Chance || Seth Clearwater
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Seth Clearwater.
— Eu gosto de você – murmurou, afagando o meu rosto – Mas ainda preciso que tenha calma.
Eu realmente não me lembrava de estar mais feliz em toda a minha vida. Mesmo com a tensão de um novo vampiro com os Cullen, meu coração batia tão rápido que tinha certeza que Louise conseguiria ouvir. Além de finalmente não precisar guardar o segredo sobre o Imprinting, ela havia correspondido muito bem. Afinal de contas, gostava de mim. Suas palavras se repetiam a todo momento em minha cabeça. Ela gostava de mim! E mesmo que não fosse nem metade do tanto que eu a amava, já significa muito.
— Eu não tenho pressa – ela concordou com um aceno, suspirando – Não se sinta pressionada, nunca.
Louise tirou uma das mãos do meu rosto, envolvendo seus braços ao redor do meu corpo, em um abraço apertado.
Aproveitei do momento o máximo que eu podia, deixando de lado a história de ir até o Jacob avisar que os Cullen estavam recebendo visita.
— Obrigada, Seth – a puxei para mais perto – Sei que o Imprinting vai além de você, e mesmo assim tem sido compreensível.
— A ideia é ser o que precisar que eu seja.
Ela riu.
— Saquei – fiz uma careta quando ela se afastou – O que foi?
— Acho que preciso encontrar o Jake.
— Por que?
— Preciso avisar sobre o novo visitante. Ele vai enlouquecer – estendi minha mão para ela, que prontamente entendeu o recado e entrelaçou os nossos dedos – Jacob me avisaria se fosse sobre você.
Caminhei em minha forma humana, ao seu lado para fora da floresta, mesmo sabendo que se estivesse sob quatro patas seria muito mais rápido.
— Edward disse que vocês o conhecem. Acha esse mestiço oferece algum risco?
Tentei ignorar o nome usado para definir sua própria espécie, mas era difícil. Louise sempre referia a si mesma dessa forma. Mestiça. Eu sabia que era como os Italianos a chamavam.
— Nahuel é um hibrido... como você, anjo – ela desviou o olhar, encarando os próprios pés enquanto caminhava – Eu não sei. Edward saberia se oferecesse algum risco, mas não confio cegamente para ficar perto de vocês. Por isso é melhor que esteja aqui enquanto isso, Jacob pode arrastar a Nessie pra cá também.
— Duvido que Edward deixaria – ela riu – Ele gosta de implicar.
— Jacob consegue ser ainda mais insistente – garanti – Tudo bem se eu me transformar? É mais rápido.
— Claro.
Me afastei rapidamente, transformando-me o mais rápido que consegui para voltar a ficar do seu lado. Louise me encarou com um sorriso quando retornei, já em minha forma lupina. Ela esticou a mão para que pudesse me tocar e eu me aproximei, abaixando até que ficasse de sua altura. Quando seus dedos estavam próximos ao meu pelo, ela se afastou, com uma expressão travessa no rosto.
— Quer apostar uma corrida, lobinho?
Antes mesmo que eu pudesse responder ela correu para longe. Sem que eu pudesse perder mais tempo, corri atrás dela, forçando as patas a voarem pelo chão da floresta. O anjo não era tão rápido quanto os outros vampiros, e seus reflexos também não eram tão rápidos, então quando cheguei próximo o suficiente, afrouxei o passo, de forma que ela continuasse na frente. Preciso confessar que eu poderia facilmente vencê-la, assim como Jacob venceria Renesmee por diversas vezes, se não fosse pela vontade de colocar um sorriso em seu rosto. Louise parou de correr quando avistou as casas, e sorriu empinando o nariz na minha direção.
— Eu ganhei – deu de ombros.
Eu ri e me escondi longe o suficiente para que conseguisse voltar a minha forma humana.
— Você ganhou – me aproximei, sorrindo. Ela rolou os olhos, colocando as mãos na cintura – O que foi?
— O Imprinting é mais forte que o seu instinto de competição? Ou você é mais lento que aquele lobo que me parou mais cedo?
— Embry – ela concordou, parecendo surpresa ao ouvir o nome do lobo – E não. Eu só me distrai durante a corrida.
Louise semicerrou os olhos e gargalhou.
— Eu sei que consegue fazer melhor da próxima vez – deu duas batidinhas no meu ombro.
Franzi o cenho.
— Desde quando é tão competitiva?
— Convívio com o Emmett.
— Ah.
Andei ao seu lado até a garagem dos Black, onde Jacob se encontrava, sem conseguir controlar os instintos, puxei sua mão para a minha. Ela sorriu com o toque.
Jacob estava trabalhando em um concerto que parecia não ter jeito. Embry e eu havíamos dito a ele para avisar ao dono que não tinha como arrumar a velha picape aos pedaços, mas ele parecia irredutível e disse que aceitaria o caso. Bom, certamente ele disse isso porque não fazia ideia de que os Cullen receberiam visitas. E que, sem dúvidas alguma, ele não permaneceria na oficina por nenhum segundo a mais depois que recebesse a notícia. O próximo turno era o meu, ou seja, sobraria pra mim.
Bufei ao pensar nisso, atraindo a atenção da hibrida ao meu lado.
— Jake? – o chamei.
Meu amigo pareceu assustado com a nossa presença. E sua expressão de dúvida aumentou ainda mais ao ver Louise ao meu lado... sem Renesmee.
— O que aconteceu? – perguntou, limpando as mãos em um pano que já estava sujo o bastante.
— Se acalme. Está tudo bem com a Nessie!
Ele pareceu não acreditar muito em minhas palavras.
— E por que não a trouxe também?
— Eu vim sozinha – Louise interviu na conversa – Céus, que humor!
— Desculpa, vampirinha. Minha aversão a você já passou, eu só fiquei preocupado.
Ele encarou nossas mãos.
— Sinto-me lisonjeada – respondeu, com a voz carregada de ironia – Eu acho que eu vou ver uma... arvore... lá fora.
— É. Isso! – concordei com ela. Seria melhor que estivesse longe caso Jake surtasse além do limite.
A Cullen se afastou, acenando para o Black.
— O que está acontecendo com vocês? – meu amigo perguntou sorrindo, com a expressão um pouco mais calma. Talvez fosse a hora certa de falar – A vampira mordeu sua língua?
— Há Há, engraçado! – rolei os olhos – Jake, Nessie está bem.
— Você já disse isso – cruzou os braços – Desembucha, Seth.
— Só quero me certificar que entendeu – respirei fundo – Nahuel, o hibrido da quase batalha, está na casa dos Cullen fazendo uma visita. Edward está dentro da cabeça dele, então não...
— Por que não me disse antes? – perguntou, saindo tão rápido que eu mal tive tempo de acompanha-lo. Ele entrou na floresta, mas não sem antes gritar: – Avise ao meu pai.
Concordei com um aceno, mesmo sabendo que ele não estava me vendo.
Louise se aproximou, rindo baixinho.
— Reagiu melhor do que eu imaginei – fui sincero.
— Não quero saber como seria uma reação pior.
Encarei o motor da picape ao meu lado. Queria mesmo era arrastar Louise daquele lugar para poder aproveitar as horas que teria ao seu lado. Afinal, não sabia exatamente quanto tempo ela ficaria na reserva, e muito menos quando voltaria.
— Você precisa continuar, não é? – perguntou-me e eu assenti lentamente, sem olhá-la – Não faz essa cara de cachorrinho.
— Ei! – exclamei ofendido e a Cullen riu.
— Não se preocupe, é fofo.
Suspirei em frustração.
— Eu sei que prometi que ficaria com você quando a Leah saiu, mas não posso deixar isso sozinho – apontei para o carro – Ficar aqui vai ser muito chato, e não acho que seja uma boa ideia te deixar sozinha pela reserva, algumas pessoas não costumam ser tão legais com quem vem de fora. Posso te deixar lá em casa e depois venho pra cá, o que acha?
Louise negou com a cabeça.
— Vou ficar com você.
— Tem certeza?
— Que tipo de lobo é você que rejeita a companhia do seu Imprinting?
Eu ri.
— Só quero que fique bem.
— Estou bem... aqui – garantiu-me.
Concordei com um aceno.
— Vou avisar ao Billy antes de começar.
Ela assentiu, dizendo que me aguardaria e eu sai da oficina improvisada, batendo na porta da casa dos Black. Demoraram poucos segundos para que Billy abrisse a porta, com um sorriso no rosto.
— Seth, como vai? – me cumprimentou – Jacob está trabalhando. Já vão trocar de turno?
Cocei a nuca.
— Oi, Billy. Jake saiu – ele pareceu surpreso, então tratei logo de explicar – Ele foi até os Cullen ver como está a Ness.
— Tudo bem com ela? – perguntou.
— Sim. Nessie está bem. Estão recebendo visitas, mas nada com que devamos nos preocupar... eu acho. Jacob foi garantir isso!
— Entendo.
— Vou estar na garagem se precisar de algo.
— Obrigada, Seth.
Acenei com a cabeça, voltando para a garagem em passos rápidos.
Louise sorriu quando me viu. Estava sentada na única mesa que ainda não estava coberta de ferramentas e poeira. De todos os três o que menos fazia bagunça ainda era o Embry, e ele só trabalharia no dia seguinte, por estar em ronda a maior parte do tempo hoje, ou seja... aquilo continuaria bagunçado por um tempo. Sorri de volta, encarando o motor do carro e me perguntando porque diabos Jacob tinha que ser tão teimoso?
— Você pode respirar – brinquei com ela, que permanecia imóvel.
— Não quero atrapalhar.
Houve um pigarro vindo da entrada da garagem e eu me virei. Encontrando Emily e minha mãe.
— Ei, vocês chegaram! – cumprimentei.
— Soube que Louise estava me procurando – Emily disse, olhando diretamente para a Cullen – Viemos salvar você de torturantes horas sem fazer nada.
Ela riu.
— Como vocês estão? – minha mãe perguntou, entrando na garagem e beijando o meu rosto, antes de se aproximar de Louise para um abraço. Emily fez o mesmo, mas só me deu duas batidinhas nas costas ao passar por mim – Renesmee não veio?
— Estamos bem. E vocês? Sam disse que estão abrindo um negócio em La Push.
— Algo do tipo – Emily respondeu – Explicamos melhor quando estivermos lá em casa.
— Renesmee ficou em casa – ela ficou de pé em um pulo – Não vou atrapalhar?
— Não, fica tranquila – foi minha mãe quem respondeu.
— Renesmee deve chegar logo – eu falei e Louise me olhou com o cenho franzido – O que?
— Edward não vai deixar.
— Jacob vai convencê-lo.
— Cinco pratas? – estendeu a mão na minha direção e eu apertei, aceitando a aposta.
— Fechado.
Jacob jamais sairia de lá sem Renesmee.
Minha mãe e Emily se despediram, levando a Cullen junto. Prometi que as encontraria quando o expediente acabasse.
Pouco tempo depois, quando eu estava concentrado o suficiente em resolver o problema daquele maldito motor, Jacob adentrou na garagem cerrando os punhos... e sem Renesmee.
— Calma ai, cara – parei o que estava fazendo, olhando diretamente para ele – O que houve?
— Eles não me deixaram trazê-la.
— Estou vendo, mas tenta se acalmar. Edward não deixaria ninguém que oferecesse algum risco perto da Nessie – tentei tranquiliza-lo.
— Eu sei disso, é a única coisa que me conforta. Não aguentei ficar naquela casa, o cheiro estava me dando dores de cabeça... mas vou voltar depois, quando Renesmee estiver no chalé com Edward e Bella, Jasper estava ensinando algo a ela – bufou – Precisamos ficar de olho, talvez teremos novas transformações.
— Ficaremos de olho.
Ele me encarou, torcendo o nariz.
— Você está muito conformado pro meu gosto, Seth.
Dei de ombros.
— Não acho que o hibrido ofereça perigo. Sozinho? No meio de tantos outros? Ele teria que ser muito corajoso.
— Acho que sim. Carlisle disse que o metade-vampiro ficará hospedado na casa por algum tempo. Já devem ter ligado para Louise voltar para casa, não vão esconde-la por mais tempo agora que acreditam que os dois nunca se conheceram na vida.
Engoli seco, sentindo meu corpo travar. Ouvi risadinhas do meu amigo.
Talvez essa informação mudasse completamente o meu pensamento.
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