Chance para Amar
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Milo tentou se declarar, mas nada parecia dar certo.
No primeiro dia de folga dela, eles sairam para tomar sorvete. Foram na mesma sorveteria em que, praticamente, haviam se conhecido, mas sempre que ele fazia menção de tocar no assunto, a garota se distraia com alguma coisa e ele acabava perdendo a coragem.
Próximo dia de folga, estavam simplesmente andando no parque. O grego achou uma ótima oportunidade, decidiu ir logo pro ataque, quis encostá-la contra uma árvore e beijar seus lábios, mas no momento em que iria a isso, Amelié se abaixou para apanhar uma pena muito bonita que havia visto no chão.
Teve dias que não se encontraram, ela voltou ao trabalho, e logo o dia da festa estava perto. Assim, no dia seguinte.
É claro que ele não tinha ficado preso à ideia de se declarar para ela, até porque, tinha decidido que seria durante sua festa! Mas óbvio que tinha comprado um presente: um belo colar prateado envolvendo uma gota de safira.
Na noite anterior, porém, foi visitar um amigo...
-Ruivo do meu coração! – disse o escorpiano, entrando de sopetão na casa de Aquário, encontrando um certo francês andando apenas de ceroulas pelo corredor.
-Milo! Por Athena, o que faz aqui?! – Kamus estava com a face avermelhada, quase da mesma cor de seus cabelos. – Sabe que horas são?!
-Sei, mas eu queria te ver! – abafava as risadas, sabendo que daquela forma, certamente viraria um esquife da coleção do ruivo.
-Diga logo o que veio fazer aqui! – o francês já levava a mão à testa. O loiro tinha a incrível habilidade de lhe tirar do sério rapidamente.
-Amanha Amelié faz aniversário!
-É? Mande meus parabéns a ela. Se tivesse avisado antes, eu teria comprado alguma coisa de presente.
-Desculpa, estive tão ocupado e pensativo que quase me esqueci comprar o meu. Mas não foi isso que eu vim aqui dizer, queria apenas avisar que... é amanhã!
-O que é amanhã? – perguntava Kamus, do jeito frio e imparcial de sempre.
-Vou aproveitar algum momento da festa e dizer a ela o que eu sinto!
-Hum... – resmungou. – E o que você sente? Você a ama?
-... Não sei se é amor. – O loiro revirou os olhos, fitou o horizonte e sorriu maroto, passando a mão pela nuca. – Mas eu vou dizer o que sinto por ela, vou dizer que toda vez que ela me liga, meu coração bate forte e meu corpo fica até mais leve. Só a voz dela já me deixa feliz.
-Esta bem, Milo, vai dormir pra chegar amanhã logo...
-Ah Kamus, deixa de ser chato! Preciso conversar com alguém, e...
Os dois ficaram ali, numa conversa “quase” unilateral, consistindo em que um falava e o outro resmungava... de vez em quando.
Milo havia preparado sua melhor roupa para aquele dia, vestia uma calça e camisa sociais, por cima tinha uma jaqueta de fino couro, embrulhou ele mesmo o presente – não que tenha ficado ótimo – e lá estava ele, a passos largos indo para a casa de Amelié.
Tocou a campainha, uma mulher de cachos castanhos claro na altura das orelhas, os olhos azuis curiosos e os lábios vermelhos, trajando um vestido rosado, atendeu a porta.
-Pois não?
-Olá, boa noite. – Milo sorria naturalmente sedutor para ela, sem parecer notar o efeito que estava causando. – Eu sou Milo, sou convidado da Amelié...
-Ah sim! Queira entrar!
A casa estava moderadamente cheia, quase não tinha homens ali. Alias, os únicos rapazes do local eram ele e o padrasto da garota. O grego foi atenção de todos os olhares femininos daquele lugar; já estava acostumado com essa reação, mas procurava insistentemente a garota com os olhos, e não a encontrava.
Avistou a madrasta de Amelié, da qual mal se lembrava o nome. Foi até ela o mais rápido que conseguiu – sendo barrado muitas vezes pelas solteiras insistentes, que não eram poucas.
-Amelié? Ainda está lá em cima, se arrumando. Suba, se ela já terminou, deixará você entrar no quarto. Mas pode ficar esperando ela aqui, se quiser!
A mulher deu uma risada, levando um cutucão de seu marido. O escorpião sorriu de volta e decidiu ir até o quarto de Amelié, não custava tentar, e nesse caso era tentar fugir daquele mar de tubarões.
Bateu na porta: — Amelié?
-Milo? Já chegou!
-Sim... Ehr, você já vai descer?
-Só mais um minuto. Pode entrar, já me arrumei.
Respirou mais aliviado e girou a maçaneta da porta, abrindo-a com a cabeça abaixada, pensando em já ir dizendo algo sobre o assunto, afinal, estavam sozinhos, era uma ótima oportunidade.
-Só falta encontrar um calçado que combine... – ela dizia, o que o fez levantar a cabeça e encará-la.
O grego parou de respirar por um minuto.
Amelié estava num belo vestido azul-marinho com desenho de inúmeras flores coloridas. O tecido lhe fazia jus às curvas que a garota tinha, e que só agora Milo dava atenção especial para elas. A cintura se afinando, a curva do encontro do pescoço com os ombros, os seios fartos. Sua pele branca nunca lhe pareceu tão macia, e nunca teve tanta vontade de abraça-la como agora.
Ela tinha os longos cabelos negros presos num coque, deixando apenas a franja solta, emoldurando o rosto. Os lábios estavam vermelhos, e os olhos bem delineados. Não soube quanto tempo ele ficou ali parado, apenas observando aquele retrato. Ele nunca ia esquecer aquela beleza, mesmo que quisesse.
A garota virou-se para ele, sorrindo: — Não vai entrar?
-Hum? Claro! – fechou a porta atrás de si. Caminhou até a cama, onde o gato alaranjado estava cochilando como sempre.
-Sempre que eu apareço, esse bicho esta dormindo. Que preguiçoso!
-É um gato! Deixe ele!
Milo percebeu que ela procurava algo no guarda-roupas, abrindo todas as portas e gavetas, mexendo e bagunçando tudo.
- O que procura?
-Meu salto preto. Adoro ele, mas não estou achando. – abriu mais uma vez a parte alta do guarda-roupa, encontrando uma caixa de sapatos em que ela não tinha olhado antes. Ficou na ponta dos pés para alcança-la, mesmo assim foi puxando aos poucos, a caixa ameaçando cair a qualquer momento.
Já estava quase desistindo daquela caixa, quando sentiu um corpo atrás de si e uma mão, apanhando a caixa e lhe entregando. Virou o rosto e encontrou Milo sorrindo, perto o suficiente para as respirações se entrelaçarem.
-Obrigada.
-De nada.
Podiam ter ficado ali, perdidos nos olhares e sorrisos um do outro, se um miado agudo e inoportuno não tivesse chamado atenção. Viraram-se para o gato, e ele já estava na janela, arranhando o vidro para sair.
Amelié abriu a janela e o felino correu para fora. Logo ela abriu a caixa e encontrou os saltos que tanto procurou. Milo sentou-se na beirada da cama, observando aquela beleza. Sentia o coração leve, mas apertado ao mesmo tempo. Leve, por estar ali, perto dela, e por acha-la a mulher mais bela que ele já viu. E apertado, porque queria abraça-la, morder aqueles lábios vermelhos, sentir o perfume de sua pele, e dizer como...
-Milo, e este embrulho? –perguntou, apertando os dedos, curiosa.
-Meu presente. – sorriu, quase se esquecendo. – É um colar, mas só vou deixa-la ver se estiver usando. Por favor, feche os olhos e me deixe coloca-lo em você!
-Tudo bem! – ela sorriu, fechando os olhos e ficando de costas para o loiro.
Como já calçava o salto de veludo Milo conseguiu sentir o perfume que ela usava, e roçou um pouco o rosto no cabelo dela. Era perfumado, exatamente como imaginava que era. Sorriu, imaginando que um dia mergulharia o rosto naquelas mechas negras, enquanto esperava dormir. Abriu a caixinha branca e tirou de lá o colar. Passou pelo busto dela, que aliás, tinha uma privilegiada visão deles por trás.
Fechou o colar atrás do pescoço da garota, se afastou lentamente e se pôs na frente dela para contemplar como havia ficado.
Ele não pode definir com outra palavra: perfeita.
-Posso ver? – pediu.
-Pode.
Abriu os olhos e foi até o espelho. Ficou boquiaberta, admirando a pedra azulada em seu busto, exatamente onde se iniciava a curva para o busto. Virou-se para Milo, ainda sem saber ao certo o que dizer ou como agradecer.
- Milo... Eu não posso aceitar isso...
-Ah, por favor! – ele fez um biquinho, fingindo mágoa – Eu ficaria lisonjeado se usasse!
Ela abriu um enorme sorriso e riu, tocando a pedra com as mãos, mas ainda olhando para ele: — Está bem, eu aceito e vou usar o resto da minha vida!
Deu um passo à frente e passou os braços ao redor do loiro; agora um pouco mais alta pelo salto, conseguia sentir a respiração alheia em seu rosto. Sentiu um calor subindo ao peito, ficou tensa pela primeira vez. O loiro estava tão belo naqueles trajes, alias, sempre o havia achado belo, e já havia o abraçado antes, porque agora estava sentindo aquilo?
Ergueu os olhos, encontrando aquele par de safiras lhe encarando profundamente. A pele morena, um belo contraste com as mechas loiras, instintivamente deixou os lábios entreabertos e úmidos. Sentia agora, mais do que nunca, uma vontade imensa de tê-lo sempre ali, consigo.
Milo passava os braços ao redor dos ombros dela, trazendo-a para perto de si. Sentia o perfume de seu cabelo, levemente adocicado. Pensava “Nossa, eu poderia sentir esse perfume pro resto da vida...”
Quando ela se afastou e ergueu o rosto, encontrou seus olhos. Olhava cheio de lasciva, de desejo, quase não aguentava mais. Os lábios vermelhos estavam tentadores, e mesmo que ela estivesse mais alta, podia ver perfeitamente a curva dos seios. Seu peito nunca ficara tão quente como agora. As mãos suavam, a boca se abria para dizer alguma coisa, mas os dentes rangiam. É isso, então? Estava amando aquela garota?
Aproximava seu rosto do dela lentamente, sentindo sua respiração contra seu rosto. Estremeceu inteiro.
-Querida, está pronta? – a porta foi aberta abruptamente, fazendo os dois se assustarem e se separarem às pressas, extremamente corados.
-Sim, estou! Podemos ir!
Desceram as escadas, Milo pensando no que quase aconteceu naquele quarto. Aqueles lábios carnudos, tão próximos de si, aquela respiração quente e pesada em sua pele... Olhou para Amelié, cumprimentando as pessoas; queria mais, queria sentir muito mais que aquilo. Estava descobrindo novos sentimentos, novas sensações. Não ficara tão nervoso assim nem na primeira vez que saiu com uma mulher.
Queria Amelié.
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Foram parar num bar qualquer da cidade. As maioria das mulheres do grupo já estavam um tanto altas pelo álcool, gritando e fazendo baderna por onde quer que passassem.
-Nossa, que bagunça! – Amelié comentou.
-Mas está se divertindo, não está?
-Com certeza! – riu.
O garçom serviu as bebidas, e foram conversando, gritando, brincando, até Milo entrou na roda de conversa e se entrosou com as mulheres, sempre levando cantadas e tentando se distanciar delas no ato. Ah, fosse outros tempos, o Escorpião teria feito sua armadilha em cada uma dali, e pego, provavelmente, todas, até o final da noite.
Uma delas pegou uma sacola e gritou, se levantando para que todos do bar ouvissem:
- A menina aqui – apontou para Amelié – faz dezoito anos hoje! Pela tradição da família, tem que beijar todos os homens desse bar, com tanto que coloquem uma moeda aqui!!
Foi uma gritaria geral de felicidade, alguns foram até a mesa e se adiantaram a tirar o dinheiro do bolso. O bom da brincadeira é que não importava quanto dinheiro colocassem, levariam apenas um beijo.
Milo ficou vermelho ao ver aquilo. Amelié foi arrastada para todos os cantos do bar, tendo que beijar aqueles caras, que nunca viu mais bêbados. Ele apenas se levantou e ficou encostado ao lado do balcão, com a face vermelha, tanto pela raiva quanto pelo efeito das bebidas.
Levava um copo de whisky aos lábios, com a face fechada, contendo a vontade de tirá-la dali e limpar aqueles lábios, com os seus próprios.
Amelié cansou de ser jogada pelos cantos e deixou as amigas se divertirem com os homens que haviam conhecido naquela brincadeira, e ela acabou indo parar na frente de Milo, rindo e gargalhando.
Olhou para Milo, que estava sério e até mesmo bravo. Não entendeu o porquê, alias, sabia muito bem o porque. Agora sabia o que sentia com relação ao loiro, mas... O medo de perder aquela amizade era maior que qualquer vontade de uma aproximação maior.
O loiro tirou uma moeda do bolso e jogou na sacola que ela carregava. Amelié olhou para a moeda, depois ergueu os olhos para Milo. Era isso mesmo? Ele também sentia o mesmo?
-Quero meu pagamento. – sussurrou, a voz saindo mais grossa pela libido.
A garota passou uma mão pelo ombro dele, que não perdeu tempo e passou as mãos ao redor da cintura dela, colando os corpos. Subiu a mão direita até sua nuca, trazendo seu rosto para o dele.
As respirações se uniram, peitos arfantes; logo os lábios se encontraram, tímidos, incertos, aos poucos tomaram maiores proporções. Uma onda de calor tomou rápido os dois corpos, se abraçaram com força. O beijo se aprofundou, mas continuou carinhoso apesar de intenso. Tinha que matar a vontade de ambos, mas parecia que tudo naquele momento seria insuficiente.
Quando se separaram, ambos tinham os olhos cheios de lágrima. Uma vontade de terem prolongado aquele momento, uma vontade de terem se unido, como se tivessem esperado uma vida inteira apenas por aquele momento, e teriam que esperar mais um pouco. Era injusto, o tempo bem que podia parar para eles. Era injusto!
Ficaram um tempo indefinido se encarando, olhos nos olhos. Os corações apertados, como se tivessem encontrado algo que há muito tempo não vissem, algo que tivessem amado de corpo e alma.
Logo alguém a puxou pelo braço e a festança continuou noite afora. Milo passou a língua pelos lábios, lembrando-se do gosto dela. Fora muito rápido! Queria mais. Muito mais. Foi como se tivesse acendido uma fogueira dentro de si, algo que não sentiu nunca. E ela só tendia a crescer.
Notas finais
Vou fazer de tudo para o final não tardar mais!
Obrigada para os que leream e comentaram, e para os que leram mas não se manifestaram!
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