Chamas do Dragão
13 Capítulo XIII- "Batalhas da Alma"
Chamas do Dragão
Capítulo XIII
Por Mel
Batalhas da Alma
O sol todavia não nascera no horizonte e lá estava ele golpeando o saco de areia, seus músculos doíam com os movimentos repetidos, sentia o suor molhar sua pele e cabelo, deixando-os pesados quase lisos. Respirou algumas vezes tentando recuperar o fôlego. A verdade é que sua mente estava tão conturbada que sentia dificuldades em terminar o treinamento. Sentiu a presença de Sakura inundar o salão de artes marciais de seu apartamento, virou-se para encará-la. Linda, com um pijama de flanela cor-de-rosa e a expressão manhosa no rosto mostrando que acordara ha pouco. Depois do treinamento Li achou melhor que a princesa ficasse com ele. Os guardiões estavam na sala e Tomoyo no quarto de hospedes juntamente com sua flor. Um desejo fora do normal a queria perto dele durante a noite, mas ao mesmo tempo não queria forçar as coisas ou expor a situação deles.
Sakura: "Você precisa descansar" (Abraçou-o por trás ignorando o suor).
Syaoran (Apoiando a cabeça sobre ela) "Já acordou minha flor? Eu fiz muito barulho?".
Sakura (Negando com a cabeça): "Na verdade eu ainda não dormi. Não consigo" (Sorriu) "E alem do mais senti sua presença concentrada aqui" (Sentou-se no tatame) "Não resisti espiar".
Syaoran (Apoiando a cabeça na dela): "Espero que você não resista 'nunca' em me espiar".
Sakura (Afastou-se sentando em uma cadeira próxima ao tatame) : "Você fica tão bonito usando essa regata preta, me deixa até constrangida".
Syaoran (Sem graça): "Estou acostumado a treinar de regata preta desde que me conheço por gente".
Sakura (Aumentando o sorriso): "Eu sei...Eu te observava quando você vivia aqui em Tomoeda antes". (Confessando) "E te observava de longe quando você treinava no pátio do palácio...mas naquela época você usava armadura (Riu)".
Syaoran: (Sentando-se ao lado dela): "Ah é? Quer dizer que você é um tipo de 'espiã profissional'? Uma agente 00?".
Sakura: "Talvez sim, pelo menos treinada para isso parece que estou..."
(Marota): "Ou talvez eu só goste de te observar...mais de perto".
Syaoran (Corando com o tom de voz dela): "Desse jeito você me obriga a confessar que eu sempre te espiei também". (Viu ela sorrir) "Quando voltei para Tomoeda isso virou basicamente um hobbie...".
Sakura (Sorrindo): "E eu que pensei que você quisesse distancia de mim naquele tempo...ainda bem que estava enganada".
Syaoran (Triste): "Eu percebi que eu não poderia me afastar de você nem que eu quisesse...(Com os olhos mareados) "Você é tudo para mim, Sakura...sempre foi...Sabe quantas vezes eu fiquei esperando no corredor da segunda aula só para te ver passar? Ou quantas vezes eu mudei o meu caminho só para te observar de longe indo para o treino de líder de torcida?"(Passou as mãos no cabelos longos) "Nem eu sei".
Sakura (Séria): "Você sempre esteve por perto quando eu precisei, desde sempre e é isso que importa, o resto é resto.".
Syaoran(Beijou a testa branquinha): "Eu te amo, já falei isso hoje?".
Sakura: "Não, mas eu não canso de ouvir" (Sorriu) "E eu amo você, meu guerreiro lindo, mesmo todo suado desse jeito".
Syaoran (Sedutor): "Podemos resolver isso juntos rapidamente..."(Falou perto do ouvido dela) "Quer tomar um banho comigo?".
Sakura (Sentindo o coração acelerar com o convite): "E se alguém acordar?".
Syaoran (Beijando o pescoço dela): "Que acorde...".
UUUUUUUUUU
Sentada na carteira da sala de aula, Sakura observava o pátio da escola enquanto a professora reforçava o ensino da arte de Monet, o famoso 'pontilhismo'. Depois do banho a dois e de trocarem inúmeras juras de amor, resolveram acordar a todos para tomarem café da manhã juntos. Discutiram detalhes importantes sobre o treinamento e o que estaria por vir. Eriol estava mais tranqüilo ao perceber que a presença de Sakura estava controlada e que durante esses dias não houve outro surto de poder, Li parecia mais relaxado também. Wei a agradeceu mais de cinco vezes por fazer o seu afilhado voltar a sorrir. Sentiu-se feliz por ser a razão do sorriso dele, mal sabia ela que para Li ela era a razão da vida dele.
Olhou a pagina em branco na sua frente e começou o trabalho de forma aleatória, queria se livrar o mais rápido possível de suas tarefas na faculdade para se concentrar completamente na batalha que estava por vir. Seu coração estava inquieto, sentia que algo aconteceria, algo grandioso e isso a assustava tanto que refletia em sua arte. A imagem que se formou a aterrorizou um pouco. Geleiras, grandes eternas e frias...Estava preparada para rasgar o papel e começar tudo de novo quando algo a interrompeu.
Professora: "Geleiras? Mas que idéia encantadora...Srta Amamyia".
Sakura (Sem saber o que dizer): "O-Obrigada".
Professora: "Se eu fosse você, só aumentaria o número de pontos azuis aqui em baixo (Apontou para o papel) Vai trazer mais definição ao desenho"
Sakura: "Certo" (Sorriu sem graça) "Obrigada novamente".
Professora (Sorrindo): "De nada. Se continuar assim vai passar com um dez nesse semestre".
Sakura soltou o ar com tudo. A ultima coisa que queria era melhorar aquele desenho que lhe trazia tantas lembranças sombrias, mas resolveu continuar o que estava fazendo e aumentou a quantidade de pontos azuis. Concentrou-se novamente, quanto mais rápido terminasse, mais rápido sairia de lá.
Voz: "Eu adorei o seu desenho".
Sakura (Assustada): "Céus Ryu! Da onde você surgiu?" (Estranhando) "Eu nem sabia que administração também tinha história da arte".
Ryu-Kay (Mentindo): "E não tem, mas eu pedi para fazer essa aula extra...Lembra a quantidade de obras de arte da mansão? Pois é, fui meio que obrigado pelo meu pai para conhecer melhor e saber ser sempre um bom anfitrião".
Sorriu. As memórias daquele corpo eram realmente úteis para seu plano dar certo.
Sakura(Acreditando): "Entendi...E a sua irmã melhorou da gripe?".
Ryu-Kay: "Ela está melhorando...(Arrepiou-se ao sentir o perfume dela tão próximo) Creio que amanhã ela já estará na faculdade.".
Sakura (Prestando atenção): "Mas essa gripe foi forte, será que não evoluiu para uma pneumonia não?".
Ryu-Kay: "Não, logo ela já estará aqui (Sorriu enigmeatico) Mais forte do que nunca".
Sakura (Um pouco incomodada): "Sabe Ryu, acho que precisamos conversar de verdade" (Encarou os olhos claros do empresário japonês) "Eu sei que você, apesar desse seu jeito torto de demonstrar as coisas, nutre alguma coisa por mim...E eu sinto muito por não poder corresponder, Ryu (Falou suave) Mas eu sempre amei o Syaoran desde – (Deteve-se antes que falasse demais) Desde pequena... Eu agradeço toda atenção que você direcionou a mim, toda mesmo (Lembrou-se das flores, mesmo não podendo contar) Mas nem que eu quisesse eu poderia deixar de amá-lo".
Por um segundo, Kay vacilou. A bondade que exalava da princesa era algo fora do normal e o corpo emprestado começou a reagir aquela aproximação, mas não iria desistir. Não depois de tudo o que passou. Ele estava no comando..e ela tinha razão no que dizia, exceto por um coisa. Havia sim um jeito dela deixar de amar Li e ela descobriria brevemente.
Ryu-Kay (Atuando): "Eu entendo...Não se preocupe, você não é a única mulher nesse mundo e tenho certeza que em breve terei alguém do meu lado".(Completando mentalmente) "Logo você será a minha rainha, doçura...minha e esse amor todo vai desaparecer por completo da sua memória"
Sakura (Sorriu): "Eu também tenho certeza disso e te garanto que será uma pessoa muito especial".
Ryu-Kay: "Posso só te pedir uma coisa?" (Retirou uma caixinha de veludo da camisa) "Eu tinha comprado isso para você e eu sei que você já está comprometida com o Li...mas eu não gostaria de dar para outra pessoa. Não se preocupe (Sorriu sedutor) Não é uma aliança".
Ela olhou atenciosamente o anel de dedo médio com pérolas negras.
Sakura: "Eu não posso aceitar Ryu" (Fechou a caixinha e estendeu para ele) "Tenho certeza que quando você encontrar alguém especial, ela adorará esse presente".
Ryu-Kay: "Por favor..." (Fez uma expressão tão chateada que até ele mesmo se convenceria) "É só um presente".
Sem saber o que dizer e com pena da situação toda em si, Sakura sorriu pegou o anel e colocou no dedo-médio.
Sakura: "Um presente de amizade então" (Sorriu) "Muito obrigada...Agora é melhor eu terminar de colocar esses pontinhos antes que a professora brigue comigo".
Ryu-Kay (Vendo ela se virar): "Certo" (Pensando) "Nos veremos em breve...princesa...(Olhou para caixa de veludo com a inscrição dourada) "Nibelungus"*.
UUUUUUUUUUUUUUU
Sakura: "Syaoran, meu amor...(Ela revirou os olhos) "Pelo amor de Deus, só foi um presente de amizade! Não é uma aliança é um anel...Fiquei com dó dele, só isso".
Os dois estavam no restaurante comendo algo rápido antes da quarta aula. Ele havia ido buscá-la na sala de aula acompanhado dos cochichos da faculdade. Detestava chamar a atenção que chamava. Ainda mais agora, mas sabia que era inevitável.
Syaoran (Contrariado): "Eu não gostei nada disso Sakura, nada mesmo! Você é minha noiva...não pode ficar por ai aceitando presentes alheios. Você está me vendo usar alguma coisa que alguma garota me deu? E acredite elas me dão muita coisa!".
Sakura (Brava): "É diferente!".
Syaoran (Bravo): "O que é diferente?".
Sakura: "Olha ta legal... eu não deveria ter aceitado o presente, eu fiquei com dó dele só isso (Soltou o ar com tudo) Eu sei que ele nutre alguma coisa por mim, sempre soube...e fiquei com pena, poxa! Alem do mais, eu estou com você, não estou?".
Syaoran (Com ciúmes): "Exatamente por isso! Por ele nutrir algo por você que eu não gostei da situação".
Sakura (Entendendo a relutância do noivo): "Se eu quisesse algo com ele, amor (Falou suave) Eu já teria tido há muito tempo e você sabe disso. Isso não significa nada para mim, você me conhece. Eu nunca liguei para essas coisas...".
Syaoran (Incomodado): "Eu sei disso mas-".
Sakura (Calou-o com um beijo): "Eu te amo...AMO só você nesse mundo...Você sabe disso Syaoran, não sei porque essa duvida toda por causa de um presente...Se você quiser eu devolvo e pronto, assunto encerrado".
Syaoran (Mais calmo): "Não, não precisa devolver..." (Afagou os cabelos mel) "É que eu tenho tanto medo de te perder que acabo exagerando...".
Sakura(Sorriu): "Você nunca vai me perder Syaoran...nunca..."
Li sentindo-se derretido pelo sorriso dela, pegou a mão branquinha e enlaçou na sua dando um beijo demorado e cheio de significado.
Syaoran (Olhou o relógio): "Eu te acompanho até a sala, passo no final para te buscar e-".
De repente uma presença diferente invadiu a faculdade deixando-os em alerta... Concentraram-se para encontrar o lugar em que havia se manifestado e surpreenderam-se ao encontrar um senhor desacordado no pátio da quadra de esportes. Li chegou em seguida, estranhando a presença maligna que emanava do chão. Da onde vinha aquele poder todo?
Sakura (Se aproximando da pessoa): "Não pode ser..."
Foi a única coisa que conseguiu falar ao ver a figura a sua frente. Perdeu os sentidos nos braços de Li que estava tão assustado quanto ela ao perceber que o homem desacordado era ninguém menos que Fujitaka Kinomoto.
UUUUUUUUUUU
De volta ao apartamento e agora rodeada por toda turma de heróis, Sakura acordou ao sentir o cheiro forte de éter, deparou-se com o olhar doce da prima que lhe passava tanta confiança que não teve medo de se levantar. Nesse meio tempo, Li a carregara para o apartamento e ligou para Eriol. Imediatamente Misuki se comunicou com Touya que juntamente com Yukito compraram a ponte aérea e em meia hora estariam ali, antes de sair o irmão de Sakura resolveu levar o vaso da ultima escavação de seu pai. Algo lhe dizia que aquilo poderia lhe dar respostas.
Confuso e desorientado, Fujitaka olhava para todos os lados sem entender o que acontecia, mas o que o surpreendeu foi ver sua filha, muito mais linda e crescida do que se lembrava o olhando com a expressão surpresa e os olhos cheios de água.
Sakura (Tocando o rosto dele): "Pa...Papai?".
Fujitaka: "Filha, o que eu estou fazendo aqui? Eu...Eu estava numa escavação no Egito! Como vim parar nesse lugar?".
Sakura: "Não pode ser pai...(Sem conter as lágrimas) "Faz três anos que o senhor sumiu...foi dado como morto...Isso não faz sentido nenhum".
Fujitaka: "Três anos? Morto eu? Mas isso que não faz sentido algum..." (Olhou para si mesmo).
Sakura: "Como o senhor conseguiu me achar?".
Fujitaka: "Eu não sei...Eu não me lembro de nada...A ultima lembrança que tenho foi ter visto as paredes desmoronarem e a imagem da sua mãe invadiu a minha cabeça...e eu acordei aqui.".
Sem mais se conter Sakura rendeu-se ao abraço que pensou que jamais daria...O abraço em seu pai, mas o perfume que sentiu deixou seus sentidos em alerta, algo em seu coração disparou e isso chamou a atenção do guerreiro que sentia o que ela sentia como se fosse uma sensibilidade mágica ou uma maldição...Desde que se tornaram uma só carne, suas almas se fundiram também.
Sakura: "Pai, eu sinto o cheiro da mamãe...(Lagrimas banhando o rosto de boneca) O cheiro de lavanda que ela colocava em casa..."
Fujitaka (Afagando os cabelos mel): "Filha eu não entendo o que está acontecendo, você está tão crescida...(De repente uma forte dor no peito fez o homem se afastar)".
Sakura (Apavorada): "Pai?Pai? O que está acontecendo com o senhor? (Lançou um olhar suplicante para todos) Droga! Alguém faça alguma coisa!".
Fujitaka (Com a voz falhando): "Filha, me ajuda".
Eriol invocou seu báculo e recitou algumas palavras mágicas. Fujikata caiu em sono profundo e a circulação dele estabilizou. Isso era um péssimo sinal.
Eriol: "Há magia em volta do corpo dele" (Encarou Sakura) "Ele está vivo por causa de algum feitiço poderoso...(Fechou os olhos) "Alguém o trouxe de volta do mundo dos mortos e o deu um coração temporário.".
Syaoran (Nervoso): "Isso é impossível, ninguém pode trazer ninguém do mundo dos mortos, essa é a primeira regra da magia...".
Misuki: "Errado...Há apenas um ser que tem o poder para fazer isso...A bruxa do vale".
Tomoyo: "Bruxa do vale? Mas eu pensei que isso fosse uma lenda tola da cidade...".
Sakura (Entrando em pânico): "Você está querendo me dizer que...meu pai ressuscitou do mundo dos mortos? Por uma bruxa de contos urbanos?" (Sentindo mais lagrimas rolarem): "Não pode ser...".
Kero: "Isso explicaria muita coisa mestra. Seu pai não pode ter perdido a memória no Egito e parado aqui sem mais nem menos, ainda mais emanando essa presença estranha.".
Yue: "É a explicação mais clara que temos até agora, infelizmente".
Sakura: "Então..." (Olhando para o pai que respirava calmo): "Se eu quiser ter meu pai de volta, eu tenho que falar com essa tal bruxa?".
Syaoran (Alterado): "Nem pensar! Você não vai encontrar com ela".
Eriol(Colocando a mão no ombro dele): "Isso é muito perigoso, princesa".
Sakura: "Você não me respondeu, Clow...(Ela estava séria) Se eu quiser ter o meu pai de volta...O único jeito é me encontrando com essa tal bruxa?".
Syaoran (Entrando em pânico): "Sakura, se essa bruxa tem poder para ressuscitar mortos ela pode fazer qualquer coisa...".
Sakura(Segurando o rosto inquieto entre as mãos): "Se fosse o seu pai, o que você faria?".
Ele a olhou com os olhos cheios de dor. Ele sabia o que faria, daria um jeito de manter seu pai vivo a qualquer custo...Trazer seu melhor amigo de volta.
Syaoran: "Se você for, eu vou com você e isso é indiscutível".
Eriol: "Vocês não entendem...Essa não é uma bruxa comum, ela é a rainha das bruxas negras".
Sakura (Piscando): "Rainha?".
Misuki: "Seus mais de mil anos a tornaram temida até mesmo para o príncipe do gelo...que só chegou a ser quem é por causa dela".
Syaoran(Mal acreditando nos próprios ouvidos): "Está dizendo que foi essa mulher que transformou Kay no monstro que destruiu Lynea?".
Eriol: "Na verdade foi o ciúme de Kay que fez isso, ela só canalizou".
Sakura: "Alguém precisa parar essa mulher...".
Misuki: "O difícil é descobrir como matar alguém que já está morta". (Encarou o casal) "A bruxa do vale é um espírito.".
Sakura: "A chama do dragão pode fazer qualquer coisa, não pode?" (Todos se calaram) "Então já passou da hora de usá-la".
Yue: "Mestra, se a chama sair do controle o seu corpo será consumido pela luz".
Sakura (Triste): "Eu não posso deixar o meu pai morrer de novo...Não agora que ele voltou".
Eriol (Desconsolável): "Isso é uma isca Sakura, eles querem te atrair até lá e você está caindo como um patinho".
Syaoran (Encarando Clow): "Há outra maneira?"
Eriol: "Não...Mas se talvez fossemos todos os seres mágicos juntos...".
Tomoyo (Interrompendo): "Eu também vou".
Eriol (Olhando para a morena): "Você não! (Fora de si) É muito perigoso".
Tomoyo: "Só porque eu não tenho magia, não significa que eu não possa ajudar" (Séria) "Além do mais, você não manda em mim".
Misuki (Para o irmão): "Acho que já passou da hora de vocês se resolverem (Olhou para a linda menina de cabelos negros) Eriol e eu não somos namorados, noivos ou casados. Clow e Erin eram irmãos e da mesma forma agora Eriol e eu somos irmãos (Fez uma pausa) De sangue".
Ela cambaleou incapaz de dizer uma só palavra.
Eriol (Com o olhar dolorido) "Eu queria te contar...Mas naquela noite (Aproximou-se da menina) Naquela noite em que te fiz minha eu tive que partir...".
Tomoyo (Deixando lagrimas rolarem pelos olhos violetas): "Irmãos? Mas isso não faz sentido algum".
Eriol: "E desde quando panteras e leões alados? Anjos e borboletas gigantes fazem sentido?" (Desviou o olhar) "Naquele dia Tomoyo o equilíbrio do universo se desfez e o primeiro portal do mundo do gelo para esse mundo se abriu. Eu não tive escolha...Sakura não estava preparada para lutar...".
Sakura (Chegando por trás da prima): "Você abandonou Tomoyo por minha causa?".
Li a abraçou antes que ela pudesse continuar. Sentiu em seu próprio peito o sofrimento dela. Céus! Que ligação louca era aquela?
Eriol: "Não, eu nunca abandonaria a minha amada Tomoyo...Eu sempre estive por perto, eu só não poderia colocá-la em risco. (Ele tinha lagrimas nos olhos) "Aquelas criaturas queriam impedir que as cartas fossem criadas, mas chegaram uma era depois...Era atrás de mim que elas estavam...até perceberem que a busca não tinha mais sentido...e os ataques pararam até meses atrás quando o universo começou a chamar a magia de Sakura e atrair novamente as criaturas".
Tomoyo: "Por que não me contou isso antes? Eu teria entendido...Você preferiu me fazer pensar que eu tinha me entregado para um 'canalha' que fugiu com a minha professora do primário".
Eriol: "Não era tão simples assim...Tivemos que nos isolar para poder nos fortalecer o suficiente para enfrentar essa batalha...e a forma mais provável que as trevas nos achariam seria seguindo os meus laços sentimentais...Por isso, tive que quebrá-los".
Tomoyo (Dando um tapa no rosto do inglês): "Eu odeio você...odeio...Odeio essa sua covardia!".
Ele ficou ali, parado, resignado com o rosto vermelho e uma profunda dor invadindo seu coração. Colocou a mão no queixo, verificando seus músculos.
Eriol: "Eu não te culpo por isso" (Desviou o olhar) "Mas pelo menos, eu te expliquei o que aconteceu...e esse peso saiu das minhas costas finalmente" (A encarou) "E só para constar eu não tive nenhuma outra mulher depois de você".
A campainha tocou interrompendo a conversa tensa que se formou na sala e Wei atendeu a porta um pouco desconfiado, mas relaxou ao perceber que o irmão de Sakura com o amigo haviam chegado.
Sakura (Correndo): "Touya, graças a Deus" (Abraçou-o apertado).
Touya (Aflito ao perceber a presença de Misuki nem abraçou a irmã): "Sakura, eu não estou entendendo mais nada".
Sakura: "Nem eu mas (Apontou para o pai adormecido no sofá) "Ele está aqui".
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Sakura (Baixinho): "Esse lugar me dá arrepios".
Yue(Sério): "Não é para menos. Há presenças estranhas espalhadas por todo vale...".
Kero (Para Li): "Moleque, bem que você poderia ter trazido uma lanterna melhor".
Syaoran (Iluminando fracamente o local): "Ah, cala a boca 'bola de pelos' eu trouxe a que eu tinha em casa".
Eriol: "Vocês querem parar com isso? Vão delatar nossa posição".
Misuki: "Ainda não me sinto a vontade deixando Spinell e Ruby Moon no apartamento".
Apos o reencontro conturbado, sabiam que precisavam de respostas e a única forma de obter seria no vale.
Eriol (Sério): "Precisávamos proteger nossos amigos".
O lugar parecia mais assustador do que nunca com as árvores secas pelo Outono. Os sentidos da princesa estavam em alerta, ao mesmo tempo que queria encontrar a bruxa, algo lhe dizia para fugir daquele lugar. Um barulho alto parecido com o rosnar de um animal selvagem obrigou o grupo a se aproximar.
Kero: "O que foi isso?".
Yue: "Parece o barulho de um animal feroz...como um urso ou um-".
Syaoran (Gritando): "É uma emboscada. Abaixem!".
Foi a ultima coisa que conseguiu falar ao ver os milhares de morcegos voando em sua direção. Eles rodearam o grupo formando um rodamoinho negro. Li acionou o escudo mágico enquanto que a princesa invocava seus poderes.
Sakura: "Chave que guarda o poder da minha estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os a valente Sakura que aceitou essa missão" (Abriu os olhos) "Liberte-se" (Encarou Li com a espada na mão) "Luz eu escolho você".
E mais brilhante do que o sol nascente a carta emitiu sua luz atrapalhando a visão dos morcegos que desorientados não conseguiam mais usar a eco-localização e começaram a se debater um contra o outro caindo no chão seco. Havia sangue animal espalhado por todo lado. Quando as criaturas caíram, algo no meio do vale chamou a atenção do grupo.
Sakura (Incrédula): "Não pode ser...".
Syaoran (Assustado): "Parece uma moça". (Observou o corpo da ruiva no chão) "Deus! É a Naomi. O que aconteceu com ela? Está ferida...".
Virou-a rapidamente e viu que ela ainda respirava. Estava coberta de sangue de morcego por todos os lados.
Sakura (Sem entender): "O que ela está fazendo aqui? Será que esses monstros a seqüestraram?".
Eriol: "Há algo emanando dela" (Arregalou os olhos) "Algo muito poderoso".
Assustando a todos, a ruiva abriu os olhos negros repentinamente encarando Li que a segurava. Sorriu sentindo o poder inundar seu ser. Agora entendia o que havia acontecido. Recebera poderes mágicos... E com ele mataria aquela mulher insolente que insistia em roubar o que era 'seu' por direito. Empurrou o guerreiro para longe que caiu sentado sem entender e encarou a mestra das cartas que a olhava em pânico ao se dar conta do que acontecia.
Sakura: "Os morcegos..." (Balbuciou olhando assustada para o anel de perolas que começou a brilhar) "Era você...".
Continua...
* Nibelungus – Há uma lenda nórdica de um anel capaz de corromper o coração humano e torná-lo vulnerável.
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