Chalé Nas Montanhas
44 Estressado - Minha namorada
Hoje
_Você vai embora ?
_Oi Gil … estou de saída … quase não o vi … está tudo bem ?
_Sim … — ele esticou o canto de seu lábio. _Estou quase sumindo no meio de tantos papéis.
_Você … precisa de ajuda ?
_Não ! Vá para casa …
_E se eu quiser ajudá -lo ? Vai me negar ?
Ela era linda … sempre pronta !
_Se você quiser … tudo bem. Não está cansada ?
_Até que não !
Ela foi até sua sala ao seu lado.
_O quer quer eu faça ?
_Poderia guardar essa pilha para mim, naquele armário … talvez seja meio … chato, costumo deixar em ordem alfabética.
_Tudo bem, posso fazê – lo.
A quantidade era assustadora, todos estavam marcados com algum tipo de anotação, algum tipo de código, que talvez, somente ele soubesse.
Em silêncio, ela separou, ordenou e começou a arquivar em suas pastas devidas.
Ele era organizado, as coisas ficavam mais fáceis.
Depois de muito tempo, e muitas pilhas derriçadas, ele finalmente se rendeu ao cansaço.
_Sara … melhor irmos embora.
_Tudo bem.
_Queria te agradecer … por me ajudar.
_Não precisa, foi um prazer.
_Você quer ir para minha casa ?
_Acho que não, percebi que estou exausta, não serei uma boa companhia, além do mais … estou …estou … naqueles dias !
_Hum … — ele ficou olhando para ela.
_Sabe do que estou falando não sabe ?
_Sara !!!
Que pergunta mais descabida, é claro que ele sabia.
_Tudo bem, até amanhã então.
_Até amanhã e …. descanse Gil, você não parou um só minuto. E aproveite … vai ficar livre de mim.
Ele não riu, somente a olhou muito sério.
Sara não entendeu, mas se virou mesmo assim, levantando uma das mãos para se despedir.
Qual o problema com ela ? Ele não queria ficar sozinho, ele queria estar com ela, mesmo que não pudessem ter sexo. Apenas estar por estar.
Assim que se esticou na cama, dormiu imediatamente, mas não sem antes pensar nela.
….......
Um dia se passou, eles estavam atarefados igualmente ao dia anterior.
No final do turno receberam uma chamada que os levou a ficar por quase quarenta e oito horas alertas.
Sara conseguiu ir para casa para descansar por apenas três horas e ele acabou usando o sofá de sua sala para cochilar.
Cath, Greg e Warrick logo estariam de férias e as coisas pareciam piorar ainda mais.
O trabalho começou a se acumular novamente fazendo com que adiassem por mais alguns dias o merecido descanso.
Grissom estava irritado, Cath parecia igualmente sem paciência, os dois trocavam farpas a todo momento. Até mesmo no meio dos outros.
_Você teve suas férias … queremos direitos iguais.
_Não depende de mim, Cath …. será que não vê ? Peça a esses assassinos para dar um tempo, quem sabe!
_Engraçadinho. Quer saber? Você pouco se importou com isso, quando tirou suas férias !
_Como é ? Como assim ?
Sara ficou chocada !
Ela estava sendo injusta, isso era uma inverdade. Ele esteve preocupado o tempo todo, quase nem se viram para que deixasse tudo em ordem para ela, além do mais, em nenhum momento ela esteve em desvantagem numérica.
Sara teve vontade de intervir naquela discussão, mas seria arriscado demais.
Ele estava triste, além de estressado.
Bem mais tarde ele foi até a sala de Ecklie.
_Vou liberar a Cath para que possa descansar, ela está precisando.
_Vocês discutiram, não foi ?
Ele não respondeu.
_E quanto ao Greg e Warrick ?
_Vou lhes pedir mais dois dias, vamos ajeitar as coisas … e vai ficar tudo bem.
_Você carrega seus subordinados nas costas, Gil !
_Eles precisam de um tempo, Ecklie, todo mundo precisa.
_Até você precisou ! Está caindo de rendimento ?
Ele se levantou e andando rapidamente pelo corredor, chamou Cath para sua sala !
_Aqui estão os seus dias de descanso. Não quero vê-la aqui a partir de agora !
Ela o olhou estranho, depois disparou.
_Você está bem ?
_Não importa … agora vá … bom descanso !
Cath não se mexeu, apenas o encarou mais uma vez.
_Qual seu problema ? Estou apenas querendo os meus direitos.
_E eu estou lhe dando seus direitos.
_Não queria que fosse assim … não gosto de discutir com você !
_Eu não gosto de ser acusado injustamente. Sempre me preocupei com todos, principalmente com você ! Eu me importei sim, quando tirei minhas férias …
Ela entendeu o ponto de conflito. Então era isso.
_Eu … estava nervosa … me desculpe.
_Tudo bem … agora me deixe trabalhar …
_Gil …
_O que é ?
_Você precisa de uma mulher !
Ele abriu a boca para vociferar que ela fosse para o inferno, mas ela saiu antes disso.
Ele tinha uma mulher, ela o amava, lhe fazia feliz. Ele teve vontade de gritar aos quatro ventos que ele e Sara estavam juntos. Não suportava mais aqueles julgamentos. Já não tinha mais paciência.
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Antes
Um bom tempo antes do almoço, eles tocavam a campainha de Joe e Anna.
_Grissom !
_Olá Joe.
Instintivamente ele pousou os olhos nos dedos entrelaçados deles, suas suspeitas estavam certas.
_Anna ... venha ver quem está aqui ! Oi Sara. — Ela parecia sem jeito, nunca tantas pessoas ficaram sabendo daquele romance. Na verdade, ninguém nuca soube.
Eles entaram e Grissom o abraçou firme.
_Então nossa mocinha não se perdeu pelo caminho ? Ela se encontrou !
Anna estava feliz em vê — los juntos, Grissom precisava de uma mulher especial, e ela era. Tinha certeza.
Eles se sentaram à mesa.
_Então não suportou ficar longe de sua "amiga".
Ele sorriu sem graça, completando.
_Você já sabia ... tenho certeza disso.
_Ah ... meu velho amigo ... nunca ouvi você falar tão bem de uma mulher assim ...
_Eu queria lhe agradecer por acolhê — la.
_Foi um prazer ... sempre que precisar, conte comigo. Vai ficar para o almoço, não é ? Eu insisto.
_Tudo bem ...
_Deixe as mulheres aí, vamos até a varanda, venha tomar uma cerveja comigo.
_Eu ainda tenho que dirigir ... devo voltar o mais urgente possível. Estarei de plantão, logo mais à noite.
_Se é assim, vamos apenas conversar, quero trocar umas ideias com você.
Ele olhou para Sara, como que pedindo permissão. Foi uma cena engraçada. Ela acenou com a cabeça, seus olhos brilhando quando olhava para ele.
_Sara … estou tão feliz por vocês dois …sempre rezei para que ele encontrasse uma mulher de bem.
_Ele é maravilhoso, Anna. — Ela confessou, esquecendo o mal jeito.
_Vocês me parecem tão felizes … eu disse ao Joe, que tinha alguma coisa entre vocês.
_Temos que tomar cuidado …. você sabe … o laboratório … ele é meu supervisor !
_Deve ser difícil … como vocês fazem para se ver ?
_Complicado … é um sacrifício … temos uma viagem programada para a semana que vem … ainda não sei onde é … ele quer fazer uma surpresa!
_O Grissom ? Tão polido e … sério ! Fazendo surpresas românticas ?
Ela sorriu bem tímida, o procurando com os olhos pela vidraça da janela.
Ele parecia prestar atenção em alguma coisa que Joe dizia. Estava compenetrado.
Anna se levantou e tirou alguma coisa do forno, estava cheirando bem. Parecia uma torta de queijo. Grissom devia ter falado que ela era vegetariana, eles nunca perguntaram, mas suas refeições sempre tinham alguma coisa que ela estava acostumada a comer !
Na varanda …
_Você veio por causa dele, não foi ?
Ele apenas o encarou, depois baixou os olhos para o chão.
_Aquele idiota deu em cima dela !
Grissom não queria imaginar aquela cena, era doloroso e o fazia perder a lucidez.
_Gostei que veio … quando vi os dois na varanda e ela se esquivando dele … achei que você deveria saber.
“Chega !” Estava ficando difícil de respirar, se pudesse ele socaria Steve até que perdesse os sentidos, ele não ia deixá- la sozinha.
Pela primeira vez em sua vida não temeu ser displicente, ou ela iria embora com ele ou ele ficaria.
_Queria que você visse a cara de abutre que ele fez.
Ele não aguentou.
_Joe … por favor, não quero saber desses detalhes … — “eles doem”
Ele arregalou os olhos, estava surpreso. Desta vez seu amigo estava perdido ! Seria amor ?
_Está apaixonado por ela !!! E morrendo de ciúme ...
_E você não está me ajudando muito ! Está tentando acabar comigo ?
_Desculpe ... não sabia …
_Pois agora você sabe.
Pouco tempo depois, todos estavam sentados à mesa.
Os gêmeos faziam muitas perguntas à Grissom e ele respondia com uma paciência surpreendente.
Após o cafezinho, Grissom olhou para ela, precisavam conversar. Ele tinha que resolver aquele impasse interno.
Ele se levantou.
_Anna sua comida é deliciosa … sabe disso, não ?
_Vindo de você isso é um senhor elogio !
_Me dão licença … — ele olhou para o relógio. _Preciso ir e ainda tenho uma assunto a tratar com … minha namorada !
Ouvir aquilo lhe deu uma sensação inebriante de conforto, felicidade e mais algumas coisas que a fizeram se sentir levitando. Ela se esqueceu do “amiga” de uns dias atrás e regozijou – se.
_Fique, à vontade …
_Não quer ajuda com a cozinha, Anna ?
_De jeito nenhum, vá …querida, dê atenção a ele.
Eles se sentaram no canto da varanda. Grissom virou sua cadeira bem de frente à dela e segurou as suas mãos.
_Hum … quais são seus planos ?
_Gil … eu vou ficar … já havíamos decidido … não posso abandonar tudo, vai ficar desagradável.
Ele olhou para as mãos entrelaçadas, desolado, depois apertou os lábios.
_Não consigo pensar em você aqui … com esse idiota a rodeando … não vou conseguir trabalhar … volte comigo para Vegas … será que consegue me entender ?
_Não ! Você está exagerando … o que pensa que eu vou fazer ?
Ela não o entendia, o problema era imaginar aquele insano a cortejando.
_Já disse mais de uma vez … não é você …
_Grissom … ou você para com isso ou as coisas vão acabar mal ! Mas que diabos está acontecendo com você ? Estou ficando preocupada.
Ela tinha total razão, tinha que se controlar, parecia tão fraco, tão frágil !
_Desculpe … não me orgulho disso, acredite !
Ela resolveu baixar a guarda, talvez até o entendesse, se por acaso fosse ela na situação dele, com uma mulher que rondou seu passado, e lhe roubado alguns namorados, talvez agisse parecido. Mas ia saber se controlar e confiar nele. Pensou mais um pouco … imaginar uma mulher o tocando … mesmo que ele não quisesse e não desse a mínima … ai !!! Era difícil e assustador!
_Gil … não vamos brigar .. eu vou ficar bem longe dele, eu prometo. E vou te ligar quando estiver terminado. Vou direto para casa, não vou lhe dar a chance de me importunar.
Era bom ouvir aquilo … tinha que parar com aquela paranoia , prometera a ela.
Ele aproximou seus lábios e a beijou intensamente, como se não quisesse se separar dela, como se lhe dissesse em silêncio que ele acrediatava nela.
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