Chance!

6 Capítulo 6 - Hospital and Drugs


Notas iniciais
Hospital and Drugs / Hospital e Drogas

10 Anos Depois

Gabs’s POV

– Já te disse como odeio plantão? – disse rindo enquanto eu e Valerie nos arrumávamos no vestiário.
– É, eu sei, nunca acontece nada de animador, como um acidente envolvendo um trem ou coisas do tipo quando estamos de plantão!
– Exatamente! Nem sequer um caso de emergência! – falei num tom choroso e saímos rindo do vestiário. Os plantões se arrastavam lentamente, mas em algumas horas nosso plantão de 36 horas já chegaria ao fim e eu iria pra casa descansar em paz.
Assim que Valerie pegou seu paciente, eu me sentei na sala de espera. O hospital estava vazio e silencioso, poderia até dar uma cochilada. É, não seria uma má ideia. Fechei os olhos penosamente e senti a sensação de sono dominar cada centímetro do meu corpo, mas fui acordada pela porta da emergência se abrindo com brutalidade e gritos histéricos de uma mulher. Levantei-me rapidamente e corri até a maca que entrava na sala.
– Tá quase tendo uma parada cardiorrespiratória – informou o paramédico – Sintomas de overdose.
– Qual é a da mulher? – perguntei enquanto checava os batimentos cardíacos do paciente.
– Provavelmente drogada. – disse ele – Acho que vou dar uma injeção pra ela dormir, assim ela para de gritar – falou em um tom malicioso.
– Josh, já disse que não pode! – Falei brava – Mas só algumas miligramas não vão fazer mal... – disse entregando a ele uma ampola de injeção.
O leitor de batimentos já estava quase colocado no paciente quando começou a apitar. Seus batimentos estavam subindo absurdamente rápido, ralhei ordens para Josh, o único paramédico que estava aqui para ajudar, nada adiantou, a parada aconteceu. Peguei rapidamente o desfibrilador.
– Carrega! – disse pegando as pás e me virando pro paciente, vendo pela primeira vez o seu rosto. Não, não podia ser. Josh rasgou sua camiseta, deixando parte do seu braço a mostra e eu pude reconhecer a velha tatuagem de DJ. Quando voltei à realidade, Josh gritava para eu andar logo. Encostei as pás sobre o peito de um DJ quase morto: nada adiantou. – Carrega! – berrei mais uma vez repetindo o movimento, depois de três tentativas os batimentos cardíacos de Daren voltaram ao normal. Eu deixei as pás caírem em seus lugares e sai caminhando pelo corredor, escutei a voz de Valerie dizer algo, mas não conseguia entender o que ela dizia. Caminhei até o vestiário e me deixei cair em um dos bancos, escutei a porta se abrir novamente e vi Valerie na minha frente me olhando, me concentrei para saber o que ela estava falando.
– O que aconteceu? – perguntou preocupada.
– Daren. – foi tudo o que eu conseguir pronunciar.
– Espera! – exclamou – O teu Rockstar?
– Algo assim – disse calma.
– O que aconteceu com ele?
– Overdose... – Falei com minha voz já vacilando, ameaçando começar a chorar. Eu vi DJ quase morrer na minha frente! Ele simplesmente some por dez anos e aparece no hospital que eu trabalho com uma overdose! Não pude mais conter as lágrimas, não sei o que elas significavam, não sei se eram desespero, angustia ou decepção. Eu realmente não fazia ideia, mas deixei que elas corressem livremente.

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Três dias depois voltei ao hospital, pensando que qualquer vestígio da presença de Daren ali sumisse.
– Seus pacientes, Doutora Gabrielle – Disse Gracy me entregando as fichas, eu a agradeci e comecei a fazer minhas rondas. Já estava no último quarto quando vi quem era o paciente. Ele precisava de uma clínica de reabilitação e não de um hospital. Entrei no quarto decidida a me manter indiferente, DJ estava deitado olhando para o nada. Li a ficha dele e conferi a medicação em silêncio, ele pareceu também não se importar com minha presença ali.
– Por que ainda está aqui? – perguntei forçando a minha voz de médica séria, por sorte ele não se virou para me olhar.
– Estou com dores no peito. – disse ele indiferente.
– É por causa da desfibrilação, é normal, você teve uma parada cardiorrespiratória, vai sentir dor por um tempo, mas posso te receitar um remédio e te dar alta – falei.
– Não tô a fim de ir pra casa. – falou com desdém.
– Então vá pra uma clínica de reabilitação – falei alterando meu tom, o que o fez se virar pra mim.
– Quem você pensa que é pra falar assim? – perguntou em um falso tom ofendido, se tinha coisa que eu odiava era quando ele se fazia de vítima quando não era.
– Uma médica que teve que cuidar de um drogado que apareceu no meu hospital com sintomas de overdose! – falei praticamente berrando.
– Só por isso você acha que pode falar assim com as pessoas? Você não é minha dona, não tem nada a ver com minha vida! Se eu sou drogado ou não, só importa a mim e não a você! – disse ele se levantando e vindo até mim, nossos rostos estavam muito próximos. Eu abri a boca para argumentar, mas a fechei, eu não sabia o que falar, aquelas palavras realmente machucaram, eu não fazia mais parte da vida dele. Ele me excluiu totalmente de sua vida, sem se importar.
– Você está certo, Daren, eu não tenho nada a ver com tua vida. Você pode jogar ela no lixo, fique a vontade, não vou argumentar! – falei por fim, ele começou a me encarar e de repente ouvi os acordes de My Michelle soarem no ar, eles vinham do celular de DJ que estava na mesa de cabeceira. Ele foi até a cama para atender e eu fiquei ali boquiaberta, esse era realmente o toque dele?
– Você vai ficar aí parada? – perguntou ele com certa ignorância, eu o encarei com desdém.
– Dedicou essa música pra sua nova namorada? – perguntei com desdém.
– Do que você tá falan... – começou ele. Não fiquei mais parada, sai do quarto com pressa e escutei a voz dele me chamar quando sai do quarto, mas não voltei atrás, ele correu atrás de mim, mas por sorte um enfermeiro o segurou.
– Gabs, por favor... – começou ele. Eu parei de repente e me virei completamente fora de mim.
– Ora, ora, ora, você se lembra quem eu sou? Que impressionada eu estou! – disse caminhando até ele e o empurrando pra dentro do quarto, não precisava de plateia para isso, bati a porta atrás de mim e o encarei.
– E-Eu... Gabs... Você... Aqui... Como assim? – ele balbuciava palavras de qualquer jeito sem se preocupar em formar uma frase sequer.
– É, Daren Ashba, eu! Eu trabalho aqui, me formei em medicina há alguns anos... Ah, mas como você saberia? Afinal você sumiu sem dar notícias não é mesmo? – falei.
– Eu não sumi porque eu quis, eu só... – começou.
– Só o caramba, DJ! Eu não quero ouvir suas desculpas esfarrapadas! Você sumiu por tanto tempo, continue sumido, essa cidade é enorme e há centenas de hospitais, não precisamos mais nos ver, simples assim. – disse com firmeza, mesmo que não quisesse nada disso, simplesmente fingi que esse era minha decisão.
– Você quer me tirar da tua vida? – falou ele descaradamente.
– Te tirar da minha vida? Como você tem a cara de pau de me falar isso?
– Cara de pau, Gabrielle? Você estava feliz com o seu alto troncudo! Você queria que eu fizesse o que? Eu não ia ficar te prendendo a mim.
– Me prendendo a você? Eu achei que fossemos amigos, Daren, não tinha que me excluir desse jeito! – falei a beira dos prantos.
– Eu não conseguiria ser só seu amigo, ok? Por isso eu sumi, eu não queria ter que aguentar sua felicidade com alguém que não fosse eu! – falou.
– Pois conseguiu! Eu realmente te quero longe da minha vida agora, DJ, porque a minha vida corre à mil maravilhas e eu não preciso de você nela, não mais... – falei decididamente – Não preciso de alguém que não consegue me ver feliz!
– Você acha que eu gosto disso? – perguntou com desdém – Olha a maneira que eu tô vivendo a minha vida! Drogas e rock n’ roll! Foi o que minha vida se tornou depois que eu me afastei de você...
– Não se esqueça do sexo, a prostituta histérica que estava aqui no dia que você entrou até que era bonita – falei com raiva.
– Ela é minha esposa. – falou sutilmente.
– O QUÊ? – berrei.
– Qual o problema? – perguntou.
– Nenhum! Faz o seguinte, continua com a tua vida e eu com a minha, vou te receitar o remédio para as dores no peito e te dar alta, tenha um bom dia! – disse saindo do quarto, dessa vez ele não veio atrás de mim e eu sei que não teria cara de pau de vir.
Ele casado e eu uma solteirona infeliz.