Chalé Nas Montanhas
28 De volta - Pesadelo
Hoje
Ela estava na sacada do hotel quando avistou o heliporto, muito perto dali. Viu a aeronave pousar e Grissom descer, acenando para o piloto.
Sara pegou seu telefone e ligou para ele.
_Oi.
_Oi querida, já estou na cidade.
_Estou vendo você !
Ele olhou para cima e sorriu.
_Como sabia que estava chegando ?
_Eu não sabia, estava na sacada, pensando em você.
_Hum … eu gostei disso.
Em segundos ele estava abraçado a ela dentro do quarto.
_Estou feliz que o Jim esteja bem, Gil. Fiquei com tanto medo.
Ele se sentou na cama esfregando o rosto, estava cansado.
_Estou aliviado que as coisas tenham dado certo. A filha dele também me surpreendeu.
_Talvez isso tenha lhe dado mais um motivo para viver.
De pé, Sara se aproximou dele e lhe massageou a nuca com a ponta dos dedos.
_Isso é bom … querida. E o Hank ?
_No hotel, ele nem ligou para mim quando fui dar uma olhada nele. Estava fazendo uma bagunça com o treinador.
_Que bom. Ele vai sentir falta daqui !
Ele a abraçou e beijou sua barriga.
_Estou morrendo de fome.
_Quer ir para o chalé ? Preparo alguma coisa para você.
_Acho que podemos … passar a noite aqui. Estou cansado. Será que consigo alguma coisa na copa ?
_Acho que sim, eles não se importam com horário.
_Quero tomar um banho, mas acho que não tenho roupas.
_Posso dar um jeito nisso, vá para o seu banho, eu mesmo peço alguma coisa para você.
Assim que ele saiu com uma toalha enrolada na cintura ela o surpreendeu com um apetitoso sanduíche de queijo e … seu pijama em cima da cama.
_Como fez isso ? — Ele apontou para o shorts e a camiseta que ele usava para dormir.
_Eu o trouxe comigo … para não ficar sozinha.
Os olhos dele brilharam. Como ele pôde dizer não a ela. Como ele tinha sido um estúpido. Não cansava de se maldizer, cada vez que ela provava o quanto o amava.
_Você é linda, Sara.
Ele a puxou para os seus braços e capturou seus lábios num beijo quente, depois encostou sua testa na dele e cruzou os dedos em suas costas a prendendo.
_Como fui um tolo.
_Isso já passou Gil, vamos esquecer o passado, por favor.
Ela esperou ele se vestir e ajeitou seu “jantar” na mesa de apoio.
Algum tempo depois, com ela agarrada em sua cintura e a cabeça apoiada em seu peito, ela quis saber.
_Como o Jim foi baleado ?
Era a última coisa que queria falar com ela, sabia que a deixaria triste.
_Intermediando uma conversa com um agressor. Ele estava armado.
_Hum … quem ele agrediu ?
_Por que quer saber querida ?
_A mulher …. não foi ?
_Sara …
_Eu sei que foi, por isso não quer me contar.
_Ele está preso … pelo que a Cath me disse … ela foi embora, o pai foi buscar, ela e o filho.
_Tinha um filho também.
_Sim …
_E ele viu … o que o pai fez ?
Ele tinha assistido tudo, foi bem à sua frente.
_Eu não sei …
_Canalha, bastardo !
_Está vendo ? Sabia que ia ficar nervosa.
_Está tudo bem … não se preocupe. Agora mocinho, você tem que descansar. Quero fazer uma caminhada pelo vale amanhã de manhã.
Ela parecia bem, ele suspirou aliviado.
_Caminhada ? E … quer que eu vá junto ?
_Claro, você e o Hank !
Ela beijou seu peito e sorriu inocente para ele.
_Boa noite, querido.
_Durma bem.
Ele estava cansado, segundos depois respirava pesadamente com ela aconchegada em seus braços.
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Antes
Ele ouviu um grito de horror e acordou assustado.
Sara estava suando e chorava copiosamente.
_Querida … o que foi, calma … estou aqui.
Ela se agarrou a ele ainda chorando. Tivera um pesadelo.
_Shiii – Ele a embalou até que se acalmasse, depois foi até a cozinha e preparou uma boa xícara de chá. Isso sempre a acalmava.
Ela bebeu o líquido fumegante, quieta como uma criança assustada.
_O que foi desta vez … há muito tempo não tinha pesadelos. — Ele precisava fazê – la falar, guardar para si não era bom para ela.
Seus olhos parados, distante.
_Sonhei com o meu pai ! Ele estava vindo em minha direção … para me bater … depois de ter empurrado a minha mãe … da sacada.
Deus, aquilo era horrível. Seu pai fora esfaqueado pela sua mãe, e depois disso a vida dela tinha sido um borrão, de orfanato em orfanato, muitas tristezas e solidão. Ela havia se apegado aos estudos, para se manter viva. Tinha dado certo. Mas há muito tempo aquilo não acontecia.
Ele tomou a xícara de suas mãos e a abraçou apertado.
_Tem pensado nisso ?
_Não.
_Me diz a verdade Sara, eu preciso saber.
_Não tenho pensado nisso há muito tempo. — Ela não tinha sido muito convincente.
_Mas o que aconteceu … por que isso, novamente ?
Ele pensou nos últimos casos que atenderam e não conseguiu se lembrar de nada parecido … a não ser Suzanne, uma criança adotada que sumira.
Mas já tinha alguns dias e o caso havia sido solucionado.
A garota tinha sido raptada pelo vizinho e levada para uma cidade próxima. O proprietário de um posto de gasolina os reconhecera.
_Eu não sei, Gil.
_Acha que deve procurar … ajuda … profissional. A psicóloga do laboratório vem às quartas, você sabe.
_Por causa de um pesadelo ? Não está exagerando ?
_Não. Talvez se nunca tivesse acontecido. Sabe que fico preocupado, querida !
_Pois não deveria, não estou enlouquecendo … ainda !
_Não foi isso que eu quis dizer.
_Chega Grissom, eu quero dormir. — ela saiu dos seus braços, e virou de costas para ele.
_Sara …não faz assim, não quero brigar com você.
_Não estamos brigando, é só que … não quero mais falar sobre isso.
Ele a tocou e viu com tristeza que ela se encolheu.
Chateado, ele ajeitou seu travesseiro no canto da cama, também se virou de costas e cruzou os braços sobre o peito nu.
Alguns minutos depois, sentiu que ela se mexia, mas continuou imóvel.
_Gil ? — Ela se ajeitou por trás dele e o abraçou._Me desculpe … eu vou te dizer a verdade. Hoje seria o aniversário dele e … eu me lembrei o dia todo.
Sem se virar ele quis saber.
_Por que mentiu para mim ?
_Eu … me sinto uma estúpida, ainda me lembrando dele.
Ele suspirou e se virou para ela.
_Você não é estúpida e … não faça mais isso, eu só quero ajudar. Me preocupo com você.
_Prometo que não vai mais acontecer.
_Nós estamos mesmo precisando de férias e … parece nunca chegar.
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