Chances
32 Já assistiu o novo Star Trek?
Notas iniciais
Dean amava essas tardes ao lado de Sam, não conseguia parar de sorrir, o que era completamente o contrário do que estava acontecendo com a sua cabeça. Cada uma das coisas já ditas pelo moreno passava por sua mente, que as separava e catalogava inconscientemente. Além das palavras que Sam direcionou ao loiro, imagens também rondavam sua mente. Cada sorriso, cada olhar inocente, cada toque, cada olhar ameaçador e de ódio que o moreno já lhe lançara, os empurrões, socos, xingamentos, elogios e palavras de afeto. Tudo isso só ferrava ainda mais com a cabeça dele, porque nada disso, quando colocado junto, fazia sentido. Por que ele mudou?
Não que Dean estivesse reclamando, era ótimo não apanhar tanto na escola e não se sentir um completo inútil todos os dias, ou ouvir todas as suas falhas da boca das outras pessoas como se ele mesmo não as visse. Mas havia algo errado em tudo isso e o loiro simplesmente não conseguia descobrir o que era.
Olhou para Sam e suspirou, o moreno ainda estava deitado em sua cama, abraçado com um travesseiro, enquanto Dean meio que arrumava o quarto, pegando as roupas do chão e arrumando os cadernos que estavam em cima da escrivaninha. Estava começando a ficar com dor de cabeça, então resolveu parar de pensar. Esvaziou a mente aos poucos, enquanto organizava suas coisas, respirou fundo quando percebeu que a bagunça em sua cabeça estava acabada.
– Quer comer alguma coisa? – Dean perguntou com a voz baixa.
– Eu não sei – Sam respondeu.
“Eu não sei”. Warner não gostava dessa resposta, ainda mais quando ele se lembrou dessas mesmas palavras ditas há alguns minutos. Aquilo realmente não era o que ele queria ouvir. Mas ele poderia deixar isso para lá, pelo menos por agora, enquanto o fogo dessa “paixão”, ou seja lá o que há entre eles, está o mantendo aquecido. Mas o que acontece quando ele se apagar?
O que acontece quando esse sentimento se for? Não o amor, que obviamente está lá, só a animação, essa excitação por ser algo novo e desconhecido. Ele vai acabar sem nada e sozinho e deitado no chão frio. Porque Sam pode ser o suficiente agora, mas ele não pode realmente saber se ele é o suficiente para Sam.
– Dean... – Sam disse, terminando de colocar as calças, enquanto observava o outro se vestir também.
– O que foi, Sammy?
– Sammy? – O moreno estranhou Dean chamá-lo assim.
– Desculpa, Sam. Saiu sem querer – Warner sentiu seu rosto esquentando e se amaldiçoou por tê-lo chamado daquela forma.
– Não, não, está tudo bem. Dependendo da pessoa, eu não ligo que me chamem de Sammy.
– Ok, mas o que você ia me dizer? – Dean perguntou, curioso, voltando a se sentar na cama ao lado do moreno.
– Eu só... Queria te pedir desculpas.
– ‘Tá tudo bem, Sam. Você fez o que tinha que fazer.
“Mesmo que tenha me magoado, eu entendo”, Dean pensou consigo mesmo.
– Não, eu... Eu não sei, eu fui muito idiota com você, não deveria ter agido daquela forma e não deveria ter deixado o Adam te empurrar e...
– Shh... – Dean o interrompeu, olhando-o nos olhos claros – Está mesmo tudo bem. Não podemos agir diferente na escola, me desculpa se às vezes eu me esqueço disso e me desculpa se eu te dei um gelo naquela hora na sala de aula.
– Fico feliz que você entenda. E eu vou tentar fazer com que ele pegue mais leve, ok?
– Obrigado – O loiro sorriu e depositou um selinho nos lábios rosados do Winchester – Vamos tentar fazer alguma coisa do trabalho?
– Para quando que é mesmo?
– Daqui a duas semanas.
– Estamos ferrados – Sam brincou.
– Muito. Agora vamos, pega aquele caderno ali para mim…
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– Isso é impossível!
– Vamos, Sam. Me ajude a pensar em alguma coisa – Dean pediu.
– Como ele quer que a gente resuma a obra em uma palavra? A gente não pode usar “amor”?
– Todos vão usar amor. Vão dizer que tudo o que aconteceu, toda a coragem que eles tiveram foi por causa do amor. Não podemos usar uma coisa tão óbvia e vazia, temos que ir mais fundo na obra.
– Mais fundo? Se eu for mais fundo eu vou ter que reescrever o livro, porque eu já decorei a história inteira – Sam brincou.
– Vamos, sente-se aqui de novo – Dean o pegou pela mão e o fez sentar na cama.
– Que tal “medo”?
“Não, Sam. Medo foi o que eu senti quando vi você chegando perto de mim com Adam ao seu lado. Medo não se encaixa com essa história”, Dean não pôde evitar pensar.
– A gente já discutiu essa palavra. Não pode ser medo. Honra?
– Honra não se envolve com o amor dos dois – Sam respondeu encarando o chão.
– Então eu não sei mais. Ah, já estou até com dor de cabeça – O loiro segurou a cabeça entre as mãos e fechou os olhos tentando se concentrar.
– Que tal “chance” – O Winchester sugeriu pensativo.
– Chance? Tipo, probabilidade?
– Não. Chance tipo oportunidade.
– Ok, podemos trabalhar em cima disso. No que você estava pensando? – Dean estava surpreso, não podia negar.
– Bom, já no começo da relação deles...
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– Eu acho que isso pode realmente dar certo, Sammy. Você é um gênio – Warner disse depois de discutirem mais sobre a palavra escolhida.
– Eu sei, todos me dizem isso.
– E metido também – Dean provocou.
– Eu não poderia ser mais humilde.
– Sei... Você já vai embora?
– Que horas são? – Sam perguntou, mas não queria ir embora. Nunca.
– Meus pais chegam daqui a pouco. Quer ficar para o jantar?
– Acho melhor eu ir. Seus pais vão estranhar se eu ficar jantando com vocês quase todas as noites.
– Que nada, meu pai gosta de você. E olha que ele não gosta nem de mim – Dean brincou, abraçando o moreno.
– Então eu fico – Sam sorriu, mostrando suas duas adoráveis covinhas e selou seus lábios com os do loiro.
Foi um beijo leve e breve antes de voltarem para a cama, onde simplesmente se deitaram e olharam um para o outro por um tempo. Dean sentiu-se bem, apesar de saber que aquilo não iria durar muito. Algo dentro de si o dizia que mesmo que parecesse certo, mesmo que fosse empolgante naquele momento, aquela relação, ou seja lá o que aquilo fosse, não teria um bom final.
– Quer assistir um filme? – O moreno sugeriu, tirando Dean de seus pensamentos.
– Claro, qual?
– Você escolhe.
– Já assistiu o novo Star Trek? – O loiro perguntou, sabendo que seria zuado por causa disso.
– Nerd – Sam suspirou sorrindo para Dean – Ainda não.
– Vamos?
– Claro – O moreno sorriu e pegou o notebook em sua mochila, sentando-se na cama novamente.
Dean respirou fundo e sorriu também, deitando nos braços fortes do Winchester. Seria uma noite tranquila, mas ele não tinha certeza de como seria na manhã seguinte na escola.
Continua...
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