Chalé Nas Montanhas
8 Doces lembranças - Conversa sincera, mas dolorosa.
Hoje
Enquanto aguardavam seus pedidos, o mesmo casal simpático que viram no hotel, passou por eles, procurando uma mesa.
Estava lotado.
Eles se acomodaram mais ao fundo !
_Você viu que eles também tem um cão ?
_Vi sim !
Ele tocou a mão dela por cima da mesa.
_Gil … eu nem sei explicar o quanto estou feliz com você aqui !
Ele sabia disso, estava mais que visível. O que mais o impressionava era o quanto ela o amava ! Ele sentia seu amor quando olhava para ela. Era incrível.
Tinham tido tantos desencontros, tantos desenganos, que a primeira vez em que conseguiram ficar juntos, ele havia ficado desconcertado. Tinha sido muito maior do que ele mesmo imaginara.
Quando a abraçou para que parasse de chorar, em uma das inúmeras vezes em que deixara que um caso a afetasse, sentiu a vibração que emanava dela. Era uma coisa incomum e muito impressionante. Depois, com ela muito mais calma, percebera que não queria mais sair de seus braços, que a vida dele parecia muito mais brilhante quando estava com ela. Há um tempo, ela havia o chamado para sair, porém a coragem o travou. Mas naquele momento, tudo o que ele queria era ter dito sim e começado muito antes, a tê – la em seus braços. Sentiu o cheiro de seu shampoo e inalou profundamente. Ele a levou embora e acabou se despedindo com um beijo assustado e rápido. Era perto do final de semana e ele acabou passando duas noites sem dormir, só pensando nela. Ligara algumas vezes, mas acabara desligando, tinha a desculpa perfeita. Saber como ela estava passando. A coragem ia e voltava, brincando com seu coração.
Enfim, muito ansioso, acabou procurando -a. Já sabia o caminho, os dois mal se falaram no laboratório, havia sempre alguém por perto e ele tinha que se esforçar em dissimular.
Assim que ela abriu a porta de seu apartamento sua força se esvaiu, ficou com medo, suas mãos suavam e ela com aquele sorriso entre a dúvida e a alegria de vê – lo tão próximo em um dia de folga. Era domingo !
Ele entrou, depois ela o guiou até o sofá e ficaram conversando sobre algumas coisas sem relevância. Mas só o prazer de tê – lo ali, tão perto dela, já bastava.
Ele tocou seu rosto do nada, muitos momentos depois, deslizou o polegar por seus lábios e a beijou de verdade. Com tanta vontade e doçura que ela quase ficou sem ar. Pronto ! Era assim que tinha que ser. Era assim que as coisas tinham que acontecer. Não havia palavra para descrever a emoção que ela sentia. Um sonho realizado era sempre a melhor sensação do mundo.
Muitos outros beijos vieram, muitos carinhos velados. As mãos teimando em percorrer alguns lugares comportados. Não poderia simplesmente sucumbir ao desejo que estava sentindo, ela tinha que lhe dar o sinal verde e ele esperaria. No meio da semana ele até tentara lhe fazer uma visita mas eles acabaram se envolvendo em outro caso e a oportunidade passara. Até que ele mesmo sentiu uma necessidade enorme de vê – la fora daquelas paredes de vidro, fora daquele lugar que ás vezes esfriavam as pessoas e não demorou muito … uma semana, seis dias mais precisamente para que ela simplesmente explorasse seu peito por entre a abertura de sua camisa listrada. Os dedos dela abriram um a um, seus botões, para encontrar uma pele quente que vibrava ao seu toque. Ele a deitou em seu sofá e quase sem que percebessem estavam nus, acabaram rolando para o chão, no macio tapete da sala. Entre risinhos de satisfação e malícia, ele a havia possuído, longa e pausadamente, até que seus corpos exigiram um ritmo mais avançado e eles chegaram juntos ao êxtase final. A sincronia tinha sido perfeita, depois, eles ainda se amaram mais uma vez na cama dela, agora mais calmos e menos ansiosos, a relação fluindo com muito mais perfeição.
Desde então, mesmo que por longos espaços de tempo, e envoltos na correria de seus trabalhos, as oportunidades que tinham, passavam juntos.
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Antes
Quase perto do almoço, ela ligou para ele.
_Eu preciso falar com você, quando podemos ?
_Quer que eu vá até aí ? — Parecia preocupado.
_Você poderia ?
_Claro.
Ela tomou um banho rápido, o tempo suficiente de ouvir a campainha.
Ela abriu a porta e seus olhos passearam pelo seu corpo. Seu vestido era muito curto. Que homem de sorte era ele ! Tocou de leve sua boca e se ajeitou no sofá.
_Como foi a sua noite, se divertiu ? — Ele pensou nela todo o tempo em que estivera acordado, não queria, mas estava morrendo de ciúme.
_Bastante, mas … é sobre isso que quero falar com você.
Ele enrugou a testa preocupado.
_O que foi ?
_Estava me divertindo muito com o Nick, o Greg também apareceu por lá, mas teve um inconveniente.
_Teve ?
Ela disparou, sem rodeios e sem virgulas nas entrelinhas.
_Um amigo do Nick insistiu uma aproximação e antes que algumas conversinhas e gracinhas se espalhem pelo laboratório resolvi te contar. Não quero nenhum mal entendido entre nós dois.
Aquilo era tudo o que ele mais temia. Tinha razão em ficar preocupado.
_O que aconteceu ?
_Você … quer detalhes ?
_Acho … que sim …
Poderia até se arrepender mas precisava ouvir.
_Não foi nada de mais, mas você sabe o que acontece aqui, quando se trata de imaginação !- Depois ela viu a reação dele quando disse, novamente em um só tempo !_Ele tentou me beijar !
Seus olhos se arregalaram e ele fechou o punho numa reação quase instintiva, depois viu o esforço que ele fez para manter o controle em sua voz.
_Obrigado por me contar. — Sabia que ia se arrepender, agora era tarde demais.
Um idiota dando em cima dela, aquilo era horrível de se imaginar.
_Você está bem ?
_Sim.
Ela tocou seu rosto.
_Desculpe se te choquei, mas eu prefiro que seja assim.
_Está tudo bem, de verdade.
Sara lhe deu um beijo muito curto. O cheiro dela veio até ele e neste instante ela o viu paralisar.
O perfume dela estava se instigando pelo seu cérebro e o fazendo ter alucinações com ela “sob” e “sobre” ele.
Não tinham muito tempo, ele precisava ir, tinha uma reunião com Ecklie e o xerife antes do turno começar.
_Eu tenho que ir.
_Claro, fique à vontade.
Ela o acompanhou até a porta e lhe deu outro beijo curto. Desta vez ele a segurou com mais força, e lhe deu um beijo de verdade. Com toda a vontade que ele tinha dela.
Assim que ela fechou a porta, tocou a sua boca úmida e sorriu.
_Maluco !
E ela tinha razão, as brincadeiras envolvendo seu nome foram de muito mal gosto.
Alguém dissera que ela chegou a beijar o sujeito sem graça, que até mesmo que ela estava certa em ter alguém, estava mais do que na hora, mas ele estava seguro que aquilo era uma grande fofoca.
O problema foi quando o telefone dela tocou e ele estava atento.
_Sara !
…..
_Você ?
…..
_Não ! É claro que não !
Muito nervosa ela desligou o telefone e quase o jogou em cima da mesa.
Pelo que ele tinha entendido, o tal sujeito conseguiu seu telefone.
_Quem era, Sara ?
_Ernest !
_Você … deu seu telefone a ele ? — Grissom estava muito chateado.
_Claro que não. Deve ter sido o Nick …. ai que ódio … vou matá – lo.
Nesse momento ele passou pelo corredor e o chamou, bem na frente de seu namorado.
_Nick, me diz que você não deu meu telefone para aquele seu amigo idiota ?
_Eu ? Mesmo achando que você deveria se divertir um pouco com ele, não faria isso, Sara. Não, sem a sua permissão.
_Como foi que ele descobriu ?
_Talvez tenha mexido em meu telefone, vou descobrir pra você se quiser, e lhe dizer umas verdades. Desculpe, por ele!
_Deixa para lá, se o ver, diga que já tenho um namorado, ou que fui para a China … para o Paquistão ...sei lá ... inventa o que você quiser.
_Pode deixar.
Grisom saiu para a sua sala, com um indisfarçável sorriso estampado no rosto. Talvez não iria para a China, muito menos para o Paquistão, mas para um lugar aconchegante, quem sabe no meio das montanhas ! Só precisava estar com ela.
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