Chalé Nas Montanhas

19 Quebrando a banca, até que enfim ! - Amante ?


Hoje

Eles desceram a estrada e pararam em frente ao chalé de Jenny e Anton.

Os dois pareciam rir de alguma coisa, com certeza alguma atrapalhada dela, pareciam bem à vontade dentro de suas roupas.

Entraram no carro e Sara viu quando Jenny olhou para Grissom.

_Vocês estão bonitos. Este chapéu lhe caiu bem, Grissom.

_Obrigado Jenny.

Ele sempre chamava a atenção de alguém, tinha que conviver com isso !

_Não vão acreditar o que essa maluca fez !

Grissom olhou para o retrovisor e Sara se virou.

_O que foi desta vez, Anton

_Ela escorregou no banheiro, do nada, sem mais nem menos e levou o armário de toalhas com ela.

_Você se machucou ? — Sara quis saber.

_Não ! — Ela desatou a rir.

_Ela nunca se machuca, acho que tem ossos de aço !

_Mas como aconteceu ?

_E precisa de motivo para ela aprontar das suas ? Tropeçou no vento.

_Agora vou ter arranjar uma maneira de consertar aquilo, mas não sei como.

_Posso ajudá — lo se quiser.

_Eu agradeceria muito, Grissom !

Assim que chegaram já perceberam o clima, estava muito movimentado.

Ele a abraçou possessivamente e caminharam por entre as pessoas. Mais a frente encontraram Joel, Allegra, Paul e Lisa.

Muitas mulheres o olhavam, mas quem mais incomodou Sara foi Allegra.

Ela tinha um olhar de malícia insuportável, o pior é que ele havia percebido. Quase não olhava para ela quando conversavam.

Jenny arranjou uma mesa de quatro lugares, e eles se sentaram, enquanto os outros se dispersaram. Allegra o encarava de longe, aproveitou a ausência de Joel e não se fez de rogada.

Em dado momento Jenny chamou Sara para irem ao toilete.

Estavam lavando as mãos quando Jenny se virou para ela.

_Sara ... não tem ciúme dele ?

Ela quis gritar de tinha e muito, mas se resignou apenas a disfarçar.

_Um pouco … eu confio nele !

_Isso é bom, mas eu fosse você não confiaria nela. É uma ... devoradora.

Sara se rendeu às gargalhadas, mas assim que olhou para sua mesa, seu sorriso morreu.

Ela estava sentada em seu lugar, e parecia quase em cima dele. Viu Anton muito sem graça olhando em direção à elas, e Grissom bem incomodado.

Não soube precisar o que deu nela, talvez estivesse cansada de ver seu namorado sendo assediado, de fingir que não estava nem aí. Tinha sangue nas veias e precisava fazer com que ela ficasse no lugar dela. Era chegada a hora de resolver a parada.

“Mostre a ela quem você é, desta vez !” Uma voz forte ecoou em sua cabeça, uma voz que tinha cor vibrante, cauda, dois ossos pontiagudos na cabeça e um tridente nas mãos.

_Você pode me dar licença ? Acho que seu lugar não é aí ! Por acaso perdeu seu marido ? Posso ajudar você a procurá – lo. Já que sei onde está o meu !

Sua incredulidade foi dissimulada por um sorriso cínico.

_Ah ... claro, estava aqui falando em como você é uma mulher de sorte !

Ela era mesmo muito descarada.

_Sou mesmo ! Talvez você também seja, só precisa parar de olhar para o lado errado !

Grissom estava estático ! Sara parecia outra pessoa, olhando para ele de onde estava, sentado, ela parecia ter dobrado de tamanho e tinha um olhar tão fulminante quanto o de uma assassina em fúria !

Ele estava com medo. De verdade !

_Opa … opa … opa … me desculpe. Tome seu lugar de direito, minha querida. — Ela continuava com aquele ar de superioridade.

_Espero que você faça o mesmo. Ah … quer um conselho ? Beba mais água, faz bem à saúde, a pele fica ótima e...nos poupa de ter alguns ossos quebrados !

Ela se virou furiosa, Sara vencera a batalha.

O que ela fez a seguir deixou seu namorado mais boquiaberto ainda.

Afastou a cadeira que ela havia sentado, olhou para a mesa ao lado repleta de homens, pediu licença gentilmente como se fosse a pessoa mais calma do mundo e perguntou :-

_Esta cadeira está ocupada ?

_Pode usar … quanto quiser. — Alguém dissera.

Ela agradeceu com um sorriso encantador.

Ajeitou bem próxima a ele e se sentou, cruzando as pernas.

_Acho que agora posso me sentar, o ambiente parece mais limpo !

Grissom, Anton e Jenny estavam abobalhados.

_Alguém sabe me dizer onde está o marido dela ?

_Hum … acho que está no leilão. Tem muitos animais interessantes, ele tem algumas fazendas no leste.

_Ele deveria levá – la para uma delas, e ficar de olho para que ela não d|ê em cima de algum touro !

_Sara ! O que deu em você ? Nunca ouvi você falar assim !

Ele a repreendeu muito sério enquanto Jenny e Anton se contorciam em gargalhadas.

De repente ela começou a rir também, nem ela mesmo acreditou que dissera aquilo.

_Desculpe Grissom, mas ela mereceu.- Jenny não conseguia parar de rir.

_Foi mais forte que eu. Quero saber o que ela disse.

_Não podemos falar sobre isso depois ?

Não se dando por vencida, disparou ...

_Você ouviu o que ela disse Anton ?

Ela viu seu amigo arregalar os olhos e Jenny olhar rapidamente para ele.

Muito sem graça, Grissom se viu entre a cruz e a espada.

_Por favor, Sara ! Ele não tem nada a ver com isso ! Essa mulher é maluca.

_Lembre – se, você me prometeu … por pior que seja … quero saber.

_Não vai gostar de saber Sara ! — Anton precisava ajudar seu amigo, ele não tinha culpa .. de nada. Aquela mulher tirava o raciocínio de qualquer homem de bem.

Jenny lhe deu um cutucão o fazendo gemer !

_Não me importo Grissom ! Quer que eu vá até lá e pergunte a ela ?

Por que ela estava agindo daquela maneira ? Se soubesse que ela havia apertado sua coxa na noite anterior, ficaria possessa. Sorte dele, ela não ter percebido !

_Acha que não tenho coragem ? Pois saiba que para tudo existe um limite e o chegou ao fim. Não quero ficar neste lugar de sonhos vendo uma …. mulherzinha dando em cima de você e não fazer nada ! Se ela não sabe o lugar dela, eu posso mostrar.

Ele arregalou seus olhos, assim como Anton e Jenny.

Sua amiga adorou ! Aquela inconsequente não tinha o direito de fazer o que queria.

_Bom … a não ser que … esteja gostando dessa situação !

A incredulidade que viu nos olhos dele foi chocante !

_Você não disse isso !

_Quer que eu repita ?

_Sara … por favor ! Não vamos estragar nossa noite por causa de uma idiotice ! Está deixando nossos amigos … sem jeito !

Ela estava possessa, jamais imaginou passar dos limites daquele jeito, pior ainda na frente dos outros. Estava até duvidando dele !

Ela se virou para os dois, eles pareciam bem … apenas um pouco apreensivos. Mas Jenny tinha um discreto sorriso no rosto.

De repente Anton puxou uma cadeira e se sentou entre eles. Sabia o que fazer.

_Olha eu me sinto no direito de fazer alguma coisa. Precisam me ouvir, depois Sara, você decide o que fazer. Podem confiar em mim ?

_Sim, claro . -Grissom parecia agradecido, estava se sentindo perdido !

Sara apenas cruzou os braços, sabia que precisava se acalmar e não custava nada ouvi – lo !

_Conheço Joel há muitos anos, desde que era casado com outra pessoa. Então ele conheceu Allegra aqui mesmo. Ela chegou a se insinuar para mim também, e quase acabamos com a nossa paz. Acabamos resolvendo isso da melhor maneira porque ela mesmo se desculpou, e temos muita consideração pelo Joel. Quando ela bebe se transforma em outra pessoa … o que ela disse ao Grissom com certeza foi sob o efeito do álcool, amanhã ela não vai conseguir olhar para vocês. Não estrague o que parece ser muito bonito entre vocês dois. Pode ter certeza, ela não vale isso !

O agradecimento que ele viu nos olhos de Grissom valeu a pena cada palavra,até mesmo o risco de ser mal interpretado. Grissom lhe inspirava confiança. Parecia um bom homem e com certeza amava aquela mulher !

_Obrigada Anton, acho que você tem razão ! Ela não vale isso !

Sara tinha que concordar com ele, pelo bem dela e de Grissom.

_Mas vou te dizer uma coisa …. você foi perfeita, Sara ! — Jenny admitiu.

Os olhos delas se encontraram por cima da mesa, em cumplicidade, depois sentiu Grissom a puxar para mais perto. Ele parecia mais aliviado agora !

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Antes

_Grissom ?

_Sim ?

_Nós somos amantes !

_Como ?

Ele se virou para prestar atenção nela. Dirigia com cuidado pelas ruas movimentadas do centro, contornou à direita e seguiu para a clínica. Hank sentado não muito paciente no banco de trás, virando a cabeça sem parar para captar tudo, como era seu hábito, ele o preferia assim. Tinha uma consulta esperando por eles.

_O que está dizendo ?

_É isso ... estou dizendo o que você ouviu ! — Ela parecia pensativa, como que, ponderando sobre alguma divagação que cercava sua mente extraordinária. _Nós somos amantes.

_Não Sara, você é a minha namorada.

Ela o olhou de soslaio, depois deslizou seu dedo indicador pelas suas sobrancelhas, ela sempre fazia aquilo quando tentava ordenar seus pensamentos.

_Veja bem … você é casado com seu trabalho, ele é prioridade em sua vida, como uma família, sabe ? Então você nunca vai “abandoná- lo", e eu cheguei bem no meio dessa relação duradoura. Como uma amante que se instala na vida de um homem comprometido, à espera de alguns bons momentos.

_De onde tirou isso, honey ?

_Então negue e me conteste, se puder.

_Olha, eu realmente vivo para o meu trabalho. Mas não vejo isso sob este ângulo, um tanto deturpado.

Queria dizer a ela que, suas prioridades estavam mudando, sua família agora era ela e Hank ! Mas como conseguir sem parecer tão … tolo ?

_Ninguém abandona um trabalho para viver exclusivamente a alguém, Sara !

_Você entendeu o que eu quis dizer. Prioridades, Grissom !

_ Isso incomoda você ?

Ela parou e pensou.

_Não, não me incomoda …. senão … não estaríamos juntos.

_Mas de qualquer forma, você é a minha prioridade ! Vamos mudar para o meio termo. Gosto do meu trabalho, mas também gosto de estar com você. Se antes só vivia para ele é porque estava sozinho !

_Sem mim ? Você quer dizer ?

_Exatamente, eu não tinha você !

_É … isso parece bom … bem acho que chegamos. Venha garoto, sua queridinha o espera.- Sara o desprendeu do cinto e ele pulou espertamente para fora._Ah ham … nosso garoto está de volta.

Hank gostava de sua veterinária, aliás, ele gostava de todo mundo.

_Eu acho que alguém aqui precisa de um banho, e não sou … e nem você.

Ela inalou imitando o focinho de um cão.

_Você tem faro de um cão de caça. Não sinto nada.

Ele sorriu.

_Só não me peça para abanar o rabo.

_Sabe que se você fosse um cão, seria um esperto sabujo, se embrenhando na mata atrás de coelhos, lebres, e afins. Ah … também posso visualizar algo com asas e penas preso em sua mandíbula poderosa,. talvez um … pato selvagem !

Ele gostou da brincadeira.

_Que nome me daria, querida ?

Ela olhou para ele enquanto sorria.

Era linda quando sorria, o cabelo escuro de uma cor incomum e maravilhosa, emoldurando seu rosto.

_Talvez … Skip !

Seu sorriso de dentes muito brancos se iluminou e ele quase gargalhou.

_Avante Skip, temos um compromisso.

Os dois entraram com Hank para dentro e alguns olhares se instalaram sobre eles. Grissom se sentiu desconfortável, não gostava de ser o centro das atenções. Sara percebeu.

_Hei Marie Anne, acha que podemos voltar depois ? — Ela olhou para o relógio, parecendo muito atarefada, ele sabia que não tinham muito o que fazer.

_Talvez daqui há meia hora, se não se importarem, a doutora teve uma emergência e se atrasou um pouco, pedimos desculpas por isso.

_Não tem problema, seria muito pedir que nos ligasse quando entrar o último … “ paciente” ?

_De maneira nenhuma … me sentiria mais aliviada !

Eles voltaram para fora e Sara bufou.

_Por que fez isso ?

_Apenas me senti meio … desconfortável, com aquela “multidão” nos espreitando.

Ele arqueou uma de suas adoráveis sobrancelhas, sabia que não se tratava dela e sim … dele !

Como não reconhecer a importância daquela mulher em sua vida, nos gestos mais simples, nas questões mais comuns do dia a dia. E quase a perdera !

Eles se sentaram na praça, logo à frente da clínica.

O fluxo intenso dos carros que iam e vinham, o movimento conturbado, e aquela praça, resistindo bravamente em meios ao caos daquela cidade.

_Gosto daqui … é bonito.

De repente um carro parou no sinal e ela se levantou rapidamente, correndo até uma árvore bem próxima, espreitando o motorista.

Hank começou a latir e puxar a coleira presa nas mãos de Grissom, olhando para ela, sem entender muito o que estava acontecendo.

_Ei Grissom ?

Ele se virou para o lado daquela voz conhecida e acenou.

_Oi Cath.

_O que faz aí ?

_Esperando uma consulta ! — Ele apontou seu cão e sorriu.

O sinal abriu e ela se foi, acenando de volta para ele.

Sara saiu de trás da arvore se sentou ao lado dele novamente. Parecia assustada.

Um pensamento lhe ocorreu. Ela tinha razão. Era sua amante !

Era um romance proibido, assim como um homem comprometido, vivendo às escondidas com outra pessoa.

Teve vontade de pedir desculpas a ela.

_Sara … eu … nem sei o que dizer.

_Não diga nada … apenas temos que agradecer por ela não ter me visto.

Uma sensação incômoda tomou conta dele. Ele era adulto, ela também. O que tinha de errado nisso ? O trabalho ! Não fosse pelas regras … talvez … ele pudesse …

De repente seu telefone tocou e ele atendeu.

_Vamos, querida … a consulta !

Ela pegou em sua mão, parecia pensativa. E ele ficou com receio do que se passava na cabeça dela. Na verdade sentiu medo. Sabia o que era ficar sem ela, e se ela se cansasse, e se …

_Gil … vamos atravessar, amor. O sinal está verde para pedestres.

Sua voz o trouxe de volta, ela parecia calma. Talvez estivesse ficando paranoico. Que viessem logo seus dias de férias. Precisava respirar outros ares, caminhar para qualquer lugar sem medo que alguém os visse, sem medo de serem descobertos. Precisava de paz !