Chamas Da Memória
18 Chalé 1
Notas iniciais
Esta aí pra vocês um capítulo novinhooo.
Piper nunca se sentiu tão covarde.
Sair correndo daquele jeito e deixar Leo levar um esporro de Annabeth? Nada legal. Mas o que ela poderia fazer...? Estava tão assustada....
Não é hora de piedade. Piper saiu correndo e pondo as roupas na floresta. E, com a flecha de Eros na mão, ela saiu correndo em direção ao Chalé de Zeus, com uma determinação que nem ela mesma reconhecia.
Ela correu e só parou para ficar frente a frente a um Chalé majestoso feito a base de mármore branco com raios dourados enfeitando-o. Ela ficou boquiaberta. O Chalé 1 sempre causava esse efeito.
As Harpias!, ela se lembra. Então bate na porta da forma mais forte que podia para acordar Jason.
Teve que bater mais uma vez. Semideuses poderosos tendem a dormir feito pedras. Ela soube que o "namorado" acordara ao ouvir uma reclamação sonolenta de dentro do chalé.
- Jason, sou eu — ela diz — abra por favor.
A porta se abriu imediatamente. Jason estava com os cabelos loiros bagunçados e com cara de zumbi. Ela ainda o achava bonito assim. Mas não como antes. Ele olha para ela, depois para a flecha em suas mãos e franze o cenho.
- Piper? O que está fazendo aqui? — ele pergunta.
- Deixa eu entrar primeiro!
Ela entrou no chalé. E apenas uma palavra o definia: bagunçado.
Havia roupas de Jason espalhadas pelo quarto todo. E bem no canto do chalé um colchão com roupas de cama. Ela entendeu porque: estava de costas a uma assustadora e intimidadora estátua de Zeus, bem no centro do chalé.
- Hã... Piper — chama Jason — o que houve?
Ela olha para ele.
- Olha, Jason — ela respira fundo, não fazia ideia de como explicar tudo pra ele, mas sabia que tinha que acabar com aquele sofrimento de uma vez por todas — eu sei que você ama Reyna.
- Pi...
- Me deixe terminar! ... Eu sei porque também tenho um passado. Comecei a me lembrar dele.
- Um passado? Na Escola da Vida Selvagem?
- Sim. Jason, tudo o que sentimos um pelo outro é falso. Minha mãe me visitou esses dias... Eros também. Eles me disseram, de formas diferentes, que projetaram esse "amor" para que você fique do lado dos gregos, caso algo desse errado.
Ela tenta avaliar a expressão de Jason. É difícil. As sobrancelhas estavam unidas, num sinal de confusão, mas os olhos estavam inquietos. Como os de Annabeth ficavam quando ela começava a entender algo complexo.
- Eros me entregou essa flecha — Piper continua — para que esse amor artificial tenha um fim. Mas ele me disse que se eu te acertar com ela, colocaria um fim no acordo de Hera e Afrodite para unir os gregos e romanos de forma mais... fixa.
Jason finalmente olha nos olhos dela. Piper não sabia se ele sentia raiva, ou tristeza, ou se ainda estava confuso, mas aguardava uma resposta. Jason dá um passo a frente.
- Faça — diz.
- Não posso.
Ela se sentiu uma fraca novamente. Jason pega na mão dela e aperta. Era um símbolo de afeto e não importa a força do aperto... Não doía. Piper jura que os olhos dele estavam marejados.
- Me prometa uma coisa — ela diz, imaginando o quanto ele amava a tal Reyna.
Jason balança a cabeça positivamente.
- Qualquer coisa — diz.
- Fique do nosso lado, custe o que custar.
Ela nem precisou dizer mais nada, ele sorriu.
- Custe o que custar — promete.
Eles apertam as mãos. Piper ergue a flecha e a atravessa nas mãos unidas nos dois.
Assim que a flecha penetra a carne dos dois, ela desaparece. Deixando um cheiro semelhante ao de Afrodite, porém mais agradável... mais confortável.
Piper olha para Jason novamente. Não sentia mais nada daquela obsessão louca e completamente sem nexo. Agora, quando olhava para ele, sentia uma imensa gratidão e uma eterna amizade. Ele sorri, talvez sentisse exatamente a mesma coisa.
E a comprovação é que ele a abraçou.
- Obrigado — ele diz — muito obrigado mesmo.
- Eu que te agradeço, Jay.
Ele ri.
Os dois se afastam, ainda sorrindo.
- E então... — ele diz — quem é o sortudo do seu passado?
- Leo — ela responde dando de ombros, mas sorrindo como nunca.
Jason ri alto.
- Jura? Porque nunca notei antes...? — então ele fica sério — deuses, deve ter sido horrível para vocês.
- E foi... Mas tá tudo certo agora. O Argo II está quase completo e nós temos muito pela frente...
Jason assente. Então ouve-se uma forte batida no chalé.
- Quem deve ser?
Jason caminha até a porta e a abre. Leo estava lá. Vestido. Tinha a expressão preocupada e o coração de Piper deu falhas ao olhar para ele.
- Jason — ele diz — você viu a Pip...
Os olhos dele encontram os dela. Por um momento ele sorri, então olha para Jason. E depois para Piper novamente. E seus olhos se tornam extremamente tristes, e um tanto irritados.
- Desculpe — diz secamente — vou deixa-los sozinhos.
- Leo — Piper chama — eu usei a flecha.
Leo se vira e sorri largamente. Daquele jeito maníaco e doido que a fazia parar de respirar. Ele entra no chalé sem nem mesmo saber que podia e abraça Piper muito forte. Ela sorri.
Quando, relutantes, eles se afastam, veem que Jason tinha um olhar triste.
- Desculpe por privar isso de vocês — ele diz.
Leo bufa.
- Cara, a culpa não foi sua. Foi de Hera (ou Juno, chame ela do jeito que quiser).. Ela nos privou disso. E te privou da Reyna.
- Como sabe da Reyna?
- Piper contou.
- Valeu, Pipes — ele comenta sarcasticamente.
Todos riem.
- Vai dar tudo certo — Piper torna a falar — digo, com os romanos. Tenho quase certeza de que todos seremos grandes amigos depois de um tempinho.
Todos assentem. Piper não sabia se usara o Charme, mas a verdade é que ela não concordava com isso. Tinha a sensação de que alguma coisa daria errado naquele "plano sem falhas". Ela sentia que eles não conseguiriam se dar bem... E não sabe o porquê.
Uma outra batida na porta é escutada.
Jason bufa.
- O que deu de todo mundo bater na minha porta hoje?
Ele abre a porta e todos perdem a capacidade de respirar no segundo que veem quem está do outro lado. Uma mulher adulta, vestindo uma túnica grega branca e com olhos tempestuosos que estavam fixos em Piper.
Leo soltou um grito.
- Tía Callida?
Mas Hera ainda olhava Piper fixamente.
- Você pôs tudo a perder, filha de Afrodite.
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