Chamas do Dragão

5 Capitulo V- "Meu Coração Ainda está Batendo"


Chamas do Dragão

Capítulo V

Escrita por Mel

Meu Coração Ainda está Batendo

Li olhou-se demoradamente no espelho. O reflexo que viu o incomodou por dentro de uma forma diferente. Não que não estivesse bem. Muito pelo contrario o Smoking preto lhe caía melhor do que qualquer outra coisa que poderia usar para ocasião, mas era o que estava escondido, subliminarmente dentro da imagem, que mexeu com seus pensamentos. Fazia tempo que não sorria. Exceto por essa tarde quando esteve com Sakura... Antes, parecia que aquela expressão séria havia sido esculpida em suas feições e congelada em um mármore eterno, mas agora... Estava mais suave. Seria isso um sinal de fraqueza? Olhou de relance para a camiseta que usara hoje. O perfume de Sakura ficara impregnado nela. Sem perceber pegou a camisa e levou-a ao nariz. Como uma pessoa poderia cheirar tão bem? Assustou-se quando Wei bateu na porta, e jogou a camisa na cama rapidamente, fingindo arrumar suas coisas.

Wei: "Posso entrar?".

Syaoran: "Pode. Claro." (O olhou) "Como estou?".

Wei (Rindo): "De arrasar corações, como sempre. O motorista já abasteceu seu carro. Tem certeza de que não quer que ele o acompanhe?"

Syaoran (Soltando um sorriso de lado): "Já sou grandinho para me cuidar".

Wei: "Certo. Então vou me retirar jovem Syaoran. Tenha uma boa festa".

Syaoran: "Obrigado".

O velho fechou a porta com cuidado e a brisa leve na janela trouxe de volta o perfume de 'sakuras' e os pensamentos insanos do guerreiro. A imagem da menina voltou à sua cabeça, seguida por diversas cenas da batalha. Ele fora treinado para proteger o mundo e quem salvara o dia fora ela. Não poderia permitir que isso se repetisse. Se quisesse ser o maior guerreiro que já existira, tinha que se esforçar para isso. Ela não o superaria novamente. Já estava com as cartas, e agora ela seria a heroína? Não. Dessa vez, não.

Pegou a camiseta e jogou no cesto de roupas sujas.

Esconderia o perfume.

Esconderia o sorriso.

Esconderia seus sentimentos.

Syaoran: "Preciso dar um jeito de arrancar ela da cabeça, antes que ela me torne um fraco de novo".

Olhou para o relógio e mentalizou Naomi a sua frente. Se esse fosse o único jeito de continuar um guerreiro de elite, ele lutaria contra esse sentimento há muito tempo guardado num cofre lacrado no seu coração. E as chaves? Foram destruídas por cada chibatada que tomou dos anciões. Amor por correspondência só existe em livros românticos e não na vida real. Iria se divertir com a ruiva e pronto. Fim desses hormônios masculinos confundido sua mente.

...FGHRSJ...

A grandiosidade e o brilho do estonteante salão de festa cegaram os olhos esmeraldas por alguns segundos. Era possível haver algum ambiente mais bonito que aquele? Sakura duvidava. Os lustres de cristais austríacos formavam chuveiros e reluziam cores delicadas por toda parede finamente decorada por um artista oriental. Havia a história da família Kimura em cada centímetro quadrado. Ela respirou fundo algumas vezes virando-se para a prima e o bisavô. A cena de quando soubera que o evento era na casa de Naomi fora cômica.

...Flash Back...

Tomoyo (Deitando-se do lado de Sakura): "Sente-se melhor?".

Sakura: "Muito...(Ela estava deitada de costas para prima)Por menos que eu queira admitir Li tinha razão em relação a salada e ao suco(Riu um pouco).

Tomoyo (Soltando o ar): "Verdade. Você sempre se alimentou tão bem, ultimamente que anda com essas frescuras de não comer direito. Precisa se cuidar. Seu manequim é perfeito...falando nisso, eu fiquei tão brava por ter dormido e não ter te filmado batalhando.(Riu) Eu pensei em modelos fantásticos e que darão uma ótima mobilidade para você usar".

Sakura (Rindo): "Só você Tomoyo...E, mudando de assunto. Como você está?"

Tomoyo: "Mais ou menos...Estou um pouco confusa para falar a verdade" (Abraçou o travesseiro): "Eu jamais imaginei que Eriol fosse voltar".

Sakura (Finalmente a encarando): "Nem eu...Eu jamais imaginei que houvesse outra batalha. Pela primeira vez em muito tempo eu não sei o que esperar".

Tomoyo: "Está assustada?".

Sakura (Sincera): "Muito. Eu sinto que alguma coisa ruim vai acontecer. (Olhando em volta): "Kero e Yue ainda não voltaram?".

Tomoyo (Revirando-se na cama): "Não. Aposto que Clow tinha muita coisa para conversar com eles."

Sakura (Não muito surpresa): "E deve ter mesmo...Foi realmente muito estranho eles não terem sentido nossas presenças. Espero que Eriol possa resolver esse dilema".

Tomoyo (Olhando no relógio): "Ai Meu Deus! Vamos! (Levantou-se com tudo) Temos que nos arrumar, logo o bisavô estará ai e ele vai ficar bravo se nos atrasarmos (Riu) de novo.".

Sakura (Enfiando a cara no travesseiro): "Temos mesmo que ir?".

Tomoyo: "Muito. Parece que será um evento importante com vários empresários" .

A menina se sentou na cama olhando o céu escuro pela janela. Estava com preguiça, moleza, sono. Queria apenas descansar, como uma pessoa normal que trabalhou a semana inteira e merecia um dia de folga.

Sakura: "Eu dormi bastante, mas sinto como se não tivesse dormido nada...A propósito, onde iremos?".

Tomoyo: "A mansão Kimura".

Sakura (Apos alguns segundos): "Kimura? Mas esse é o sobrenome da...(Com os olhos arregalados) Ah não! Por que você não me falou que era na casa da Naomi? Eu não posso ir de jeito nenhum." (Pegou um travesseiro e pôs no rosto novamente).

Tomoyo: "Como não pode ir?(Revirou os olhos) Ela não pode fazer nada na frente dos pais dela e do nosso bisavô".

Sakura (Interrompendo): "Não é isso. (Murmurando) O Ryu vai estar lá e a Naomi anda espalhando para todo mundo umas fofocas absurdas de que eu tenho um caso com ele. Além do mais não estou a fim de ver o Li hoje de novo".

Tomoyo (Levantando uma sobrancelha): "Ora, para quem passou algumas horas comendo com ele, o que tem ir numa festa onde ele vai? Vocês não nasceram grudados, se cumprimentem educadamente e pronto".

Sakura: "Acontece que... o problema...é que...Ahhhhh! (Jogou o travesseiro no chão) O problema é que a Naomi convidou ele para uma festinha particular".

Tomoyo (Erguendo uma sobrancelha): "Está com ciúmes?".

Sakura: "Não é ciúmes...(Revirou os olhos)Aliás não tem o porque eu estar com ciúmes...Eu não tenho nada com ele...Por que eu estaria com ciúmes?".

Tomoyo (Balançando a cabeça): "Eu não consigo entender você, Sakura. Vocês acabaram de se reencontrar e isso é lindo. Mas agora vocês dois são adultos, precisam ter momentos juntos, precisam se conhecer melhor. Batalhar algumas vezes não faz com que você saiba a preferência da pessoa, o jeito como ela te trata...Você o esperou por tanto tempo, mas o tempo é uma coisa que muda de mais o ser humano".

Sakura (Triste): "Ele está muito diferente.".

Tomoyo (A encarou) Se aproxime dele, passe mais tempo com ele. Ele vai a biblioteca amanhã. Por que não vai também? Você precisa criar ou melhor reviver isso agora".

Sakura: "Eu me sinto conectada a ele...É muito estranho. É forte, magnético..." (Parou por um instante) " E ao mesmo tempo ...é como se ele tivesse preenchendo esse vazio que eu tenho... (A fitou intensamente) "Contos de fadas não acontecem na vida real, e esse é o problema. Sabe quando você sente que nasceu para ser de uma determinada pessoa (Segurou o ar) e de repente, você percebe que além da pessoa nunca ter estado nem aí para você (Fez uma pausa demorada), ela sai com a última pessoa da terra que você gostaria que isso acontecesse...Ai que confuso...Eu estou tão confusa...(Olhou pela janela) Rever o Li .. fez meu coração bater acelerado como eu jamais pensei ser possível...Mas ao mesmo tempo que os olhos dele dizem que eu sou importante (Respirou fundo) Os gestos, o que ele fala...me afastam dele, como se eu ...fosse algo lindo, mas ao mesmo tempo venenoso. ".

Tomoyo: "Sakura...Não sei o que dizer...Mas, se esse amor for puro, verdadeiro, e das duas partes...Não tem o porque não dar certo.(A olhou por incontáveis minutos) E ele, não tira os olhos de você...".

Sakura: "Será que ele sente algo por mim?"

Como a prima era distraída. Li era louco por ela, e de tão obvio parecia meio patético.

Tomoyo (Sorrindo) "Vamos, levante-se, vai tomar banho. Eu vou separar sua roupa" (Sorrindo meigamente). "Só o tempo pode revelar os verdadeiros sentimentos. Deixe as coisas acontecerem naturalmente".

Sakura (Obedecendo): "Certo..." (A olhou com carinho): "Eu sinto no meu coração (Apontou para o peito) que você ainda vai se surpreender com a força do amor".

Tomoyo (Triste): "Não estou muito segura disso".

Sakura: "E quem nos da segurança sobre o futuro, prima?".

Sorriu de forma única, entrando no banheiro. Logo seu bisavô estaria lá e pelo que conhecia de Tomoyo, ela ainda lhe faria uma superprodução.

...Fim do Flash Back...

Masaki: "Vamos minhas queridas (Indicou a porta para elas): Não devemos nos atrasar, a família Kimura é muito tradicional".

O bondoso senhor deu uma olhada carinhosa para as bisnetas. Como amava aquelas duas meninas doces que lhe fora presenteadas por Deus. Alargou mais o sorriso ao ver o olhar sem graça do ministro de relações públicas ao vê-las. Suas princesas eram, sem dúvida alguma, lindas como jamais existiu.

Tomoyo entrou na frente seguida por Masaki. Seu vestido negro contrastava com o branco da pele e acentuava os olhos violetas. Ela prendera totalmente os cabelos e fazia questão de usar uma linda jóia no pescoço. A hesitante Sakura entrou por último, atendo-se a cada belo detalhe da fabulosa mansão. A festa pareceu parar por alguns segundos quando as viram. Mas o que realmente deixou as pessoas sem ar, foi a perfeição da mestra das cartas. Era impossível alguém em todo planeta terra ser tão linda assim, como se fosse diabolicamente linda, ou então angelicalmente perigosa. Chegava a dar medo de tão bonita que era. O teto do salão era de vidro, refletindo a luz da lua no chão.

Sakura sentiu algo queimar em suas costas e virou-se para encontrar Li, com os lábios entreabertos com a notável expressão de surpresa, de braços dados com Naomi que engasgou com a bebida ao vê-la. Não era para menos. Ela estava com os cabelos meio preso, meio solto com cachos nas pontas. Seu vestido era longo, azul-celeste tomara-que-caia, usava brincos que pareciam cascatas de safira, e um grande decote em U nas costas perfeitas, quase chegando ao quadril, acentuava a cintura fina. Ela sorriu para ele, roubando-lhe todo o ar que tinha nos pulmões.

Sakura (Sem graça): "O que todos estão olhando?"

Masaki: "Você...(Riu)Não fique constrangida meu bem, apenas sorria diplomaticamente".

O anfitrião, Kimura Shun logo se aproximou para encontrá-los, seguido por seu filho Ryu que não tirava os olhos dela. Syaoran fechou a cara ao vê-lo se aproximar de sua flor. Não gostou nem um pouco do jeito que ele a olhava. Já podia imaginar os tipos de pensamentos impuros que ele estava tendo com ela. E isso o fez estourar a taça de vinho sem pensar. Naomi o encarou com o rosto duro. O que fora aquilo?Voltou seu olhar para a mestra das cartas e desejou ter uma arma para arrancar aquele rostinho perfeito do pescoço delicado. Viu os olhos de Li se inflamarem quando Ryu arrumou uma mecha solta do cabelo da menina. Syaoran se importava com Sakura.

Sentiu inveja.

Uma inveja profunda que a fez tremer. Aquele rosto...aquelas formas...parecia que fora montada, como um projeto especial de Deus. Não era normal. Quando mostrou uma foto dela para seu cirurgião plástico lhe fazer um nariz igual, ele lhe dissera que aquilo era uma pintura e não tinha como copiar.

Quando dormira com Li, considerara aquilo uma das noites mais incríveis de toda sua existência, mas não foi assim que ele pensou. Ele saiu sem falar nada no meio da noite, e não ligou mais. Quando se viram algumas reuniões adiante, ele estava acompanhado por uma belíssima loira. Syaoran era intocável e sempre pensara que ele não se preocupava com ninguém, quem o quisesse seria por apenas algumas horas, e se desse sorte por uma noite...mas...ao ver o jeito como ele reagia com cada situação que rodeava a jovem de olhos verdes uma incerteza brotou no seu coração. Poderia Li gostar de alguém? Não...talvez Sakura fosse mais um enlace e pronto. Mas...Por que esse olhar apaixonado?

Shun (Virando-se para o Sr. Amamyia): "É um prazer enorme recebê-los aqui nessa noite" (Um empregado interrompeu servindo Champanhe) : "Espero que tudo esteja do agrado do senhor e de suas bisnetas".

Makasi: "Tenho certeza que será um excelente banquete. Obrigado pelo convite".

Shun (Virando-se para as meninas): "Estão mais encantadoras do que eu me lembrava".

Tomoyo: "Muito obrigada. Sua mansão é incrível".

Sakura: "Eu fiquei encantada com as obras de arte. Sou fã dos artistas renascentistas".

Ryu (Sedutoramente) : "Temos uma coleção de esculturas belíssimas, talvez um dia você queira conhecer".

Sakura (Sorrindo): "Mesmo? Eu adoraria".

Ryu (Encantado com o sorriso dela): "A senhorita sabe que não precisa de convite para vir. (Chegou perto dela) "Quando quiser é só aparecer".

Sakura (Baixinho): "Você quer parar com essas indiretas?".

Ryu (Sorrindo de lado): "Você sempre soube que eu sou doido por você".

Sakura (Constrangida): "Mas eu não sou por você..."

Li tentava travar uma conversa amigável com alguns jovens ricos que o cercavam como se fosse uma atração de circo, enquanto contorcia-se de curiosidade. Queria saber cada detalhe da conversa da mestra das cartas com aquele engomadinho, mas seu orgulho era muito forte para deixá-lo se aproximar. Se Sakura quisesse ter algo com Ryu era problema dela, certo? Então porquê tinha vontade de explodir a cabeça do rapaz?

Após alguns empregados limparem o vinho e o vidro que derrubara no chão, tentou ser mais discreto e ao mesmo tempo mais diplomático. O fato de estarem no mesmo evento não significava nada. Ele deu uma olhada para Sakura pelo canto dos olhos e sentiu um arrepio gostoso ao perceber o quanto ela estava deslumbrante. Não culpava Ryu pela cara de bobo. Naomi o apertava cada vez mais, e isso já estava incomodando um pouco. Começou a se distrair olhando para os lados. Precisava parar de pensar desse jeito. Onde estava aquela convicção toda que criara na frente do espelho? Passou os olhos rapidamente pelos belos quadros até que um em especial lhe chamou a atenção.

Syaoran (Virando-se para Naomi, que ainda olhava Sakura de forma carrancuda): "Quem é esse senhor cego retratado no quadro?".

Naomi (Olhando-o surpreendida): "Em qual deles?".

Syaoran: "Naquele grande. O que está ao lado daquela paisagem montanhosa..."(Pensando).'Eu devo estar ficando maluco, ele se parece muito com aquele mendigo que vi no parque'

Naomi (Tentando-se lembrar da história): "Ele era um conselheiro real da época Ming. Meu pai pagou caríssimo por esse quadro".

Syaoran (Piscando): "Época Ming? Mas isso foi há quase mil anos atrás...".

Naomi (Não entendendo a surpresa): "Exatamente. Ele era o braço direito do general, e também o estrategista das batalhas" (Riu um pouco) "O engraçado é que toda vez que eu olho para esse quadro eu acho o general parecido com você".

Syaoran (Empalidecendo): "Qual general?".

Naomi: "Aquele, que está no plano de fundo, conversando com a princesa, aquela mulher de longos cabelos castanhos claros que está de costas. Em nenhuma pintura foi pintada a face da princesa. Parece que era linda como a lua".

Li teve que se segurar no pilar para não cair. Aquele homem não apenas lembrava ele, como era basicamente um auto-retrato dele. E aqueles cabelos castanhos era do tom dos de Sakura...Não poderia ser. Todos aqueles seres horríveis a chamavam de princesa, não é mesmo?Isso estava muito estranho.

Syaoran (Sério): "Quer dizer que tem uma lenda por trás disso?".

Naomi: "Lenda não sei. Sei que há fatos e relatos históricos. Meu pai me contou uma vez. (Olhou para o quadro) A princesa era proibida de ter qualquer relacionamento... Como uma sacerdotisa. Mas ela e o general se apaixonaram perdidamente. Dizem que foi a história de amor mais forte que existiu." (Suspirou) "Mas não teve um final muito feliz. O general morreu em batalha tentando salvá-la, e ela se matou não suportando perdê-lo" (Fez uma cara feia) "Um pouco exagerado, não acha?"

Syaoran tentou parecer indiferente a enxurrada de sentimentos que o acometera, mas vários flashes começaram a invadir sua cabeça. Olhou para frente e o salão por alguns segundos fora substituído por uma geleira. Viu Sakura vestida com trajes de luta, ferida, segurando um cetro que brilhava tão intensamente quanto o sol. Viu também ela olhar para o precipício e fechar os olhos, mas da mesma forma que as cenas vieram, elas desapareceram de sua cabeça. Li levou a mão até a testa.

Naomi: "Não está se sentindo bem?".

Syaoran: "Eu estou muito cansado. Apenas isso. Cansaço".

Naomi: "Certo... Quer sentar?".

Syaoran: "Não precisa" (Tentando se recompor) "Voltando a história do quadro, você disse que a princesa se matou?".

Naomi (Estranhando um pouco o interesse): "Sim, ela se jogou de um abismo, segurando o corpo do general,.. após vencer a batalha" (Riu) "Não sabia que era tão interessado por histórias de amor, eu pensei que o todo poderoso Li era imune a esse tipo de sentimento"

Li olhou de relance para Sakura e uma dor aguda invadiu seu peito. Ela teria coragem de se matar por amor a alguém? 'Eu devo estar cansado, essas imagens não são reais. Estamos aqui, aquilo foi uma história que aconteceu a mil anos atrás'

Syaoran (Rebatendo pós alguns segundos): "Você não sabe nada sobre mim para tirar esse tipo de conclusões. Mas se quer saber a minha opinião, histórias de amor é para mulheres bobas que acreditam em finais felizes. (Sem conter a curiosidade) Tem certeza de que esse quadro é original?"

Naomi (Um pouco desconfortável) : "Foi avaliado por três arqueólogos antes de comprarmos. Meu pai é muito exigente com essas coisas. Arqueólogos de lugares diferentes do mundo...Mas porque ficou tão interessado?".

Syaoran: "Por nada...(Mentiu) Simplesmente achei a peça de muito bom gosto. Gosto de peças que tem uma história por trás. A maioria das pinturas são sentimentos dos artistas, fico muito interessado quando vejo algo diferente".

Naomi (Acreditando): "Certo. Temos uma coleção delas na mansão. Quando quiser vir para conhecer...Mas...por hora, quer conhecer os jardins?".

Antes que ele pudesse responder, o jantar foi anunciado e todos os convidados tomaram seu lugar. Os membros mais próximos da família ficaram mais a frente. O lugar destinado aos Amamyia era no centro, e lhes dava uma excelente vista para o jardim. A salada parecia deliciosa, repleta de camarões e frutas tropicais. Sakura olhou pela janela e viu algo diferente entre as árvores. Um brilho muito intenso que a distraiu por alguns segundos.

Masaki (Percebendo a distração da bisneta): "Está tudo bem, meu amor?".

Sakura (Parecendo em transe): "Está é que- (Deteve-se) 'Esse brilho é igualzinho ao que eu vi na casa abandonada. Talvez não fosse apenas impressão minha'.

Tomoyo: "O que foi? Está enjoada? Com dor de cabeça? Quer ir para casa?".

Sakura: "Não" (Olhou para o jardim) "Me dê um minuto está bem? Preciso de um pouco de ar.".

Levantou-se sob o olhar preocupado da prima e do bisavô. Li seguiu a presença de Sakura instintivamente. Estava mais forte, ou era impressão? Para onde ela estava indo? ...Também... O que lhe importava?

Um minuto.

Dois Minutos.

Três Minutos.

Quatro minutos eternos. Quanto tempo uma pessoa demorava para ir ao banheiro? E porquê a presença dela estava alterada? Ele não pôde mais se segurar na mesa. Não sabia se era curiosidade, preocupação ou qualquer outra coisa, mas algo lhe dizia que Sakura corria perigo. Desejou arrancar o coração do peito. Desejou se bater por estar indo vê-la.

Naomi: "Li. Onde vai?".

Syaoran: "Eu já venho".

Naomi (Um pouco contrariada): "Certo".

Li não precisou se concentrar muito para encontrar Sakura no jardim.

Syaoran (Chegando por trás): "Hei. O que está fazendo?".

Sakura (Pulando): "Credo quer me matar de susto?".

Syaoran (Rindo da cara assustada dela): "Não" (Depois de um tempo) "O que está fazendo, sozinha no jardim bem na hora do jantar? Seu bisavô não ensinou que é desfeita?".

Sakura (Dando os ombros): "Você também não está na mesa comendo, está?".

Syaoran (Sem saber o que responder): "Eu vim tomar um ar fresco".

Sakura: "Sei, bem agora na hora de comer? Certo...(Deu as costas)"

Syaoran: "Não, espera!" (Viu ela virar o encarando) "Na verdade eu vim atrás de você".

Sakura (Perto dele): "Por quê?".

Syaoran: "Porque eu me preocupo com você".

Sakura: "Não se preocupa não".

Syaoran (Sentido): "Como pode afirmar isso?".

Sakura: "Não preciso...Suas atitudes dizem isso (Cortando o assunto) "Você também viu?".

Syaoran (Sem entender): "Vi o que?"

Sakura (Olhando para o jardim): "O brilho...Eu vi...algo brilhando intensamente. E eu tive a impressão de já ter visto na casa abandonada".

Syaoran: "Brilhando?".

Sakura (Balançando a cabeça): "Eu devo estar ficando louca. Deve ser muita coisa na cabeça...Primeiro você, e depois essas coisas, e aí chega o Eriol e-".

Syaoran (Olhando por cima do ombro dela): "Fique quieta.".

Sakura (Contrariada): "Nossa que grosso".

Syaoran: "Não é isso" (Não queria parecer grosso) "Acho que vi alguma coisa".

Sakura: "Me diz que essa alguma coisa não parece com um monstro. Por favor".

Syaoran: "Não se mova".

Ele se aproximou dela. Estavam tão próximos que o calor dos corpos já se misturavam. Sakura prendeu a respiração. Podia sentir todos os pelos do seu corpo se arrepiar. O que ele iria fazer?

Syaoran: "Deusa do sono. Eu invoco o seu poder. Coloque os seres sem magia para dormir".

Sakura: "Aqui tem câmeras. Como pôde usar magia?".

Syaoran: "Depois eu apago as fitas...Assim dá para investigarmos melhor".

Sakura (Ainda parada): "Por que mandou eu não me mover?".

Syaoran: "Eu consigo me concentrar melhor quando você está quieta".

Sakura (Contrariada): "Ha ha ha! Muito engraçado. Aprendeu com quem essa piadinha? Ah já sei com a sua namoradinha...".

Syaoran (Bravo): "Naomi não é minha namorada".

Sakura: "Certo...E eu sou a rainha da Inglaterra. Ela estava te comendo com os olhos. Ela te exibe como se fosse um prêmio, e você se faz de bobo e deixa.".

Syaoran: "Pelo menos eu não arrumei uma mecha do cabelo dela".

Sakura (Com os olhos arregalados): "Estava me espionando?".

Syaoran (Alterado): "Acha que eu sou homem que tem que espionar alguma mulher?

Sakura: "Então como você sabe?".

Syaoran: "Oras...porque...porque...Sem querer eu estava olhando bem na hora que ele fez isso".

Sakura: "Ah ta bom, Li!"(Fechando a cara): "E para sua informação, ele estava sendo gentil. Coisa que você não é! Ele é muito cavalheiro, bonito, inteligente...Não fica me ignorando pela faculdade…ou fingindo que não me conhece por ai".

Syaoran (Muito alterado): "Eu nunca imaginei que você teria um gosto tão ruim para escolher homem".

Sakura (Sincera): "Se eu quisesse ter alguma coisa com Ryu ja teria tido...".

Syaoran (Nervoso com a afirmação): "Ah sim, não teve nada porque a senhorita é muito seletiva, não é? Está esperando um príncipe encantado.".

Sakura (Pensando) 'Eu estava esperando você' (Falando) “Como se você fosse muito seletivo. Em cada festa aparece com uma diferente"

Syaoran: "Fazer o que se eu sou irresistível? Mas aposto que nunca me viu com uma mulher feia!".

Sakura (Revirando os olhos): "Como se o Ryu fosse feio, né Li. Convenhamos!".

Syaoran (Entortando o nariz): "Sou muito mais eu"

Sakura: "Nem todas são muito mais você!".

Syaoran (Erguendo uma sobrancelha): "Por que? Não me acha bonito por acaso?".

Ela arregalou os olhos, da ultima vez o telefone tocara no meio dessa pergunta. Já que estavam nesse mundo de honestidade, o que tinha de mais admitir?

Sakura: "Você sabe que é lindo" (Ele travou ao ouvir isso) "Mas isso não define o caráter de alguém. Sabe...Eu mal te reconheço agora. Eu queria de volta aquele meu amigo bonzinho que me ajudava em tudo, mas ao invés disso, você se tornou arrogante e prepotente...Não é o Syaoran que eu esperava encontrar."

Syaoran (Virando-se de costas): "Você esperava encontrar um homem fraco que perdeu as cartas para você".

Sakura (Chocada): "Então foi por isso que você voltou? Pelas cartas?".

Syaoran (Desesperado): "Não..Você as ganhou justamente...".

Sakura (Entendendo tudo): "Você veio me desafiar, e assim 'justamente' as cartas seriam suas".

Syaoran (Abismado): "Eu jamais faria isso".

Sakura (Partindo para cima dele): "Mentiroso". (Balançou a cabeça) "Clow já havia me escolhido como a sucessora, Li. Eu voltei no tempo com a carta retorno, lembra? Mesmo que eu desistisse, mesmo que você capturasse as cartas... Nada mudaria. A culpa não foi sua e nem minha. (Um pouco brava) Eu não escolhi nascer destinada a ficar com as cartas! Ou você acha que eu gosto do fato de não saber se eu vou conseguir ficar viva até o final do dia?Por mim você teria ficado com elas."

Pela primeira vez ele não sabia o que responder.

Sakura: "Mas agora, não tem como mudar as coisas. Se você me odeia por isso, eu sinto muito, mas ninguém escolhe o futuro".

Syaoran (Sincero) : "Eu não odeio você". (Pensando): 'Eu fiz de tudo para te odiar, mas não consegui. O que eu sentia, sinto ou sei lá o que, por você sempre foi mais forte do que a minha tentativa de te odiar'

Sakura (Doce): "Odeia sim...Cada gesto seu demonstra isso. E eu que pensei que (Fez uma pausa, fazendo o coração do rapaz acelerar) "Mas não faz mal.(Cortou o pensamento, antes que ele virasse palavra) Eu continuo esperando que meu amigo Syaoran reapareça alguma hora, e quando isso acontecer, deixe-me saber. Eu adoraria abraçá-lo de forma saudosa".

Ela deu um passo em direção ao salão, deixando Li confuso pelos próprios sentimentos. Ver Sakura se afastar dele lhe doía a alma como jamais pensou que fosse possível doer. O que estava acontecendo com ele afinal? Ficou parado, apenas tentado respirar... Precisava colocar seus pensamentos no lugar. A viu travar na frente da porta e olha-lo de forma assustada, ele não precisou perguntar... A presença maligna invadiu os jardins e a árvore na frente deles começou a se mexer e criar patas.

Syaoran (Gritando): "ABAIXA"

Foi a única coisa que deu tempo de falar ao ver o enxame de gafanhotos ir na direção deles.

Continua…

Notas finais
Está ai meus amores!!! Mais um capítulo!!! A cada 2 ou 3 dias posto capítulos novos dessa história!!! Fiquei feliz pelo carinho de vocês ;) Muitos e muitos beijos