Chances de um novo sol
2 Capítulo Dois - Caleb
Notas iniciais
Logo depois do sol nascer fui para meu quarto e encontrei Maya ainda dormindo. Um assistente me deu uma espécie de mala e disse que ali continha as roupas que eu deveria usar ali e durante a viagem. Abri a mala e encontrei varias calças o que não era muito comum para uma mulher se usar onde eu fui criada, mas fiquei tentada a experimentar, coloquei uma blusa azul estilo regata e um casaco de pele por cima. Apesar do sol ali ainda era muito frio.
Deixei o cabelo solto e calcei as botas de couro que eram bastante confortáveis. Acordei Maya e depois sai do quarto, um assistente me encontrou perdida e disse que eu deveria ir para a mesa do café até onde me guiou.
Tinha poucas pessoas ainda sentadas a mesa quando eu cheguei Ethan estava ao lado de sua “senhora” e o “senhor” de Maya estava sozinho no outro canto. Caleb se levantou a me ver entrar e puxou uma cadeira ao seu lado para que eu sentasse. Sentei sem olhar para Caleb ou qualquer outro da mesa a não ser Ethan.
Serviram o café, sem sangue para mim e Ethan. Comi o tanto que eu podia e aguentava e então me retirei da mesa. Segui pelo corredor que levava para os quartos, mas escutei ruídos em outro corredor. Fui ver o que era e me deparei com uma cena que não queria ver. A filha mais velha de Steven estava drenando o sangue de seu servo ali no corredor. Ele gemia de dor enquanto ela mordia sua garganta que jogava sangue por todo seu rosto. Corri até onde eles estavam com impulso de salvar o garoto.
– Para. – gritei.
Ela deixou o pescoço do garoto que caiu inconsciente ou morto no chão. Cai se joelhos sobre o corpo do garoto e coloquei a mão na garganta dele, logo minha mão já estava cheia de sangue.
– quem você pensa que é para atrapalhar isso? – ela gritou me puxando pelo cabelo e me jogando contra a parede.
Em questão de segundos ela se abaixou até o corpo e voltou a beber o sangue do garoto. Mas logo o deixou e se virou para mim que estava imóvel ainda no chão.
– esfriou. Vai ter que pagar com o seu agora.
Ela se aproximou de mim com as presas pingando sangue, tentei correr, mas ela puxou meu pé e logo já estava com as presas em meu pescoço. Gritei quando senti as presas perfurarem as minhas veias. Foram poucos segundos que ela bebeu meu sangue, Caleb a empurrou de cima de mim e a impediu quando voltou a tentar de novo.
– se já acabou o seu, não venha querer roubar a minha. – disse para ela.
– ela me interrompeu.
– francamente Lia, no corredor?
Ele me ajudou a levantar e me guiou até um quarto que suponho ser o que ele estava. Ele me colocou na cama e se sentou ao meu lado. Pensei que ele fosse beber meu sangue que escorria por todo casaco de pele, mas ele pegou uma toalha branca, molhou e me entregou. A cena do garoto morto não saia da minha cabeça, o sangue dele em minhas mãos parecia me queimar.
Caleb levou seu pulso a boca e logo estava sangrando ele me ofereceu e eu aceitei. O sangue de vampiro cura. O gosto era horrível o que fez com que eu só bebesse algumas gotas.
– Obrigada. – disse.
Ele assentiu e pegou a toalha da minha mão. Me assustei quando ele afastou meu cabelo e começou a limpar meu sangue que escorria pelo pescoço.
– não a interrompa da próxima vez. Posso não estar por perto.
– ela estava matando ele.
– sua intromissão não adiantou muito.
Baixei a cabeça, mas ele levantou de novo.
– bem melhor assim.
– Obrigada.
Ele sorriu e foi até o banheiro lavar a toalha.
– tire o casaco. – ordenou.
A ordem me fez estremecer, mas obedeci. Ele passou a toalha pelo meu pescoço e seguiu por todo meu ombro depois pegou minha mão e me puxou até o banheiro para lava-la. O sangue do garoto agora morto escorreu pela pia, aquilo me fez tremer de frio e medo.
– posso fazer você esquecer.
– não. Não mexa na minha cabeça se não for necessário.
– tudo bem.
Ele voltou para o quarto e abriu o guarda roupa, tirou algumas peças e me entregou. Fechei a porta do banheiro e coloquei o vestido não muito longo e o casaco por cima, sai do banheiro e ele estava deitado na cama com as mãos atrás da cabeça.
– bem melhor. – disse sorrindo.
Abri um sorriso torto e parei na frente da porta com as mãos cruzadas nas costas. Ele acenou com a mão para que eu sentasse ao seu lado, respirei fundo e sentei. Ele sorriu e fitou o teto.
– quantos anos você tem? – perguntei.
– em idade humano 17 e de verdade 102, 103 semana que vem.
– nossa. Você é velho.
Ele riu e virou para mim.
– e você?
– sou nova.
Ele riu ainda mais.
–16, mas quando é seu aniversario?
– 21 de janeiro.
– daqui a um mês. Temos que fazer uma festa.
– se eu não estiver morta até lá.
– por que acha que eu vou te matar?
– porque é isso que vocês fazem.
– não preciso matar você. Não quero matar você.
– por que não?
– não sei. Só não quero.
Respirei fundo como se fosse uma reclamação.
– vou poder ver minha irmã antes de viajar?
– posso te levar até lá. – ele olhou no relógio. – mas tem que ser agora, o voo está marcado para ás 10h da manhã.
Assenti e segui-o quando ele se levantou. Ele me levou até uma garagem cheia de carros belíssimos e entrou em um vermelho conversível. Sentei ao seu lado e então saímos da garagem. Lá fora o sol iluminava as ruas escuras da cidade.
– como anda no sol?
– creio que não possa te contar isso.
– por que não?
Ele abriu um sorriso e olhou para mim, suas presas haviam sumido.
– aonde...?
– para seduzir humanos podemos aparentar ser como eles.
– por isso pode sair no sol?
– não.
– então por que sei lá está sem suas presas?
– para seduzir você.
Fiquei sem graça. Acho que ele perceber, ele apertou um botões do carro e logo uma música agitada começou a tocar.
– onde é sua casa?
– perto do deposito de água.
Ele assentiu e tirou uns óculos escuros do porta-luvas. Com os óculos ele ficou ainda mais bonito. Ele batucava o volante no ritmo da música agitada bem diferente do que eu costumava ouvir.
– qual a sua história? – pergunto.
Ele para de olhar para a estrada e olha para mim com um sorriso magnifico nos lábios.
– Eu nasci em New Orleans, meus pais foram mortos pelos vampiros que estavam no poder da época. Mas então Steven entrou no poder e o regime politico ficou mais leve, ele me adotou por me achar um cara de carisma e me transformou em vampiro. Deis de então eu vivo de festa em festa, de garota em garota, de uísque em uísque e assim vai minha vida.
Então ele não era filho de sangue de Steven. Ele era adotado. Ele era como eu, seus pais foram mortos pelos vampiros, mas diferente de mim ele se entregou a eles e se tornou um deles.
– por que deixou que te fizessem um vampiro?
– o que eu tinha a perder? Todos que eu amava estavam mortos.
Eu queria dizer que não justificava, mas preferi ficar quieta. Quando chegamos próximo a minha casa explicou o caminho e logo estávamos lá. Entrei sem chamar ninguém e subi as escadas da madeira que rangeram sem piedade. Encontrei Jade deitada na cama, chorando.
– Jade?
Ela não me respondeu. Caleb subiu as escadas, talvez pelo choro e parou na entrado do nosso quarto.
– Jade. Olha para mim!
Ela olhou. Seu olho estava todo roxo e seu pescoço com manchas. Caleb se ajoelhou ao lado da cama assim como eu.
– o que aconteceu? – perguntei já tremendo.
– ele me machucou.
Agarrei ao lençol da cama com tanta força que pensei que fosse rasgar.
– ele quem Jade?
– Jesse.
– quem?
– o garoto da corte.
Havia marcas por todo seu corpo e seus braços até sangravam. Caleb mordeu seu pulso e ofereceu para ela. Ela hesitou antes de beber, mas acho que a dor era maior do que o ódio por vampiros, alias ela estava ali por conta da sede de sangue dos vampiros. Ela conseguiu se sentar, mas não parou de chorar. A abracei com cuidado até ela se acalmar.
– me conte o que aconteceu?
– ele ama outra e descontou em mim por não poder ficar com ela.
– Ele não vai chegar mais...
Abracei ela, mas ela me soltou.
– ele ama você. – me interrompeu.
– o que?
– Não se faça de desentendida, sempre foi a Millie. A mais bonita, a encantadora. Olhe para você nesse vestido, você ira morar no palácio, enquanto eu vou ficar aqui apanhando de um homem que me engravidou, mas ama a minha irmã.
– Jade, eu...
– vai embora! – ela gritou.
Fiquei em choque com todas as palavras dela, só desci porque Caleb disse que iriamos nos atrasar e me arrastou para o carro, onde eu não me contive e comecei a chorar. Caleb parou o carro enfrente ao palácio que parecia estar de mudança por conta do tanto de coisas que estavam para o lado de fora. Sai do carro e parei até ele parar do meu lado.
– o que foi? – ele perguntou.
– nada. Só não sei o que fazer.
– espere aqui. Vou pegar minhas coisas.
Lia estava parada enfrente a um carro preto e me fitava com um olhar assassino. Caleb pegou minha mãe me assustando e puxou para dentro do palácio.
– melhor não esperar.
No quarto ele colocou algumas roupas dentro da mala e se jogou na cama.
– achei que estávamos atrasados.
– estamos.
Pensei em perguntar, mas me aproximei e vendo sua expressão me sentei ao seu lado. Ele puxou meu braço até que eu deitasse junto dele. Eu estava assustada por estar ali, meu coração batia mais rápido do que uma folha leve voava ao vento, eu estava mais gelada do que ele.
– eu matei minhas servas nas primeiras 2h.
Gelei mais ainda, pensando no que ele iria fazer.
– por que está me contando isso?
– para você ver a diferença entre você e as outras.
– mas eu não vi. Qual é?
– você é diferente. Não tem medo do dizer o que pensa, sabe reagir diante de uma situação. Eu já tive muitas servas durante esses 102 anos, mas nenhuma se parecia com você. – pensei que ele tivesse acabado, mas não. – E talvez seja por isso que eu queira tanto fazer isso deis da primeira vez que te vi.
Se meu coração já estava acelerado com essas palavras, pensei que fosse parar de respirar. Ele se inclinou para mim e entrelaçou uma das mãos em meu pescoço me trazendo para mais perto do seu rosto. Eu intercalava o olhar entre seus olhos e seus lábios gelados que logo tocaram os meus. Eu nunca tinha beijado ninguém antes, não tinha tempo para isso, mas aquele tinha sido o melhor até agora.
Eu estava toda arrepiada pela frieza não só dos lábios, mas das mãos que deslizavam por minhas costas enquanto ele brincava com minha língua. Suas presas me deixaram ainda com mais vontade de não soltar ele. Ele passou para cima de mim e tirou meu cabelo do pescoço onde deu leves beijos e depois voltou para minha boca. Mordi seu lábio inferior, ele abriu um sorrisinho.
– achei que eu fosse o vampiro.
Sorri e voltei a beija-lo. Sentei em seu colo e ele começou a beijar minha clavícula seguindo de volta para o pescoço. Ele demorou um tempo em um beijo no meu pescoço, mas logo percebi porque, minha veia era muito tentadora e ele não conteve em enfiar suas presas e beber meu sangue. Apertei seu braço de dor e agonia. Podia ver meu sangue escorrendo por minha pele.
Então tudo voltava a minha consciência. Ele era um dos culpados pelo sumiço dos meus pais, pela escassez que passe, pela escassez de muitas pessoas por ai, ele era um vampiro a espécie que eu mais odiava, mas mesmo assim lá estava eu em seus braços. Ele parou de beber meu sangue e aos poucos olhou para mim já com a mão no pescoço.
Sua boca que antes me beijava estava cheia de sangue, do meu sangue. Uma gota de sangue pingou de uma das presas. Pressionei a mão sobre o pescoço e fui me levantando aos poucos até estar totalmente de pé. Ele olhava para mim com um ar de medo.
– desculpa... – disse finalmente.
– era mais fácil só morder.
Procurei algo para estancar o sangue, peguei uma toalha pequena e coloquei sobre a mordida. Ele continuava fitando meus olhos com uma expressão que não conseguia decifrar.
– Desculpa.
Bufei e cheguei mais perto dele.
– pelo que? Por ser um vampiro? Não eu não desculpo.
– Eu deveria ter te matado.
– faça agora.
Soltei a toalha e me aproximei um pouco mais.
– vamos. Me mate.
Ele segurou meu braço trazendo todo o meu corpo ainda mais perto do seu.
– eu odeio isso.
– o que? Ter que matar? Achei que você levasse jeito no assunto matar.
– odeio não conseguir matar você. – ele cerrou os dentes. – mesmo que eu queira, você faz com que eu não consiga. Eu sou um vampiro eu mato sem pensar, minha sede é maior do que tudo. – ele aumentou a voz. – mas toda vez que eu olho para você parece que não sinto mais tanta vontade de matar. Eu odeio não ter o controle da situação. Eu odeio você.
Tive que rir de tudo isso.
– é fácil! Vamos lá. Apenas morda e a sede de sangue vai falar maior. O que eu tenho a perder?
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