Chances

59 Eu não sei o que deu na minha cabeça na outra noite.


Notas iniciais
[Música do capítulo (parte): Kiss - Prince] Primeiro, eu não sei o verdadeiro artista dessa música, porque eu só ouvi a versão tango do Glee. Então desculpa se está errado kkkk –--------------------------------------- *** ---------------------------------------- Demorei, mas nem tanto, né? Kkkkkkkk Espero que gostem. E para a felicidade de algumas pessoas, Lele em especial, fiz mais algumas cenas... Não vou contar. Leiam kkkk Até lá em baixo!

– E o que você vai fazer agora?

Dean não sabia o que responder. Respirou fundo, sentindo o cheiro do ambiente, ouvindo as gaivotas que voavam sobre sua cabeça e a respiração calma e ritmada de Clark.

Ele já esteve naquela praia tantas vezes. Com Jo, com Clark, com Sam... E se acostumou a visitá-la em seus sonhos. Principalmente agora que não tinha o Winchester ao seu lado, era algo que ele realmente sentia falta. E que lhe trazia boas e dolorosas lembranças.

Uma brisa quente atingiu seu rosto e ele tirou os óculos, fechando os olhos e respirando fundo novamente. Ele estava demorando a responder o moreno ao seu lado e sabia disso. Queria se abrir, lhe dizer tudo o que estava entalado em sua garganta por vários dias. Queria dizer que sentia falta de Sam, queria dizer que odiava Castiel, queria dizer que se sentia impotente e humilhado. Que ele não poderia “acabar com a raça” do Novak, porque se era o que Sam queria... Não havia muito a ser feito.

– O que você quer fazer agora? – Clark reformulou sua pergunta, ainda olhando para mim e eu encontrei seus olhos com os meus, sentindo uma lágrima quente escorrendo por meu rosto – Quer conversar? Quer me dizer o que está sentindo?

– Eu não sei o que estou sentindo – Finalmente consegui fazer com que as palavras saíssem de minha boca.

– Como assim?

– Como devemos nos sentir quando somos traídos? – Dean começou — Digo, quais são as coisas que devemos fazer depois disso? Devo chorar? Devo odiar? Porque, agora, eu realmente tenho vontade disso. Porque eu sinto como se fosse culpa minha. Como se eu devesse ter sido melhor para ele. E se eu fui o que fez algo de errado, eu deveria carregar o peso da culpa. Então não é culpa dele – Parou de falar para secar uma lágrima — Mas eu não consigo parar de me sentir usado, e errado, e idiota. Eu também sinto como se ele estivesse mentindo para mim por todo esse tempo, como se nada fosse real, mesmo sendo verdadeiro para mim. Meu sentimento era real, meu amor era real, minhas ações, meus pensamentos, minhas palavras; até a música que eu costumava tocar para ele. Foi tudo real para mim, e o que dói mais é ter estado tão perto, ter tanto a dizer e o ver indo embora. Com ele. Com alguém que não sou eu.

– Dean não é culpa sua... – Clark tentou começar a dizer, mas Dean o interrompeu.

– Ele seguiu em frente, como se nada tivesse acontecido, como se eu não estivesse magoado, como se isso tudo fosse algo que pudesse simplesmente ser jogado fora. E ele está sorrindo por aí, parecendo feliz, enquanto eu... Bem, eu não consigo nem levantar dessa porcaria de areia e parar de chorar. Eu me sinto tão errado. Tudo parece tão errado, você não tem nem ideia. Ah, e você pode me dizer que “não foi traição, se ele não fez nada enquanto estava com você” – Ele fez as aspas com os dedos — Claro que foi traição. Nós terminamos e no dia seguinte já estava com ele. Me olhe nos olhos e diga que o caso deles não estava acontecendo por mais tempo. Me diga que eles se encontraram e se apaixonaram 30 minutos depois que terminamos. Me diga que eles não se encontraram antes, que não conversaram antes e que é por isso que ele terminou comigo. Me diga qualquer uma dessas coisas, e eu esquecerei sobre a traição. Eu vou esquecer sobre tudo e ser feliz, porque ele está com alguém melhor que eu.

– Dean – Clark disse, como se quisesse que ele parasse de falar.

– Não é drama – Dean disse, finalmente, vendo a indignação em seus olhos claros — Ele é melhor que eu, caso o contrário, Sam ainda estaria aqui.

– Não é culpa sua. Você não pode se sentir assim, Deanno – O moreno respirou fundo e pegou as mãos do Warner – Você não tem culpa se o Sam é um canalha. Você não tem culpa. E é horrível o que aconteceu? Sim. Doeu? Claro. Mas o que você vai fazer? Isso é o que importa.

– Como assim?

– Você vai atrás dele? Ou vai aceitar o que aconteceu?

– Bem... Ele o escolheu. Não tem muito que eu fazer.

– Essa é sua decisão? – Clark perguntou e Dean confirmou com a cabeça – Então tudo o que fizer a partir de agora, tem que ser seguindo essa linha de pensamento. Para você não ficar se torturando. Para você poder seguir em frente.

– É, acho que tem razão.

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You don't have to be beautiful to turn me on

(Você não precisa ser bonita para me excitar)

I just need your body, baby, from dusk 'til dawn

(Eu só preciso do seu corpo, querida, de tarde até o amanhecer)

You don't need experience to turn me on

(Você não precisa de experiência para me excitar)

You just leave it all up to me

(Deixe tudo comigo)

I'm gonna show you what it's all about

(Vou te mostrar como é)

Jo estava deitada, de olhos fechados, ouvindo a música que tocava na rádio. Ela inconscientemente mordia o lábio, enquanto se lembrava de duas noites atrás, quando Tish a introduziu em um mundo completamente novo.

Ela sentiu certo desconforto em sua calcinha e suspirou, ainda com a mente perdida nas mãos ágeis e língua habilidosa da ruiva.

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Tish entrou no quarto e suspirou. Jo estava deitada em sua cama, usando apenas uma camiseta de Dannel e calcinha. Os cabelos loiros presos num rabo de cavalo alto e o que sobrou de sua maquiagem da noite anterior – a qual ela ficou com preguiça de tirar – ainda pintava seu rosto.

Ela pensou que a loira estivesse dormindo, mas viu que estava errada ao perceber que um de seus pés se movia ao ritmo da música.

Ah, como ela queria beijá-la! Sim, ela foi “traída”, mas seus sentimentos pela garota em sua cama eram complicados demais – intensos demais – para deixar de gostar dela. Doeu, ela já chorou, mas ao olhar para Jo e suas feições inocentes, Tish se apaixona cada vez mais. E fica cada vez mais difícil de deixá-la ir. Ainda mais com o porco do Adam.

A ruiva pausou a música, o que fez com que Jo se sentasse na cama para ver o que aconteceu.

– Posso te falar uma coisa?

– Claro – A loira sorriu simpaticamente.

– Eu não ia falar nada. Não ia mesmo. Mas eu ainda me importo com você; tipo, muito. Então eu tenho que dizer.

– Tudo bem, pode falar – Jo riu.

– Olha, ok, você não vai ficar comigo e tudo. Mas, por favor, não volta pro Adam. Ele não te merece.

– Eu sei.

– E ele nunca foi... Espera, você sabe?

– Sei. Eu dei um chega pra lá nele... Hoje mesmo – Jo sentou-se na cama e olhou nos olhos castanhos da ruiva – Me desculpe por tudo o que eu fiz. Eu devo ser a pior pessoa do mundo para você agora, mas é sério. Eu sinto muito.

### FLASHBACK ON ###

– Oi, linda – Adam a viu se aproximando e sorriu; seu coração quente com a alegria de vê-la novamente.

Ele se lembrou de seu último encontro com Jo. Eles haviam se beijado naquela noite, como se realmente precisassem na presença do outro em suas vidas. Ele estava nas nuvens. Porque se havia algo no mundo que ele queria, era ela de volta. Porque ele estava disposto a realmente ser um bom namorado para ela. Porque ela merecia alguém melhor e ele queria ser esse “alguém”.

– Olha, Adam – Ela não estava sorrindo e ele se preocupou.

– O que houve?

– Eu não sei o que deu na minha cabeça na outra noite. Claro, você nunca fez nada horrível comigo, mas eu não sei como eu pude ignorar o fato de você ter machucado tanto as pessoas que eu amo.

– Jo... Eu disse que sinto muito.

– Como se isso consertasse alguma coisa! – Ela não gritou, mas seu tom era áspero, como se ele estivesse se recusando a aceitar a verdade e ela precisasse que ele entendesse tudo o que ele havia feito de errado – Dean estava uma droga depois do que você fez. O pai dele saiu de casa, a mãe dele está desolada. Sam, eu nunca tinha visto aquele menino chorar, mas você deu um jeito de fazer isso acontecer. E agora, Castiel deu em cima dele, fez com que ele e Dean terminassem, porque ele é publicamente gay. Esse não era o plano. Não era para as coisas terminarem desse jeito.

– Jo, eu não pensei...

– Me deixa terminar – Ela o interrompeu – Se você tivesse se conformado que seu melhor amigo era gay e que o garoto que você surrou a vida inteira, finalmente quis a vingança e acabou batendo em você... Todo mundo estaria bem. Se você tivesse agido como um ser humano, todos estariam bem. Até você. Talvez estivéssemos juntos.

– Não me diga essas coisas, Jo. Não você, por favor – Adam estava com vontade de chorar. Ele sabia o que tinha feito, e tinha feito muitas coisas ruins. Mas ouvir aquilo da boca da loira, a única pessoa no mundo que ele realmente amava — que ele realmente ama – era desolador.

– Você disse coisas muito piores para o Dean. “Como se sente por ter arruinado a vida de tanta gente?” – Ela fez as aspas com os dedos – Sério? Não bastava ser um cretino, fazer terrorismo com aquele menino todos os dias na escola, fazer ele se sentir como se não valesse nada. Como se, talvez, ele merecesse apanhar todo dia. Então desculpa se estou ferindo seus sentimentos. Mas, talvez, você mereça isso também.

– Então vamos fingir que aquela noite não aconteceu. Que nada entre nós aconteceu.

– Eu gostaria. Porque, apesar das boas lembranças, Adam, você não é uma boa pessoa. E eu tenho nojo de mim, por pensar em ficar com você novamente depois de tudo o que aconteceu. E eu estou te dizendo isso, porque alguém tem que dizer – Jo limpou a garganta — Sam não vai nunca mais olhar na sua cara, Dean tem medo de te matar, e a lista acaba aí. Porque você conseguiu destruir tudo, Adam. Sinto muito por você.

### FLASHBACK OFF ###

– Não tem por que se desculpar. Não podemos mandar em nossos sentimentos – A ruiva tentou sorrir.

– É, mas podemos mandar em nossas ações. E eu agi mal. Me desculpa mesmo, Tish.

– Eu te amo, loirinha.

– Eu também te amo. Infelizmente, eu te amo. O que torna tudo cem vezes pior.

– Me responde uma coisa? – Tish disse, depois de um tempo.

– O que?

– Se eu te beijasse, aqui e agora, você me rejeitaria?

You don't have to be rich to be my girl

(Você não tem que ser rica para ser minha garota)

You don't have to be cool to rule my world

(Não tem que ser “legal” para dominar meu mundo)

Ain't no particular sign I'm more compatible with

(Não há signo que eu seja mais compatível)

I just want your extra time and your kiss

(Eu só quero seu tempo extra e seu beijo)

Jo respirou fundo, mas não respondeu. Apenas encarou os olhos castanhos da ruiva que se aproximavam cada vez mais dos seus. Tish colocou uma das mãos no rosto alvo da loira e fez um carinho em suas bochechas. Jo fechou os olhos e sorriu levemente, antes de encarar o belíssimo rosto da ruiva.

– Posso? – Tish perguntou.

Ela não respondeu, novamente. Mas, sim, colocou suas mãos na cintura da ruiva, puxando-a para mais perto, aproveitando a oportunidade de tocá-la, de sentir sua pele se arrepiar sob suas mãos e seu coração se acelerar quando seus lábios finalmente se tocaram.

Elas estavam se beijando. Como faziam antes, como se nada tivesse mudado. Mas isso queria dizer que elas estavam namorando de novo? Que tudo iria ficar bem e elas se mudariam para Nova York e começariam uma família depois de alguns anos? Jo não sabia a resposta para essas perguntas. Só sabia que não conseguia pensar em mais nada que não fosse os lábios deliciosos de Tish.

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– Mudando de assunto um pouquinho – Clark pegou a mão de Dean e o ajudou a se levantar da areia.

– O que?

– Eu quero te mostrar uma coisa.

Eles andaram até a rua e o moreno parou em frente a um carro. Era pequeno e vermelho. Moderno e simples. Combinava com ele, na verdade.

– O que foi? – Dean perguntou novamente, e então ele entendeu – Ele é seu?

– Consegui um bom preço por ele. Achei que eu fosse precisar para ir para Nova York, já que não vou poder contar com meus pais para me ajudar na mudança. Me animou um pouco – Clark sorriu.

– Ele é lindo. Combina com você – Dean conseguiu sorrir também. Pela primeira vez desde que ele e Sam terminaram.

– Vem, entra. Vou te levar pra casa.

O carro destravou com um beep-beep e eles entraram. Dean respirou fundo, enquanto olhava para o interior do carro. Nada muito diferente. Bancos largos de couro preto, painel colorido e um cheiro delicioso de carro novo e gasolina.

– Eu gosto dele – O loiro disse baixinho e Clark sorriu novamente.

– Quer ir direto para casa, ou quer ir para outro lugar?

– Vamos para a minha casa. Podemos assistir a um filme, se quiser.

– Claro.

Continua...

Notas finais
Isso Jo! Acaba com ele! Kkkkkkk espero que tenham gostado. Lele, mais Jo/Tish pra você. Até a próxima, meus queridos. Beijackles e Padakisses ♥