Notas iniciais
Olá!
Como vão vocês?
Creio que postei rápido, não? Tendo em base que infelizmente as minhas férias acabaram.
Boa leitura!

De fato, aquilo estava estranho.

Não era a primeira vez que Annabeth ouvia um barulho entre as árvores. E de acordo com suas últimas experiências, um barulho entre as árvores poderia vir a deixar um carro capotar e ela chegar num acampamento desacordada.

Mesmo assim, tentou pensar positivo.

Talvez fosse coisa da sua cabeça, até porque Vic e Percy conversavam animadamente enquanto ela ficava no meio, excluída, e com pressentimentos estranhos. Tentou começar a voltar a tentar decifrar as frases de sua profecia. Entretanto aquele barulho era cada vez mais alto e irritante. Não a deixava pensar.

Quando estavam quase saindo daquele caminho de terra ela não conseguiu aguentar, o barulho estava cada vez mais e mais alto, e os outros dois ao seu lado não ouviam nada! Aquilo era o mais irritante para ela.

-Santa Atena! Vocês não estão conseguindo ouvir este barulho? – perguntou ela enquanto punha as duas mãos nos ouvidos. Não conseguia se ouvir porque aquele barulho irritante de quando se passa a unha no quadro negro estava mais alto que sua voz.

-Quê? – perguntou Percy – Porque você está gritando? Annabeth, que barulho?

-Ahh, para, para, para! – Percy não sabia se ela falava com ele ou com o “barulho irritante”. Vic olhou preocupadamente para Annabeth e depois para os lados.

-Percy, acelera para a cidade agora! – gritou a filha de Afrodite. Percy afundou o pé no acelerador enquanto Annabeth gritava igual uma louca. O barulho era de matar o cérebro de qualquer um.

Assim que o primeiro prédio de Nova York passou por eles Annabeth ficou quieta, relaxou o corpo no assento enquanto Percy ia um pouco mais devagar, ainda tentando entender como Vic sabia o que era aquilo que deu em Annabeth, mas decidiu deixar para lá.

Eram seis horas da tarde e já estava escurecendo. Percy não gostava da ideia de que estavam três meios sangues poderosos à noite numa cidade cheia de monstros. O que Annabeth sentenciou foi um alivio para ele.

-Nós temos que parar e recomeçar amanhã bem cedo – disse ela enquanto respirava ofegante – Estamos perto da minha casa, vamos ficar lá esta noite – Percy franziu as sobrancelhas.

-O que você vai dizer para o seu pai?

-Primeiro, ele provavelmente não está em casa. E segundo, eu digo que precisei vir para Nova York para fazer um trabalho. Ele acha que estou num colégio interno, lembra? – Percy assentiu, tinha certa lerdeza quanto a estes tipos de lembranças.

Não demorou nem meia hora para chegarem a enorme mansão dos Chase.

Vic estava boquiaberta enquanto olhava para aquilo tudo, Annabeth precisou ser reconhecida como parente para poder entrar ali. E quando entraram, tinha dois caminhos de pedras cheias de arvores para todos os lados, no meio havia uma enorme fonte grega com o cupido e a enorme mansão branca de provavelmente quatro andares reluzindo ao meio. Era como estar no Taj Mahal.

Um mordomo abriu a porta com um aspecto sério para Annabeth. Como se fosse horrível vê-la, de uma hora para outra ela tomou sua pose do primeiro dia em que Percy a conheceu e ele ficou assustado.

-Srta. Chase, que prazer revê-la – disse o mordomo com uma mão atrás das costas. Annabeth abanou sua mão despreocupadamente.

-Meu pai está?

-Não, Senhorita, está numa reunião com sócios no momento.

-Quando chegar, diga-lhe que estou com dois amigos do colégio e que não gostaríamos de ser incomodados com perguntas sem fundamento, principalmente para o garoto ao meu lado – o mordomo tentou segurar o riso.

-Tudo bem, Senhorita Chase.

-E pegue nossas malas, manobre o carro e prepare a refeição. Estaremos na mesa para um lanche daqui a meia hora – Vic ainda olhava para tudo boquiaberta enquanto Percy cruzava os braços. Não gostou de Annabeth ter usado todos os seus verbos no imperativo. Era coisa de gente metida.

Ela entrou com o nariz empinado dentro da casa, e acredite, ela era ainda mais bonita por dentro. A escada enorme em mármore, aqueles móveis extremamente modernos e elegantes. A televisão 60 polegadas embutida na parede branca. Vic agora sabia por que Annabeth tinha certa tendência a se achar meio superior, ela ficaria da mesma forma se morasse num lugar daqueles.

-Tudo bem. O que vocês precisam saber daqui é o básico que são os dois primeiros andares. Os dois últimos é sala de cinema, jogos, nada demais. Mas no segundo andar tem quartos de visita e no primeiro tem comida. Não vão lá fora senão irão se perder. Caso vocês forem, porque sei que têm certa tendência à rebeldia, o caminho de volta é a quadra de tênis. Siga reto, passe pela quadra de handebol, e chegue aqui – Percy assentiu, mesmo não tendo entendido muita coisa. Annabeth ia falando enquanto subia a escada.

Pararam numa grande sala com várias portas. A rosa, Percy só achava que era o quarto de Annabeth. E as outras brancas eram um grande mistério para ele.

-Percy, seu quarto é o primeiro à direita, e Vic, o seu é ao meu lado. Tem banheiro nos dois quartos e sintam-se a vontade – ela deu um sorriso sincero da garota anfitriã – E eu vou pro meu quarto! Ai que saudade.

Ela saiu correndo enquanto abanava os braços e abriu a porta do quarto rapidamente, e se fechou lá o mais rápido possível.

A noite passara rápido e o lanche também, não demorou muito e já era quase meia noite. Annabeth estava dormindo com felicidade em seus vários travesseiros rosa, seu quarto era totalmente daquela cor, mas o mais interessante é que não tinham corações ou pôsteres de garotos bonitos. Ele era rodeado de livros... Revistas, na realidade. E o mais interessante do quarto era o seu mural de fotos com o pai e o seu lindo notebook rosa da Apple que qualquer garota ficaria louca para ter.

O resto era totalmente normal.

E quando Percy entrou em seu quarto displicente, ficou boquiaberto em ver o quão normal era. Foi em passos silenciosos até a cama da loira e a viu dormindo por um tempo. Ela espirava pela boca e aquilo era fofo. Percy sorriu de lado e balançou levemente seu braço.

-Annabeth... – chamou ele e a loira abriu levemente os olhos. Quando viu Percy ali, apenas de bermuda, de madrugada, no seu quarto. Não poderia deixar de ficar com as bochechas vermelhas.

-Percy? O que vo-você... – ele não a deixou terminar.

-Você disse que tinha uma sala de cinema nos outros andares – Annabeth sorriu. Sabia que aquilo era uma desculpa para os dois ficarem juntos. Ela se levantou e percebeu que Percy ficou com as bochechas coradas.

Tá, seus cabelos lisos pela chapinha estavam meio bagunçados, mas fora a isto... Ela se olhou no espelho. Usava uma mini blusa cinza que gostava muito, e, além disto, usava também uma calcinha cinza. Suas bochechas se enrubesceram, mas ela decidiu ficar daquela forma. Ele era seu namorado (ou quase isto) e ela tinha 17 anos.

Coçou sua panturrilha com o outro pé e pegou uma lanterna encima de sua escrivaninha. Não demorou muito e puxou Percy pelos corredores, subindo as escadas até o quarto andar.

E quando ela disse sala de cinema, era realmente uma sala de cinema. Tinha cinco fileiras de poltronas vermelhas e um enorme telão no meio. Annabeth sorriu enquanto aumentava a luz da lanterna.

-É aqui – disse ela com um sorriso de lado. Percy assentiu enquanto coçava os cabelos negros. Só tinha planejado o que falar até ali. Não sabia o que fazer dali a diante e se sentiu um estupido por aquilo.

Ficou olhando para as poltronas vermelhas e viu que elas não tinham apoio de braço, eram coladas umas nas outras. Poderia deitar ali sem problema algum... Tirou seus pensamentos pervertidos da cabeça e puxou Annabeth pelo pulso. Sentando com ela nas poltronas do meio.

-Na realidade eu te chamei aqui porque você está me devendo uma resposta – sussurrou ele para ela. Annabeth sorriu de lado.

-Sim, eu sei – sussurrou ela de volta – Você já sabe que eu quero ser sua namorada, eu não precisava responder.

-Eu não estava tão convicto assim – Percy deu uma pequena risada no ouvido dela. Fazendo-a se arrepiar por inteiro. O moreno sentia seu coração bater com rapidez. – Na realidade eu estava muito inseguro.

Annabeth sorriu e deu graças a Deus por eles estarem num lugar escuro. Ela lhe deu um selinho breve e Percy pegou na mão dela novamente. Ficaram por tempo indeterminado ali, poderiam ser cinco da manhã ou apenas três e quarenta, os beijos estavam cada vez mais e mais avassaladores, até que Annabeth acariciou levemente o peitoral do moreno, ele recuou como se fosse o virgem na relação. Por fim, Percy disse:

-Eu estou feliz, muito feliz.

-Eu também – respondeu Annabeth – Mesmo em todas estas condições.

-Nós somos um bom trio, vamos nos dar bem – Percy sorriu – Agora melhor voltarmos para dormir, eu não quero minha namorada indo para uma missão como uma múmia...

Annabeth fez uma careta.

-Não me fale de múmias, eu já estou traumatizada demais por hoje – os dois riram e foram andando de volta para o andar dos quartos. Percy deixou Annabeth em frente sua porta. E só então, com muita reflexão, a loira se lembrou de uma coisa que a deixou feliz, ele disse: “minha namorada”.

-Boa noite – ele lhe deu um selinho. Annabeth sorriu de lado enquanto o via ir para o outro quarto à direita.

-Boa noite – ela respondeu e fechou a porta. Feliz e preocupada ao mesmo tempo. Se possível.

(...)

Vic gargalhou enquanto comia uma deliciosa torrada com manteiga. Percy sentiu suas bochechas se enrubescerem enquanto via a filha de Afrodite se contorcer de tanto rir. Depois de longos minutos ela finalmente parou de gargalhar, limpando uma lágrima que havia caído de sua bochecha.

-Percy, eu não acredito que você acordou ela três e meia da manhã, ficaram numa sala de cinema seminus juntos e você não fez nada – Vic riu mais um pouco. Percy tomava uma xícara de café com pesar.

-O que você quer que eu faça? – sussurrou ele com raiva – Ela é mais nova... Especial.

-Você está morrendo de medo de significar algo para alguém, não é? Morrendo de medo de tirar o capacho dela e ser especial de alguma forma para uma garota interessante...

-Tirar o capacho?

-Não desvie o assunto – Vic revirou os olhos – Percy, ela não é uma criança. Tem 17 anos, se você não acha que ela fique excit...

-Shh. Cala a boca e para de falar besteira – Percy passou margarina no pão – Eu não quero saber do que vocês, garotas, sentem sobre meu lindo corpinho. E outra coisa, o que tem demais isto? Vocês ficam com esta coisa de que “namorou, transou” eu não acho isto. Pode parecer um discurso muito bobo ou até mesmo inocente demais para minha pessoa, mas não precisa de sexo para ser um casal especial. Amor não é sinônimo de sexo.

-Você a ama? – Vic arqueou as sobrancelhas. Percy tomou um gole de xícara de café enquanto olhava com aqueles olhos imensamente verdes e significativos para a filha de Afrodite, esta que sorriu boba – Você está quase lá.

Os dois pararam de falar quando ouviram um “Bom dia” bem humorado de Annabeth no começo da escada. Ela já estava pronta, os cabelos loiros soltos e um jeans claro, uma blusa preta com uma blusa pesada xadrez por cima. Ela quase parecia uma garota normal, se não fosse por sua típica pose de superior.

Ela se sentou e cumprimentou os dois, um sorriso sinceramente simpático se encontrava em seus lábios e rapidamente ela pegou algumas torradas, frutas, queijos e biscoitos.

-Nós vamos seguir reto hoje – Percy se sentiu na obrigação de puxar algum assunto. Que provavelmente não começaria sem a intervenção dele – Se sairmos daqui agora provavelmente chegaremos a Cincinnatti hoje ainda.

Annabeth assentiu, de uma hora para outra parecia vaga e distante, tanto Percy quanto Vic perceberam tal mudança radical.

-Annabeth? – chamou Vic enquanto mordia o lábio inferior – Acorda – a filha de Atena piscou, e depois sorriu sem graça. Sussurrou um “desculpa” e voltou a comer – Aconteceu alguma coisa?

Annabeth olhou rapidamente para Vic, depois negou com a cabeça, e por fim voltou a olhar distraidamente para um ponto da mesa. Percy parou de comer e olhou para ela preocupado, Annabeth nunca foi à do tipo calada e sim a animada.

-Annie? – chamou ele cuidadosamente, tendo em base que Annabeth nunca precisou ser chamada para tentar se concentrar em seu mundo, aquilo era uma coisa extremamente esquisita – Aconteceu alguma coisa – afirmou o moreno – O que foi?

Ela suspirou e parou de comer. Definitivamente algo de muito errado estava acontecendo.

-Eu não tive um sonho muito bom, e eu já fiquei sabendo que estes sonhos de meio-sangues são como... Visões. Do futuro passado ou presente.

Percy assentiu. Agora ainda mais preocupado. Ele e Vic se entreolharam camaradamente, sabiam muito sobre visões em sonhos, sabiam como ninguém, na realidade.

-Que visão? O que aconteceu no seu sonho? – Annabeth suspirou pesadamente mais uma vez. Seu sonho fora e não fora uma visão, porque nem ela própria sabia o que aquilo significava. Um bando de adolescentes...

-Tinha muita gente reunida numa assembleia, ou algo do tipo... – ela franziu as sobrancelhas, depois balançou a cabeça decidida a continuar — Era um tanto de gente de mais ou menos a faixa etária do Acampamento Meio-Sangue, só que eles estavam de roxo.

Notas finais
Tá. Quem não entendeu até agora que tem romanos nesta fic agora não tem mais mistério, tem romano nesta fic. E eu acho que vocês irão gostar do próximo capitulo. Sei que vocês adoram revelações. ;)
Deixem seus reviews, é de graça e deixa uma autora muito feliz.
Beijos e até o próximo! :)