Chamas do Dragão
11 Capítulo XI- "Sol da Meia Noite"
Chamas do Dragão
Capítulo XI
Por Mel
Sol da Meia Noite
O amanhecer trazia o canto dos pássaros a sua janela. Syaoran Li abriu vagarosamente os olhos temendo acordar. Virou o pescoço tentando se posicionar melhor e viu um adormecido Wei sentado de forma desconfortável na poltrona de couro branca. Seu tutor deveria estar muito preocupado, nem se lembrava de como chegara lá. Revirou-se um pouco na cama, sentindo os músculos doerem. Tudo doía, desde a nuca até sua panturrilha. Era como se tivesse dormido por meses e despertado de um coma. Seus braços mal o obedeciam e com movimentos bruscos e desengonçados fez um barulho estranho e sem querer despertou o velho chinês.
Wei (Esfregando os olhos): "Jovem Syaoran...Graças a Deus...(Fazendo esforço para endireitar-se) Já não sabia mais o que fazer (Tossiu)".
Syaoran :"Ai minha cabeça" (Mexeu-se novamente) "Acho que eu dormi de mais. Sinto-me tão estranho, um pouco mole. Que horas são?".
Wei (Olhando o relógio no pulso): "São seis horas da manhã".
Syaoran (Estranhando a dor de cabeça): "Isso não me parece muito tempo para estar me sentindo dessa maneira...".
Wei: "Do dia 19 de Março.".
Syaoran (Arregalando os olhos): "Di-dia 19? Ma-mas isso não é possível a não ser que eu tenha dormido por-".
Wei: "Nove dias".
Syaoran (Levantou-se de pronto sentindo tudo estralar): "Mas..O que?" (Levou a mão a cabeça) "O que aconteceu?Eu...Sakura...e-"(Jogou o travesseiro longe com força): "Droga".
Balançou a cabeça de forma desesperada. Agora tudo estava diferente, até seus pensamentos estavam diferentes...Sentia-se completo de uma certa forma e assustado de outra. Respirou fundo vendo os pássaros construírem um ninho no batente.
Wei: "Você chegou carregado por Spinel-sun...(O encarou) Hiragizawa veio aqui todos os dias sempre no mesmo horário. Próximo as cinco da tarde... Ele parecia mais maduro, nem o reconheci de pronto...".
Syaoran (Sério): "E depois?"
Wei (Ajeitando os óculos grossos): "Ele media o seu nível de magia e dizia que faltava pouco para que você acordasse...Sua mãe e irmãs estavam muito preocupadas, mas em uma das horas que elas ligaram Hiragizawa atendeu o telefone. Eles falaram em um idioma estranho, mas deve ter funcionado porque ela não voltou a ligar...A faculdade ligou várias vezes e tive que inventar que você foi para a China resolver alguns problemas pessoais e que logo retornaria. "
Syaoran: "Ele falou algo de Sakura?".
Wei (Ajeitou o óculos): "Disse para que quando você acordasse, não se preocupasse, que tudo estava sob controle".
O jovem levou a mão a cabeça novamente. Ela doía como em uma crise aguda de enxaqueca.
Syaoran (Confessando): "Está tudo fora do controle na verdade".
Wei (Sem entender): "Do que você está falando?".
Syaoran (Fitando o teto): "Eu lembrei de tudo...De quem eu realmente sou ou era, ou sei lá. Do porquê eu nasci nessa era, do porquê sofremos esses ataques misteriosos e principalmente (Engoliu sentindo a garganta seca) Do porquê eu nunca consegui esquecer Sakura..." (Suspirou de maneira dolorida) "E eu que tentei tanto odiá-la Wei, Deus sabe do meu esforço para arrancá-la do meu coração... mas agora eu entendo que nem se eu arrancasse ele do meu peito isso seria possível".
Sentou-se com dificuldade e espreguiçou-se sentindo todas as vértebras voltarem para o lugar. Tudo estralara.
Wei: "Achei que você já tivesse superado isso..."
Syaoran: "E superei...Ah Wei, se você soubesse..." (Olhou de forma sonhadora para o escritório lembrando-se de seu urso no cofre): "Estou com medo".
O tutor encarou o chinês de forma indecifrável. Medo? Nunca escutara essa palavra sair dos lábios daquele guerreiro, nem quando tinha que se encontrar a sós com os anciões do clã. Havia algo diferente nele. Não era apenas a aparência física, que há nove dias atrás não era tão reluzente como agora, mas a alma dele havia mudado.
Wei (Sentou-se ao lado dele apoiando as mãos sobre a cabeça de seu menino): "Eu estou aqui meu filho, não precisa se preocupar".
Syaoran (Sério): "Eu sinto que eu vou perdê-la Wei...". (Os olhos mareando) "Perdê-la para sempre".
Wei (Sem entender): "Por que diz isso?".
Syaoran: "Eu não sei...Só sinto".
Wei (Olhou para a porta): "Não pense nisso agora...Pense no presente, deixa que o futuro ao Criador pertence. Vá, tome um banho, arrume-se e vá encontrá-la...Enquanto isso esse velho aqui vai fazer uma oração...afinal medo tive eu de te perder ao perceber que você não acordava(Sorriu)".
Ele saiu de vagar e fechou a porta, deixando o quarto silencioso novamente. Estranhou tanto ao perceber o batimento arrítmico do coração. Na verdade nunca fora homem de temer algo. Sempre enfrentava tudo em sua vida com o olhar altivo e a espada empunhada, mas ultimamente esse sentimento parecia rotineiro, quase familiar. Seus temores vieram a tona, perdidos em seu oceano de lembranças.
Sabia que as memórias relevadas por Eriol eram apenas as necessárias, mas ao mesmo tempo havia um grito em sua alma que lhe dizia que havia mais, muito mais a ser lembrado. Algo tão importante que mudaria o rumo dessa batalha. Mas o que? Precisava saber mais sobre os ataques, sobre sua história, sobre a dela... Precisava entender coisas que não faziam sentido.
Jogou a cabeça com tudo no travesseiro...Apesar de tudo, muitas coisas faziam sentido agora. A beleza fora do comum de Sakura era uma delas. Não estava pensando como um homem apaixonado, mas como um ser humano normal. De tão linda, Sakura chegava a ser assustadora algumas vezes...Como se fosse um espírito ou coisa parecida. Já tivera a idéia maluca de que a garota fosse uma sereia disfarçada de humana, pronta para roubar as almas dos estudantes com seu canto sedutor.
As esmeraldas que guardavam o poder do universo jaziam nos lindos olhos da mestra das cartas. Como jamais percebera que havia algo de errado naquilo tudo? Que era impossível, alguém no universo todo ser simplesmente tão perfeita? Sentiu-se um pouco estúpido...Agora tornava-se obvio o porquê jamais conseguiu esquecê-la, seu senso de proteção, o fato de sempre saber quando ela estava em perigo, o medo de perdê-la...O porquê, mesmo não sendo uma pessoa treinada, ela conquistara as cartas Clow e não ele...
Suspirou ao pensar nesse ultimo fato. A culpara tanto por sua humilhação...Tentara por tantas vezes e inutilmente odiá-la e no final, descobrira que as cartas foram feitas para ela. Lembrou-se da sacerdotisa do templo de Lynea. As cartas eram legitimamente da guardiã da chamas do dragão, ou seja, pertenciam a Sakura para sempre.
Syaoran (Soltando o ar): "A minha Sakura".
Aquela mulher angelical com um coração gigante, a princesa que crescera com ele na outra vida e a mestra das cartas que passara a puberdade ao lado dele, tinham a mesma alma. Sorriu um pouco ao sentir o coração bater mais acelerado ao lembrar-se dela vestida de noiva, ao lembrar-se dela em sua cama.
Se antes a amava, agora era algo fora de sério... Ela era como o ar... seu ar. Observou novamente as pequenas aves no batente. Será que ela havia acordado? O que será que ela estaria pensando? Uma fina angustia invadiu seu peito. E se ela não se sentisse da mesma forma? Claro, eles estavam conectados, agora mais do que nunca, mas e se ela jogasse a culpa do que sentia nas lembranças e quisesse seguir em frente?
Sem querer, lembrou-se de Ryu e instintivamente fechou a cara. O que motivara aquele empresário engomadinho visitá-la de surpresa se eles nem eram tão íntimos assim? Ele a queria, sentira isso desde o primeiro instante quando o rapaz se aproximara dela na festa, mas não sabia que ele ousaria tanto na tentativa. Será que ela se apaixonaria por aquele moreno? Levantou-se de supetão e sentando-se na cama encarou o espelho.
Syaoran (Para si mesmo): "Que dúvidas são essas?"
Olhou-se bem, e viu um homem mudado. Quando chegara há dois meses atrás era apenas um guerreiro arrogante, mas agora, mesmo tendo os mesmos traços e a mesma fibra, seus olhos estavam diferentes. Não eram mais tão impulsivos...Estava mais sábio, como se tivesse recebido um dom ou coisa parecida. Olhou o despertador...
Queria tanto vê-la... tanto falar com ela...
Syaoran (Confuso): "Deus, o que eu faço?".
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Tomoyo estava calada observando a prima dormir. Foram tantas emoções que lhe custava acreditar em tudo. Há nove dias Sakura dormia profundamente, como na história da bela adormecida. No começo ficou muito preocupada, mas Kero e Ywe disseram que ela precisava recarregar as energias e que agora como ela lembrava-se de tudo, o poder das chamas renascera com ela e o corpo estava reagindo. Hora ou outra recebia as notícias de que Li também dormia ao escutar os guardiões no telefone com Clow, antes deles enfraquecerem pela ausência de magia de Sakura.
Escutou um gemido incompreensível. A mestra das cartas estava sonhando. Esperava que agora, depois de tudo o que passara, ela tivesse um sonho bom. Olhou melancólica pela janela... Sentia o peito apertado. Recebera uma ligação do bisavô logo de manhã e com a melhor voz que pôde fazer disse que Sakura estava surpreendentemente melhor e que talvez hoje, se ela não sentisse tanta dor, assistiria a aula. Não podia contar para Masaki o que estava acontecendo, logo agora que ele tivera que fazer uma viagem de negocios. Só queria que a prima acordasse logo e que tudo isso passasse. Kero e Yue ficaram no templo Tsukimine recarregando a magia através dos astros protetores, já que Sakura estava impossibilitada de sustentá-los naquele momento.
Lembrou-se das visitas diárias de Eriol. Por que seu coração ainda acelerava quando pensava naquele inglês mentiroso? Touya era outro que não os deixavam em paz. Ligava de hora em hora para saber dela, até que invocada lhe deu o numero de Misuki. Não sabia o que eles conversaram, mas acabou com as ligações insistentes. Confusa, e sem saber direito o que fazer, resolveu tomar um banho e deixar a água quente limpar seus pensamentos.
Os olhos esmeraldas aos poucos foram se abrindo e o teto decorado fora a primeiro visão que tivera depois de tanto tempo. Olhou para o lado e não viu ninguém. Seus guardiões não estavam lá e pelo barulho do chuveiro Tomoyo estava no banho. Mexeu os dedos percebendo que mal os sentia. Seu corpo estava lento. Surpreendeu-se ao ver que estava de camisola, não se lembrava de como chegara lá, mas aquilo naquele momento pouco importava.
Sakura (Gemendo alto): "Minha cabeça dói tanto".
Tocou na jóia em forma de borboleta que jazia em seu pescoço delicado. A borboleta que ganhara de seu 'marido' da outra vida e que agora guardava o poder das suas cartas. Lembrou-se de tudo e ao invés daquilo alegrá-la lhe trouxe uma angustia descomunal. Dentro dela estava a chave do poder supremo do universo...Aquilo parecia uma brincadeira de mau gosto. Por que justo com ela? Seria ela tão merecedora de tão dádiva? Olhou pela janela. Como 'ele' estaria agora? Será que já tinha acordado? Ela não conseguia sentir a presença dele, e nem ele a sua...
Tomoyo (Surpresa ao vê-la sentada): "Sakura, que bom que acordou".
Sakura (Sentindo o peso do corpo de Tomoyo dando-lhe um abraço): "Nossa, mas nem é tão tarde assim...Acabei de ver que são seis horas no despertador".
Tomoyo (Sentando-se ao lado dela): "São seis horas, mas do dia 19...Você dormiu por nove dias".
Sakura (Surpresa): "EU O QUE? Não...Não pode ser!".
Tomoyo: "Eriol disse que era o tempo necessário para você se recuperar do que se lembrou e bla bla, mas eu estava quase chamando a ambulância, juro!".
Sakura (Revirando os olhos): "Como você é exagerada..."
Tomoyo: "Acha exagero cuidar de você? Nove dias, você poderia ter desidratado...Mas cada dia sua pele estava mais brilhante...sei lá! Parecia um sono de beleza. Devia olhar-se no espelho, você parece de mentira...".
Sakura (Ignorando a ultima frase da prima): "Pelo menos eu não sinto mais dor no corpo" (Respirou fundo).
Tomoyo (Riu): "Você aproveitou não é prima?Adora dormir".
Sakura: (Riu também): "Pior que dessa vez eu não tenho culpa".
O silêncio pairou novamente sobre o quarto.
Tomoyo: "O Ryu apareceu ai de novo. Tive que inventar que você viajou com o seu irmão para um tratamento medico em Tóquio...".
Sakura: "Nossa, nem eu pensaria em algo melhor".
Tomoyo: "Acho que ele esta apaixonado mesmo...Não para de me sondar para saber quando você volta...(riu) Eu queria ter visto a cara dele quando ele acordou na cama depois de tudo o que ele viu. Deve ter sido um máximo!".
Sakura (Segurando o riso): "Coitado..."
Tomoyo (Sentando-se ao lado dela): "Sabe...Há um boato na faculdade de que Li voltou para China". (Olhou para as próprias mãos): "Wei deve ter inventado isso e calhou com a doença do imperador. Ninguém desconfiou de nada".
O olhar de Sakura murchou.
Sakura: "Ele vai ter que voltar...Cedo ou tarde, não é verdade? (Sorriu tristemente) E eu não posso tirar isso dele. Ele é o herdeiro do trono chinês. Vai ser o homem mais respeitado de um pais inteiro".
Tomoyo: "Ele te ama Sakura, você sabe disso".
Sakura: "Amor também é renúncia...".
Tomoyo: "O que você está pensando em fazer?".
Sakura: "Não sei...mas nesse momento eu só quero espairecer"
Levantou-se da cama.
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Eriol sentiu o vento mudar de direção e apagar todas as velas da sala do templo. Olhou para a irmã que meditava concentrando sua energia para manter vivos os guardiões. Eles finalmente acordaram. Podia sentir o poder deles se espalhar pela esfera mágica. Logo a chave mágica não seria mais capaz de segurar a energia da princesa. A batalha de verdade começaria agora e precisavam estar preparados.
Yue e Kerberus finalmente despertaram do sono induzido.
Yue: "Ela acordou".
Eriol: "Sim...Agora tudo esta finalizado".
Kero: "Como faremos? Vai ser questão de dias para Kay perceber que a presença dela despertou"
Eriol: "Não se preocupem...Não foi só a presença dela que despertou, mas o poder dele também...".
Misuki: "Vai dar tudo certo" (Abriu os olhos finalmente) "Agora precisamos ajudá-la a canalizar o poder antes que a magia da chave se acabe...ou pior, antes que o poder da chama a consuma...".
Yue (Preocupado): "Acha que foi sábio tê-la despertado nesse momento? Ela tem tanto o que treinar e-"
Eriol: "Entendo sua preocupação, mas estamos seguindo a ordem natural das coisas...não foi nossa decisão. Foi a decisão do universo..."
Kero (Sincero): "Espero que o universo saiba o que está fazendo".
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Era o mesmo balanço de madeira, mas agora estava reformado. Trazia lembranças diferentes. Seus olhos repousaram sobre o mar azul, um pouco agitado pelo vento forte daquela época de início de primavera. O parque do Rei Pingüim era o lugar mais próximo da cidade que fazia divisa com as areias brancas do litoral de Tomoeda. La sempre refugiara sua alma e agora não seria diferente.
Deixou o vento brincar com seus cabelos longos. Foi então que a presença 'dele' invadiu o parque e seus olhos finalmente se encontraram. Foi um misto de dor, angustia, paixão... Ficaram se olhando por instantes que pareceram horas.
Com os cabelos rebeldes mais bagunçados e olhos âmbares mais brilhantes que de costume ele se aproximou dela sem deixar de olhá-la por um simples segundo. Apenas o ar os separava naquele momento e jogando todo seu orgulho e convicção no lixo, ela correu até ele rendendo-se completamente ao abraço. Choraram como nunca imaginaram chorar. Havia dor, desabafo, saudades, medo...Ficaram ali, sentindo a respiração e o toque carinhoso um do outro... Ele com cuidado levantou o rosto dela obrigando-a a olhá-lo.
Syaoran (Enxugando as lagrimas na bochecha dela): "Você está bem?"
Sakura (Vendo lagrimas genuínas escorrerem pelo rosto másculo): "Eu não sei".
Syaoran (Falando contra a bochecha dela): "Isso parece loucura".
Sakura (Fechando os olhos): "Eu sei..."
Syaoran (Com os olhos suaves): "O que vamos fazer agora?".
Sakura: (Soltou-se do abraço dele) "Não sei...Não sei de mais nada. Eu só queria que tudo isso não passasse de um sonho. Essa coisa toda de chama do dragão...Queria acordar na minha cama quentinha na casa do meu pai e sentir o maravilhoso cheiro das panquecas dele. Voltar a ir a escola de patins e nunca ter aberto aquele livro com as cartas...(O encarou) Mas isso não mudaria nada não é verdade? Porque SEMPRE a culpa de TODAS as catástrofes é minha. (As lagrimas teimosas mareando novamente os olhos verdes) "Pessoas inocentes estão morrendo por MINHA causa".
Ele fez menção de se aproximar de novo, mas ela não deixou. Afastou-se mais ainda assustando o guerreiro, que por um instante sentiu-se vazio novamente.
Sakura (Com a voz dolorida): "A culpa de você ter sido espancado por aqueles velhos é MINHA, você tem toda razão para me odiar... e agora a culpa da humanidade perecer é MINHA também..."
Syaoran (Sentido): "Você não teve culpa de nada Sakura".(Correu até ela impedindo que ela se afastasse) "Destino a gente não escolhe".
Sakura: "Mas muda Syaoran...As pessoas não precisam mais sofrer por minha causa (A voz dela era suave e tinha som de despedida). Tomei uma decisão...(Olhou de forma profunda nos olhos do rapaz) "Eu vou me entregar para o Kay. Vou me render de uma vez".
Syaoran (Sentindo o desespero corroer todo seu corpo): "Ficou maluca?!"
Sakura (Séria): "Olha bem para mim Syaoran. Eu sou de carne e osso. Eu sinto dor...eu me machuco" (mostrando os pequenos hematomas que ainda sobraram da batalha anterior) "Entende?". (Chorando): "Como eu posso carregar esse peso, essa responsabilidade? Eu quero que a minha vida acabe de uma vez...".
Syaoran (Segurando o braço dela com certa força): "Você NUNCA mais repita isso...ouviu? NUNCA mais...".(Aliviou a pressão das mãos trazendo ela para perto e com a voz embargada falou próximo ao ouvido dela): "Me perdoa minha flor..."
O pequeno coração acelerou tanto que ela podia senti-lo bater no estômago. Rendeu-se mais ao abraço dele, despejando todas as lagrimas no peito protetor do homem que amara em todas as vidas.
Syaoran: "Me perdoa por ter sido tão cego, por tudo o que eu fiz você sofrer...Eu amo você" (Ele a segurava forte) "Amo tanto você..."
Sakura (O encarando): "Você ama a princesa que eu fui...".
Syaoran (Apertando-a ainda mais): "Não...eu amo a mulher linda e boa que você é". (Confessando) "Eu voltei para Tomoeda por sua causa".
Ela não falou nada, apenas apertou um pouco mais o abraço, com medo daquilo acabar de repente, foi então que lembrou-se da conversa com a prima.
Sakura: "Você vai embora, não vai?" (Fez carinho no rosto quadrado) "O imperador está doente...e você vai embora de novo".
Syaoran: "Sakura pelo amor de Deus"(Beijou a testa dela) "Eu nunca deixaria você...Ainda mais em um momento como esse. Será que você não entende?".
Sakura (Tentando livrar-se dos braços dele, que a apertava ainda mais): "Eu não posso pedir isso para você...Eu não seria tão egoísta a ponto de pedir para você ficar...".
Syaoran (No ouvido dela): "Eu só volto para China, com você do meu lado..." (Acariciou os longos e perfumados cabelos mel): "Como a minha esposa...Senão, eu morro aqui, mas eu não volto".
Sakura: "Syaoran..."(Fez uma pausa) "Você mais do que ninguém sabe que jamais aceitariam alguém como eu ao seu lado".
Syaoran: "Alguém como você?" (Incrédulo) "Você é chave do poder do universo. A detentora legitima das cartas..."
Sakura (Sentindo lagrimas novamente se formarem): "Eu esperei tanto, tanto que você voltasse...Mas olha para gente agora... Duas pessoas feridas abrindo o coração no meio do parque...Isso não está certo".
Syaoran (Sentindo onde a conversa ia levar): "Minha flor, não faça isso com a gente...".
Ela o encarou profundamente e surpreendendo o rapaz, depositou um beijo delicado em seus lábios definidos e depois sorriu tristemente.
Sakura: "Mesmo que tudo fosse diferente, mesmo que não houvesse nada dessa história de chama...nós nunca daríamos certo" (Afastou-se dele) : "Sempre haveria algo entre nós"
Virou as costas, mas foi incapaz de se mover, Li a enlaçou com força, a virou e finalmente a beijou. Um toque suave, que logo se transformou em um beijo quente, saudoso e desesperado. O beijo que mudaria o rumo de tudo.
Syaoran: "Eu amo você".(Sentindo lágrimas inundarem seus olhos) "Por favor, não desista de mim, minha flor...".(Gemeu) "Não desista de nós...".
Sakura (Rendendo-se finalmente a ele): "E eu amo você, meu amor".(Sincera) "Mas eu estou com medo".
Syaoran (Sorriu ao escutá-la se declarar): "Eu estou aqui, eu não vou deixar nada acontecer com você, prometo...".
Beijaram-se novamente com paixão, sentindo o sol da manhã testemunhar o amor sem fim que tinham um pelo outro.
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Era perto das dez da manhã quando Li e Sakura apareceram na faculdade. Tomaram a decisão de ir para a aula depois que o guardiões os surpreenderam com a insistência de um treinamento árduo, agora juntos. Passariam a noite toda na mansão, já que durante o dia era perigoso que alguém os vissem usar magia. Tiveram aulas separadas. Ambos foram bombardeados por milhares de perguntas e se esquivavam da forma que podiam. A aula mista de educação física seria a próxima e por uma questão de sensatez, a menina pediu para apenas assistir da arquibancada. Pedido esse que fora aceito de pronto, visto que para todos o motivo de sua ausência fora o acidente que sofrera na mansão Kimura.
Li estava se preparando para uma partida de vôlei, sentia os músculos um pouco doloridos. As meninas suspiravam ao ver os braços fortes de fora. Como era possível que em nove dias ele estivesse mais irresistível do que antes?
Olhou de longe e viu a mestra das cartas sentada olhando de forma distraída o celular, mas logo largou o aparelho olhando de forma perdida para as árvores. Sentiu o peito fisgar. Ela estava sofrendo com tudo isso, sentia isso dentro da alma.
Os rapazes não conseguiam controlar os próprios olhos, a observavam de forma gulosa e isso estava matando o chinês por dentro, principalmente ao perceber que Ryu estava tão desnorteado que mal conseguia amarrar os sapatos. Precisava mostrar de uma vez por todas que aquela mulher linda era dele e de ninguém mais...
A princesa sorriu ao perceber que Li a observava e ele desconcertou-se inteiro. Como resistira tanto tempo ao sorriso dela? Teve vontade de se bater novamente. Naomi aproveitou a distração do guerreiro e chegou por trás tapando os olhos âmbares, em uma brincadeira com segundas intenções.
Naomi: "Oi lindão, adivinha quem é".
Syaoran (Fazendo careta tirando a mão dela de seu rosto): "Para de ser ridícula Naomi, pelos céus"
Naomi: "Nossa..só achei que você tivesse sentido tantas saudades quanto eu senti de você" (Abriu um botão da blusa).
Syaoran (Incomodado): "Não senti Naomi...Será que você não entende? (Suspirou) "Além do mais já estou comprometido".
Naomi (Assustada): "Foi isso então que você foi fazer na China? Arranjaram uma esposa para você?".
Syaoran (Sem entender): "Que China?" (Lembrando-se do tutor): "Ah sim, na China..."(Sentiu vontade de bater na própria cabeça) "La eu fui resolver outros problemas...Mas se quer saber a verdade...sim, eu estou noivo.".
Naomi: "Noivo?"
Ela alterou o tom de voz e nessa altura do campeonato todos estavam prestando atenção, até a professora que deveria acabar com tudo, acabou deixando que a curiosidade a levasse a permitir aquela situação.
Naomi (Sentindo o desespero invadir seu ser): "Compromisso é uma palavra muito forte para você...Deve ser mais um dos seus casos...Só que essa deve ter precisado prometer casamento antes de você levar para cama".
Sakura (Chegou por de trás): "Acho que não precisamos esconder isso de ninguém, ou precisamos?"
Os olhares queimando em cima dela. O chinês sorriu quando sentiu as mãozinhas dela enlaçá-lo por trás. Uma boa lembrança invadiu seu ser. Como amava aquela pequena criatura ao seu lado.
Syaoran: "Apresento a vocês a todo mundo aqui a minha noiva...Sakura Kinomoto Amamyia".
Viu Ryu engasgar e a expressão da ruiva mudar drasticamente.
Naomi (Debochando): "Você deve estar de brincadeira...Ela não passa de uma ORFÃ, pobretona que o avô adotou por dó. Vai transar com ela e vai largar como fez com todas".
Ryu (Nervoso): "Para de falar assim dela".
Naomi: "Eu falo o que eu quiser e quer saber? (Olhou bem nos olhos dela): "Ele vai te catar e depois vai jogar fora como fez com TODAS as outras...".
Sakura (Calma): "O problema Kimura é que eu não sou 'outra', eu sou a oficial".
Naomi (Gritando): "Uma ova que você é...Você não é NADA...".
Syaoran (Irritado): "Naomi, para com isso. Você já está passando dos limites".
Sakura: "Deixa ela Syaoran..."(Se compadeceu da menina) "Ela só precisa de um tempo para assimilar as coisas".
Naomi: "Isso não pode ser verdade..." (Fora de si) "Não pode".
Percebendo o rumo das coisas, a professora finalmente se pronunciou assoprando o apito.
Professora: "Chega disso tudo. Srta. Amamyia se não for participar da aula, por favor volte para a arquibancada, o jogo vai começar".
Ryu sentiu a raiva dominar seu ser quando antes de obedecer a professora o objeto de sua adoração depositou um beijo carinhoso nos lábios de seu pior inimigo, que sorriu apaixonado. Aquilo era um pesadelo, igual ao do outro dia quando vira os dois lutarem com um gato horrendo, a qualquer minuto acordaria em sua cama...sabia disso. Sem pensar duas vezes atacou a bola na direção do guerreiro que instintivamente segurou-a entre suas mãos fuzilando o japonês com os olhos. Naomi era consolada por suas amigas que afirmavam em alta voz que aquilo não passava de um 'casinho' qualquer, mas a ruiva sabia que os olhos de Li transmitiam pela neta do magnata dos brinquedos algo que sempre sonhara ver quando ele a olhava 'amor', amor de verdade e aquilo a desesperou.
Naomi (Entre os dentes): "Eu venderia a minha alma se isso acabasse com esse romance para sempre"
Uma frase jogada ao vento foi o que bastou para que o poder das trevas despertasse novamente.
Continua...
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