchonete, Percy revirou os olhos ao ver que a conta já tinha sido paga por Marte, então se sentou do lado da loira na pick-up.

-Olha, nós, meio-sangues, já estamos acostumados com esta coisa de dar um rolê com os Deuses, você não está acostumada com este mundo todo ainda. Eu queria muito que você nunca se acostumasse, mas infelizmente não é assim que acontece – Annabeth olhou para seu rosto. A poucos centímetros de distância, com os olhos tão vidrados, Percy sentia suas bochechas se enrubescerem.

-Já estou me acostumando – ela passou a mão por sua bochecha – Eu não queria estar aqui, neste mundo. Mas agora, eu acho, que não era em outro lugar que deveria estar, porque senão eu nunca te conheceria.

Ele sentiu suas bochechas ficarem ainda mais vermelhas, era a segunda declaração de Annabeth em dois dias e ele não sabia exatamente como agir diante daquilo. Decidiu então, ser bem objetivo.

-Você está apaixonada por mim, totalmente – ele sorriu enquanto via Annabeth arregalar levemente os olhos – Assim como estou por você, meu bem.

Pela primeira vez, Annabeth puxou o rosto de Percy para um beijo, um beijo doce e calmo, contrastando com a última noite. Quando se separaram, Perseu não pode deixar de rir enquanto encostava sua testa na dela.

-Um momento lindo depois de matarmos um ciclope e depararmos com um Deus – os dois riram, e enquanto Annabeth acelerava de novo Percy sorriu ainda mais largamente, sussurrando:

-Não poderia ser mais especial.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Acho que vocês gostarão mais do próximo, mas eu não vou falar porque.
Alguém gostou da reforma do nyah? Agora eu vejo quantas pessoas favoritaram as fics que eu gosto invés dos reviews. Não gostei.
Enfim, deixem seus comentários!
Beijos!