Chances

47 A vida é como ela é.


Notas iniciais
Oieeee! Genteeeeeeee, vocês viram que recomendação linda da SenhoraBlack. Gata, muito obrigada viu? E bem vinda à bordo! Esse cap. eu dedico a você. --------------------------------//-------------------------------- Enfim, desculpem se demorei, mas eu não tenho mais um computador. Estou escrevendo tudo pelo celular (relevem os erros, por favor) e estou postando correndo aqui no notebook do meu pai kkkkk De novo, li todos os reviews e vocês são uns amores, mas tá osso de responder a todos. Prometo que responderei aos próximos, com o máximo de carinho e atenção. Espero que gostem bastante! Beijoooosss ♥

DEAN’S P.O.V.

Já estava começando a escurecer e eu podia sentir o meu celular vibrando em meu bolso ao que pareceram ser horas. Mantive minha curiosidade guardada no bolso junto com o aparelho e apenas continuei lá, sentado, observando os pássaros e pombos que conseguiram chegar até o pátio, comento migalhas do que quer que fosse daquele chão frio.

Qualquer um que me olhasse poderia achar que eu era maluco. Fiquei parado por um bom tempo, pensando em tudo o que aconteceu, mas sem querer pensar em nada. Eu estava com vontade de chorar, mas nenhuma lágrima escapou de meus olhos. Queria gritar, mas não encontrava a voz necessária. Queria me levantar dali e sair correndo sem direção, mas quem disse que eu consegui?

De repente, tirando-me de meus devaneios – as luzes se apagaram, me deixando numa penumbra desconhecida. Todos já devem estar indo embora.

Subi as escadas, seguindo para o banheiro masculino, mas ao passar por uma das salas de aula, vi uma luz fraca vinda de dentro. Era a sala do professor Pellegrino. Bati na porta antes de entrar e puxar uma cadeira, sentando-me na frente dele sem dizer nada.

Ele parou de escrever no pedaço de papel que tinha em mãos e olhou para mim com os olhos tristes. Amaldiçoei minhas lágrimas por quererem escorrer por meu rosto justo agora, mas eu as impedi. Apenas o encarava, cansado demais para conseguir levantar minhas mãos, ou mover minhas pernas e me recompor.

– Quer falar sobre isso? – Ele me perguntou com a voz baixa e apenas neguei com a cabeça – Como se sente?

– Sinto como se eu nunca mais devesse abrir a minha boca.

– Imagino que tenha sido assim que Clark se sentiu – O professor concluiu triste.

Ele voltou a escrever no papel e eu não sabia o que fazer. Imaginei que ele fosse tentar me convencer a dizer algo, ou fazer algo, me dar algum conselho... Mas ele não fez nada. Era como se estivesse me ignorando. Ou talvez seja o modo dele de me fazer falar.

E, droga, funcionou.

– Diga alguma coisa – Eu falei baixo, praticamente implorando com meus olhos, tentando tirar algo útil daquele momento.

– Você não quer falar sobre isso.

– É porque eu não entendi o que aconteceu.

– O que houve foi simples, Dean – Ele pegou sua bolsa para guardar aquele mesmo pedaço de papel – Foi difícil, mas incrivelmente simples. Claro que entendeu o que aconteceu. É meu melhor aluno.

Eu não quis responder, porque eu sabia que ele tinha razão. A verdade é que eu não queria acreditar que tudo aquilo tinha acontecido. Eu não queria acreditar que meus pais tenham ficado com isso na cabeça. Não queria acreditar que Clark tenha visto essas cenas horrendas se repetindo. Eu simplesmente não queria acreditar que eu tenha causado tanto estrago assim.

– Fale, Dean. Me diga o que está na sua cabeça.

– Não vai mudar o que ocorreu – Eu disse, me levantando da cadeira – Até mais, professor.

– Dean, espera. Não vai – Nick implorou – Fala comigo.

– Não.

– Por quê?

– Porque você mentiu para mim! – Eu gritei, me arrependendo logo em seguida. Tentei controlar meu tom de voz e as lágrimas que ainda queriam escapar de meus olhos – Você disse para eu me abrir, disse que eu estava fazendo bem para eles. Mas olha a que ponto chegamos. É por isso que eu sinto como se não devesse abrir mais a minha boca.

– Dean, não fala assim...

– É a verdade! Eu consegui, de alguma forma, atrapalhar a vida de todos a minha volta — Me apoiei em uma cadeira e tentei controlar minha respiração, rápida demais — Vamos, Dean, se acalma. Respira, droga — Eu disse a mim mesmo.

– Dean, não é culpa sua – Ele disse pausadamente, medindo suas palavras – Foi o Adam. O idiota manipulador e miserável com a própria vida que tem em mente que se ele não pode ter algo ou alguém, ninguém mais pode – Continuei em silêncio enquanto ele terminava de falar – Ele é o filho da puta. Não você.

– A vida se resume nas chances, professor – Eu respondi, num tom triste – Não estava brincando quando disse isso ao Sam, nem quando ele mesmo repetiu a frase enquanto apresentávamos o trabalho. É culpa minha, porque eu dei ao Adam, a chance de fazer tudo isso. Se eu não estivesse com Sam, ou se eu tivesse sido mais rígido, talvez mais cuidadoso, não estaríamos nessa situação.

– A vida pode se resumir nas chances, mas ainda sim é apenas um resumo. Você não consegue enxergar a verdade em um resumo. É preciso analisar os detalhes, interpretar as situações.

Ficamos um momento em silêncio. Ele me olhava com aqueles olhos azul-acizentados e eu sabia que ele tinha razão.

– Posso te fazer uma pergunta? — Ele disse com a voz baixa.

– Sim.

– Você enxerga o Clark como o culpado, ou como a vítima?

Eu não esperava que ele fosse colocar Clark no meio dessa conversa.

– Claro que ele foi a vítima, mas...

– Sem "mas", Dean. Se ele foi apenas uma vítima, por que você teria alguma culpa? Aconteceu exatamente a mesma coisa, a única diferença é que o foco da agressão dessa vez foi o "nerd", não o "atleta" — Ele fez as aspas com os dedos e eu até que concordava com ele, mas eu estava me sentindo mal. Muito mal.

– Eu teria culpa, porque só assim essa história toda fica aceitável! — Eu disse, andando de um lado para o outro.

– Ok, agora eu me perdi — Nick admitiu, esperando eu continuar.

– Sabe o que acontece quando eles fazem algo assim com você? Você perde sua fé. Porque você pensa... Você pensa que depois de tudo pelo que a humanidade passou ao longo dos anos, eles teriam melhorado. Pensa que eles teriam aprendido a amar e aceitar e perdoar. Mas eles não aprenderam, e nós saímos machucados — Minha cabeça doía e tive que pausar por um momento antes de continuar — E eu não entendo e isso me deixa puto. Mas, que seja, não é? A vida é como ela é. Simplesmente é.

Eu terminei de falar e era como se o professor tivesse desistido. Como se não houvesse argumento existente que me fizesse mudar de ideia. E talvez não houvesse. Mas ele parecia mais preocupado comigo agora. Talvez pelo fato de eu estar realmente batalhando contra as lágrimas que querem se apossar de meus olhos e lavar meu rosto. Não faço ideia da minha expressão agora.

– Você está bem? – Ele se levantou de sua cadeira e andou até mim. Sua voz saiu muito baixa, quase como um sussurro, enquanto sua mão repousava em meu ombro. Eu estava um pouco tonto, mas o olhei nos olhos e afirmei com a cabeça – Você não parece bem.

– Desculpe. Estou tentando não chorar – Eu tentei um sorriso.

– Mas você tem que chorar, Dean. Tem que colocar tudo isso para fora agora, aos poucos, se não, um dia vai acabar explodindo.

– Você não entende, professor... Se eu começar a chorar, não sei se vou conseguir parar. Eu não sou forte. Eu não sou corajoso. E eu odeio deixar transparecer o quão fraco eu sou – Admiti.

E foi isso. A conversa acabou ali. As lágrimas ganharam e começaram a escorrer por meu rosto, enquanto eu tentava as limpar, sem sucesso, com as mãos trêmulas. Eu nem sabia mais porque eu estava chorando. Só sentia que tinha um peso enorme que precisava ser descarregado.

O professor fez eu me sentar em uma cadeira, ficando ao meu lado. Ele não disse nada, apenas passava a mão por minhas costas, tentando me passar algum conforto. Não sei quanto tempo ficamos ali, mas quando minhas lágrimas secaram, ele me avisou que já era quase oito horas.

Estava realmente tarde.

Ele me acompanhou até o banheiro masculino, onde eu lavei o rosto e me recompus. Nenhuma outra palavra foi dita enquanto caminhávamos para fora da escola. Somente quando ele me ofereceu uma carona que eu, timidamente, aceitei e quando nos despedimos. Ele ficou com o carro parado em frente à minha casa esperando eu entrar.

Respirei fundo, me preparando psicologicamente para os gritos e olhares e entrei, acenando para o loiro que me foi tão gentil.

Não havia ninguém na sala ou na cozinha, então nem me dei o trabalho de subir as escadas. Me deitei no sofá, encarando a lareira que queimava baixa e solitária, iluminando suavemente a sala de estar. Eu estava tão cansado que não demorou muito até que eu caísse no sono.

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Eu acordei para encontrar uma casa novamente vazia. Meus pais já tinham ido trabalhar e eu nem me preocupei com a escola. Dois dias de suspensão... Isso iria ferrar todo o meu histórico escolar. Sabe, eu sempre me esforcei tanto para garantir o meu futuro profissional e acadêmico, mas em um único dia, eu consegui acabar com boa parte dos meus esforços. No geral.

Alcancei meu celular, que estava na mesa de centro, e chequei as mensagens e ligações. 12 novas mensagens e 22 ligações perdidas. Sete ligações do Sam, quatro do Clark, três da minha mãe, duas da Tish e seis da Jo. É, acho que vou ter uma longa manhã também. Eu queria falar com eles, todos eles, mas antes resolvi tomar um banho e comer algo.

A ducha quente me ajudou a relaxar e comi um simples sanduíche de pasta de amendoim com geléia. E, finalmente, criei coragem para checar as mensagens.

De Sam: “Oi, D. Me liga quando puder, ok?”

De Clark: “Dean, estou aqui se precisar conversar. Sei pelo que está passando, mas não se feche. Me liga, ou me fala um horário bom para eu dar uma passada aí.”

De Clark: “Não sei, linda.”

De Clark: “Ops, desculpa, Dean. A mensagem era para a Jo.”

De Clark: “E, por sinal, ela também está preocupada com você. Se você puder liga para ela mais tarde.”

De Sam: “Oi, sou eu de novo. Eu saí com o meu pai e vimos o seu pai no bar. Ele não descobriu, descobriu? Droga, D. Por favor me liga, estou preocupado.”

De Sam: “E eu te amo, viu?”

De Sam: “Eu não sei onde a sua mãe arranjou meu número, mas ela acabou de ligar aqui em casa. Agora é sério, me liga.”

De Jo: “Dean, me liga mais tarde. Mas não me liga em casa, eu to na Tish. Depois de explico o que aconteceu. E você também tem que me explicar algumas coisinhas... Enfim, beijos. E fica bem, meu lindo.”

De Tish: “Primo, você não vai acreditar. A Jo tá aqui em casa. Ela tá mal, e eu bem que poderia fazer bom uso da sua companhia. Por favor, me liga. Ah, e você está bem?”

De Clark: “Por que não veio hoje na escola? Recebeu suspensão? E só para te avisar, o professor Pellegrino veio falar comigo hoje. Queria saber se você estava bem. Eu não soube o que responder para ele, então se você puder me dar sinal de vida, seria ótimo...”

De Sam: “Bom dia, meu amor. Entendo que deve estar cansado, mas por favor me avisa quando eu posso passar aí. Eu te amo, fique bem.”

Suspirei após ler todas as mensagens. Eu sabia o que eles iriam perguntar e sabia que resposta eu daria. Diria que estava tudo bem, que foi coisa de momento e que as coisas eventualmente se ajeitariam.

Mesmo que não acreditasse em nenhuma dessas palavras.

Eu tinha que acalmar Sam e Clark, mas as mensagens que realmente me intrigaram foram as de Jo e Tish. O que será que aconteceu? Será que minha menina estava bem?

Resolvi ligar primeiro para a minha mãe, pois achei estranho ela ter tentado falar comigo mais de uma vez.

– Alô? – Ela atendeu.

– Oi, mãe. Me ligou?

– Liguei, mas era só para falar que seu pai vai ficar alguns dias fora de casa. Precisamos conversar e, também, se quiser, pergunte ao Sam se ele quer dormir aí.

– A senhora já falou com ele? – Tentei não parecer surpreso com as informações que me foram passadas.

– Não, querido. Só com a mãe dele. Agora eu tenho que voltar ao trabalho, ok? E talvez eu chegue mais tarde hoje.

– Tudo bem, mãe. Até mais.

– Beijos, Dean.

E a ligação se encerrou. Eu não sei como reagir a isso, mas foi surpreendentemente estranho. Eles devem ter tido uma briga muito feia para o meu pai ter saído de casa – ou ter sido expulso daqui – e eu também não consigo me conformar que ela tenha ligado na casa dos Winchester. E se John tivesse atendido?

Eu faria essas perguntas à ela e ao Sam depois, mas não por telefone. Então liguei para o meu moreno para convidá-lo para vir aqui.

– Dean, finalmente! – Ele atendeu. Parecia nervoso.

Sua voz estava meio rouca, mas ainda era meu Sam. Eu teria ligado antes se eu soubesse que apenas ouvir a sua voz pelo telefone me acalmaria tanto.

– Oi, Sammy. Tudo bem?

– Não sei, você está bem?

– Não. Não mesmo. Pode passar aqui? – Perguntei com a voz baixa. Não encontrei motivos para mentir para ele, porque se tinha alguém que estava nessa comigo, era Sam.

– Chego em dez minutos.

– Tchau, Sammy.

Ok, agora faltava ligar para as meninas. Clark provavelmente estava na escola, então ligaria para ele mais tarde. Mas só para garantir, lhe mandei uma mensagem dizendo para ele me ligar assim que possível.

– Dean? – Tish atendeu ao telefone.

– Oi, prima. Coloca no viva-voz, por favor.

– Claro, espera um segundo – Ela disse e eu ouvi um “bip” – Pronto.

– Vocês estão bem, o que aconteceu? – Eu estava realmente preocupado.

– Estou bem agora – A voz de Jo era como música para os meus ouvidos – Mas e você? E seus pais?

– Nada demais, sério. Mas meu pai saiu de casa, ainda não tenho detalhes, mas assim que tiver eu te digo – Limpei a garganta – Mas, me fala, o que aconteceu?

– A mãe dela nos pegou na praia – Tish respondeu.

– O quê? Espera aí... Vocês duas estão juntas?

– Não sei, estamos? – A ruiva disse, provavelmente falando com Jo.

– Acho que sim – Ela riu – Ela salvou minha vida, Deanno.

– Ok, isso é um exagero. Mas você tinha que ver, Dean. O rosto dela... Ainda não acredito que os pais dela tenham reagido dessa forma – Tish disse com a voz séria.

– É, ela até bateu no meu pai – Jo continuou.

– Calma, eles te bateram, linda? – Eu juro por Deus que vou quebrar a cara do pai dela.

– Sim, mas eu já cuidei dela e parece melhor. Daqui a pouco vou fazer algo para ela comer – A ruiva disse.

– Que bom. E fico feliz por vocês duas – Dei uma pausa, considerando minhas opções – Vocês querem passar aqui em casa mais tarde? Assim poderemos conversar melhor.

– Claro que sim, Deanno. Depois do almoço iremos, ok? – A loira disse, um pouco mais animada agora.

– Ok, até mais, meninas.

– Tchau! – Elas disseram ao mesmo tempo a ligação foi encerrada.

Bem, apesar de tudo... Estou feliz que elas tenham se resolvido. Jo deve estar nas nuvens. Sorri sozinho com esse pensamento, antes de ouvir a campainha tocar. Andei até a porta, e acho incrível que eu ainda esteja cansado. Mas era Sam e, assim que abri a porta, o puxei para dentro e pulei em seu pescoço, abraçando-o forte, deixando todo o peso que estava em minhas costas fugir de meu corpo apenas com o toque dele.

Ficamos alguns minutos assim. Eu não chorei, não disse nenhuma palavra. E Sam fez o mesmo. Apenas me abraçou, coisa que ainda não tivemos ainda a chance de fazer, desde o incidente.

Assim que separamos o abraço, ele depositou um leve beijo em meus lábios e sorriu abertamente. Pude ver que em uma de suas mãos estava uma sacola – não era bem uma sacola, era mais uma bolsa, tipo uma capa – e que saber o que era. Nem precisei perguntar, pois Sam começou a falar.

– Eu trouxe pra gente relaxar um pouco. Achei que mal não faria – Ele continuava sorrindo, enquanto abria a “bolsa”, tirando um violão preto de lá. Era lindo – Você tem um também, não é?

Continua...

Notas finais
SAM, CASA COMIGO, PF. Enfim, espero que tenham gostado bastante. Até a próxima, meus amores! Beijackles e Padakisses ♥