Chalé Nas Montanhas
26 Alívio - Dia dos Namorados
Hoje
Estavam todos esperando pelo médico quando presenciaram uma correria pelos corredores do hospital.
Era Jim, ele tinha tido uma parada cardíaca e estava sem suas funções vitais.
Ellie estava com eles, e Grissom descobriu que o tal acompanhante era seu namorado. Parecia uma pessoa muito centrada.
Viu quando ela ficou desesperada, enquanto ele tentava consolá – la.
Cath estava desolada e se agarrava a ele como se pudesse fazer alguma coisa.
Foram minutos de tensão e desespero, queria tanto que Sara estivesse ali, com ele. Rezou em silêncio para que tivesse mais uma chance e pudesse ainda passar alguns momentos com sua filha regenerada.
Então eles conseguiram estabilizá – lo. Viu quando seus olhos se abriram e uma lágrima escorreu bem no canto. Ele queria viver. E com certeza havia visto Ellie.
Passado o grande susto, Grissom logo tratou de falar com sua namorada e lhe deixado a par dos acontecimentos.
Prometeu que estaria de volta, se tudo continuasse a correr bem, logo no dia seguinte.
Eles resolveram comemorar almoçando em um restaurante bem próximo dali.
_Gil … onde você estava ? Que lugar é esse, que te deixou com um rosto mais corado. Tem tomado sol ?
Ele sorriu para ela.
_Tenho tentado descansar ... renovar minhas energias. — "e gastando também"
_Sabe onde a Sara está ? Como conseguiu falar com ela ?
_Apenas liguei e ela atendeu … mas não perguntei onde ela estava. Mandou um abraço para todo mundo e disse que sentia muito por não estar aqui.
_Talvez ela estivesse em São Francisco.
_Talvez Greg, talvez.
Bem mais tarde ele conseguiu falar com seu velho amigo.
Assim que entrou no quarto viu Ellie lhe beijar a testa e sair.
Ela o cumprimentou e saiu.
_E aí, velho capitão.
_Clark Gable ?
_Ainda não cheguou ao céu, Jim !
_Acho que nunca vou chegar, talvez alguém lá em cima, não goste de caras como eu.
_Nos passou um grande susto, amigo.
_E eu te tirei de suas férias, acho que gosto de ver você trabalhando. Eu preciso te agradecer, por tudo. E por Ellie. Ela me parece muito bem. Me contou que está namorando um bom rapaz.
_Eu o conheci, aparentemente me parece mesmo uma boa pessoa.
_Nem imagina como é bom ouvir isso. E então, atrapalhei alguma coisa ? Estava viajando, pelo que soube.
_Apenas descansando de Vegas. Ainda tenho mais uns dias.
_Alguma Scarlet O' Hara ?
Ele riu se virando quando sentiu alguém abraçar sua cintura.
_Não faça mais isso, Jim ! Está proibido terminantemente.
_Vou me lembrar, da próxima vez, Cath.
Eles ficaram mais um tempo, depois Grissom saiu para casa. Queria estar com Sara ainda aquela noite, já que seu amigo parecia muito bem.
Ainda lhe fez mais uma visita e se despediu dele.
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Antes
O presente descansando no banco de trás, ele sorriu.
Era quase um cinquentenário e fizera aquilo. Como um adolescente.
Seria muito fácil entender se ele tivesse dezessete e ela chegando aos quinze, talvez para o próximo mês.
Você não sabe mais o que está fazendo !
E ele não sabia, sua voz da consciência tinha razão.
Mais uma vez ele sorriu.
“Sua filha vai adorar”
Filha ? Ele quase engasgou com a vendedora o olhando como se ele fosse o melhor “pai” do mundo.
Isso era o que lhe valia seus cabelos grisalhos.
Finalmente ele chegara. O envelope descansando no banco da frente, lhe fazendo companhia.
Era ela surpreendente.
Bem mais cedo, sentado em sua mesa, conversando com o capitão, ela bateu à sua porta.
O envelope lacrado, misterioso
_Oi Jim !
_Sara !
_Posso interromper um momento, tenho que sair.
_Claro, querida.
Ela levantou alguns papéis, com seu namorado observando todos os seus movimentos e empurrara o objeto em questão por debaixo deles.
_Meu relatório atrasado. Se tiver alguma dúvida nos falaremos depois. — Muito séria, tocou o ombro do capitão, se despedindo deles.
“Relatório atrasado. Mas que relatório ?”
Eles conversaram por minutos que pareceram horas, e aquela coisa tomando o tamanho da mesa, estava ansioso, como nunca fora. Ela fazia isso com ele !
Com quase desespero atacou o objeto e abriu.
Seu conteúdo lhe fez sorrir feito uma criança.
A Chave . Não era uma qualquer, era “a sua chave” ! E mais um bilhete.
“Seu presente do Dia dos Namorados.”
Bingo !
Ele entrou sorrateiramente carregando o imenso pacote, era quase do seu tamanho. Não a viu.
Estava no banho, podia ouvir o chuveiro, ele caminhou apressado até o quarto e arrumou o pacote prateado com laço colorido em cima da cama.
Pronto.
Ele enfiou a cabeça pela porta do banheiro e a chamou.
_Sara ? Já cheguei.
_Oi Gil, já estou saindo.
Se sentou no sofá e esperou, como um bom menino.
Tinha passado em sua casa e tomado um banho. Vestu a camisa que ela gostava e estava perfumado.
Apurou seus ouvidos.
O secador.
Uma porta se abrindo.
Barulho de laço sendo desfeito, o farfalhar do embrulho e depois um gritinho de surpresa. Adorava seus gritinhos de surpresa. Podia imaginá – la erguendo os pés e batendo os dedos, como uma criança.
De repente ela pulou em cima dele, ela e aquela coisa imensa e macia.
_Hei … quer me matar de susto.
Ela beijou seu rosto todo, estava usando apenas seu robe florido, os cabelos cheirosos e macios passeando pelo seu nariz.
_Eu não acredito que você fez isso ! Nunca tive um desses, nunca ! Ele é lindo !
Os olhos dela estavam molhados. Ele pensou em como ela era simples, tinha valido mais que uma joia caríssima. A amou mais um tantinho por isso.
Ela o beijou, então. Transferindo seu batom para sua boca.
_Você gostou ?
Ela olhou para o objeto “sentado” ao lado deles.
_Nem imagina o quanto.
Um coelho enorme, talvez quase um metro e cinquenta, vestido com roupas de beisebol, um boné com o nome Slade e no lugar de um taco, uma enorme cenoura laranja de quase três palmos agarrada a sua pata.
Era tão grande e macio que poderia fazer de colchão, quando precisasse de um.
_Sei que ama cenouras.
_Obrigado, querido, estou tão emocionada.
_Achei que fosse me achar um idiota.
_Por que ? Foi o melhor presente que eu já ganhei.
_Desde os seus cinco anos ?
Ela riu.
_Como teve essa ideia ?
_Passando de carro pela avenida, eu olhei para ele e ele para mim, juro que eu ouvi ele gritar “Me leva, sua namorada vai adorar !”
Ela se levantou e pegou seu presente, o abraçando. Os olhos ainda molhados.
_Vou devolver ele para acama. Venha, mocinho hora de dormir, porque a mamãe vai sair com o papai, se comporte !
Ele riu mais uma vez. Estava ficando frequente aquele gesto.
Bem mais tarde, de volta, ela pegou seu amigo e o colocou no canto do quarto.
Enquanto a beijava, com o canto do olho ele olhava aquele bicho, depois fechou os olhos e tentou se concentrar em sua boca. Os abriu novamente. Os fechou. Mas aquela sensação estranha tomando conta dele.
Ele saiu de cima dela.
_Onde você vai ?
_Eu preciso fazer uma coisa.
Ela viu ele dar a volta na cama e virar o animal branco para a parede.
_Melhor assim … onde eu estava ???
Fale com o autor