Chalé Nas Montanhas

21 Constrangimento - Resolvendo


Hoje

Paul e Lisa vieram se juntar a eles, estavam no leilão e ela parecia bem eufórica.

_Adoro leilões, o Joel arrematou algumas cabeças, e foi um alvoroço total. Havia um touro campeão e foi muito disputado ! Vocês não gostam ?

_É um mundo que desconheço, tudo o que sei é o que vejo, muito esporadicamente na TV.

_É bem interessante, Grissom, mas na verdade, é meio viciante. O Joel nos empolga. Onde está a Allegra ?

Ninguém soube responder. Instantes depois Joel apareceu.

_Alguém por acaso viu a minha mulher ?

Ele estava no celular e ela não respondia.

_Será que dormiu ? Ela não está em lugar algum.

_Já faz um tempo que ela … nos deixou ! Depois não a vimos mais.

Jenny tinha uma leve desconfiança que talvez ela pudesse estar dormindo até dentro do carro. Já ocorrera diversas vezes.

_Eu estou indo, se por acaso a verem, por favor, diga que estou procurando – a, boa noite !

Todos responderam.

Ele parecia muito preocupado. Olhando para todos os lados.

Paul e Lisa perceberam a troca de olhares entre os outros dois casais.

_Está bem, o que ela fez, desta vez ! — Lisa quis saber.

Sara e Grissom se calaram, mas Jenny resolver quebrar aquele clima horrível.

_Para variar, bebeu demais.

_Paul e eu resolvemos que vamos falar com o Joel, ela precisa de tratamento. Todo ano ela arranja alguém para importunar, queria saber quem foi a vitima dessa vez. Achei que seria você, Grissom !

_E foi. — Jenny mais uma vez se adiantou a todo mundo. Ela estava inconformada.

Paul se assustou, ele olhou para Grissom meio desolado. Havia achado seu novo amigo um homem imponente, muito sério, ficou constrangido.

_Desculpe Grissom, sinto muito. Nós vamos realmente falar com ele. Acho que é para isso que servem os amigos.

Lisa se virou para Sara, que parecia igualmente sem graça.

_Sinto muito Sara.

Eles pareciam ser pessoas sensatas, muito diferentes de Allegra.

_Tudo bem, vamos esquecer esta coisa toda. Já passou.

Uma música linda começou a tocar, não era a favorita de Sara mas ela quis dançar, o toque era delicioso.

_Vamos dançar, Gil ?

_Dançar, querida ?

Paul começou a rir, se sentando, também não possuía muita habilidade no quesito,

_Por favor … essa música é linda.

_Nem pense em se sentar, Paul, também quero dançar.

Eles foram para a pista de dança e Sara se ajeitou nos braços dele.

_Melhorou, querido ?

_Do quê ?

_De sua crise de ciúme.

Ele olhou para ela e não respondeu.

Os braços dela resolveram enlaçar seu pescoço, e depois o encarou.

_Sabe o que estou com vontade ?

_Hum … — ele já conhecia aquele olhar, sabia onde acabaria.

_De fazer amor com você, à luz da lua.

_Você está brincando com fogo, Sara !

_Estou ? Por que ? Ainda nem comecei.

Ele arqueou as sobrancelhas, e ela resolveu seguir em frente, se aproximando de seu ouvido.

_Quero sentir você dentro de mim, quero ouvir você gemer …

_Sara …

Ela sentiu quando seu corpo reagiu a ela e deu uma risadinha maliciosa.

_Você ri, quero ver o que vou fazer para sair daqui, com essa calça apertada. Eu juro para você que é a primeira e última vez que uso.

Ela soltou uma gargalhada,chamando atenção de seus amigos.

Jenny balançou a cabeça, imaginando que estavisse aprontando alguma.

_Não perde por esperar, querida !

_Jura ?

Ela desceu as mãos para seu peito e deslizou a unha pela abertura de sua camisa.

_Quer fazer o favor de parar ! — Ele parecia desesperado.

_Claro ! … que não !

Ele a apertou em seus braços, grudando seu corpo no dela e a beijou, pouco se importando com quem quisesse ver.

_Dr. Grissom !!!!

Ele interrompeu o beijo, mal acreditando quando seus olhos pousaram nele !

_Você por aqui ? !

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Antes

Sara tomou um banho gelado e se deitou, estava exausta e com raiva.

Precisava deixar passar aquele nervosismo todo dele.

Ficava impressionada com a falta de tato que ele tinha para lidar com outras pessoas. Ficou triste por ele, sabia que sofria com isso, mas não admitia, seu orgulho não deixava.

Não soube dizer por quanto tempo adormeceu, só sentia que seu corpo parecia bem relaxado.

Ela se levantou e foi ver as horas.

Dormira por quase sete horas seguidas.

Precisava comer alguma coisa, pulara o café da manhã, estava faminta.

Preparou arroz e cozinhou alguns legumes para uma salada. Depois se sentou em frente a TV com um generoso pedaço de pudim que comprara no dia anterior.

Estava lambendo a colher, como sempre fazia quando ouviu sua campainha.

De camiseta até o meio das coxas e descalça, ela atendeu a porta.

Seu olhar azul passeou pelo seu corpo, ele estava com os cabelos molhados e parecia descansado.

_Sempre atende a porta ... desse jeito ?

_Não esperava ninguém, além de você.

_Eu tentei falar com você, mas não me atendeu.

_Não ouvi meu telefone tocar, devo ter desmaiado.

Ela deu passagem a ele.

_Você almoçou ?

_Sim, graças a sra. Miller, quando acordei ela havia preparado um banquete.

_Você precisava preservar essa mulher, ela é ótima !

_Eu sei … estava pensando em aumentar seu salário.

_Que bom, ela merece.

Eles se sentaram no sofá e ele espiou em sua vasilha de porcelana.

_O que é isso ?

_Pudim, você quer ?

_Huhum parece ótimo.

Ela se levantou e ele foi atrás dela, a abraçando pela cintura, enquanto abria a porta de seu armário.

_Está brava comigo ?

_Não, mas deveria.

_Desculpe, estava nervoso.

_Você não precisa fazer tudo, Gil. Se dê um tempo, vai acabar ficando doente.

_Eu sei …

_Sabe mas não toma uma atitude. Quando foi a última vez que fez um chek up ?

_Quando fiz a minha cirurgia … do ouvido.

Ela havia se esquecido deste episódio, ficara chateada com ele, por não ter lhe contado, esse era o real motivo para não ter aceitado sair com ela. Medo. Mas eram águas passadas.

Ela encheu sua taça de doce e lhe serviu um bom bocado.

_Isso é bom.

Ela lhe deu um beijo rápido, estava parecendo uma criança. Ele adorava doce.

Bem mais tarde eles trocavam alguns beijos no sofá quando ouviram o nome dele sendo citado na TV.

Eles prestaram atenção. Olhando com cuidado aquela cena, podia – se dizer que ele parecia mesmo uma pilha de nervos.

O tal repórter Jack era uma raposa velha que gostava de sensacionalismo. Era a segunda vez que perseguia Grissom. A primeira, havia sido há alguns anos em um caso de um ator famoso. Questionara alguns métodos usados na investigação e ainda colocou o laboratório contra os fãs do ator. Por sorte, o suspeito famoso, foi considerado culpado e cumpria pena na penitenciária do estado de Nevada. Era campeão de cartas.

_Sujeito intragável !

_Acho que ele não gosta de mim.

_Ele não precisa gostar, eu gosto.

_Isso é um alívio. — ele disse sorrindo, voltando aos seus lábios doces.