Chains
1 As trevas estão chegando
Notas iniciais
Todo o grupo estava reunido, combinando forças pelo mesmo objetivo: enfrentar uma das deusas que, possuída pelas forças do mal, poderia aniquilar todos eles e o continente, se não tomassem cuidado. Tão somente encostaram seus pés no primeiro degrau da escada do templo dessa divindade, e já sentiram uma aura negra pairando no ar, que estava tão pesado que chegara a dificultar a respiração dos heróis.
— Vamos! — Elesis dá um passo à frente, mas é parada por Lire.
— Elesis! Desta vez, nós realmente precisamos pensar em algo antes. Essa aura escura não parece ser algo que derrotaríamos tão facilmente sem nenhum plano. — Lire apoia sua mão no ombro de Elesis, tentando repreendê-la.
— Anda logo! Quanto mais tempo passamos aqui, acuados como um bando de fracotes, menos tempo temos para enfrentá-la! — Elesis solta-se de Lire, sobe a escada que leva ao altar da deusa, mas para no meio do caminho ao perceber que ninguém a acompanhava. — Vocês vão mesmo ficar parados aí, olhando?!
— Deste jeito, você vai acabar matando todos nós... — Arme, que até agora estava quieta, levanta um pouco a voz.
Como sempre, depois de receber o sermão de Elesis, todos tomaram sua dose de coragem e a seguiram escada acima. Mesmo que o grupo inteiro temesse o que estaria por vir, continuaram a seguir em frente ao comando dela pela grande escadaria prateada que os cercavam, juntamente com aquela aura pesada, que fazia os joelhos de alguns fraquejar. Contudo, entre os que hesitavam pela intensidade daquela força das trevas, tinha quem temia por algo mais.
Era Dio.
Mesmo que ele não fosse afetado pela aura que o local emanava por ser um demônio, Dio sabia, de alguma maneira, que algo pior do que a possibilidade da aniquilação da Grand Chase estava à sua frente. Talvez fosse algum instinto natural que ele tenha. Ou somente intuição. Ele continuou a subir as escadas, quieto.
Depois de quase serem desmotivados pela longa escadaria, que antes parecia nunca acabar, subiram mais um degrau, e lá estava, esperando por eles, a deusa que vieram enfrentar.
Ela, de costas, quase que em desprezo ao grupo, virou-se, e lançou um olhar arrogante.
— Oh, eu esperei tanto por vocês. Cada uma de suas vidas terão o propósito honroso de dar-me poder... — O semblante que ela mostrava era sombrio e obscuro.
A deusa passou seus olhos por todo o grupo de heróis, mas ao olhar para Dio, ficou calada e imóvel.
A aura que ela liberava tornava-se mais densa a cada momento que ela passava observando Dio. Alguns segundos depois, percebeu algo, arregalando os olhos, e desferiu uma onda de choque ao chão, seguido de magias rúnicas antigas e ataques nos quais o impacto não era suportado nem pela própria estrutura do templo. O grupo desviava com habilidade e destreza dos ataques e os revidava como possível, sincronizadamente.
Aos poucos, a aura foi se dissipando, e a deusa, também, recuperando a consciência da possessão que a tomava. A luta estava progredindo melhor que qualquer um esperava. Porém, a ânsia de Dio não havia, ainda, passado.
“As trevas estão chegando. ”
Sentiu-se outra pressão no ar, mas desta vez, não era uma pressão maléfica, e sim uma sensação de desespero. Dio agitou-se. Nele, não havia desespero, mas somente antecipação. Ele olhou em volta, e se deparou com um vulto, que parecia estar flutuando, em um canto escuro do salão do templo.
— Nós chegamos. — Uma voz profunda e ríspida, vinda da direção do vulto, ecoou nos ouvidos de todos ali presentes.
— Eu notei, cubo imprestável. Não sou cego. — Outra voz, com súbito ar de soberania, contrastava-se com a voz anterior. — Agora, eu quero silêncio.
A deusa parecia enfurecida, outra vez tomada fortemente pela escuridão, que parecia ter aumentado pela chegada daquelas vozes.
— Quem você acha que é, para interromper meu confronto? — Ela bradou, acumulando energia e tentando desferir na direção das vozes.
Elesis que, só agora deu atenção à aparição, ouviu passos vindos de trás dela, que não faziam muito barulho, mas eram dados com muita força no chão. Por um momento, ela pensou ser algum inimigo, mas ao se virar, deparou-se com Dio, tomado pela ânsia de atacar, e o grupo, mais uma vez, paralisado. Enquanto distraída, Elesis ouviu, na direção oposta, um murmúrio dizendo “destruidor”.
No mesmo instante, uma luz roxa seguida de uma explosão aterrorizadora na direção da deusa inundou a visão do grupo com sangue. Vísceras e ossos da deusa eram arrancados, torcidos, partidos e desintegrados cruelmente de seu corpo, que diante daquele teatro de horrores, parecia feito de papel. Tudo foi tão rápido que ela mal teve tempo de pensar em começar a gritar de dor. O ato em si não tinha durado nem ao menos um segundo, mas aos olhos dos heróis, durou o bastante para sentirem seus estômagos revirarem, pois ficou marcado em suas memórias.
A luz daquela explosão iluminou o vulto, fazendo-o ficar reconhecível. Reconhecível ao menos para Dio, que já havia o visto antes: Olhos dourados, cabelo violeta, meia tonelada de brincos na orelha e uma feição de superioridade indiscutível, na companhia de um cubo que flutuava ao seu lado. Tinha de ser ele.
— Silêncio.... Finalmente. — Disse Veigas, respondendo à deusa morta, e já encarando Dio na mesma intensidade que ele o encarava. — Agora, sua vez.
— Veigas. O que está fazendo aqui, miserável? — Dio deu alguns passos à frente.
Veigas aproximou-se lentamente, e sorrindo, sussurrou:
— Eu vim procurar você. Te destruir. E destruir todos eles, junto com esta dimensão inteira. Por aquela vez em Calnat. — Ele se aproximou o bastante para que Dio conseguisse escutá-lo.
Dio não se acovardou diante do mar de sangue da deusa aos seus pés, já que tinha visto coisas piores anteriormente, e bastou mais dois segundos de contato visual com Veigas para ele não conseguir se conter e tentar acertá-lo com sua garra, fazendo o outro teleportar-se para desviar. A energia maligna dos dois pesava o ar tanto quanto a possessão que tinha aquela deusa, ou até pior.
Elesis, que não aguentava mais ficar parada diante daquilo, franziu a testa e cerrou o punho em sua espada.
— Eu não sei quem é você, mas na mesma hora em que matou essa deusa que estava quase voltando à consciência, virou nosso inimigo também! — Ela, sem ver o perigo de afrontar Veigas, correu com sua espada em mãos em direção a ele, mas foi parada pelo braço de Dio. — Sério, será que vocês querem parar de me interromp-...Tsc.
Quase que ironicamente, foi interrompida por ela mesma, quando viu a face de Dio encharcada de sede de sangue. Cravando a espada no chão, ela se pôs a esperar, pois ao menos, sabia que aquele confronto não era dela. Tanto Lire e Arme, como o resto do grupo, se espantaram com este gesto de respeito vindo de alguém como ela.
Porém, ao cravar a espada no chão, alguns ruídos foram percebidos por todos, ruídos que pareciam vidro sendo estilhaçado. Elesis olhou para baixo e viu que, a partir de sua espada, uma runa mágica que estava conjurada no chão havia se partido, e assim que essa runa foi partida, o templo inteiro começou a desmoronar, formando rachaduras por todos os lugares. Nas frestas destas rachaduras, o sangue da deusa escorria como um rio, alterando sua cor de vermelho-vinho para preto. Grandes pedras, que antes eram o teto, começaram a cair por cima do sangue negro, espalhando-o mais ainda. A escadaria prateada era a única rota de fuga, onde aquele sangue recusava-se a sujar. Todos pensavam em sair o mais rápido possível dali.
Ao menos, quase todos. Porque aqueles dois não ligavam mais para a própria segurança, sabendo que, de um jeito ou de outro, um deles não sairia vivo, e eles já haviam iniciado a batalha. Dio já tinha invocado sua Deathstar, eriçado suas garras, aberto suas asas e começado a atacar, e Veigas, começado a demonstrar sua extrema rapidez e agilidade, também atirando grandes esferas dimensionais em Dio.
O grupo correu para as escadas, e antes que pudessem pensar em voltar atrás para salvar Dio, já era tarde. Enormes pilares do templo desmoronaram, bloqueando a passagem de volta à sala da deusa. Esses pilares estavam sujos de sangue negro, que era um líquido fosco e denso. Não importava o quanto eles tentavam, fosse uma espada ou uma lança, os pilares não eram nem ao menos arranhados pelos ataques deles. Quem estava dentro não poderia mais sair, e quem estava fora não poderia mais entrar. Disso, a Grand Chase tinha certeza, após inúmeras tentativas.
— E agora, o que faremos? Aquele idiota vai ficar preso aí dentro se não conseguirmos destruir esses pilares! — Elesis golpeou os pilares com a sua espada.
— Eu não acho que aquele diabinho vá morrer tão fácil assim. — Sieghart, que até agora não havia aparecido, começa a descer as escadas. — Ele não é fraco.
Mais uma vez, o grupo se surpreendeu. Sieghart elogiando Dio não era algo comum. Mesmo confusos, todos seguiram Sieg escada abaixo. Convencidos pelo seu olhar confiante, estavam certos de que ele sabia de algo. Porque ele realmente sabia.
Dentro do templo, os dois continuavam seu confronto, sem dar atenção ao seu redor. Mal eles tinham notado que sua única saída havia se fechado, tal era a concentração deles. Um espetáculo de explosões e chamas acompanhava a luta dos dois, que se moviam rapidamente, atacando um ao outro e desviando dos ataques. Em alguns momentos, a luta era aérea, e em outros, era no chão, alternando frequentemente. Essa troca de ataques e desvios fazia eles parecerem igualados.
— Isso está sendo divertido, mas já passou da hora de você morrer. — Veigas dizia, calmamente, enquanto girava o Tesserato ao seu redor.
Ao fazer isso, uma colossal quantidade de poder foi acumulada em volta dele, formando um círculo mágico que tomou conta de todo o local.
Dio observava aquilo sem nenhum medo, mesmo sabendo que não sobreviveria à um ataque desta magnitude, devido somente ao seu orgulho, que o dava coragem o suficiente para nem ao menos ter receio de encarar aquele perigo de frente.
— Pode tentar. Não é um “tapinha” desses que vai me matar. — Ele provocava Veigas.
— Dio, Dio... Nenhum milagre fará você escapar de mim.
Ao ouvir isso de Veigas, Dio também começou a acumular seu poder, tentando equiparar-se ao dele. Mesmo sem ter medo da morte, ele não aceitaria morrer tão fácil, tampouco perder uma luta para Veigas.
Com isso, a pressão do ar não só foi aumentada drasticamente, mas como a própria gravidade tivera sido alterada diante da força dos dois asmodianos, sendo praticamente impossível um humano andar naquela sala sem ser brutalmente esmagado e morto contra o chão.
Uma névoa preta, que vinha do sangue negro da deusa sendo evaporado pela pressão, se alastrava, parecendo dançar em volta dos dois e dos seus sussurros.
“Dia do Julgamento.”
“Império das Trevas.”
A sala escureceu totalmente. Nenhuma explosão ou chamas dominava o local. Só escuridão, que falava dentro de suas cabeças.
“O Profano e o Escolhido. Filosofias de vida tão distintas quanto iguais, ambos errados. Seja equilíbrio ou destruição, que os dois pereçam pela própria obra. Assim se faça a conexão do agora inseparável. Animarum carcerem.”
Eles, que se perdiam na visão negra que dominava seus olhos, sentiram um agarrão no fundo de suas existências, puxando suas almas para fora do corpo, acompanhada de uma dor excruciante da qual nunca tinham provado. Por mais que tentassem gritar, o som saía nulo. Era pior que quebrar todos os ossos do corpo, ou ter o coração arrancado. Era um sofrimento quase indescritível. Não conseguir ver, ouvir, gritar ou sequer respirar. Somente sentir o gosto daquele sufocamento que não os deixava em paz.
De um segundo ao outro, aquela tortura se esvaiu de seus corpos, e exaustos, Dio e Veigas desmaiaram no chão que estava coberto pelo vazio.
“Suas forças serão sua prisão. Cresçam, e me encontrem. Eu já encontrei vocês. ”
A escuridão, deixando essa última mensagem, se foi.
Algumas horas se passaram, e eles estavam ainda em sono.
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— Mestre. — chamou o Tesserato — Mestre!
— Tch... — Veigas ainda estava zonzo demais para abrir os olhos.
— Acorde, Mestre. — Insistiu.
— Ora, cale a boca! — Apoiando-se sobre o braço direito, Veigas levantou seu torso, sentando-se e abrindo os olhos.
Ao abri-los, ele se viu sentado no chão, em uma sala de trono, com as paredes inteiramente feitas de pedra, e o chão branco. Nessa sala, só tinha o trono e duas portas juntas, que eram de madeira escura com adornos dourados. Uma fraca luz avermelhada banhava a área, deixando o ambiente relativamente escuro.
— Ok. Vamos sair... daqui? — Ao tentar ficar em pé, sentiu um peso estranho em seu pulso direito.
Ao abaixar a cabeça, deparou-se com uma corrente, azulada e de certo modo transparente, presa em seu pulso com uma algema reforçada, também transparente. Ao passar os olhos por toda a extensão da corrente, viu que no fim tinha outra algema, presa ao pulso esquerdo de Dio, este que estava encostado na parede, em um canto mais escuro da sala. Ao ver Dio, tomou um pequeno susto, mas recuperou-se rapidamente. Ele parecia calmo, e o costumeiro olhar maligno que ele usa ao encarar Veigas não estava tão intenso como antes, tanto que ele nem parecia querer atacar.
— O que você fez, seu inseto? O que está acontecendo? Onde eu estou? — Veigas caminhava em direção à Dio, tentando arrancar a algema do próprio pulso, sem sucesso.
— Se eu soubesse onde estamos, provavelmente eu já teria te matado e dado o fora daqui. — Dio replicou. — Você acha que eu sou burro o bastante pra fazer isso? — Ele levantou o pulso com a algema.
Ao ver Dio com a guarda tão baixa, Veigas lançou o Tesserato contra ele, na tentativa de matá-lo, ou ao menos feri-lo. Contudo, ele fracassou, pois o cubo não emanava magia como sempre, estava mais fraco, ou até mesmo sem força alguma; Dio conseguiu parar o ataque com muita facilidade, somente usando a sua mão para pegar o Tesserato.
— Não é como se eu já não tivesse tentando te matar enquanto você dormia. Magia não está funcionando, e eu não consigo chegar perto de você. Ou sair desta sala. — Dio soltou o cubo, e este voltou para perto de Veigas.
Quando o Tesserato chegou ao lado dele, no mesmo instante, começou a brilhar e apagar, piscando em um ritmo constante.
— O que é, Tesserato? — Veigas tentava acalmar a sede de sangue que ainda o contagiava do ataque anterior.
— Mestre, tenho uma mensagem enviada a mim por meios desconhecidos. — O cubo falava, não com uma voz profunda, mas sim com uma voz leve e calma.
— Que voz é essa?
— Depois do seu desmaio, eu perdi o contato com o Criador e reassumi minha personalidade original, portanto esta é minha voz de verdade, sem a interferência divina.
— Isso quer dizer que, agora, você é somente um cubo falante inútil?
— No momento, creio que ainda não. Tenho informações sobre o acontecimento presente...
— Então ande logo, conte tudo de uma vez.
— ... Porém, parece que é só metade da informação que está decifrável.
Veigas quase gritou um “conta logo”, de impaciência. A conversa chamou a atenção de Dio, que agora ouvia atentamente, de uma distância segura.
— Vocês foram amaldiçoados pelo Criador, com uma magia estranha chamada de “animarum carcerem”, através de algum outro ser divino inferior. — O cubo explicava.
Veigas perguntava-se em sua mente “Pelo Criador? Como assim, pelo Criador? Não tinha ele me escolhido como seu arauto? ” revelando uma face de desgosto.
Sentindo a inquietação nos pensamentos de Veigas, o Tesserato reafirmou:
— Não sei o que o Criador tem em mente, mas a mensagem que recebi certamente deve ser dele. Tanto que diz que a maldição pode ser desfeita.
— Pare logo de rodeios e fale de uma vez, senão eu te quebro inteiro junto desse outro besta ali. — Veigas estava já irritado.
Dio quase erguera a voz para replicar o insulto, mas mordeu os lábios e permaneceu quieto, pois se falasse, só atrasaria a informação e prolongaria a conversa.
O cubo tentou ser o mais objetivo possível desta vez:
— No momento, nós estamos em uma sala de trono com um selo enfeitiçado de restrição, por isso vocês não conseguem usar magia ou atacar um ao outro. Para sair daqui, é preciso que as duas algemas que estão em seus pulsos reajam com o selo para quebrá-lo, e então vão poder usar seus poderes de novo.
— E essa corrente? Como se livra dessa merda? — Dio finalmente entrara na conversa, após tanto ouvir o monólogo do Tesserato.
— As algemas são feitas de uma parte das almas de vocês, então são indestrutíveis, até que ao menos um de vocês morra. — Ao dizer isso, o Tesserato conseguia ver a feição de “ah, então é só matar ele que acabou? ” que os dois asmodianos faziam. — Porém, se um de vocês morrer, os dois morrem.
— Mas. Ué? — Veigas mostrava-se tanto confuso como irritado, raciocinando aquela explicação redundante que tinha sido dada — Então eu vou ter de ficar preso junto com esse aí pro resto da vida?
— Eu não vou aguentar ficar perto desse idiota nem mais trinta minutos, senão eu arranco a cabeça dele fora. — Dio estava começando a ficar muito tenso.
— Quem você acha que está chamando de idiota? — Veigas replicava o insulto.
— Ora, fique quieto sem reclamar por um mísero minuto, baixinho mimado. — Dio aproximava-se, um pouco irritado.
— Baixinho? Quem você tá chamando de baixinho, sua mula chifruda? — Veigas tinha levado a palavra “baixinho” um pouco a sério demais, e já estava começando a ficar vermelho de raiva.
O Tesserato, já um pouco farto da briguinha dos dois, continuou seu monólogo, entonando a voz para que prestassem atenção:
— Porém, se um de vocês morrerem sem ter a alma destruída, a corrente será desfeita sem que os dois morram.
— Certo. E como eu mato ele assim? — Veigas tentava acalmar-se e descer o sangue que tinha subido a sua cabeça.
— Vai sonhando. Eu que vou matar você. — Dio falava, baixo o bastante para Veigas não ouvir e querer retrucar.
— A mensagem que me foi enviada não cita nada sobre isso, portanto, não sei. — O cubo respondeu Veigas, temendo sua reação, que muito provavelmente seria negativa.
Ao contrário disso, Veigas ficou calado, olhando para Dio, que andava em direção às portas de madeira.
— Vamos logo, então. Ficar aqui não vai me ajudar em nada. — ele dizia, já em frente às portas.
Veigas também andou até lá, e fintou o reflexo dos olhos de Dio nos adornos dourados das portas que a luz avermelhada daquela sala iluminava tenuemente, e ele fez o mesmo. Como se os dois já soubessem o que fazer, mesmo que o Tesserato não tivesse falado, desferiram um soco ao mesmo tempo, cada um em uma porta. Quando fizeram isso, a corrente que pendia em seus pulsos brilhou levemente, e estilhaços parecidos com os que se formaram no templo da deusa quando Elesis quebrou a runa mágica se espalharam pelas portas e desapareceram no vento que o impacto da força dos socos havia criado. Quando esse impacto atingiu as portas em si, elas foram destruídas. Ao menos, uma delas foi.
— O selo foi quebrado. — Dio sentia sua magia percorrer seu corpo mais uma vez, mas, por algum motivo, não tão forte quanto era anteriormente dos acontecimentos.
— Me sinto mais fraco que antes. — Veigas reafirmava o pensamento de Dio. — Muito mais fraco.
— Mais fraco do que você já era? Impossível. — Dio mais uma vez, provocou Veigas.
— Fraco? Olhe quem fala. — Veigas não deu muita atenção por estar convencido de sua força.
— Olhe quem fala, digo eu. — Dio apontou para as portas, com um sorrisinho de canto.
A porta que Dio tinha socado estava completamente desintegrada, e porta que Veigas socou estava somente aberta, com uma marca de punho amassando a madeira grossa. Veigas, irritado de novo, acumulou um pouco de energia em uma esfera e ameaçou jogá-la em Dio, mas a esfera não era tão forte a ponto de matá-lo, somente machucá-lo. Distraídos, os dois iam começar outra luta ainda dentro da sala, porém foram interrompidos pelo Tesserato.
— Me perdoe, Mestre, mas agora não há tempo para isso. Olhe.
Veigas e Dio pararam de se ameaçar com ataques e olharam para fora da sala, através das portas, e seus rostos foram tomados por confusão.
— Mestre, nós não estamos mais em Ernas. Esse não é o nosso universo.
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