Chances
67 - Eu o amo. / - E eu também.
Notas iniciais
“Eu tenho o endereço, claro”.
A voz de Lisa ficava rondando a mente do Winchester, enquanto ele dirigia até a Califórnia. Ele nunca pensaria em pedir o endereço para ela, mas estava escrito num papel colado em sua geladeira. Era tentador demais. Então, sem pensar muito, pegou o carro e dirigiu até Palo Alto.
Sam estacionou o carro na frente do prédio. Era um prédio simples e antigo, um tanto diferente dos outros que ele viu na Califórnia. Ele respirou fundo antes de sair do veículo e trancar as portas.
O prédio não tinha um porteiro. Bem, se tinha, ele não estava na portaria. Então simplesmente entrou e pegou o elevador, subindo até o sexto andar. Quatro apartamentos por andar. Ele tocou a campainha do número 602 e segurou sua própria mão, para fazer com que ela parasse de tremer.
A porta se abriu e uma expressão de desapontamento dominou seu rosto.
— Sam?
— Oi, Clark. O Dean está?
— Na verdade, não. O que está fazendo aqui? – Antes que Sam pudesse responder ele abriu mais a porta e deu espaço para o Winchester entrar – Entre, por favor. Fique a vontade.
— Obrigado.
Eles sentaram nos grande sofá cor de laranja que combinavam com a cortina.
— Laranja? Uma cor interessante – Sam comentou.
— Dean escolheu. Ele disse que dá mais vida para o apartamento. Eu sinceramente acho que eles são horríveis. Mas ele tem razão, realmente dá mais vida pra esse lugar – Clark tentou sorrir, mas não durou muito.
— Como ele está?
— Está bem. Muito melhor. Se esforçando na faculdade, conseguiu um estágio em um hospital aqui perto para suas horas complementares. E você?
— Na estrada. Fazendo apresentações aqui e ali.
— Violão? – Clark perguntou.
— Isso. Como sabia?
— Dean disse que você tocava... O que você está fazendo aqui?
O silêncio tomou conta do ambiente. Sam respirava fundo e rápido. Estava mais nervoso do que deveria. Mas era bom finalmente conhecer o Clark. Era incrível que depois de todo aquele tempo, mesmo no colégio, eles não haviam se falado.
— Eu preciso falar com ele – Sam disse, soltando o ar que estivera segurando por um bom tempo em seus pulmões.
— Sam, para. Você sabe o que acontece se ele te ver. Ele é capaz de largar a faculdade que ele tanto ama pra ir para a estrada com você. Ele já sofreu tanto. Não o faça perder mais uma coisa de que gosta tanto.
— Eu posso convencê-lo a ficar.
— Não pode. Você terminou com ele. Partiu seu coração. Mas agora ele está melhorando. Está sorrindo, está se permitindo ter uma vida. Pela primeira vez, ele se sente no controle.
— Eu o amo.
— E eu também – Clark falou mais alto do que desejava — É por isso que não posso deixar que faça isso com ele. Não posso deixar que você volte, sem a certeza de que irá ficar. De que irá ser bom para ele.
— Eu vou.
— Vai mesmo?
— Clark – Sam disse como se quisesse chamar a atenção do moreno — Eu preciso dele.
— E ele precisa ficar longe de você. Antes da formatura, ele tomou uma decisão. Decidiu que iria tentar te esquecer e ter uma vida só dele. Se você o ama...
— O que? — Sam o interrompeu — Se eu o amo, devo deixá-lo livre?
— Não seria a coisa mais decente a se fazer?
— Não pode me impedir.
— Verdade. Só você pode — Ficaram em silêncio por um instante — Pensa bem, Sam. Se eu te quisesse fora daqui, eu nem teria aberto a porta. Se você quiser ficar e esperar por ele, fique a vontade. Mas eu só quero que você tenha consciência do que está fazendo com ele. E do que você fez.
— Tenho que explicar que eu ainda o amo. Que só terminei por causa de uma ameaça do Castiel.
— Eu disse isso para ele. Que você ainda o amava muito e que seria louco de não amar. Que deve ter tido algo que te forçasse a terminar com ele. Mas ele não pode te esperar pra sempre. Vocês ficaram uma vez, você o magoou e ele te deu uma chance. E mais uma. Três é demais, não acha?
— Você está tentando fazer eu me sentir mal.
— Não. Quero que entenda que ele se sentiu mal. E você não estava aqui pra ver. Você não o acordou dos pesadelos horríveis. Não ficou com ele nas noites de insônia, nas noites que ele bebeu tanto pra te esquecer que mal conseguia falar e acabava desmaiado no meu colo. As noites que ele dormiu comigo, suspirando o seu nome e chorando no meu ombro ao perceber que não era você, Sam. Ele estava um caco. Por tanto tempo se sentindo muito, muito mal – Clark secou uma lágrima que acabou escorrendo por seu rosto, tentando não deixar mais nenhuma escapar de seus olhos — Você não viu aqueles olhos verdes, lindos e intensos, sem a sua cor, sem o seu brilho. E não é você que vê todos os dias, a cor voltando aos poucos, seu rosto ganhando um pouco de vida. Eu não quero que ele volte a ser como antes. Ele mudou. E mudou para melhor. Desculpe, eu estou falando demais. Mas eu me importo demais com o Dean para não te dizer a verdade.
Sam não respondeu. Olhou nos olhos claros de Clark, vendo que lágrimas haviam se acumulado, deixando-os um tanto vermelhos. Ele mesmo sentiu vontade de chorar. Ele queria ficar, tomar Dean em seus braços e levá-lo daquele pequeno apartamento, para qualquer lugar que ele quisesse. Mas não podia fazer isso com o loiro. Não era justo. Ele estava quase se esquecendo de Sam... E também havia a possibilidade de Dean o expulsar dali caso o visse.
— Eu acho que já vou, Clark.
— Tem certeza? – Clark sentiu pena de Sam, mas tinha que pensar no loiro.
— Você realmente o ama, não é? Tipo, muito mesmo?
— Mais do que eu gosto de admitir.
— Então eu sei que vai cuidar dele.
— Já venho fazendo isso por um tempo.
— Obrigado — Sam se levantou do sofá e andou até a porta, Clark o seguindo.
— Eu sinto muito. Mas tenho que zelar por ele.
— Fez muito bem — Sam tentou sorrir, mas sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto.
— Eu estou tentando.
— Só uma pergunta... Ele fala de mim?
— Só quando está dormindo, às vezes. Ou quando toca "I belong to you" na rádio. Ele disse que você cantava isso para ele.
Silêncio.
— É muito mais difícil sair daqui do que eu achei que fosse, me desculpe – Sam secou suas lágrimas.
— Você só precisa fazer uma decisão, Sam. Ou fica, ou vai. Não pode ficar em cima do muro.
— Eu vou. Tchau, Clark. Desculpa o incômodo.
— Se cuida, Sam.
E a porta se fechou, separando os dois morenos. Sam respirou fundo e secou as lágrimas, ignorando o elevador e descendo pelas escadas.
Segundos depois de fechar a porta, Clark viu Dean entrando e sorriu para ele, como se nada tivesse acontecido.
— Quer jantar fora? — O loiro perguntou, colocando suas coisas na mesa.
— Claro. Massa?
— Exatamente o que eu tinha em mente — Dean sorriu e beijou Clark na bochecha, andando até seu quarto.
Clark ficou parado na sala de estar, imaginando se havia tomado a decisão certa. Mas ele achava que sim... Dean estava tão bem.
Mas não pode deixar de se sentir mal. O verdadeiro anti-cupido...
Continua...
Fale com o autor