Change My Life
30 Acabado.
Notas iniciais
Ser você mesmo é uma mistura daquilo que você sempre quis ser, aquilo que sempre foi lhe ensinado e aquilo que você sabe que é totalmente especial em você. Não se esqueça, ninguém é totalmente uma personalidade. A patricinha, o rockeiro, o herói, o vilão. Todos são um híbrido louco de maturidade e infância, do responsável e irresponsável. A chave para o seu sucesso é pegar aquilo que seu pai e sua mãe lhe ensinaram de bom, misturar com tudo isto que você vem aprendendo na sua vida, e sempre tentar melhorar a cada momento. E o mais importante: Saber que nunca, em momento algum, seu modo de ser estará totalmente completo. Boa sorte, não vai ser fácil. Mas eu tenho certeza que você vai conseguir.
Annabeth estava terminando de arrumar suas coisas. Seu coração batia rápido como se estivesse se formando no Ensino Médio. Mas não parecia estar arrumando as coisas do seu armário escolar, era um pouco mais emotivo, ela sentia que estava arrumando suas coisas para sair de casa.
A sua aconchegante e gostosa casa.
Era impressionante como parecia ter uma eternidade que ela havia chegado no acampamento meio-sangue. Parecia que ela esteve ali a vida toda, mas de um jeito conotativo, ela passou sua vida toda ali. Foi quando começou a parar de olhar para o próprio umbigo e começar a olhar para o que estava em sua volta.
Foi quando começou a se sentir realmente bem consigo mesmo, e quando se apaixonou pela primeira vez.
–Se você começar a chorar eu prometo, não, eu juro por todos os Deuses que eu vou te bater.
Annabeth sorriu de lado. Prendeu o cabelo num rabo e estendeu os braços para Malcolm. Ele balançou a cabeça negativamente e foi até ela, recebendo o abraço mais apertado que já havia recebido em sua vida.
Não foi difícil para ela ver o quanto estava sendo difícil tudo aquilo para ele.
Para ela estava sendo mil vezes pior.
–Não é para sempre.
–É sim – respondeu Malcolm com a voz embargada – Seu mundo não é aqui, Annie. Ele é lá fora, em Nova York. Você é feita para o rush.
Annabeth riu e o abraçou ainda mais. Depois se separou balançando a cabeça.
–Para com isto. Não quero ficar toda emotiva.
Ela pegou sua mais nova Louis Vuitton: Uma mochila preta tão normal quanto provavelmente a sua, querido leitor.
Annabeth só usava mochilas agora. Desde o presente que havia ganho de Hera (sua querida mochila) ela não a soltava nunca mais. Ajeitou sua blusa do acampamento meio-sangue e olhou para Malcolm mais uma vez, colocando a mochila nas costas.
–Nós já fizemos as despedidas ontem, Malcolm. Se você começar a ficar com esta carinha de novo eu prometo que te bato com uma mochilada na cara.
Seu irmão, surpreendentemente, riu. Olhou para o chão e respirou fundo.
–Então você será o mistério do acampamento meio-sangue? Nem ao menos irá participar da reunião? Compartilhar o que aconteceu na sua aventura solitária?
Annabeth negou com a cabeça, ficando séria daquela vez.
–Se fosse algo realmente necessário de se compartilhar vocês já estariam sabendo antes. Não se preocupe, eu vou me manifestar assim que precisarem de mim.
–Esse é o ponto, eles não precisarão. Você “limpou” a casa. Tudo que havia de ruim por aqui foi consertado por você – Annabeth deu um soco camarada no braço de Malcolm.
–E você está reclamando. Ingratidão tem limite, Malcolm. Era assim que as parcas queriam.
Os dois se levantaram, Annabeth ajeitou sua mochila da forma que deu e saiu andando em passos rápidos para fora do chalé. Deixando seu irmão e toda a vida que achou que teria nos próximos anos para trás.
Andou em passos rápidos até a enfermaria, pegando a carta de papel branco e respirando fundo. Ficou surpresa ao ver que Percy estava acordado, olhando para o chão e sério. Mas acordado.
–Oi – falou Annabeth apenas. Percy olhou par ela com as sobrancelhas arqueadas.
–Oi. — ele olhou para a mochila nas costas da loira – O que é isto?
–Uma mochila e uma carta – ela rasgou o papel na sua mão – Carta esta que eu não preciso mais de te entregar.
Percy passou a língua no lábio inferior, olhando diretamente para ela.
–Carta? Porque você iria me entregar uma carta? — Annabeth respirou fundo, jogando o papel picado numa pequena lata de lixo ao lado da maca e se sentando numa cadeira que havia ali também.
–Você está bem? Quer dizer... Sem chances de outro coma? – Percy riu.
–Eu estou me sentindo novo, como nunca antes – os dois fitaram os olhos um do outro. Mas Percy percebeu um brilho diferente nas órbitas cinzas de Annabeth, elas pareciam mais escuras, como se estivessem muito ocupadas pensando em outra coisa. Percy teve o péssimo instinto de que ele não veria aquelas órbitas tão claras quanto antes de novo.
–Isto é ótimo – Annabeth sustentou o olhar – Porque eu também estou me sentindo nova. Totalmente.
Percy olhou para a maca, olhando para as próprias mãos.
–Você está indo, não é? – perguntou ele ríspido, quase que com repugnância.
–Sim, estou. E era isto que tinha na carta – ela olhou mais uma vez no rosto de Percy, como se estivesse se preparando por aquilo a muito tempo – E eu não sei o que eu e você tínhamos. Mas acabou.
Perseu franziu as sobrancelhas. Impassível. Ele quase queria demonstrar alguma coisa, ficar revoltado. Mas seu treinamento às vezes o ajudava nisto, e às vezes ele conseguia não sair do controle. O que o deixou tão surpreso foi como Annabeth falou com tanta naturalidade. A garota que ele realmente namorou estaria chorando e fazendo um escândalo numa hora daquelas.
O que havia acontecido com a sua loira?
–Porque você está sendo tão fria? – foi o que ele perguntou. Justificando todos os seus pensamentos. Annabeth riu da forma como ele se colocou, ela parecia ser a vilã da história.
–Porque, Percy, você não me ama, nem ao menos gosta de mim. Na verdade, você só me acha bonitinha – os olhos cinza dela ficaram ainda mais negros. Percy ficou assustado, como e quando ela havia ouvido aquelas palavras ele não sabia.
Só sabia que havia estragado tudo. De novo.
–Que besteira nós fizemos em tentar ficar juntos, não é?
Ela foi embora em passos pesados, Percy pôs as mãos nos olhos. Quase sentia que iria entrar em coma novamente.
Expirou pela boca e olhou para o teto. Ela havia ido. Tudo que havia acontecido com ela seria um mistério. Depois ele negou com a cabeça, levantando-se da sua maca e indo em passos lentos e difíceis para A Casa Grande.
Onde eles discutiriam o futuro do acampamento, e quantos camisas roxas aquele lugar um dia poderia abrigar.
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