Champions
16 Capítulo 15 - Procurados, Arco Chama Milenar (parte 2)
Notas iniciais
A poeira deixava difícil de ver o que acontecia. Albert e Eric estavam muito feridos, e Anninka tinha dificuldades em se pôr de pé. Um homem gargalhava como um maníaco, cantando vitória sobre o trio.
– Ah, qual é. Vocês detonam com alguns dos nossos membros mais fortes e morrem com uma explosão de merda dessas? Achei que seriam uma boa diversão.
A poeira baixava. Anninka pode enfim ver o homem que lançara a explosão. Não parecia ter mais do que 19 anos. Era pouco alto e tinha cabelos dourados lisos, mas bem bagunçados. Usava um sobretudo preto com as mangas rasgadas, calças pretas e um par de coturnos, o que dava a ele um certo visual gótico. Tinha duas tatuagens de dragões, uma em cada braço.
"Pensei que seriam mais fortes. Finalmente alguem iria me divertir." pensava, abandonando suas vítimas largadas no chão naquele local. De repente, um barulho alto de trovão se fez, e um raio passou de raspão ao lado do rosto do rapaz, que não fora atingido por puro reflexo ao trovão. O mesmo se virou para encarar Anninka, que estava apoiada em seu joelho direito e mão esquerda, com a mão oposta levantada em direção ao gótico.
– Ora, ora. É mais resistente do que eu imaginei afinal.
– Calado... Covarde!
– E ainda por cima é corajosa. Bem, bem — este se aproximou a passos lentos e longos — , deixarei que saiba meu nome antes de te exterminar da face da Terra. Me chamo Kazimeras Balsys. E sou aquele que vai te fazer conhecer a morte.
A esse ponto, Kazimeras ja estava bem proximo de Anninka e com as mãos em chamas, ameaçando a garota com a magia. Mas a jovem, mesmo quase sem forças, conseguiu lançar um Fulgur com êxito, acertando a mão daquele que a ameaçava devido a proximidade. Este se afastou alguns passos após sofrer um ataque tão trivial, mas um tanto que bem planejado.
– Voce é mesmo uma vadia bem corajosa... — disse num tom de desprezo. — Mas aqui é o fim da linha pra voce!
Quando o gótico se preparava para atingir Anninka com um poderoso Ignis que certamente a transformaria em torrada, uma lâmina de vento barrou o rapaz e o ataque. Eric estava de pé com várias queimaduras pelo corpo e tremendas dores em suas juntas. Mesmo assim, ele tinha forças suficientes para se pôr de pé. Albert o acompanhou, se levantando e empunhando seu sabre.
– Eu cubro de longe. — disse o mais velho — Voce acaba com ele.
– Pode deixar, irmão.
A atmosfera entre os dois era muito pesada. Pareciam duas feras prontas para começar uma carnificina. Kazimeras, no entanto, não se mostrou intimidado. Pelo contrário, começou a sorrir.
– Isso, isso! Assim deve ser. Voces devem me divertir para que eu tenha misericórdia para matar vocês! — falava com um louco.
– Apenas uma pessoa vai morrer nessa luta — desafiou Albert — , mas sua morte não terá misericórdia.
– Que assim seja. — o sorriso de Kazimeras sumiu.
Um ataque rapido do rapaz se iniciou, dando um ponto inicial naquele confronto que, com certeza seria muito sangrento. Anninka estava inconsciente, então não poderia ajudar. Os Verfluster eram os unicos que poderiam impedir aquele homem de destruí-los.
O primeiro ataque da luta teria acertado Albert em cheio, não fosse a barreira que Eric conjurou usando água no último instante, apagando as chamas que os ameaçavam. O mais novo se moveu a uma velocidade inumana em direção ao adversário, que se viu obrigado a desviar da espada do rapaz. Esse desvio foi suficiente para que Eric prendesse uma de suas mãos numa especie de bola de água e em seguida as congelasse. A outra mão era a que Anninka fritara poucos momentos antes, então Kazimeras não poderia usar magia, a menos que fosse Nix. No entanto, aquela era a unica magia que o rapaz não sabia usar.
O segundo ataque de Albert foi um corte rapido no flanco do adversario. Dessa vez ele utilizou a mão congelada para aparar o golpe, assim fazendo o gelo se rachar. Quase no mesmo instante em que a mão do gótico se vê livre, este utiliza de um Fulgur para tentar ferir o adversário que o atacava. No entanto, novamente abriu uma brecha suficiente para que Eric o atacasse com água uma vez mais. A diferença foi que desta vez Kazimeras desviou do ataque do mesmo, tomando uma boa distância entre os Verfluster.
– Vejo que são bons numa batalha.
– Voce insultou a Anny... — disse Eric. — Acha que eu pegaria leve?
– Qual é, vai defender a namoradinha é? — provocou. — Deve ser um viadinho escravo dela.
O movimento a seguir foi desferido por Albert, a uma velocidade muito grande para uma pessoa normal desviar. Mas Kazimeras conseguiu por pouco, tendo agora um corte em seu rosto. Eric aproveitou para se vingar pela explosão, utilizando de um Ignis para mandar o adversário pelos ares com êxito.
Kazimeras realmente decolou. Caiu após alguns segundos em cima de um carro a alguns metros dos Verfluster. Sentia várias dores pelo corpo todo. Uma perna deslocada e duas costelas quebradas eram o suficiente para fazê-lo gritar de agonia. Mas Eric não iria parar por ali: o queria morto. Não apenas por vingança, como também por segurança. Se aproximou a passos lentos e algumas cambaleadas, já com um Nix Gelida Spina formado em uma das mãos.
– P...Por favor... Tenham misericórdia... — o gótico implorou.
– Voce teve misericórdia de nós quando nos explodiu? — Eric retrucou.
Um momento de tensão se formou quando Eric deu o último passo para, então, atravessar cruelmente o peito do adversário com o enorme espinho de gelo em sua mão, que se tingira de vermelho no ato. Após isso, retornou para perto de Anninka e Albert.
– Ela está bem? — perguntou com certa preocupação.
– Parece ter muitas queimaduras. Precisamos de um hospital para ter certeza de que ela ficará bem.
– Então melhor procurarmos agora.
Eric pegou a jovem nas costas, com certa dificuldade por tambem estar muito ferido. Andou o mais rapido que pode para sair daquele cenário, enquanto Albert procurava qualquer pessoa pela rua que pudesse dar uma informação.
Após duas quadras, quando saíram do local destruído pela batalha, viram uma interdição policial, onde varias pessoas enxeridas e repórteres curiosos se aglomeravam para ver o que havia acontecido. Várias viaturas e unidades policiais estavam ali tentando impedir a passagem dos civis, enquanto alguns bombeiros chegavam para salvar os feridos, e uma ambulância esperava no local. Dois bombeiros viram o trio se aproximando e foram ajudá-los. Levaram Anninka imediatamente para a ambulância, onde começaram alguns procedimentos para limpar suas queimaduras e estancar alguns sangramentos eventuais. Albert e Eric também foram rapidamente tratados, por estarem em melhores condições.
Dois policiais os interrogaram para tentar descobrir a causa da explosão. Não podiam dizer a verdade, pois não acreditariam, e era provável que suspeitariam dos dois. Então Eric afirmou ter sido um ataque terrorista, usando os ataques que estavam acontecendo na Europa como foco para a desculpa. Os policiais acreditaram, então não fizeram mais perguntas.
Eric e Albert foram levados para o hospital junto de Anninka, mas a garota continuava desacordada. Eric sentia muito cansaço, então teve de ficar em repouso no hospital. Albert não estava tão mal assim, mas teve de fazer um acompanhamento para ter certeza que não tinha qualquer problema.
* * *
Pouco depois de duas horas navegando, Kedainiai chegara. A cidade, assim como Klaipeda, mantia suas construções antigas bem conservadas, dando aquele charme que a Lituânia estava mostrando para o trio. As ruas ainda eram de pedras, mas isso ajudava a casar o visual com o das construções. A parte mais modernizada era o centro da cidade, que era consideravelmente iluminada por belas luzes que, se vistas do alto, formariam um espetáculo sem igual. Kedainiai só tinha acesso por trilhos ou via náutica, o que a torna uma cidade que não se relacionava muito com a vizinhança.
O horário já passava de 18:00, então ja estava bem escuro. Os três jovens tinham que passar a noite em algum lugar, e ja não tinham tantos euros como antes. Procuraram por qualquer hotel que não custasse tanto, o que demorou um tempo, pois nenhum dos três falava lituano. Gina talvez soubesse, mas não estava entre eles no momento. O hotel não era tão classe alta, mas era confortável, e a noite se passou sem imprevistos, bem calma.
O dia seguinte se iniciou com a saída apressada dos três jovens. Iriam agora para Kaunas pegar um avião para a Rússia. Kaunas era a cidade mais proxima de Kedainiai que possuía um aeroporto. O acesso de uma cidade à outra também seria via náutica, o que demoraria pelo menos quarenta minutos de viagem.
Kaunas era a segunda maior cidade da Lituânia, sendo menor apenas do que a própria capital. A cidade já fora a capital do país enquanto Vilnius estava ocupada pela Rússia. Realmente grande e bem desenvolvida, é com certeza uma das mais belas cidades da Lituânia. Diferente da maioria das cidades anteriores, Kaunas tem muitas construções contemporâneas, sendo quase predominantes. Mas a presença de castelos na cidade ainda reinava, mantendo o conforto da atualidade com a simplicidade do antigo.
O Aeroporto Internacional de Kaunas não foi dificil de ser encontrado, uma vez que se encontra próximo à margem do mesmo rio em que Albert, Eric e Anninka se locomoveram. Os preços das passagens não eram tão altos, uma vez que a Lita, a moeda oficial da Lituânia valia 0,29 Euros. Mesmo assim, o preço era considerável, e pouco sobrou do que Eric tinha inicialmente.
O vôo decolaria apenas em uma hora e meia, então eles aproveitaram para almoçar em qualquer lanchonete do aeroporto. Conversaram um pouco sobre como eles encontrariam Igor Egralev, e como Gina os encontraria. Enquanto conversavam, Albert notou que o movimento ao redor deles parecia diferente. A atmosfera parecia diferente. Poucas pessoas andavam ali perto, e um homem de chapéu e sobretudo constantemente olhava para o trio.
– Albert? — Anninka o chamou. — Está tudo bem?
– Não olhe... — Eric respondeu por ele. — Tem um homem nos observando.
– Tambem percebeu mano?
– Acha que eu não ia notar sua desconfiança?
O homem se levantou, colocando óculos escuros e indo embora. Alguns segundos se passaram, e o fluxo de pessoas, ja pequeno, diminuiu ainda mais, tornando-se quase nulo. Estavam apenas os três jovens e dois atendentes da lanchonete.
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