Chalé Nas Montanhas
33 Interrompendo os planos - Teri
Hoje
_Isso parece ótimo, Gil.
Pães, suco de laranja, café, leite, creme de ricota, frutas e um delicado arranjo de flores coloridas, colhidas na pequena jardineira junto à varanda.
_Gostou, querida ?
_Como não poderia ?
Eles desfrutaram juntos da bandeja farta, depois com carinho ele a tomou nos braços e fizeram amor.
Mãos explorando, bocas procurando, exigindo, olhares sedentos de desejo, gemidos loucos, e uma ânsia desesperada de possuir.
Corpo, alma, o clima gostoso e o êxtase total.
Luxúria !
Depois de um tempo com ela deitada em seu peito, os dedos entrelaçados, e a chuva que continuava a cair, ela ouviu um longo suspiro.
_O que foi isso ?
_Nada.
Na verdade, olhando para aquele quarto, ele sentiu uma vontade enorme de ter uma casa. Eram apenas planos distantes, mas talvez devesse começar a levar à sério algumas ideias. Talvez um jardim, um quarto espaçoso e aconchegante e uma cozinha bem equipada. Um bom quintal, para que Hank pudesse ter espaço e talvez uma piscina.
Ela mediu seus dedos nos dela e completou, para surpresa dele.
_Quando era muito pequena, gostava de medir meus dedos com os do meu pai. Ele dizia que quando eu crescesse teria dedos finos e longos.
Ele ouviu em silêncio. Pelo menos essa era uma lembrança boa.
_E ele tinha razão.
Ele arriscou.
_Quantos anos você tinha ?
_Talvez uns cinco, aí ele começou a beber ... e as lembranças boas foram ... se transformando ... até que ...
Ela se calou. E ele apenas a apertou em seus braços.
Queria ter o poder de arrancar aquelas lembranças dela e fazê –la esquecer cada tristeza por que tinha passsado.
_Engraçado como são as coisas ... em um momento ... estamos tão bem ... em outros ...
Ele resolveu intervir.
_Sara, querida ... isso é passado ... não quero que se entristeça ... não faz bem à você !
_Mas isso fez parte da minha vida.
_Fez Sara ... não significa que tem que continuar fazendo.
_Você tem razão.
_Embora sempre ouça das pessoas que falar nos faz bem ... talvez eu discorde ... depende da situação.
_Como o quê, por exemplo ?
_O meu pai .... eu não conseguia entender porque ele não acordava. Ninguém se deu ao trabalho de me dizer.
_Você era um garoto ainda ... não era ?
_Tinha nove anos. Não gosto de falar sobre isso, então não falo.
Ela beijou seu peito, depois subiu para seu ombro, tocando seu rosto com delicadeza.
_Deve ter sido muito difícil para você !
Ele se lembrou daqueles dias, a tristeza nos olhos de sua mãe, todo mundo o olhando com pena, tinha sido horrível.
_Huhum ....
A chuva parou e eles ouviram Hank grunhir, talvez quisesse entrar.
Ele desceu e foi ver o que estava acontecendo com ele. Estava completamente molhado. Mas como ?
_Hank ... como você conseguir fazer isso ?
Ele havia sido curado de uma quase pneumonia e agora, talvez pudesse ter uma recaída. Precisava de prevenção.
Ele sentiu quando Sara se aproximou por trás dele.
_O que foi, amor ?
_Este desmiolado tomou chuva. Devia estar brincando com alguma coisa, pulou a portinhola.
_Ele não poderia, Gil !
_Ei sei ... eu sei ...
Sara correu para o quarto, trazendo uma toalha limpa.
_Venha cá, querido, vamos enxugar essa água toda. Meu Deus, Hank ... não devia ter feito isso.
_Acho que vou ligar para o veterinário e perguntar sobre alguma prevenção. – Ele foi para dentro rapidamente.
Sara teve a idéia de pegar seu próprio secador e agilizar o processo.
_Ele me disse que ele tem que tomar uma vitamina C e complexo B para resistência.
_Você tem isso aqui ?
_Não !
_Então vamos comprar !
Eles saíram logo depois para a cidade.
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Antes
No meio do turno daquela noite, Grissom se lembrou de olhar seu email, esperava uma resposta positiva, depois falaria com Sara !
A sair pelo corredor, disperso em seus próprios pensamentos, levou um susto quando uma voz bem conhecida o chamou.
_Teri !
_Olá Grissom, estava à sua procura.
_Como vai ?
Ele olhou de soslaio e percebeu uma pequena multidão aglomerada por trás do vidro da sala de evidências.
_Bem ...
_Você precisa de alguma coisa ?
_Podemos conversar ... em sua sala ?
Desta vez ele resolveu encarar seus colegas de trabalho, mas foi um certo par de olhos castanhos que fez seu coração quase sair pela boca.
_Claro ... por favor, só me deixe delegar algumas coisas e já estarei indo para lá.
Ele virou as costas sem esperar a resposta dela.
Cada um se espalhou pela sala como pôde, pareciam formigas assustadas correndo para todos os lados.
_Sara ... você pode me fazer um favor ?
_Claro ... o que foi ?
Ele entregou o email impresso em suas mãos.
_Poderia ler com atenção essa proposta e me procurar depois, em minha sala ?
_Sim ... pode deixar ...
_E vocês continuem o que estavam fazendo.
Ele virou as costas e saiu.
Todos se entreolharam.
_Teri Miller ? O que ela quer ? Quem a chamou aqui ?
Cath parecia se divertir.
_Ela não se casou com um professor ?
_Gente ... eles são amigos, qual o problema dela falar com ele ?
_Amigos, Cath ? Eles não tiveram um ... caso ?
_Que eu saiba só saíram para jantar ... mas parece que não deu em nada.
Sara observava a conversa fingindo nem se importar, resolveu prestar atenção no papel em suas mãos e teve uma surpresa.
..........
_Desculpe fazê-la esperar .. e então ... o que foi ?
_Gostaria de saber se quer jantar comigo ?
_Jantar ? Você veio ... sozinha ?
_Se é do meu marido que está querendo saber ... nos separamos .. há alguns meses.
_Sinto muito !
_Nada traumático, estamos bem. E então ?
_Teri ... me desculpe .. mas não posso aceitar seu convite.
_Já tem compromisso ?
_Hum ... isso.
_Entendo ! Amanhã talvez, ou depois ? Ainda estarei na cidade por mais três dias.
Como se sairia daquela ? Se ele aceitasse, Sara o mataria. Mas o que poderia dizer a ela ? Ele pesou as partes, e resolveu ser honesto.
_Eu ... não posso ... de verdade, gostaria que não ficasse chateada.
_Sem problemas, eu apenas ... apreciaria sua companhia, sempre nos demos bem ....
_Também aprecio sua companhia, mas me entenda ... realmente não posso.
_É uma pena ... devo ir então !
Ele se levantou, estendendo a mão para ela.
_Foi um prazer revê –La.
_Igualmente ! Até mais !
Ela se virou e saiu, no mesmo instante em que Sara batia à porta.
_Posso entrar ?
_Claro.
Ela olhou para trás, Teri parecia triste.
_Aconteceu alguma coisa ?
_Ela ... me chamou para jantar.
Sara arregalou os olhos.
_Você aceitou ?
_Não ... claro que não.
_Por isso estava tão triste ? O pessoal estava comentando que ela tem uma queda por você e ... vice versa.
_Não ! Fomos jantar apenas uma vez ... não aconteceu nada, tive que voltar ao trabalho. Isso já tem um tempo.
_Que bom ! Mas .. o que significa isso ? – Ela levantou o papel à frente dele e o balançou, numa menção de que o assunto Teri havia terminado !
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