Chance || Seth Clearwater
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Seth Clearwater.
Eu sabia que nunca havia me sentido tão feliz em toda a minha vida, como no dia anterior. Foi difícil dormir, mesmo sabendo que precisava assumir a ronda ao lado de Paul Lahote assim que o dia amanhecesse e após o período da manhã, tinha que assumir a oficina para que Jacob pudesse fazer a ronda junto com Jared.
Embry, Jacob e eu nos dividíamos em períodos para que pudéssemos cuidar de La Push e ainda assim pagar as contas de casa. Sabendo disso, Sam nos ajudava como podia, para que nunca dividíssemos os mesmos turnos. Geralmente eu fazia a ronda no período da manhã ou noite, e passava as tardes na oficina, trabalhando por dois dias e folgando no terceiro.
Não conseguia me sentir mais ansioso para a minha folga, pois havia feito planos de passar o dia inteiro com ela.
— Você está muito chato— Paul rosnou, em meus pensamentos – Pare de pensar na Cullen por um segundo.
Desejei que ele sumisse da minha cabeça no mesmo momento.
— Nunca reclamei de todas as vezes que precisava ouvir seus pensamentos sobre a Rachel – ele se calou – Aliás, como vão as coisas entre vocês? Seu humor tem sido contagiante nos últimos dias.
Paul estava evitando pensar nas ultimas vezes em que nos transformamos, mas era complicado, mesmo que se esforçasse absurdamente para que em sua mente só circulassem pensamentos sobre o chão da floresta, ou o passarinho em uma árvore, ele as vezes deixava escapar flashes de seu desentendimento com a Black.
— Isso me parece conversa de mulherzinhas – tentou desconversar – Não é porque você está feliz com a sua vampira que todos estamos.
— Vou ignorar você.
— Ótimo.
O resto da manhã foi tranquila, e eu até tentei não pensar em Louise o tempo inteiro, mas era completamente impossível... e toda vez que isso acontecia o lobo ao meu lado reclamava sem parar. Prometi pra mim mesmo que se encontrasse com Rachel a faria conversar com seu irmão de bando, porque ninguém aguentava mais o péssimo humor do outro.
Almocei na casa de Emily, com minha mãe e minha prima. Eu estava gostando mesmo dessa ideia de abrirem um café na reserva, afinal, desde que se casou com Charlie, minha mãe passava mais tempo em Forks do que conosco, e assim que os preparativos para o negócio começaram, Sue passou a ficar mais próxima da reserva novamente. Eu não podia negar o quanto sentia a sua falta, mesmo que mal parasse em casa.
— Charlie e eu estamos cogitando a ideia de nos mudarmos pra La Push – ela disse em um fio de voz. Percebi que parecia ter medo da minha reação.
A encarei incrédulo.
— Está falando sério?
— Sim! Você gosta da ideia?
— Demais. Nossa, mãe, isso seria incrível.
Ela sorriu, parecia muito feliz.
— Que bom, filho. Ainda estamos amadurecendo a ideia... Charlie se aposentaria no próximo ano então não precisamos nos incomodar com a distância da reserva até a delegacia. E ele concorda que La Push é um ótimo lugar para descansar, além de tudo tem Billy e vocês.
— É... mas os Cullen não entram na reserva – a lembrei – Bella não poderia visita-los. Charlie sabe disso?
Minha mãe negou.
— Renesmee poderia vir.
— Só ela.
— E se ele quisesse ver a Bella, poderia ir até os Cullen.
— Ah, mãe – suspirei contrariado. Não me parecia boa coisa que escondesse isso – Converse sobre isso com ele. Sei que quer estar mais perto de nós também, acredite, eu quero muito isso, mas não pode afastá-lo ainda mais de Bella.
Minha mãe concordou.
— Tem razão, filho. Eu vou falar com ele hoje e se ainda assim quiser se mudar, não vou colocar mais empecilhos. Estou contando os dias para voltar. Você e a Leah poderiam morar conosco.
Neguei, engolindo o nó em minha garganta.
Eu adorava Charlie e a minha mãe sem dúvidas era uma das pessoas da qual ocupava o primeiro lugar no meu coração, mas já havíamos conversado sobre isso. Nem Leah, e muito menos eu, queríamos nos desfazer de nossa antiga casa.
— Não acho que Leah vai querer. Mas, bom... eu não quero – seu sorriso sumiu do rosto – Não fique decepcionada, por favor. Não quero me desfazer da nossa casa.
Ela deixou esse assunto de lado, mesmo demonstrando o quão chateada havia ficado.
Não achava que minha mãe pudesse entender, mas aquela casa era realmente o meu lar. E eu jamais poderia me desfazer dela em toda a vida.
Depois de comer, eu tranquei-me na oficina até que a luz do dia fosse embora, dando um bom adianto nos afazeres daquela tarde. Havia combinado com Jacob que iriamos juntos até a mansão dos Cullen, e assim que ele terminou a ronda me expulsou da garagem para que eu fosse me arrumar, dizendo que precisava ser rápido pois ele estava explodindo de saudade de Nessie. Pior que eu nem podia caçoar, me encontrava da mesma forma, mesmo que fizesse menos de vinte e quatro horas desde a última vez que vi Louise.
Entramos na floresta e corremos em quatro patas até a mansão, voltando a forma humana assim que chegamos em frente ao local. Do lado de fora, parecia silencioso, mas se aguçasse um pouco mais de meus sentidos lupinos, conseguia ouvir a risada escandalosa de Emmett no segundo piso da casa.
Ansiei por entrar logo naquele lugar e encontrá-la de uma vez por todas. Me contive quando Edward apareceu do outro lado da porta de vidro, com um sorriso amigável no rosto.
Eu gostava daquele cara, nunca conseguia entender como mesmo depois do Imprinting, Jacob e o Cullen continuavam a trocar farpas.
— Boa noite – ele cumprimentou – É algo que eu também não entendo.
— Boa noite, Edward – o cumprimentei.
Jacob me encarou pelo canto do olho, perguntando-me silenciosamente no que eu estava pensando. Apenas maneou a cabeça em cumprimento ao leitor de mentes.
— Elas estão lá encima – murmurou, subindo a escada em nossa frente – Louise caçou pela primeira vez hoje.
Meus olhos quase saltaram para fora de orbita com aquela informação. A súbita animação preenchendo todo o meu ser.
— Sério?
Ele assentiu.
— Mas vou deixar que ela te conte os detalhes.
Assim que paramos no segundo andar da casa, Renesmee saiu do sofá onde estava sentada com a mãe e se jogou no meu colo... apenas porque eu estava na frente de Jacob. Tinha certeza que a caçula dos Cullen o preferia.
— Vocês vieram! – apertei-a em meus braços – Senti saudades.
— Deixa o Seth pra lá – meu amigo resmungou, tirando a baixinha do meu colo, que ria de sua reação enciumada – Eu estava morrendo de saudade de você.
— Eu também senti saudades, mas você sempre prefere o Jake.
Renesmee escondeu o rosto no peito do Black, ao se sentir envergonhada e eles logo engataram em uma conversa sobre o que a ruiva estava assistindo na televisão. Então direcionei a minha atenção para a pessoa que eu ansiava ver.
Louise estava sentada na mesa ao lado de Jasper, ambos com algumas cartas na mão. Em sua frente estavam Emmett e Nahuel. Ela sorria em nossa direção, sem mostrar os dentes, e quando percebeu que eu a olhava, largou as cartas na mesa e caminhou lentamente em minha direção. Lentamente até demais. Mesmo que eu estivesse perdido com a beleza do anjo que flutuava em minha frente, forcei meus pés a avançarem alguns passos, para encurtar a nossa distancia o mais rápido possível, não aguentando esperar por mais tempo até senti-la próxima o suficiente de mim.
Não tentei reprimir o suspiro que deixou o meu corpo no momento em que seus braços envolveram a minha cintura em um abraço. Estava fora de cogitação reprimir qualquer reação que a presença dela me causava, pois sabia que não adiantaria de nada tentar, eu sempre agiria como um bobão na sua presença.
— Oi – sussurrou, tentando se afastar. Mas permiti que estivesse longe o suficiente apenas para olhar em seu rosto, e não o suficiente para que os nossos corpos se separassem – Que bom que vieram.
Franzi o cenho.
— Tudo bem?
— Aham – sorriu animada – Eu cacei pela primeira vez hoje.
Não pude deixar de notar o tom de orgulho usado em sua voz, fazendo com que eu sorrisse também.
— Quero saber de todos os detalhes.
— Você pode esperar, lobinho. Vamos, cacciatore, temos um jogo para terminar – Emmett mostrou as cartas que também segurava nos dedos.
Do que ele havia a chamado?
— Caçadora. Em Italiano – Edward respondeu a minha pergunta, com um sorriso de canto.
— Temos a eternidade – Louise lhe respondeu, afastando o seu corpo do meu – Além do mais, já percebi que sou péssima nesse jogo e você só quer que eu volte a jogar porque tem em quem bater.
— Ah, qual é? Você só não pegou a prática ainda. Não pode desistir tão fácil.
Jasper encarou Emmett.
— Podemos jogar de dupla. Louise e eu, você e Nahuel.
O grandalhão bufou, cruzando os braços na altura do peito. Eu havia convivido o suficiente com os Cullen para saber que Emmett era extremamente competitivo, na mesma proporção que Jasper era extremamente inteligente.
— Vá brincar com os lobos, Cappuccetto Rosso.
Louise estreitou os olhos para o vampiro, com incredulidade.
— Você está pesquisando essas coisas na internet?
— Estou treinando o meu Italiano – deu de ombros.
— Tudo bem, mas não precisa treinar comigo.
Ela me arrastou até o sofá vago ao lado de Bella. Renesmee e Jacob conversavam sentados no tapete da sala. Cumprimentei a Bella com um aceno, e ela retribuiu. Minha conversa com a minha mãe passou por minha cabeça involuntariamente. Será que ela já havia conversado com o Charlie?
— No que está pensando? – Louise perguntou, sentando ao meu lado.
Balancei a cabeça, tentando afastar esses pensamentos.
Edward me encarava com o cenho franzido.
Não diga nada a Bella, por favor.
Ele assentiu, tentando agir com descrição.
— Tentando entender o que o Emmett estava dizendo – murmurei.
Não era uma completa mentira. Queria mesmo saber o que ele falava.
— Ele me chamou de chapeuzinho vermelho – grunhiu, arrancando risadas de todos os presentes na sala. Inclusive eu mesmo – Você também?!
— Emmett sendo Emmett – dei de ombros – Preciso saber como foi a sua primeira caçada.
— Jasper e Emmett me levaram, Edward perdeu o horário, então fomos só nós três. Foi bem legal pra falar a verdade, e nem é tão difícil quanto imaginei. Mesmo sendo metade humana, ainda consigo ser mais rápida do que um animal.
— E o gosto? – perguntei e ela fez uma careta – Acho que tenho a minha resposta.
— Não é horrível. Só é... bem diferente. Jasper me disse que demorou um tempo para se acostumar com a dieta também. Pelo menos ainda tenho a opção de comida humana.
— Falando em comida humana... – Renesmee entrou na conversa, sentando ao lado da tia no sofá – Vó Esme e tia Rosalie estão fazendo pizza. Elas querem que vocês fiquem para o jantar.
— Elas? – Jacob perguntou, com a sobrancelha arqueada – A loura também?
Renesmee ia concordar e pude ver nos seus olhinhos que ela tinha medo de magoar o Jacob com uma resposta sincera.
— Rosalie implica mas gosta de vocês – foi Bella quem lhe respondeu.
O Black riu, sem acreditar no que estava ouvindo.
— Ontem eu joguei videogame com o Nahuel. Ele ganhou duas vezes, mas eu sou muito melhor e ganhei três – a ruiva se gabou.
O homem saiu da mesa de jogos, aproximando-se dos sofás, junto com Jasper e Emmett, que também se acomodaram.
— Você joga isso todos os dias, Nessie – o hibrido tentou defender-se – Me dê algum crédito, foi a minha primeira vez.
Ela concordou.
— Mas mesmo assim eu ganhei.
Encarei Louise com o canto do olho.
— Quero estar junto na sua próxima caçada – pedi e ela assentiu, encostando a cabeça em meu ombro.
— A Lou se saiu bem... não vai demorar muito tempo até que se acostume – Nahuel disse, olhando diretamente para ela.
Lou?
Mas que porra era aquela? De onde tinha surgido aquele apelido?
O nome da Cullen era Louise. E não Lou.
— Você viu? – Jacob perguntou, controlando-se para não rir. Muito provavelmente ele já sabia o que estava passando na minha cabeça.
— Um pouco.
Ela afastou a cabeça do meu ombro, mas não a olhava para saber para quem ela estava olhando, ou com quem estava falando. Meu olhar era fixo em um ponto qualquer do tapete colorido no chão e eu já não conseguia mais ouvir a voz de nenhum deles.
Era uma missão impossível tentar controlar o meu lobo e fazer qualquer outra coisa ao mesmo tempo, enquanto ele insistia em sair e rosnar para aquele hibrido que nem em Forks deveria estar. Percebi que estava apertando o sofá com força demais. E que Jacob me encarava atentamente, pronto para intervir. Mas eu não me transformaria ali. Não tão perto dela.
Nunca fui de sentir ciúmes na minha vida. Na verdade, foram raros os momentos em que senti o gosto amargo descer pela garganta. A mais forte lembrança era a de Sam conversando oficialmente com os meus pais sobre o noivado com a minha irmã. Eu não aceitava a ideia de ter Leah longe de casa e as vezes me culpo por ter pensado nisso, quando ela estaria mais feliz do que é hoje, se o casamento houvesse se concretizado.
Eu me lembrava do gosto. Do peito apertado. Da respiração descontrolada.
Mas parecia que dessa vez era um pouco mais intenso. Talvez por já ter me transformado. Talvez por ser ela.
— Tudo bem? – sussurrou, próximo ao meu ouvido.
Enquanto isso, os outros conversavam entre si. Menos aquele hibrido idiota que estava nos olhando.
— Uhum – respondi friamente, tentando controlar o rosnado do lobo.
Meu braço repousou ao lado do sofá e eu escondi os olhos, colocando uma das mãos em frente ao rosto, enquanto apoiava minha cabeça.
Calma, Seth. Respira fundo.
— Eu já disse que amo o seu cabelo? – a voz do anjo perguntou. Me trazendo uma calma absurda, que talvez nem mesmo o dom de Jasper fosse capaz de causar. Seus dedos finos entraram em meus cabelos, massageando o local. Foi impossível não sorrir com o toque. E por alguns segundos eu nem lembrei do que havia acontecido – Seth?
Vire-me para encara-la, tomando cuidado para não me movimentar ao ponto de seus dedos deixarem aquele de fazer aquele carinho bom.
— Oi, anjo.
— O que houve?
— Nada – engoli seco – É só uma dor de cabeça.
Ela fez um biquinho tão lindo que eu fui obrigado a virar todo o meu corpo, para poder abraça-la.
— É o cheiro? – perguntou, acariciando as minhas costas – Que te deixa com dor de cabeça?
— Dessa vez não – murmurei.
— Seth – a voz grave de Edward me chamou, fazendo com que desfizéssemos o abraço para que eu pudesse encara-lo – Vem comigo?
Concordei, estranhando sua atitude e fiquei de pé. Jacob também ficou, mesmo que eu não precisasse de uma babá. Segui o Cullen para fora da casa, com o Black em meu encalço. Adentramos a poucos metros na floresta, onde eles já não poderiam nos ouvir.
— O que foi? – Jacob perguntou, cruzando os braços.
— Não era para você estar aqui.
Rolei os olhos.
— Por favor, parem com isso – eu pedi – O que foi, Edward?
— Você precisa se acalmar. Sei que agora já está mais calmo, mas não coloque tudo a perder com reações impulsivas. A Louise gosta de você.
— Cara, você é muito fofoqueiro.
— Cala a boca, Jake – grunhi – Por que acha que eu me calei? Não queria falar alguma besteira que colocaria tudo a perder.
— Eu li em sua mente o quanto está inseguro. Não duvide dos sentimentos dela por você. Se quer saber, eu não a vejo avançar tão bem emocionalmente com mais ninguém além de você. Ela tem se acostumado bem... está se adaptando e aceitando tornar-se uma de nós, mas muitas vezes acaba se retraindo e percebo que quando está ao seu lado Louise consegue ser ela mesma.
Edward era um leitor de mentes. Ele tinha propriedade pra tratar daquele assunto.
— Estamos tendo essa conversa porque sou seu amigo – ele fez uma careta ao olhar para o Jacob – Eu quase botei tudo a perder algumas vezes por não conseguir confiar em mim o suficiente.
Não era novidade pra ninguém que, desde o nascimento de Renesmee, o Cullen e o Black evitavam ao máximo lembrar da rixa idiota que tiveram por tanto tempo. Falar sobre aquele assunto deixava-os estranhamente desconfortável.
— Obrigada, cara.
Resolvi seguir os conselhos do vampiro assim que entramos novamente na enorme casa. Ignorando o que havia acontecido, juntamente com o hibrido, e aproveitando o pouco tempo que tinha com a nova Cullen, entre brincadeiras e conversas de como havia sido o nosso dia.
Não poderia deixar que a minha insegurança levasse-a para longe de mim.
Eu faria qualquer coisa no mundo para tê-la por perto.
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