Chão de Giz

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oi!

Simplesmente amo Chão de Giz e estava querendo escrever essa songfic há muito tempo.

Espero que gostem e saibam que eu pretendo escrever mais coisinhas assim futuramente eheheh

Boa leitura!

Eu desço dessa solidão

Espalho coisas sobre

Um Chão de Giz

Eu nunca vou esquecer o dia em que a vi pela primeira vez. Era carnaval, as ruas estavam cheias de foliões, caoticamente movimentadas, enfeitadas e alegres. Então eu a vi.

A dama não estava sozinha, muito pelo contrário, havia um senhor com idade para ser meu pai ao seu lado. O braço entrelaçado ao dela firmemente.

Ela também não era nenhuma garotinha. Mas isso não impediu que eu ficasse interessado imediatamente. Encantado, na verdade. Bobo e enfeitiçado, seria mais conveniente.

Nunca acreditei em amor à primeira vista, mas então ela estava lá e o meu coração me traiu, acelerando sem explicação aparente.

O que eu posso dizer? Simplesmente me apaixonei por ela. Uma dama estonteante. Uma dama comprometida. Pela sua postura altiva e vestimentas, uma dama da alta sociedade.

Quando ela me olhou de volta — por tempo demais, eu diria — e sorriu discretamente, eu soube que estava perdido. E o mais assustador é que, naquele momento, não me importei nenhum pouco com isso.

Há meros devaneios tolos

A me torturar

Fotografias recortadas

Em jornais de folhas

Amiúde!

Eu vou te jogar

Num pano de guardar confetes

Eu vou te jogar

Num pano de guardar confetes

Claro que isso mudou com o tempo. À medida que nosso caso secreto evoluía, eu percebia o quanto ele era efêmero para a minha dama. Nossos sentimentos eram bem diferentes. Eu a amava com toda a minha alma. Ela me amava pelo tempo de um cigarro. Eu a queria para a minha vida. Ela me queria apenas pelas noites de perdição em meus braços. Para mim, era amor. Para ela, apenas sexo.

Não importava o quanto eu tentasse conquistar o seu coração, era sempre para o seu senhor que a minha dama voltava. Para o seu marido opulento. Para o seu lugar de direito na ilustre sociedade. Eu era a sua aventura. Ele, a sua segurança.

Disparo balas de canhão

É inútil, pois existe

Um grão-vizir

Há tantas violetas velhas

Sem um colibri

Queria usar, quem sabe

Uma camisa de força

Ou de vênus

Mas não vou gozar de nós

Apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar

Gastando assim o meu batom

Meu amor por ela roubava a minha sanidade dia após dia. O que me fazia pensar que o ideal então seria usar uma camisa de força. Mas a ideia de uma camisa de vênus sempre vencia no final e eu me deixava seduzir por seus encantos de novo.

E assim foi por muito tempo. Meses. Noites. Cigarros.

Ao perceber que a nossa relação nunca passaria de um caso para ela, tentei me afastar. Mas todo esforço que fazia para esquecê-la me levava a lona outra vez. A minha amada dama simplesmente não saía dos meus pensamentos, muito menos do meu coração bobo e apaixonado.

Mas que escolha eu tinha? Sujar-me fumando apenas mais um cigarro? Estava claro que eu não era ninguém para ela, apenas um rapaz sem ter onde cair morto, que realizava as suas fantasias e satisfazia a mulher por trás da dama respeitável. Deveria beijá-la, gastando assim o seu batom? Não, não mais.

Eu sabia que nunca passaria de sexo para ela, mas isso já não era o suficiente para mim. Por mais que estivesse preso ao seu calcanhar, tinha que me libertar desse amor doentio e não correspondido, antes que perdesse o respeito por mim mesmo.

Foram meses sofrendo, sendo atormentado por devaneios tolos, lembranças. No ápice da minha loucura, eu espalhava suas fotos recortadas de jornais pelo chão e dizia para mim mesmo que um dia jogaria tudo aquilo fora. Eu iria jogá-la em um pano de guardar confetes. Iria descartá-la, assim como aquela dama me descartou todas as vezes em que usufruiu do meu corpo, extraiu o seu prazer e recusou o meu amor no fim.

Agora pego

Um caminhão na lona

Vou a nocaute outra vez

Pra sempre fui acorrentado

No seu calcanhar

Meus vinte anos de boy

That's over, baby!

Freud explica

Mudei de casa, de cidade, deixei a dama para trás.

Com o tempo, enfim consegui arrancá-la do meu coração. Mas embora o meu carnaval tenha finalmente passado, sei que as marcas que aquela mulher deixou sempre estarão aqui. Dentro de mim. O vazio que a sua fugacidade deixou também.

Mas acabou. Meus anos de boy acabaram. É o que importa.

Não vou me sujar

Fumando apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar

Gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes

Já passou meu carnaval

E isso explica porque o sexo

É assunto popular

No mais estou indo embora!

No mais estou indo embora!

No mais estou indo embora!

No mais!

Notas finais
Obrigada por lerem!

Reviews?

Beijos e inté a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!