Chained Fates

3 Azul e Rosa


Notas iniciais
Não tem tanto quanto eu gostaria, mas o próximo terá mais interações e diálogos. Se precisasse classificar, diria que esse é quase como um "preview" do próximo. De qualquer forma, espero que gostem.

Prendendo a respiração e forçando-se contra os caixotes que se erguiam metros acima dela, a menina retesou o pescoço com cautela para buscar pela guarda.

Seus olhos buscaram avidamente por indícios de soldados, mas mesmo após varrerem todo o limitado cenário ao qual tinha acesso de sua posição, nada encontrou.

Num ato de coragem, deu um passou à frente.

— Gihihi, ora se não é a princesa fujona.

Ela congelou ao ouvir a voz, consciente de sua iminente captura, mas imediatamente relaxou ao reconhecê-la. Um sorriso fez o caminho por suas feições paralíticas,e num instante todo o estarrecimento anterior havia partido.

— Gajeel-kun — seu corpo relaxou — Você assustou a Juvia. — disse ela, finalmente capaz de respirar adequadamente.

Quando se virou para encará-lo, deu de cara com seu velho amigo no tão familiar traje militar, que, apesar de ser quase uma quebra de regras não verbalizadas, estava customizado ao gosto peculiar do rapaz.

— Fugindo outra vez, alteza. — ele zombou — O que faremos com você, azulzinha?

Apesar do tom rabugento e arrastado com que falava, um sorriso travesso se alastrou pelos lábios secos. Antes de ter tempo para abrir a boca novamente, Juvia sentiu seu rosto coberto pelo couro das luvas do jovem.

Juntos, recuaram e voltaram a se ocultar por trás dos caixotes. Apenas quando os passos cederam completamente, Gajeel retirou a mão.

— Não temos muito tempo. Se quiser ir, a hora é agora.

Juvia assentiu, concentrando-se em seus comandos. Ela e Gajeel se conheciam há anos e já haviam se ajudado mais vezes do que ambos podiam se lembrar; logicamente, sempre que a guarda estava atrás da princesa, seu ousado fiel parceiro de crimes estava lá para auxiliá-la.

E, obviamente, o fato dele ser o chefe da guarda, tinha grandes vantagens.

— Eles concentraram os soldados nos becos e corredores, por isso fique longe deles, ou pode ser vista. Alguns estão em pontos estratégicos, dentro de lojas e escondidos em lugares alto se baixo, por isso o único jeito de passar é misturando-se ao povo. — ele estendeu um vestido alaranjado junto à uma capa surrada, enviando-a um último olhar antes de virar as constas para retornar à sua posição.

Antes que pudesse abandonar o recôndito provido pelos caixotes, Juvia provocou-o.

— Mande lembranças a Levy-chan por mim, Gajeel-kun.

O cavaleiro grunhiu e se afastou em passos firmes, negando-se a deixar que visse o rubor oculto em suas bochechas.

Juvia sorriu e estendeu a vestimenta alto o suficiente para avaliá-lo. Sem um segundo pensamento, jogou a capa por cima dos ombros e começou a trabalhar em alcançar o fecho de vestido.

Com sua mais nova fantasia, estaria invisível perante a guarda.

[...]

Aquele... cavalo.

Apesar de toda a confiança que depositara no animal — e de todos os cuidados dispostos ao mesmo — ele simplesmente o abandou.

Aproveitando-se da fraqueza e incapacidade de se manter firme que consumiam o príncipe sempre que montava, parou da forma mais brusca possível e o deixou lá, afundando numa poça de lama.

Natsu abriu os botões do traje e lançou-o a distância, aos poucos recuperando parte do sentido e mobilidade. Engatinhou até uma descida, uma rampa natural na qual claramente era impossível caminhar.

A escolha mais sábia seria se levantar e dar meia-volta, correndo em velocidade descomunal para alcançar o palácio onde vivia sua noiva — aquela em que relutava tanto em conhecer. Mas seria errôneo contestar sua sabedoria, pois muitas vezes ela simplesmente não estava lá.

Vezes em que lançaria-se na terra e deixaria seu corpo rolar até aterrissar na grama, assim como acabara de fazer.

Desenterrou o rosto da terra e arrastou-se até o lago que chamar sua atenção, sem mesmo fazer esforço para levantar. Quando seus dedos estavam prestes a tocar a água cristalina pela qual seu corpo tanto clamava, risadas o interromperam.

Ergueu a cabeça para ver uma menina fazer seu caminho pela borda da rampa, ora erguendo uma perna um pouco alto de mais, ora estendendo os braços. A estranha tinha seu rosto oculto por um capuz e trajava um simples vestido alaranjado que era espalmado pelo vento.

Num piscar de olhos a menina se sentou à beira da descida e rolou graciosamente por ela, a capa protegendo sua roupa da sujeira, diferente de como acontecera com ele. Parecia conhecedora da arte da fuga, pois tanto sua postura como a habilidade com que rolara o faziam crer que já o praticava há tempos.

A mulher balançou a cabeça, livrando-se do capuz, e olhou diretamente para ele.

Suas orbes azuis pareceram enxergar através de suas próprias, e os cabelos igualmente coloridos tremulando ao vento cruel, tinham um intenso contraste com suas madeixas rosadas.

Mesmo que visivelmente, eram completos opostos.

No entanto, aquele mesmo olhar afiado encarava-o com desconfiança, exigindo imediatas palavras.

Natsu coçou a cabeça e sorriu tortuosamente, sem saber por onde começar.

— Hum... olá ?

Notas finais
Então... o que acharam? Foi escrito com pressa, então estou meio insegura quanto à segunda parte. Sugestões, críticas, opniões, idéias... são completamente bem-vindas. Espero que tenham gostado do capítulo. Ah, mais uma coisa. Sobre o ship.... terá GrUvia e Nalu, mas ianda não decidi qual será o ship final. O que vocês preferem? Até o próximo o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.