Chains
9 Capitulo 8 - Impensado
Notas iniciais
Impensado
— Não.
— Qual é, Sasuke! – A voz alta de Naruto me acordou, embora eu não tivesse feito questão de me mover. – Não pode prende-la aqui.
— Não estou prendendo.
— Hoje é sábado.
Me sentei na cama e atraí a atenção dos dois homens que estavam parados à porta do quarto. A expressão confusa em meu rosto parecia ter sido o suficiente para que Sasuke liberasse o acesso de Naruto ao quarto, embora ele não parecesse tão empolgado com isso.
— O que você tem mente?
— Podíamos ir em algum lugar. – Naruto falou cheio de si. O olhar orgulhoso que ele lançou na direção de Sasuke deixou o Uchiha irritado. – Você vive dizendo que quer sair desse colégio.
Quis pedir para que Naruto calasse a boca, mas o estrago já tinha sido feito. Sasuke me encarava com as sobrancelhas arqueadas em busca de uma explicação.
— Eu não quero fugir. – Me justifiquei de imediato. – Eu só quero resolver algumas coisas.
— É claro. – Sasuke não parecia convencido com as minhas palavras. – Espero que não esqueça do que aconteceu, caso pense em fugir. Nós não encontramos o responsável ainda.
— Não é como se eu pudesse esquecer. – Desviei os olhos para Naruto e uma dúvida se acendeu em minha mente. – Vocês ainda não me disseram como se conheceram?
Naruto arregalou os olhos e balbuciou algumas palavras antes de olhar para Sasuke esperando que ele assumisse todas as explicações. O Uchiha, no entanto, estava sério como se estivesse esperando pela minha pergunta.
— Você devia tomar banho, Sakura. – Ele disse com tranquilidade me causando confusão. – Temos algumas coisas para resolver na cidade.
X-X-X
— Sei que preciso te dar um pedido de desculpas enorme. – Ino disse enquanto me apertava em um abraço sufocante. – Mas tenho algo que você vai gostar.
— Não pode me comprar com presentes. – Falei enquanto tentava escolher uma roupa para vestir. – Não é assim que as coisas funcionam de onde eu venho.
A Yamanaka fez um bico e sentou-se sobre a cama com a expressão pensativa. Ela puxou uma caixinha de dentro de seu sobretudo e permaneceu com ela estendida em minha direção até que eu resolvesse pegá-la.
— Sei que as vezes o seu elo com o Sasuke pode ser sufocante. – Ino murmurou enquanto eu abria a caixinha para ver a pulseira com pedra rosada que ela havia me dado. – Há um feitiço nessa pedra. Vai filtrar o que Sasuke sente pra você e vice versa.
— Por que?
— Achei que poderia ajudar. – Ino parecia esconder algo de mim e suspeitei que ela soubesse do meu choro compulsivo da noite anterior. – Fui à um lugar muito longe para consegui-la, então, cuide bem.
— Obrigada, Ino. – Murmurei colocando a pulseira sobre meu pulso esquerdo. – Senti sua falta.
— Me desculpe, mais uma vez. – Ino pediu com sinceridade. – Gaara e eu precisávamos resolver algumas coisas. Não sabia que demoraríamos tanto para retornar.
— Não aconteceu muita coisa. – Falei com pouco caso e ela arqueou as sobrancelhas. – Só fiz um novo amigo e quase morri, coisas normais na minha vida atualmente.
— Não gosto desse humor ácido. – Ino pareceu retraída e eu cogitei a ideia de mudar de assunto. – Tem certeza de que está bem?
— Estou ótima.
— Me ligue se precisar. – Ino me jogou um celular que por pouco não caiu no chão. – Estava na dúvida se devia te dar isso ou não, mas já que você perdeu o seu e você não sabe nada de mágia...É uma solução.
— Sasuke te pediu para que fizesse isso também?
— Esse é por minha conta. – Ino sorriu antes de levantar-se da cama. – Tenha cuidado, sim? Confie apenas em nós.
— Não conheço ninguém melhor do que vocês.
X-X-X
Nunca pensei que estaria no mesmo carro que Sasuke, muito menos que estaria indo para algum lugar com ele por boa vontade como eu estava.
O Uchiha dirigia em silencio, enquanto Naruto mastigava o que sobrou do pacote de salgadinhos no banco do carona. Eu não entendi porque Naruto estava conosco, mas gostava da sua companhia mesmo assim.
— Sasuke?
— Hn?
— O que significa aquilo que você me disse ontem? – Pela surpresa nos olhos de Sasuke e na curiosidade que Naruto tinha apresentado, me perguntei se devia ter aguardado até que eu e o Uchiha ficássemos sozinhos para perguntar sobre aquilo. – Estou pensando nisso desde que acordei.
— O que você disse? – Naruto ergueu um salgadinho até seus lábios e olhou em expectativa para Sasuke, que permanecia em silencio. – O que você...
— Era um poema antigo. – Sasuke interrompeu a pergunta de Naruto e me observou pelo retrovisor do carro. – Não passa de um poema.
Aquiesci mesmo sem compreender o que ele dizia. Se era um poema antigo, porque eu a conhecia tão bem? Como fui capaz de completar algo que eu sequer lembrava até ouvir as palavras de Sasuke?
— Não pense muito sobre isso. – Sasuke disse quando notou minha expressão.
Eu não o respondi. As dúvidas ainda pairavam sobre a minha cabeça e por muitas vezes fiquei tentando encontrar significado naquelas palavras, principalmente no porquê delas mexerem tanto comigo...Isso me deixava frustrada.
Quando o telefone de Sasuke tocou, mantive meus olhos voltados para fora do carro disposta a não bisbilhotar sua conversa.
— Karin, nós não... Não, o que quer dizer com isso?
Minha tentativa de não bisbilhotar foi por água abaixo quando ouvi o nome da ruiva. Era verdade que fazia tempo que eu não sabia nada sobre Karin, mas ainda assim, lembrar que ela e Sasuke ainda tinham contato me deixava enjoada.
— Chegarei em quinze minutos. – A resposta de Sasuke, no entanto, me fez arregalar os olhos. Aquele não era o plano de tarde perfeita. – Naruto, acorde. – Em momento algum o Uchiha olhou em minha direção, mesmo tendo certeza de toda a indignação que me consumia no banco de trás.
— O que aconteceu?
— Vamos mudar o percurso. – O Uchiha disse voltando a olhar para a estrada. – Karin me ligou, disse que tem pistas sobre...
— Estamos indo na direção dela? – Interrompi a fala de Sasuke para trazer a atenção dos dois para mim. – Eu não quero.
— Sakura, você não está entendendo a gravidade da situação.
— Não, você não está entendendo a situação aqui. – Rebati com irritação. – Te disse para me deixar longe dela e de qualquer merda que vocês tivessem juntos. – A sensação de traição que havia acometido meu coração no dia em que eu os encontrei juntos retornou.
— Não temos tempo para falar sobre isso. – O carro parou em um farol vermelho e Sasuke olhou para mim sobre o seu banco. – Conversaremos sobre isso mais tarde.
— Ótimo.
No momento em que Sasuke virou para frente, abri a porta do carro e saí correndo como nunca antes. Eu conseguia ouvir os gritos dele e de Naruto, bem como das buzinas de todos os carros que eu atrapalhei enquanto corria em direção ao ponto de ônibus mais próximo.
Fugir não era a minha escolha mais sensata. Eu sabia que eles logo me encontrariam e que as consequências, talvez, não fossem tão fáceis caso outros além deles me encontrassem.
Mas ainda assim, eu corri.
Com o coração acelerado e quase saindo do meu peito, com minhas pernas fraquejando e com falta de ar. Corri e me embrenhei entre a multidão de pessoas na direção oposta, com a pequena esperança de que aquilo me ajudaria a despistá-los por um tempo.
Ri de desespero e me apressei quando vi o cabelo loiro de Naruto virando em uma esquina muito próxima de onde eu estava.
Eu não tinha um plano concreto, nem muito dinheiro para me levar para longe o suficiente. A minha bolsa tinha apenas meus documentos, um celular e uma barra de cereal velha.
E ainda assim, continuei correndo até alcançar um ônibus que estava prestes a sair do ponto. O motorista me olhou preocupado ao notar que eu suava e que provavelmente estava vermelha como alguém que tinha aprontado antes de entrar ali.
Me sentei em um dos bancos ao fundo e sorri satisfeita ao ver Naruto novamente, olhando na direção oposta com uma expressão preocupada e com o telefone grudado em seu ouvido.
A adrenalina fez com que eu me sentisse viva. Me mostrou que eu, pelo menos por alguns momentos, era dona do meu próprio destino.
Fale com o autor