Chance!

1 Capítulo 1 - Teenager Memories


Notas iniciais
Teenager Memories/Memorias da Adolescência

20 anos atrás

Gabs’s POV

– Não adianta, DJ, você não vai ser um guitarrista famoso! – disse rindo abertamente, eu sabia o quanto ele odiava que eu dissesse isso. Ele me olhou com uma cara irritada e revirou os olhos, mesmo sabendo que ele se desanimava quando eu não o apoiava, mas eu tinha medo que ele conseguisse de verdade virar um "rockstar" e eu o perdesse.

– E você não vai virar uma médica, Gabs – Falou virando as costas e caminhando pra dentro do campo de milho. Eu me sentei na soleira da porta o olhando ir para casa. Éramos vizinhos divididos por um imenso campo de milho, por toda minha infância eu o vi tocar guitarra, tinha dias que ele tocava até às 17 horas, quase não me restava tempo com ele, o que me deixava triste. Eu ouvira a mãe dele comentar que ele iria se mudar pra casa do pai por um ano. E se ele gostasse de lá? E se ele se apaixonasse por alguém? Balancei a cabeça na tentativa inútil de afastar os pensamentos e entrei em casa, eu era tão apaixonada por ele e ele me via como uma amiga, apenas uma amiga.

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O dia chegou, eu tentei não pensar nele nesse último mês, mas era uma tarefa extremamente difícil. Ele iria embora hoje. Forcei meus olhos a conterem as lágrimas, eu acabara de acordar e assim que essa lembrança me veio à cabeça as lágrimas vieram ao meu rosto. Nossa, o que rockstars iriam pensar disso? Sorri abobalhada olhando para os pôsteres colados na parede, me levantei e tomei meu banho, desci para o café depois e minha mãe sabia que eu passaria o dia com o Daren, então peguei algumas torradas e sai apressada pelo campo de milho sem me preocupar em avisar. Quando finalmente cheguei ao outro lado o encontrei me esperando sentado na frente da casa, com uma jarra de suco do seu lado. Eu sorri e me sentei do seu lado desembrulhando as torradas que eu trouxera, ficamos sentados ali conversando e comendo por algum tempo. Era rotineiro dos nossos sábados tomarmos café da manhã juntos e depois irmos para o celeiro, onde Daren montara um improvisado estúdio. Depois que ele levou a jarra e os copos para dentro caminhamos calmamente até o celeiro, eu me sentei na grande toalha estendida no chão enquanto ele pegava a guitarra, era tão emocionante o ver tocar, sempre que nos encontrávamos ali aos sábados ele tocava várias músicas do Guns N’ Roses, que era de longe nossa banda preferida. Sweet Child O’ Mine, Rocket Queen, Welcome to the Jungle, Mr. Brownstone, várias músicas se passaram até chegar em My Michelle música que ele tocava especialmente para mim, apesar que boa parte não tem nada a ver. Mas ele colocou na cabeça que seria a minha música então eu aceitei, e só porque toda vez que ele cantava ele trocava Michelle por Gabrielle. Era uma sensação muito boa ouvir ele cantar My Gabrielle, era bom ouvir ele me chamar de sua.

"Well, well, well my Gabrielle, well, well, well you never can tell, well, well, well my Gabrielle… Everyone needs love you know that it's true, someday you'll find someone that'll fall in love with you but oh the time it takes when you're all alone. Someday you'll find someone that you can call your own but till then ya better..."
Muito bem, minha Gabrielle, muito bem, você nunca pode contar, muito bem, minha Gabrielle... Todos precisam de amor você sabe que é verdade, algum dia você encontrará alguém que se apaixonará por você, mas agora quando você está sozinha. Algum dia você encontrará alguém que você possa chamar de seu, mas até então, é melhor você...

Eu senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto enquanto ele tocava lágrimas que eu guardei teimosamente por todo esse mês. Dobrei os joelhos enterrando a cabeça entre eles, escutei os acordes se cessarem e senti os braços de DJ me abraçarem.
– Que foi, Gabs? O que eu fiz? – perguntou ele enquanto me abraçava, eu soltei uma risada abafada pelos soluços chorosos.
– Por que você tem que ir, DJ? – perguntei levantando os olhos para encontrar com os dele, quando nossos olhos se encontraram pude ver a angustia em seu olhar, ele não queria ir.
– Eu não tenho escolha, você sabe, Gabs. Por favor, não torne isso ainda mais difícil pra mim... – ele disse afagando meus cabelos. Aninhei minha cabeça no seu ombro e engoli o choro, ele segurou meu rosto entre as mãos e me fez voltar a olhar em seus olhos – É só um ano, a gente pode superar isso! Você é minha melhor amiga e não vai ser um ano que vai mudar isso – mesmo que isso fosse um consolo senti uma vontade desesperadora de chorar, mas me controlei, não iria ser uma amiga ingrata.
- Você promete que vamos trocar cartas? – perguntei rindo.
- Prometo! – disse ele me dando um beijo na testa.