Chances.
24 Bônus - Teorias No Natal.
Notas iniciais
Ponto de vista: Carlie Biers.
A canção Jingle Bell Rock era tocada por um coral próximo a pista de patinação do Central Park. Era um espetáculo entanto, fazia com que mesmo as pessoas que estavam correndo atrás de presentes e tomando conta dos preparativos para a comemoração do natal parassem para ouvir um pouco. Owen ao meu lado parecia encantado com aquilo, tal como ficou quando montamos a árvore de natal no dia anterior. Ele amava aquela época.
O mesmo ajeitou a touca de lã em minha cabeça e me abraçou pelos ombros enquanto eu me encolhia dentro do sobre tudo. Estávamos caminhando pelo parque após horas patinando. A neve já tinha dado as caras em NY, o que deixava tudo mais bonito. Owen logo pela manhã me convidou para acompanhá-lo naquele passeio, e eu como a ótima quase namorada que era, aceitei sem hesitação.
Ele apontou em direção a um boneco de neve que algumas crianças estavam acabando de fazer e eu sorri, concordando que aquilo era lindo. Começamos a conversar sobre os presentes de natal que compramos para todo, e nada poderia tirar aquele sorriso do meu rosto.
—Então, minha mãe começou a editar um novo romance. Está realmente focada nisso. — anuncia, bebericando um pouco do chocolate quente que havíamos acabado de comprar. — Acredita que discutimos sobre primeiros encontros, hoje? — ele indaga zombando e eu arqueio uma sobrancelha.
—Como assim? — questiono, antes de tomar um pouco da minha bebida também.
—A concepção de todo romance do livro se baseia no fato da protagonista achar que quando estamos destinados a ficar com alguém, os desencontros são necessários para a emoção do encontro ser maior. Minha mãe concorda com esse absurdo. Enquanto eu só acho que se há desencontros, é porque não é para acontecer. — ele me explica seu ponto de vista e eu suspiro.
—É. Acho que você está certo. Afinal se um casal não se conecta da primeira vez que se veem, porque outras vezes dariam em alguma conexão? — debocho com desdém.
—Acho que concordamos, porque sabemos que nossa história não se encaixa nisso. Digo, não há desencontros para nós, não é? — ele me para no meio da neve para me fazer aquele questionamento. Sei o que Owen quer, ele quer que eu lhe dê alguma certeza sobre o que temos, mas, que certeza eu poderia ter sobre a vida? Eu só tinha 16 anos, mal sabia o que queria no almoço.
Eu amava o Owen, essa era a realidade. Não tinha como não amá-lo. Mas, eu queria muito mais que amar alguém. Eu queria o mundo, e não sei se Owen estava preparado para isso, mesmo sendo mais velho.
—Eu espero que não. — aquela era a única resposta que eu podia dá-lo e a melhor parte era que ele entendia. Owen se aproximou com cuidado, segurou as laterais do meu rosto e logo me presenteou com um beijo calmo, que demonstrava o que ele sentia por mim. O que ia além de qualquer coisa que eu pudesse hesitar.
A caricia foi interrompida quando ele recebeu a ligação de sua mãe, algo sobre ela precisar da ajuda dele com o Peru de natal. Então naquela véspera ele me abandonou no parque e eu fui em direção a cafeteria onde comprei nossos chocolates quentes em busca de mais um copo.
Me sentei em uma mesa perto da janela, e acenei para a garçonete, logo fazendo meu pedido e acrescentando alguns cupcakes a ele. Quando ela se foi, aproveitei para tirar o livro que havia ganhado essa manhã de Owen; tratava-se de uma coleção de contos natalinos chamada “Deixe a neve cair”. Muito original realmente.
Comecei a folheá-lo, mas, nem me dei ao trabalho de ler, pois minha atenção se focou em outra coisa; Em um grupo de três pessoas que discutia na mesa de trás, não me virei, somente fiquei focada no que falavam.
—Qual é Alec, recebemos a oportunidade incrível de virmos a NY logo no natal, temos que sair para nos divertir, só quem vai ficar trancado naquela suíte é nosso pai. — uma voz afinada diz aquilo com convicção.
—Jane, conheço seu tipo de diversão, quase sempre tem a ver com ficarmos bêbados. Então passo. — agora era uma voz rouca masculina que falava isso.
—Amor, podemos fazer isso, estamos em NY pela primeira vez, vamos aproveitar. — uma outra pessoa tentou amansar o senhor certinho e eu ri levemente. Pelo sotaque estava claro que eram britânicos.
—Bree, não apoie a Jane, ela sempre tem más ideias. — o homem diz parecendo exausto, quase me penalizo com a situação dele.
—Alec... — a que parece namorada dele tenta mais uma vez.
— Não. Eu prefiro passar a noite de natal no quarto de hotel, lendo algum livro. — parece ser a última palavra dele, pois as duas se calam.
Mordo os lábios e em questão de segundos abro minha bolsa tirando de lá uma caneta. Sei que o que estou prestes a fazer é mais uma das minhas loucuras, mas, não ligo.
Abro o livro que antes folheava e em sua contra capa escrevo;
Nunca se recusa um convite para visitar as noites de NY, é muito rude. Se tem medo de gostar demais e não querer voltar para casa, está certo. NY é incrível. De qualquer forma, vou ser diferente das garotas que estão com você e respeitar seu desejo de primeira. Espero que goste do livro que estou deixando para você e que tenha um bom natal.
R.C
Então foi isso, caminhei até o caixa, pedindo agora tudo que queria para viagem. A simpática moça me entregou e quando paguei tudo, coloquei o livro sobre o balcão e sorri para ela.
—Pode me fazer um favor? — a garota com uma touca com estampa natalina assentiu animadamente. — Há um rapaz na mesa atrás da que eu sentei. Preciso que dê esse livro a ele quando eu sair, diga que uma admiradora o deixou. — lhe instruo e ela sorri concordando. — Feliz natal. — desejo.
—Feliz natal para você também.
Sai da cafeteria com meu chocolate em mãos, enfrentando mais uma rajada de neve, andando na direção de minha cobertura em Manhattan, lembrando do então desconhecido que não queria se divertir. Sorri, olhei para a cafeteria mais uma vez, então segui em frente, sabendo que a família Biers me esperava.
Eu estava errada.
Desencontros são necessários, para o primeiro encontro ser maior.
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