Chances - Vampiras Malvadas

2 Capítulo 1 - Queimando de Desejo


Notas iniciais
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. -Clarisse Lispector

Era horrível.

Passei dois dias da minha vida me contorcendo de dor, parecia que eu estava pegando fogo. Mas era só o veneno tomando conta do meu corpo.

Eu não era a única, existia mais em transformação...

E então a dor passou, uma calma tomou meu corpo. Um novo sentimento estava dentro de mim e eu não sabia dizer qual era. Mas tudo passou quando um outro tomou conta.

Desejo.

De sangue.

Inglaterra — Dias de hoje

Uma semana antes

–Huumm, isso é tão bom. Pena que não é fresco. -Digo a Annabelle enquanto bebo um como cheio de sangue pelo canudinho.

Fazia pelo menos três dias que eu não me alimentava direito, sabem como é: Sangue ruim. Mas esse não, esse era tão bom.

Annabelle pegou para mim em um hospital, alguém doou sangue e ela pegou um pouco para mim. Era um 'sangue importado', vinha de alguém da Italia... Ou Alemanha.

–Você tem que parar com isso! -Reclama Annabelle. Ela se recusa a beber sangue humano, até mesmo quando não os matamos. Aqui onde vivemos não tem muitos animais e Annabelle as vezes fica semanas sem se alimentar e se tranca no quarto para não correr o risco de atacar algum humano na rua.

Ela é o oposto de mim.

Ela tenta melhorar. Eu sei que não tem como.

Eu queria mudar, mas não posso. Há cento e vinte e cinco anos eu sou assim, não posso mudar quem eu sou agora.

A garota fraca de mais de um século atrás morreu. Agora quem vive é a garota forte e determinada que aprendi a ser.

Annabelle é duas semanas mais nova que eu. Mas possuímos eternamente dezessete anos.

–Já vai começar Annabelle? A esta hora da noite?

–Nós podemos mudar, Katcherine. Nós temos que tentar. -Argumenta ela.

–Não tem como mudar quem somos! -Falo auto.

Annabelle já estava me irritando!

Convivo com esta Annabelle a cento e cinco anos. Antes ela sabia ser feliz. Agora? Agora ela resolveu se privas das coisas boas da pós-vida. Não dá para entender!

–Tem sim, Katcherine. É só acreditar. Nós podemos ser melhores!

–Porra, Annabelle! O que deu em você? Cadê a garota que seduzia humanos para apenas beber o sangue? Cadê a garota louca e divertida que eu conheci? -Gritei.

–Ela cresceu, Katcherine. -Que irônico. -Você não sente vontade de.. De.. -Ela não terminou.

–De ser o que? De ser humana? Coloque uma coisa na cabeça, Annabelle: NÃO TEM COMO MUDAR ISSO! É FATAL! CHEGA! -Estourei.

–Eu sou humana, eu tenho meus sentimentos e isso me fez humana. Eu não esqueci o que é sentir, já você... -Annabelle falava calmamente. Eu não.

Ela passou reto por mim e entrou em seu quarto.

–Isso, se tranca ai por um século inteiro, esqueça como é viver. -Grito.

Duas horas depois

Não entendo, não consigo entender o fato de Katcherine aceitar isso. Nós podemos mudar, e eu vou atrás disso.

Eu irei mostrar a ela que podemos ser diferentes.

Eu não me orgulho de quem eu fui há alguns anos. Não me orgulho de ser a culpada por famílias destruídas.

A minha foi.

Eu sei o que é sofrer.

Katherine que me desculpe, mas eu vou embora e não vou voltar.

Notas finais
Comentários, Reviews, Indicações...
Eu não mordo, só os personagens ;3