Change Me

4 Capítulo 3


Notas iniciais
So enjoy :*

Alice, com algumas batidas na porta, se levantou um pouco zonza de sono e deu de cara com um homem que não tinha visto antes e ele disse:

— Boa noite, Srta. Knight, eu imagino que não esteja me reconhecendo, até porque não fomos apresentados, mas eu sou o empresário do Justin, Brad Johnson.

— Ah... Prazer?! Respondeu meio lenta, ela realmente estava tonta de sono.

— Parece cansada, mas está na hora do jantar, sei que essa não é a minha função, mas Justin pediu-me que viesse até aqui e te dissesse isso.

— Ah, obrigada. Daqui a pouco eu desço, só vou me ajeitar. Respondeu coçando os olhos.

— Tudo bem. Disse ele indo embora.

“Agora eu tenho horário para jantar e nossa! 18 horas da noite?! Fala sério... Nem em casa eu janto a essa hora.” — Pensou indignada.

Deu uma olhada no espelho para analisar o seu estado, que estava no mínimo deplorável, ela se sentia inapresentável. Se antes, ela estando “arrumada” percebeu que Justin já se assustou com ela, desse jeito então ele com certeza correria dela e com razão — ela pensou. Pegou seu corretivo na bolsa, escondeu algumas imperfeições, passou um batom quase da cor dos seus lábios, prendeu os cabelos para disfarçar o volume, vestiu um casaco e desceu.

Ela teve que dar umas voltas pela casa até achar a sala de jantar, porque além de ninguém te apresentado a casa para ela, ela, a casa, era enorme tinham vários cômodos. Assim que chegou a porta dela, ouviu uma conversa e resolveu ficar atrás dela, pois se tratava dela:

— Eu já tinha te avisado que não seria uma boa ideia essa droga de sorteio, todos sabem que não estou na melhor fase da minha vida. Disse Justin mostrando que não era nem um pouco de acordo.

— Quem sabe essa garota te ajude ao menos a se distrair e a sair desse buraco onde você se enfiou. Disse o Brad tentando ser otimista.

— Você acha mesmo que uma garota que mal conheço vai me ajudar? Conta outra, Brad. Disse Justin achando aquilo uma completa besteira.

— Ele não é uma garota qualquer, é sua fã e parece te conhecer mais do que você mesmo. Disse Brad certo do que dizia, pois pesquisou bem sobre Alice e pode saber de sua vida quase toda.

— Se ela realmente me conhece, não teria se assustado ao ver o meu estado mais cedo. Só quem me conhece bem sabe que eu uso drogas... Disse Justin.

“O quê? Quer dizer, eu soube infelizmente assim que cheguei, mas não quis acreditar, então não foi a primeira vez dele.” — Pensou ela ainda chocada por estar certa.

— Ela não está pronta para me aturar durante uma semana, quem dirá um mês. Disse ele.

— Se ela realmente for sua fã, suportará durante um ano. Disse Brad.

— Aí também já é demais... Ela está demorando, será que dormiu de novo? Perguntou Justin.

— Não sei coitada, parecia estar muito cansada. Disse Brad.

— Eu vou ver lá ver se ela levanta logo, não posso espera-la decidir se vai comer ou não, estou com fome e essa coisa de esperar a visita chegar para se servir não está dando certo comigo. Disse Justin e então ela passou pela porta.

Os dois olharam para ela como que assustados e Brad disse:

— Sente-se, Srta. Knight.

— Alice, por favor — pediu, ela odiava ser chamada pelo sobrenome, por mais que tenha em seu país todos tenham este costume.

— Tudo bem, Alice, sente-se. Disse Brad sorrindo.

Ela foi até a mesa, sentou-se timidamente e mesmo sem olhar, percebeu que Justin não tirava os seus olhos de ela, aquilo estava a incomodando, de certa forma, pois não sabia como reagir aquilo, estava tão tímida que nem coragem de retribuir o olhar, ela não tinha.

— Então Alice... Amanhã tem um evento para vocês irem. Disse Brad.

— O quê? Quer dizer, eu não sabia que eu iria para event... — ela se lembrou do aviso que Zorah lhe deu, e disse — Eu não tenho roupas para ir nessas festas tão elegantes, então é melhor eu ficar por aqui mesmo.

— Não se preocupe com isso, só se preocupe em ir, o resto deixe que eu resolva, ou melhor, o Brad resolve por mim. Disse Justin.

— Não! Eu agradeço por poder estar aqui com vocês, já o máximo que eu posso aceitar, mas tudo bem, eu fico numa boa aqui. Disse ela não querendo incomoda-los em nada.

Justin não se importava nem um pouco em comprar roupas para ela, ele só precisava de alguém que o acompanhasse para os eventos que ele teria que ir, e esse alguém não podia ser as modelos que ele costumava levar, pois Selena, sua ex-namorada já as conhecia e sabia que não passava de um namoro de faixada e esse foi um dos motivos de terem criado sorteio para que uma fã pudesse passar um mês com ele, para que o acompanhasse para onde ele fosse, para que fosse sua “namorada desconhecida” por um mês. Pelo menos era isso o que ele acreditava que seria, mas Brad planejava através desta suposta namorada, ajudar ao Justin a sair daquela foça onde ele se encontrava e ele apostou todas suas fixas em Alice, pois com o pouco que a conheceu, tinha certeza de que ela poderia ser a luz que tiraria seu amigo da escuridão que o aprisionava.

— Você me ofenderá se não aceitar, veja isso como se fossem presentes, não de mim para você, mas ao inverso, entende? Por favor?! Disse Justin a olhando.

Ela pensou um pouco e disse:

— Está bem... Tudo bem.

— Então, eu ligarei para o Ryan e sua equipe, eles vão te ajudar, eu te garanto — Brad pegou seu celular e se levantando e disse — com licença.

— Mas a minha situação é tão ruim para precisar de uma equipe? — Perguntou ela se sentindo ofendida — Acho que sei me virar sozinha.

Justin e Brad se entreolharam e começaram a rir e Brad explicou:

— Não é isso, é que eles são uma equipe, maquiador, cabelereira e estilista... Sua situação não é ruim, muito pelo contrário, você é linda, uma das garotas mais lindas que já vi, por isso merece um tratamento especial, saiba que só garotas famosas têm esse tratamento.

— Eu acho isso exagero, quer dizer, em relação a mim, eu sei me virar sozinha, gente! Disse ela se sentindo incomodada, porque antes ela não tinha condições nem de ir ao salão de beleza uma vez por semana sequer, quem dirá ter uma “equipe de beleza”, isso já era demais para ela.

— Experimente só essa vez, se não gostar, nas próximas festas você se arruma sozinha, pode ser? Disse Justin tentando segurar o riso, porque o jeito que ela ficava quando estava incomodada era engraçado, pelo menos para ele.

— Tá... Está bem. Disse ele remexendo a comida no prato.

Ele voltou a comer, Brad foi até a sala fazer a ligação e ela começou a comer. A comida não chegava aos pés das que eram preparadas pela sua mãe, na opinião dela, mas ela comia para não fazer desfeita. Justin não deixava de observa-la um segundo, tentava disfarçar ao máximo, porque percebeu a timidez dela, mas era meio inevitável para ele não olhar para aquele rosto tão angelical.

Depois que os dois terminaram de jantar, Justin perguntou:

— Você gosta de sorvete?

— Amo. Respondeu ela sorrindo.

— Qual sabor? Quer dizer, o que você mais gosta? Perguntou um pouco sem jeito.

— Flocos, é o meu favorito. Respondeu num tom empolgado, mas se repreendeu por parecer uma criança, pelo menos a seu ver.

Ele se levantou e foi até a cozinha, pegou duas taças, pois os sorvetes para eles dois e chegou a porta da sala de jantar, dizendo:

— Alice — ela o olhou atentamente — Vem comigo.

Ela assentiu e o seguiu, ela não sabia onde ele queria leva-la, mas como ele era o dono da casa e conhecia, ela nem quis o questionar, apenas confiou. Eles foram até os fundos da casa, ele entregou a taça com o sorvete para ela, sentou-se na beira da piscina e disse:

— Senta aqui, acho que eu não mordo não — Disse ele sorrindo.

Ela sorriu e se sentou ao seu lado. Eles começaram a saborear seus sorvetes silenciosamente até que ele começou a dizer:

— Me fale um pouco sobre você, Kni... Alice — corrigiu.

— Ah... Eu não tenho muito a dizer...

— Eu gosto de histórias curtas. Disse ele voltando toda sua atenção a ela.

Alice ficou um pouco sem jeito, até porque nunca em sua vida se imaginaria nesta situação, com o seu ídolo dando total atenção para ela, em pensamento ela gritava e dizia para si:

“Droga! Isso só pode ser um sonho...”

— Ah... Eu sou Alice... Dãh — Os dois riram — Tenho 18 anos, terminei o colegial há quase um mês — ao ver que ele ria, ela deu um empurrãozinho nele — Assim eu não vou conseguir terminar de dizer.

— Me desculpe, continue. Disse ele prendendo o riso.

— Então... Eu sou do interior, nunca fui popular, na verdade, nunca fui a nenhuma festa dessas da escola, sabe? Quer dizer, da escola eu até fui, eu quero dizer essas festas que os populares fazem em suas casas e chamam só os enturmados. Disse ela um pouco sem graça, porque sabia que ele era totalmente o oposto de ela.

— Não brinca... Eu jurava que você era popular, quer dizer, pelo menos tivesse vários amigos na escola, sei lá, você é linda e, nossa. Você nunca teve nenhum amigo? Perguntou ele.

— Já, eu já tive um amigo, Benjamin, foi o meu melhor amigo desde o primário. Nós fazíamos tudo juntos, isso foi até a formatura. Ele começou a mudar comigo no colegial, não me tratava mais como antes, sabe? Como amiga mesmo, tipo irmã, ele sempre ficava tentando se aproveitar de mim, no começo eu não prestava muita atenção nisso, tentava não ligar, até na noite do baile de formatura ele...

— O que ele fez? Perguntou ele preocupado.

— Nós fizemos algo que eu me arrependo muito, ainda mais porque eu não o amava, pelo menos, não ao ponto de ter feito aquilo e — ela começou a ficar com falta de ar ao se lembrar do quanto aquilo foi ruim para ela — Vamos mudar de assunto, por favor.

— Está bem... Hm... Sobre o que podemos falar? Perguntou ele.

— Sobre você. Disse ela sorrindo.

— Acho que já sabe o suficiente sobre mim, na verdade, deve saber mais do que eu mesmo. Disse ele.

— Eu tenho certeza que não conheço nem um terço do que deveria. Aquele Justin que o mundo conhece não é o mesmo que está aqui, eu tenho certeza disso. Disse ela sem pensar.

Logo, ele mudou seu semblante, pois tinha vergonha de quem ele realmente era, não gostava nem um pouco de quem era de verdade.

— Eu tento usar aquela máscara para que as pessoas não se afastem nem desistam de mim. Confessou ele.

— Talvez, se você a tirasse, pelo menos aos poucos, elas te aceitassem, pelo menos as que te amam de verdade. Disse ela tentando conforta-lo.

— Acho que não. Disse ele.

— Mas o que te fez ficar assim? Porque ninguém fica tão assim atoa. Disse ela.

Ele não queria contar sobre sua vida pessoal a ninguém, na verdade, o único que sabia dela era seu empresário, sua família e sua ex, para ele, mais ninguém precisava saber daquilo, ainda mais uma simples fã que mau o conhece e que ele não sabe bem quem é.

No momento em que ele a responderia, Brad o chamou, dizendo:

— Justin, alguém quer falar com você.

— Agora? Perguntou ele não querendo nem um pouco atender, mas logo pensou que assim fugiria daquele assunto e foi pegar o telefone.

Assim que atendeu, ouviu a voz de sua ex, dizendo:

— Será que você não se cansa de me magoar? De me encher? Eu estou cansada de você, cansada de tudo que me lembra você. Me deixa em paz! Pare de falar sobre nós na mídia, não existe mais o nós, você fez com que o nós acabasse, agora chega!

— E você? Acha que é só você quem está magoada? Só você que está sofrendo com isso? Perguntou ele furioso.

— Você diz isso como se eu fosse culpada pelos seus erros, como se eu te influenciasse a fazer o que fez, como se eu te jogasse na sarjeta onde você próprio está se lançando... Se você soube entrar sozinho nessa, saberá sair também, então, por favor, acabe com essa história de que voltaremos, porque nunca mais isso acontecerá e não fale mais sobre mim. Disse Selena desligando o telefone na cara dele.

Justin jogou o telefone na parede e subiu furioso para seu quarto, não queria mais falar com ninguém, só queria fugir dos seus problemas. Então entrou em seu quarto, trancou a porta e se drogou mais uma vez naquele dia.