Chances

65 Por favor, não me deixe.


Notas iniciais
[Música do capítulo: Please don't leave me - P!NK] -------------------- // -------------------- Vocês são perfeitos, ok? Ok. Obrigado a todos que comentaram e a todos que não comentaram, mas sei que estão sempre aqui, acompanhando e eu vou sempre agradecer a todos vocês, por favoritarem e comentarem e recomendarem, porque vocês me incentivam a continuar algo que eu AMO fazer, e é escrever. Às vezes eu to meio mal e sem vontade de escrever, mas aí eu releio a fic e os comentários e eu fico bem e animada de novo, então obrigada. Espero que gostem bastante. Eu finalmente fiz o P.O.V. do Dean. Até lá embaixo!

DEAN’S P.O.V.

Eu o beijei.

Eu o puxei pela camisa e colei meus lábios nos dele. Eu beijei o Clark.

### FLASHBACK ON ###

– Dean, por favor. Não vá. Fica aqui comigo, podemos assistir a um filme.

– Clark, eu estou indo. Tchau.

Andei até a porta, pegando a minha jaqueta de couro – que Cole me levou em uma loja para comprar – e minha carteira. Mas quando coloquei a mão na maçaneta para abri-la, Clark pulou na minha frente, ficando entre mim e a porta.

Péssima ideia.

I don't know if I can yell any louder

(Não sei se consigo gritar mais alto)

How many times have I kicked you out of here?

(Quantas vezes te expulsei daqui?)

Or said something insulting?

(Ou disse algo ofensivo?)

– Clark, sai da minha frente – Eu tentei falar com calma. Mas ele não se mexeu.

– Não, Dean. Não vou deixá-lo ir.

– Você não manda em mim! Eu não preciso de você me falando o que eu posso ou não fazer! – Eu perdi o controle. As palavras escaparam de minha garganta sem que eu pudesse evitá-las.

– Dean, por favor. Você sabe que eu só quero o seu bem – Ele parecia triste e falava baixo.

– Você quer o seu bem! Você quer que eu fique trancado nesse cubículo com você, porque você não tem um lugar para ir. Eu não sou seu. Eu não tenho que fazer o que você manda. Eu estou indo. Agora.

– Deanno...

– Sai da minha frente – Eu bufei.

– Não – Ele balançava a cabeça negativamente e tentava segurar as lágrimas.

– Sai! – Eu o empurrei e ele caiu no chão.

Só então percebi o que eu fiz.

– Clark... Clark, me desculpe – Tentei ajudá-lo a se levantar mas ele esquivou-se de minhas mãos.

– Vai para a sua balada, Dean. Me deixe em paz.

– Você é quem sabe – Eu disse simplesmente e saí do apartamento, fechando a porta atrás de mim.

Eu precisaria beber um pouquinho mais para me esquecer do que acabou de acontecer.

### FLASHBACK OFF ###

Tenho sido um péssimo amigo. Uma péssima pessoa com o Clark. Céus! Não agi nem como um ser humano nesse último ano. E eu simplesmente não consigo explicar o porquê.

Acho que a explicação mais razoável – e mais patética, tenho de admitir – é que eu tenho vivido com medo. Com medo de perder a cabeça completamente.

Desde que Sam terminou comigo e começou a namorar Castiel, não tenho sido eu mesmo. Eu nunca fui um exemplo de felicidade e amor próprio, ainda mais com o pai que tenho e todos os meus segredos, mas eu caí num buraco do qual eu não conseguia sair. Um buraco de dor e saudades e frustração.

I can be so mean when I wanna be

(Eu consigo ser tão cruel quando quero ser)

I am capable of really anything

(Sou capaz, realmente de qualquer coisa)

I can cut you into pieces

(Posso te cortar em pedacinhos)

When my heart is broken

(Quando meu coração está partido)

Porque eu finalmente senti como se eu estivesse fazendo algo certo com a minha vida, no momento em que aceitei namorar o Winchester. Era como se tudo fizesse sentido. Como se tudo por que passei e vivi foi para chegar num único objetivo. E esse era Sam.

Eu sei, pensamento um tanto sonhador demais, não é? Mas era assim que eu me sentia. Eu finalmente tive esperança de uma vida melhor. Todos sabem que eu sou o rei do drama, mas falo sério quando digo que Sam era o meu sol. Ele iluminava meus dias, me dava um motivo para sair da cama de manhã. Um motivo que me agradava, e não um que me forçava – como a vontade de agradar meu pai – a ter boas notas e ser responsável. Sam me ensinou que tudo bem eu parar e respirar por um tempo.

Só que ele se foi. Eu o perdi. O roubaram de mim. E eu tive medo de que nunca mais iria me sentir como me sentia ao lado dele.

Mas Clark estava lá por mim. E eu me arrependo de ter o feito passar por tudo o que passou. Eu sou dramático, mas ele é que tem o direito de ficar bravo e irritado e triste. Porque eu parti seu coração e tenho plena consciência disso.

Supernatural Me foi como uma droga que tomou conta da minha vida. E é aí que entra aquela história do meu medo. No momento em que eu disse sim para Cole, quando nos conhecemos no bar, eu fiz algo que não deveria. Eu tinha apenas dezoito anos e estava em uma cidade diferente e um estranho no bar disse para irmos a um lugar. Somente um louco diria sim. E esse era o ponto. Eu imaginei que se eu parasse de agir todo certinho o tempo todo, talvez eu me divertisse mais. Talvez eu esquecesse Sam. Talvez eu conseguisse ser o meu próprio sol.

Mas eu me enganei. Porque eu fui dançar e fiquei bêbado, e enquanto eu ainda estava consciente sobre o que estava acontecendo ao meu redor, não parei de pensar nele por um só minuto. Então eu bebi mais e mais e mais. E finalmente, eu não lembrava nem o meu próprio nome. E eu não estava mais com medo. Eu não estava mais triste. Eu não era mais eu.

E essa sensação de me tornar uma pessoa completamente diferente tomou meu cérebro. Era como uma droga – além do álcool, que se tornou bem difícil de abrir mão – eu precisava sempre de mais e mais e mais, até que eu me perdi.

Please, don't leave me

(Por favor, não me deixe)

I always say how I don't need you

(Eu sempre digo como eu não preciso de você)

But it's always gonna come right back to this

(Mas sempre vamos voltar para esse ponto)

Please, don't leave me

(Por favor, não me deixe)

Clark tentava me trazer de volta. Trazer o Dean que ele conhecia e amava de volta para ele. Tentava cuidar de mim, mas eu não deixava. Eu era rude e grosseiro, gritava sem necessidade, chegava bêbado em casa, sabendo que ele cuidaria de mim. Cheguei a um ponto, em que eu não ligava mais para o que acontecia com ele, ou comigo, ou com qualquer outra coisa.

Até eu perder a bolsa na faculdade.

Quando recebemos a carta de Stanford, eu estava escovando os dentes, porque Clark me irritou de tanto reclamar do meu “hálito de cachaça”, como ele chamava. Ele me entregou a carta, colocando-a em cima da pia para eu ler. Terminei de escovar os dentes e enxaguei minha boca antes de abrir o envelope.

Eu li tudo. E reli mais algumas vezes. Senti vontade de socar algo, mas quando me olhei no espelho do banheiro, minha ficha caiu.

Eu vi a barba mal feita, os olhos vermelhos por conta da falta de sono e da ressaca, as marcas arroxeadas em meu pescoço dos homens que me rodeavam na Supernatural Me. Eu não me reconheci. Não com as lágrimas que agora desciam por meu rosto.

Eu não podia continuar assim.

### FLASHBACK ON ###

Eu suspirei e abri a janela do carro. Estaríamos na Califórnia em algumas horas.

– Você acredita em Deus? – Clark me perguntou, do nada.

– Eu gostaria de dizer que sim. Mas não – Dei um meio sorriso, olhando para ele – Você acredita?

– Uhum. Venho de uma família bem religiosa.

– Deve ter sido muito difícil para você. Digo, por ser gay. Mas não tem certo conflito entre o que você acredita e o que você é? – Perguntei.

– Minha família é bem religiosa. Muito conservadora e tudo mais. E desde que eles descobriram sobre minha sexualidade, eu lavo minhas roupas, faço minha comida, limpo o que é meu... Tudo isso porque ninguém faria por mim. Apenas dividíamos a mesma casa até que eu fosse para a faculdade. E é, eu acredito em Deus. Acredito mesmo, mas na minha mente, meu Deus me ama por quem eu sou, porque Ele me fez. Somos as pinturas e esculturas Dele; suas obras de arte.

– Eu não sou uma obra de arte. Sou uma bagunça – Eu disse rindo. Ele não respondeu imediatamente.

– Tem razão. Você não é uma obra de arte – Ele fez uma pausa e parou o carro num farol vermelho, olhando para mim em seguida – Você é um dos anjos Dele, enviado para salvar a minha vida.

Eu não soube responder a isso.

### FLASHBACK OFF ###

Então dei um jeito de ter uma reunião com o conselho da faculdade e eles me deram uma segunda chance. Mas eu teria que começar desde o primeiro semestre. Me senti tão bem quando eles concordaram. Foi naquele momento que realmente resolvi mudar.

E o próximo passo era me redimir com Clark. E pedir desculpas por todas as horríveis coisas pelo que o fiz passar. Então eu lhe fiz um café da manhã. Ovos, bacon, torradas e panquecas.

Arrumei nossa pequena mesa, colocando os dois pratos e os copos e xícaras. E um bilhete no prato dele dizendo que sinto muito. Ele acordou mais cedo do que eu esperava, mas deu tudo certo. Tomamos nosso café da manhã e nos sentamos no sofá – que agora tinha um lençol por cima para esconder a mancha de vômito – para assistir a um filme.

Eu chorei muito naquele dia. Me deitava em seu colo, enquanto ele tentava me acalmar.

How did I become so obnoxious?

(Como me tornei tão desagradável?)

What is it with you that makes me act like this?

(O que tem em você que me faz agir dessa forma?)

I've never been this nasty

(Eu nunca fui tão nojento)

Can't you tell that this is all just a contest?

(Você consegue perceber que é tudo uma competição?)

The one that wins will be the one that hits the hardest

(O vencedor vai ser o que bater mais forte)

But baby I don't mean it

(Mas, querido, não quis dizer isso)

I mean it, I promise

(É sério, eu prometo)

Gostaria de dizer que depois disso ficou tudo ótimo e que era como se nada de ruim tivesse acontecido. Mas não posso. Porque mesmo não indo mais para a Supernatural Me, eu ainda tinha pesadelos e pedia para Clark dormir comigo para me consolar depois. Eu ainda andava cabisbaixo e suspirando pelos cantos. Eu não estava feliz. Talvez por causa de Sam, talvez porque magoei muito o Clark.

Pelo menos o tempo passou rápido depois disso. Estamos em abril, no meio do semestre. E realmente o ano começou melhor do que esperávamos. Criamos uma boa rotina e Clark começou a se exercitar comigo. Eu não tinha ideia de que gostaria tanto assim de ir para a academia. Me sentia mais leve, mais bem cuidado. E com uma ótima companhia, claro.

Clark passou a dormir todas as noites ao meu lado na cama. Ele me abraçava forte até eu cair no sono, mas acabava dormindo por lá também. Meus pesadelos diminuíam quando ele estava ali.

O que nos leva ao que está acontecendo nesse exato momento. Nosso primeiro beijo oficial. O primeiro oficial, porque, por mais que eu não goste de lembrar ou admitir, quando eu estava ou voltava bêbado da Supernatural Me, algumas vezes eu o beijava, carente de toque, carente de alguém que se importasse comigo. E acabava chorando e vomitando no banheiro. Ele apenas me ajudava. Mas eu sei de seus sentimentos por mim, por isso me sinto tão mal pelo que fiz.

Mas dessa vez é verdadeiro. Eu sinto.

I forgot to say out loud

(Me esqueci de dizer em voz alta)

How beautiful you really are to me

(O quão lindo você realmente é para mim)

I can't be without

(Não consigo ficar sem)

You're my perfect little punching bag

(Você é meu saco de pancadas perfeitinho)

And I need you

(E eu preciso de você)

I'm sorry

(Eu sinto muito)

Ele sempre foi bom para mim. Sempre me fez acreditar em mim mesmo, sempre me incentivou e cuidou de mim de maneiras que ele não era obrigado a cuidar, mas cuidou mesmo assim. Ele esteve ao meu lado por todo esse tempo, sempre tentando me ajudar. Ele é um anjo que apareceu na minha vida. E sou eternamente grato por tudo o que ele fez.

Uma lágrima escapou de meus olhos ao senti-lo sorrir sob meu beijo. Ele tinha um sorriso tão bonito. E eu juro aos céus que vou fazer o possível para mantê-lo sempre presente naqueles lábios rosados. Era o mínimo que eu poderia fazer.

Antes de decidir fazer isso, me perguntei qual era o motivo de eu querer tanto beijá-lo. E eu só consegui uma resposta verdadeira. Eu o amo. O amo por quem ele é e por tudo o que ele já fez. Pode não ser o amor mais intenso que já senti, mas está lá, presente no meu coração e quero que ele saiba disso. Quero que ele saiba todos os dias que eu o amo e agradeço por tudo.

O beijo se encerrou e ele secou minhas lágrimas com a ponta dos dedos.

– Obrigado, Clark.

– Por quê?

– Por não me deixar. Por não desistir de mim. Você me disse quando estávamos vindo para a Califórnia que eu era um anjo de Deus, enviado para salvar a sua vida. Posso te garantir que é com toda a certeza o contrário.

Please, don't leave me

(Por favor, não me deixe)

Please, don't leave me

(Por favor, não me deixe)

I always say how I don't need you

(Eu sempre digo como eu não preciso de você)

But it's always gonna come right back to this

(Mas sempre vamos voltar para esse ponto)

Please, don't leave me

(Por favor, não me deixe)

Baby, please, please, don't leave me

(Querido, por favor, por favor, não me deixe)

Ele sorriu. E tive que sorrir também. Acho que as coisas vão finalmente começar a melhorar.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado bastante. E eu sei que a maioria de vocês não curte muito Dean/Clark, mas o moreno é muito bom pro nosso Deanno, não é? Até a próxima! Beijackles e Padakisses ♥