Notas iniciais
Olá de novo Fico feliz que possamos estar nos reunindo aqui mais uma vez Ah! Só um avisinho Todas as palavras sublinhadas serão explicadas, respectivamente, no final do capítulo. Na minha opinião algumas são meio óbvias Mas nunca se sabe a idade da pessoa que leu, né? As vezes alguém que não estudou o conteúdo apareça por aqui. Então farei assim Só por garantia. Bom, vamos para o capítulo Boa leitura ♥

O tempo parecia se rastejar lentamente por uma área pantanosa, de tanto que demorava para passar. Como consequência, a aula demorou a acabar. Era como se tudo estivesse em câmera lenta. Quanto mais desejava ir embora, mais demorava.

Estava totalmente entediado em sua carteira, cansado das pequenas piadas ao seu respeito que, de vez em quando, eram soltas no ar.

Ainda faltava uma aula para acabar o período escolar do dia, a aula de Biologia. Gostava muito da matéria e possuía um grande interesse nos conteúdos que envolviam genética, o atual assunto.

Sem ter mais nada para fazer, já que não possuía outra forma de se entreter, resolveu prestar atenção na aula e no que o professor dizia.

— Como vocês sabem. — começou o homem. — A individualidade costuma se manifestar aos quatro anos de idade. Desde então, você passa a conviver com esse poder. E será assim até o final de sua vida.

Izuku apoiou a cabeça em sua mão e ficou apenas encarando, já sabia toda a matéria de biologia do ano. Consequência de um final de semana entediante onde resolveu pegar o livro escolar para passar o tempo.

Era óbvio que a pessoa conviveria com o poder pelo resto de sua vida. A característica estava gravada no DNA, não tinha como simplesmente apagar a individualidade. Mesmo assim, se ateve a continuação.

— Mas apesar do que vem sendo dito sobre esse assunto, cientistas descobriram recentemente que é sim possível perder a individualidade. — capturou a atenção de Izuku. — O começo da pesquisa, que levou a esse resultado, se deu depois que alguns heróis se mostraram incapazes de manifestarem seus poderes.

Ergueu a cabeça. Assim que ouviu a informação foi quase impossível não se levantar e enchê-lo de perguntas. Precisava, quase urgentemente, que o professor lhe contasse tudo o que soubesse sobre o assunto.

Afinal, aquilo era conteúdo novo. Não, não era só isso. Era algo que havia prendido sua atenção. Não descansaria até descobrir tudo o que poderia sobre o assunto.

Mas não foi necessário se segurar por muito tempo, já que outro aluno lhe fez o favor de por em palavras os seus pensamentos.

— Como assim, professor? — perguntou a garota que sentava perto da porta.

— Bom, algumas situações podem causar modificações no material genético e acabar alterando os genes responsáveis pela característica da individualidade. — O professor explicava o conteúdo, enquanto anotava no quadro negro.

Izuku nunca havia prestado tanta atenção em uma aula como aquela. Pela primeira vez em dias, anotava, ferozmente, alguma coisa em seu caderno. Não era o mesmo de suas anotações para o futuro, mas era algo que poderia vim a lhe calhar muito bem.

Se antes pensava que o tempo não passava, e que os ponteiros não se mexiam, agora lamentava pela velocidade em que a aula parecia querer acabar. Havia ficado totalmente hipnotizado pelo conteúdo. Cada palavra que saia da boca do professor parecia ter o propósito de lhe encantar.

Cada nova informação, liberada pelo homem, lhe rodeava suavemente até que pousava em seus ouvidos, abrigando-se em seu cérebro. Povoando cada vez mais sua mente.

Já fazia dias que não se sentia tão interessado em algo. Estava atento, anotando tudo que era dito, até que o sinal tocou sinalizando o fim da aula. Na pressa de poder pesquisar mais sobre o assunto, arrumou suas coisas, deixando a sala rapidamente.

Foi um dos primeiros a abandonar o local. Nunca havia corrido tão rápido em toda a sua vida. Nem mesmo quando costumava fugir desesperado de bakugo.

Naquele momento, não corria por medo de ser barrado, nem mesmo para fugir dos olhares que zombavam de sua pessoa. Só queria poder chegar em casa o quanto antes. Mal via a hora de poder descobrir mais sobre o assunto.

Tinha sido a coisa mais interessante que ouviu nos últimos dias. Não, era a coisa mais interessante que havia ouvido em toda a sua vida escolar. Essa deveria ser a sensação de se descobrir algo novo, e era maravilhosa.

Enquanto corria, desesperado, por entre os carros, esbarrava em várias pessoas no caminho. Seu corpo poderia estar ali, mas seus pensamentos voavam por um território novo, explorando diversas possibilidades

Pela primeira vez em dias, estava concentrado em outra coisa que não fosse em suas decepções ou em sua inutilidade. Já não havia espaço em sua mente para lamentações, agora não tinha tempo para se arrepender de mais nada.

Conseguia sentir uma sensação agradável percorrer por seu corpo. Estava animado e interessado em alguma coisa novamente. Não conseguia evitar pensar nas diversas possibilidades que a aula do dia havia lhe proporcionado.

Parava de correr quando lhe faltava fôlego e logo retornava o exercício. Pela primeira vez em dias, lamentou as condições físicas em que se encontrava. Seu corpo mal aguentava ficar em pé, quem dirá correr pela cidade. Estava certo em pensar que era melhor Bakugo desistir de espancá-lo, porque com certeza não aguentaria.

Assim que chegou em casa, passou correndo por todo o lugar até o seu quarto. Sua mãe ainda não havia chegado do trabalho e a casa estava vazia. Não era incomum ficar sozinho até certas horas da noite. Inko trabalhava durante o dia e fazia horas extras no período noturno.

Sua mãe se esforçava muito para conseguir manter os dois, o apartamento e as contas. Entendia a situação em que se encontravam, mas não podia fazer nada a não ser entender e evitar pedir qualquer coisa que não estivesse no orçamento.

Queria poder ajudar, mas não tinha condições. Era apenas uma criança de quinze anos, um estudante e ainda por cima, uma pessoa sem individualidade. Mas mesmo assim sentia que tinha que ajudar de alguma forma, por isso tentava ser o filho que sua mãe merecia.

Estudar, segundo sua mãe, era uma das coisas que poderia fazer para recompensá-la. Então sempre daria o seu melhor. Com esses pensamentos, abandonou sua mochila em um canto qualquer de seu quarto, ligou o computador e começou a pesquisar o que mais lhe intrigava.

A aula havia mexido com sua mente de uma forma que não conseguia explicar. Desde o momento em que ficou sabendo da possibilidade de se perder individualidades, desde aquela hora só conseguia pensar em uma única coisa:

Se realmente existia a possibilidade de se perder uma individualidade, então deveria ter um jeito de ganhar uma. Se o DNA podia ser modificado para retirar uma característica, então adicionar características também deveria ser possível.

Se envergonhava, é claro, que depois de tanto sofrimento, tanto desgosto... Não só para si, mas para sua mãe também. Depois de tudo isso ainda pensava em ter uma individualidade.

Sentia um amargo em sua garganta só de pensar no mais recente sonho destruído. Mas não conseguia evitar. Era uma ideia tão maluca e repentina que só o deixava cada vez mais empolgado.

Seus dedos corriam pelo teclado do computador. Queria saber o mais rápido possível sobre tudo o que a internet tinha a lhe oferecer sobre a mais recente descoberta.

A pesquisa terminou de ser processada e o título chamou sua atenção logo de cara.

Individualidades podem sofrer modificações?

A três meses atrás, uma ocorrência chamou a atenção de diversos pesquisadores.

Após um combate árduo com um vilão de rank A, o segundo nível mais alto existente, um herói — que manteremos anônimo por causa do sigilo exigido pelo mesmo. — foi encaminhado para o Hospital Central de Hosu em péssimo estado.

O herói se encontrava desacordado, seu corpo apresentava queimaduras de terceiro grau e ferimentos causados por armas brancas. Além dos vários hematomas espalhados pelo corpo, o profissional havia sofrido diversas fraturas, principalmente no braço e nas costelas.

Assim que tratado, quando recuperou a consciência, o herói foi interrogado pela polícia. Não se lembrava de quase nada, só de um gosto ruim, que segundo ele, ainda podia senti-lo em sua boca.

Mas não foi o vilão ou os ferimentos que chamaram a atenção dos pesquisadores.

Já em recuperação, o pro-hero percebeu que não conseguia manisfestar sua individualidade. No começo, suspeitava que era apenas uma forma de defesa de seu corpo, como se não estivesse pronto para aguentar a habilidade.

Mas depois de uma bateria de exames, uma nova hipótese surgiu, a possibilidade de nunca mais manifestar o poder.

Depois de diversos processos burocráticos, uma pesquisa finalmente se iniciou. Uma amostra de DNA do herói foi coletado e enviado para análise.

Logo se descobriu que o material genético havia sofrido mutações, estando diferente do esperado.

Mediante tantas dúvidas, uma única resposta surgiu: Sim, a perda de individualidades era possível.

Por Shits Flops

Depois de ler o texto com muita atenção, Izuku correu até a sua mochila, pegou seu caderno de escola e retornou à frente do computador.

Copiou o que julgava mais interessante e começou a passear por diversos sites para tentar encontrar mais informações. O artigo não era muito velho, fazia apenas alguns meses que havia sido publicado. Tinha que ter mais alguma coisa. Não se contentaria apenas com um texto vago como aquele.

Izuku passou a tarde inteira estudando, só percebeu que o tempo havia passado quando ouviu batidas em sua porta.

— Izuku? — A voz de sua mãe soou atrás da porta. — Izuku, meu filho. Você está aí?

— Está tudo bem mãe, pode entrar.- respondeu ainda escrevendo. A resposta pegou Inko de surpresa, que não esperava ouvir nada além de uma mentira mal contada.

— Você não almoçou. — Comentou assim que abriu a porta.

— Ah! — Olhou para sua mãe e sorriu, enquanto coçava a cabeça, sem jeito. — Eu esqueci.

Inko ficou apenas encarando o garoto. Estava surpresa e não negaria de jeito nenhum. Seu filho parecia uma pessoa totalmente diferente da qual havia se despedido mais cedo. Ainda tinha uma aparência acabada, mas o sorriso sincero e o olhar brilhante, que não via há muito tempo, estavam de volta.

— Tudo bem. — sorriu verdadeiramente feliz por ver que seu filho estava voltando ao normal. — Vou fazer o jantar. Qualquer coisa me chame.

—Está bem. — Ficou olhando até sua mãe sair e voltou a atenção para o computador.

Quando se viu mais uma vez só, relaxou novamente na cadeira. Quando percebeu a presença de sua mãe do outro lado, Izuku havia tentado esconder as páginas que pesquisava.

Não sabia dizer bem o motivo. Mas se sentia mal por sequer pensar em ter uma individualidade. Não que fosse errado, todo mundo tinha, por que ele não podia?

Mas ainda não entendia suas motivações para pensar dessa forma. Seus pensamentos ainda não estavam claros, não sabia até aonde gostaria de chegar. Mas de uma coisa tinha certeza, All Might já não era o seu objetivo. Pelo menos não como um ídolo.

O tempo não demorou a passar e logo teve que descer para comer com sua mãe. Por mais que estivesse, finalmente, animado com alguma coisa, ainda não se sentia melhor.

Parecia que seu estado mental queria iniciar um processo de cura, como se quisesse resetar seu cérebro, suas emoções. Mas mesmo assim, o seu corpo ainda estava fraco pela mal alimentação e pelas noites mal dormidas.

Mas mesmo que não estivesse cem porcento daria o seu melhor. Na hora em que a sua mãe havia ido ao seu quarto quando chegou do trabalho, viu uma coisa que não via há muito tempo. Inko havia sorrido. Um sorriso tão puro e tão feliz que Izuku se sentia mal só de pensar em voltar a lhe preocupar.

Fazia tempo que não conseguia arrancar uma boa expressão da mulher. Sabia que não conseguia enganar a sua mãe, mas se o que estava pensado desse certo... Independente do que tivesse que fazer para que isso acontecesse, não teria mais necessidade nenhuma em fingir.

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Vocabulário

Genética: Ramo da biologia que estuda a forma como se transmitem as características biológicas de geração para geração.

DNA: Ácido desoxirribonucleico (composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e alguns vírus, e que transmitem as características hereditárias de cada ser vivo).

Genes: Segmento de um cromossomo a que corresponde um código distinto, uma informação para produzir uma determinada proteína ou controlar uma característica, por exemplo, a cor dos olhos.

Notas finais
Pronto!! Mais um capítulo Espero que tenham gostado Vou ter que estudar biologia para essa história Mas quando eu vê que não dá, ai vou usar minha licença poética kkkkk Espero que tenham gostado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.