Chains

6 Os fins justificam os meios?


Notas iniciais
Olá! Ai está mais um capítulo. Aproveitem!

O grupo de Yona seguia Riku sem comentar uma palavra. A garota, que os guiava por entre as casas do vilarejo, não olhou para trás nenhuma vez e também não fez questão de pronunciar nenhuma palavra. Algumas pessoas que passaram por eles perguntaram a garota sobre os novos visitantes, mas ela apenas se limitava a responder que eram apenas viajantes cansados que estavam de passagem, encerrando rapidamente qualquer tentativa de aprofundamento da conversa.

Yona encarava a garota a todo momento. Sentia vontade de conversar com ela, porém preferiu respeitar seu silencio. Notou que as residências ao redor foram diminuindo e, ao que parecia, estavam indo para a parte mais afastada do vilarejo. Já não encontraram mais crianças brincando ou idosos jogando conversa fora, muito menos pessoas trabalhando. Logo notou uma residência isolada bem a sua frente. Era uma casa antiga, parecia até mesmo abandonada. Entretanto era visivelmente maior que as demais casas pelos quais passaram. A porta da frente era também maior do que o normal, feita de madeira. Havia uma viga sustentada por ganchos que atravessava toda sua extensão, servindo como trava para qualquer um que quisesse entrar no local. Também havia mato alto que contornava as laterais e a frente da casa, reforçando ainda mais a ideia de que se tratava de um local pouco, ou quem sabe, nunca frequentado.

— Vocês podem ficar aqui na ferraria. A única pessoa que usa esse lugar sou eu, então ninguém irá incomodar vocês aqui. Além disso, acho que é o único lugar capaz de abrigar a todos – falou ela finalmente olhando em direção ao grupo de viajantes.

Todos a encararam em silencio por um momento. Era fácil perceber que cada um deles tinha vontade de dizer algo, mas a cautela foi maior que a curiosidade. Yona entretanto pareceu não se importar com isso.

— Obrigada por trazer a gente até aqui. Eu queria saber se...

— Riku! Riku! – gritava um homem enquanto se aproximava a passos rápidos

Tratava-se de um homem alto e corpulento. Ele parecia ter corrido bastante para chegar até onde todos estavam, uma vez que suas roupas estavam banhadas em suor. Colocou as mãos sobre os joelhos e suspirou fundo assim que chegou bem a frente de Riku.

— Ufa, ainda bem que alcancei você. Não sabia se estava de partida ou não, por isso vim correndo para não correr o risco de te perder. – explicou ele tentando normalizar a respiração – Eu não podia deixar de te agradecer, sabe. Nós estávamos ficando desesperados por não conseguirmos dinheiro suficiente para comprar o remédio de Jiiogyu. Quando Kaara apareceu para me entregar o remédio essa manhã, bem, você sabe, não tenho nem palavras para te agradecer. Você salvou a vida do meu filho, obrigado. – terminou o homem se curvando para a garota.

Riku o encarava admirada. Suas faces ficaram vermelhas e ela lhe respondeu:

— Fico feliz que tenha vindo aqui me agradecer, mas não fui eu quem entregou isso a Kaara.

— Kaara não precisou dizer uma palavra, mas eu sempre soube que era você. Se não quiser dizer tudo bem, mas eu precisava agradecer de qualquer forma Riku – respondeu o homem voltando a encará-la.

— Você não tem que me agradecer por algo que não fiz. De qualquer forma fico contente que Jiiogyu esteja se recuperando. – falou Riku com um aceno de cabeça.

— Sim, ele está. – respondeu ele com os olhos marejados – Bom, vou deixar você em paz com seus amigos. Obrigada, Riku – sussurrou o homem antes de se virar e partir.

Riku ainda olhava em direção ao homem que a pouco havia partido. Sustentava um semblante de constrangimento, evitando olhar novamente para o grupo poucos metros a sua frente.

— Como eu disse...-começou ela — ...vocês podem ficar na ferraria. – terminou começando a caminhar em direção ao vilarejo novamente.

— Espere. – falou Yona.

A garota cessou seu passo, porém não virou em direção a ela.

— Escute, eu não sei o que vocês estão fazendo aqui, mas peço para irem embora assim que possível. Se o problema é o dinheiro, vou lhes devolver, contanto que partam imediatamente – pronunciou Riku com voz séria.

— Nunca tive a intenção de pedir o dinheiro de volta e não será agora que o farei, não depois de ver seu propósito – respondeu Yona sorrindo ternamente.

Riku suspirou.

— Sabe, se era esse o motivo você poderia ter simplesmente me pedido ao invés de ter todo esse trabalho me seduzindo – comentou Jae-ha rindo.

— Trabalho? Você praticamente se entregou de bandeja – respondeu ela virando para encarar o grupo novamente. – Além do mais, você acha mesmo que aparecer para um estranho e dizer “olá, você poderia me entregar todo seu dinheiro em prol dos mais necessitados?” iria surtir algum efeito? – sorriu ela em desdém.

— Você sempre faz isso? Rouba as pessoas? – perguntou Kija encarando-a.

— O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta – devolveu ela com uma carranca.

— Roubar é errado. Você deveria tentar arranjar outra maneira de conseguir o dinheiro. – devolveu Kija.

— O que você sabe, hein engomadinho? – falou ela em tom ríspido – Você não mora aqui, você não conhece esse lugar nem essas pessoas. Quem pensa que é para chegar e me julgar?

— Ei ei, não precisamos brigar agora. A senhorita tem seus motivos, talvez devêssemos ouvir o que ela tem a dizer – sugeriu Zeno sorridente.

— Tudo que eu tinha a dizer já foi dito. Vão embora. – falou ela se virando para partir novamente.

— Tudo isso é por culpa de Ozoro, não é? – disparou Yona.

Novamente a garota parou, porém sem se virar.

— Não sei o que vocês ouviram por ai, mas não se metam mais nos assuntos dessa cidade. – respondeu ela friamente.

— Nós queremos ajudar. – afirmou Yona firmemente.

— Há um poço bem atrás da casa. Os aldeões costumam se reunir para dividir a comida a noite, por isso podem se juntar a ales mais tarde. Isso é tudo. – terminou ela partindo sem olhar para trás.

— Espere, você não pode ignorar a gente assim! – repreendeu Kija nervoso.

Riku não parou seu caminho dessa vez.

— Princesa...- começou Kija.

— Deixa ela Kija. Eu não vou desistir facilmente, porém não vai adiantar nada forçarmos algo agora. Vamos esperar um pouco – respondeu ela sorrindo em sua direção.

— Mas...- tentou justificar Kija

— Você ouviu cobra branca, deixe como está. – censurou Hak

— Eu não gosto dela – Kija acrescentou com o rosto de desagrado.

— Você não gosta de ninguém além da Yona, Kija. – murmurou Yoon com os olhos estreitos.

— Isso não é verdade...er...bem...- respondeu Kija vermelho

— Tudo bem Kija-kun, não tem nenhum problema em gostar da Yona-chan. Sonhar com ela, sussurrar seu nome...- começou Jae-ha provocando o amigo.

— O que? O que? Eu nunca fiz isso, eu....- respondeu Kija tentando se defender enquanto ficava ainda mais vermelho.

—Tudo bem Kija, eu também gosto de você – devolveu Yona sorridente.

— Obrigada princesa, mesmo não merecendo sua admiração. – devolveu ele quase derretendo de alegria.

— Princesa, não iluda o pobre coitado – falou Hak brincalhão.

— Ora seu...- devolveu Kija rangendo os dentes.

— Certo pessoal, vocês podem ficar ai discutindo eternamente, e eu adoraria entrar nessa casa velha e empoeirada para deixar nossas coisas, mas não consigo tirar aquela tora da entrada mesmo se eu quisesse – comentou Yoon apontado para entrada.

— Zeno ajuda! – comentou Zeno se aproximando do local.

— Você e nada é igual a mesma coisa! – respondeu Yoon encarando-o irritado

Shin-ah se adiantou para remover o pesado tronco que bloqueava a entrada. Cautelosamente, um a um, foram adentrando o local. Havia varias ferramentas espalhadas por todos os lados. A maioria estava quebrada ou então enferrujada. Teias de aranha se estendiam por todos os cantos, fazendo com que Kija se recusasse a adentrar mais o local, esperando que seus colegas removessem todas elas.

— Não me importaria se você dormisse ai fora hoje, cobra branca – falou Hak rindo de Kija enquanto jogava uma aranha morta em sua direção

— Ahhhhhh! – gritou ele enquanto corria pra longe – Seu homem bruto! – exclamou ele com raiva após se recuperar.

— Hak! Pare de assustar o Kija! – repreendeu Yona. – Acalme-se Kija, logo mataremos todas elas. – falou Yona acalmando-o

Arrumaram o local o máximo que conseguiram, matando todos os insetos e separando as ferramentas todas em um único canto. Já estava anoitecendo quando finalmente se instalaram. Montaram os sacos de dormir todos próximos um ao outro, pois, mesmo sendo um local amplo, estava praticamente todo tomado por móveis e objetos, alguns deles, potencialmente mortais.

— Uau, olha só essa espada! – exclamou Yona olhando atentamente para uma arma enferrujada próximo ao forno utilizado no derretimento de metal.

— Não encoste nela Yona, pode pegar alguma infecção se você se cortar – alertou Yoon enquanto também observava os demais objetos curiosos do local.

Jae-ha observava tudo em silencio. Desde que entraram na casa o dragão verde preferiu permanecer calado. Aquele lugar lhe trazia uma sensação familiarmente incomoda. A umidade, a sujeira, o som do vento soprando por entre as frestas de madeira, as correntes penduradas por toda parte.

— O que foi olhos caídos, já com saudade da sua amiga? – perguntou Hak sentando próximo ao companheiro.

— Ah claro, sempre sentirei falta da companhia de uma linda mulher. – respondeu ele sorrindo disfarçadamente. – Acho que vou sair um pouco e tomar um ar. Quem sabe não encontro uma outra companhia. – insinuou ele piscando.

Hak apenas o considerou por um instante antes de dar de ombro.

— Claro, como quiser – respondeu ele.

— Jae-ha, você vai sair? – perguntou Yona se aproximando.

— Vou apenas dar uma voltinha, Yona querida – respondeu ele sorrindo.

— Tudo bem, mas não demore muito. Riku disse que todos se reúnem para o jantar a noite e eu queria ir até lá – falou ela.

— Sim, claro, estarei lá, não se preocupe. Não perderia por nada. – disse piscando para ela antes de sair por entre a porta e desaparecer num único salto.

Notas finais
E então, o que acharam? Riku é tipo Robin Hood? Ou será que ela está enganando todo mundo? Acabei de notar que sou a maníaca dos contos de fadas!! Branca de neve...Robin Hood...qual será o próximo? Apostas? kkkkk Obs: Não foi intencional fazer isso! rs Bjos e até o proximo!