Chá verde

21 XXI. Epílogo


Os nossos olhos não conseguem mentir e é por meios deles que o amor da Anna era expresso, por mais que ela tenha tentado se manter longe, a nossa essência nos governa e nos uniu numa só carne. O meu coração parecia querer pular da caixa torácica de tanto pinote. Respirei fundo para manter a calma e dizer o que eu precisava.

— Eu te amo minha Anna Dushkin. — Ela sorriu emocionada, tentou falar, mas eu ainda não havia acabado, coloquei os dedos sobre os seus lábios. Como quem dizia espere, e continuei. — Eu a amo, amo como nunca amei ou imaginei que pudesse amar outra pessoa, eu nunca senti um amor como esse e apesar. Parei para puxar o ar. —De uma vez ter pensado saber o significado do que era amar, nada se compara ao meu amor por você, eu nasci para ser seu para pertencer a você Anna somente seu e você nasceu para ser minha.

Dei-lhe um beijo impetuoso cheio de saudades, a minha mão correu rapidamente para a sua nuca, o outro braço a envolveu, trazendo-a para perto.

Uma onda de ternura e calor subiu pela minha pele ao nos afastarmos previamente.

— Eu também senti a sua falta.

Ouvir aquelas palavras me trouxe uma felicidade estimada, o duelo dos nossos lábios unidos numa troca de beijo intenso da boca eu fui para o pescoço, depois mordisquei o lóbulo da orelha.

Levei minha mão até a lateral do seu pijama, puxei para baixo e o deslizei sobre as suas pernas.

Lembrei da nossa primeira noite ali naquele mesmo quarto, a minha preocupação em ser flagrado, de como ela reagia ao meu toque.

A luz do abajur deixava a cena mais erótica um corolário como sussurro, então, numa investida, o corpo da minha mulher voltou a tremer. Ela levantou a cabeça para olhar em meus olhos com aquelas safiras azuis que ela tinha, enquanto silenciosamente deslizou a mão suavemente pelos meus cabelos e pelo meu rosto.

Os olhos nunca mentem. É por meio deles que o amor verdadeiro pode ser expresso. Através do seu olhar eu encontrava deleite com o calor afetuoso e inexplicável.

O encontro de amantes que se reconhecem num momento fugaz, intraduzível e inexplicável. O encontro eterno começa com um olhar, e depois instala o conhecimento interno, seja qual for à situação, cuja razão nunca se explica.

No estado em que me encontrava eu não estava raciocinando direito, ambos ardemos, apertei-a ainda mais em meus braços e colei a minha boca em seu maxilar, no beijo errado ela gemia baixinho.

Eu fui um tolo muitas vezes com ela, no entanto, eu estava disposto a mudar tudo, não havia sombras em meus olhos, eu a olhava sem máscaras ou vendas e estava disposto a me redimir por tudo que havia feito por toda a minha vida e assim o faria com alegria. Anna era a mulher certa para mim, me amou antes que eu soubesse o real significado, minha Anna jamais desistiu de mim.

Um leve torpor começou a fazer a minha visão decair — sentia à vontade de fechar os olhos e foi o que eu fiz a abracei e beijei seus cabelos sedosos com o aroma do xampu de flores silvestres.

Anna e eu pareciamos estar no jardim da casa dos pais dela, eu via a casa atrás de nós, mas não conseguia ver o rosto de Anna que estava de costas para mim, repentinamente Abbie apareceu e abraçou-a eufórica.

Ela desviou os olhos da mãe para me olhar, Anna fez a mesma coisa ao virar na sua direção, foi quando eu fiquei maravilhado com o que vi! Bem ali na minha frente estava Anna com uma linda barriga de grávida. Eu não conseguia conter o sorriso e de todo o coração eu disse.

— Minha família.

Abri os olhos e encontrei uma Anna de olhar alegre e sorriso fácil. Nós estávamos nus em um emaranhado de lençóis.

Beijei-a com o espírito em êxtase com o peito cheio de amor, eu amava aquela mulher com loucura e total dedicação.

— Você parecia estar tendo um lindo sonho, você até falou enquanto dormia.

Sorri ao lembrar-me das meninas...

A mão de Anna deslizava suavemente pelos meus cabelos.

— Falei? Perguntei confuso. Eu não falava dormindo.

— Sim.

— E o que eu disse?

Sua mão desceu para o meu rosto com o mesmo toque delicado, ela continuava a me olhar docemente, porém, não me respondeu ao invés disso me beijou com volúpia. Por mais tormenta que eu tenha sofrido na vida, eu passaria por tudo outra vez para ter minha a mulher, a minha família perto de mim.

Por mais saudade que eu ainda estivesse sentindo e querer ficar a sós com a minha mulher, eu queria reunir a família, ver meu pequeno anjo, minha mãe, até mesmo os pais de Anna.

— O que você está pensando?

Hm. Ela estava curiosa e terrivelmente adorável, de repente a vontade de tocá-la outra vez ressurgiu com força total.

— Na nossa família. Sorri fraco com as feições relaxadas, na verdade, eu estava tão leve quanto uma pluma.

— Nossa família?

Faço carinho com as pontas dos dedos em seu rosto sereno.

— Sim. Nossa Abbie, seus pais, minha mãe.

A expressão de Anna foi tão caricata que quase sorrio como forma de contenção da minha risada, mas no fim, controlei a expressão.

— Você está falando sério?

Anna tinha todos os motivos para estar surpresa, meu temperamento difícil chegava aos extremos quando o assunto envolvia alguns dos nossos parentes.

Tantas discussões por minha culpa.

Sua tristeza e preocupação...

Beijei seus dedos, antes de dizer.

— Muita coisa mudou Anna, eu falei com a minha mãe. Eu entendo as reservas do seu pai. Não sou o mesmo Aleksandr Dushkin de meses atrás. Fiz uma careta de leve ao falar meu nome inteiro.

Minha Anna esboçou um sorriso. — Seu nome é lindo. Ela me beijou. — Tão lindo quanto o dono.

Puxei-a de encontro aos meus quadris.

— Não mais do que você, minha linda loira.

Esperei um minuto para finalmente unir as nossas mãos.

— Não serei o mesmo de antes, Anna, serei alguém que mereça você, pois, apesar de todos os meus erros, você me amou antes mesmo de eu saber o que é o amor e principalmente entender os meus sentimentos. Parece que o óbvio não funcionava comigo, tinha que desenhar e explicar para que eu deixasse de ser cego.

Aquele sorriso não iluminava os olhos, tinha algo errado.

Anna abriu os lábios, entretanto, o som não saiu. Colou nossas testas, olhou no fundo dos meus olhos e me disse.

— Não quero um novo marido, eu te amo do jeito que você é e não mude sua essência por mim, apenas seja o meu Aleksandr, alguém que me ame de todo o coração.

— Esse sou eu, minha Anna. Nada mais do que eu amando você de todo o meu coração.

Quando um homem e uma mulher se encontravam, encontrava-se também todo um histórico construído ao longo de muitas estações da vida. Existiam alguns casos que essas estações poderiam se confrontar, muitas vezes por uma história mal resolvida, e infelizmente foi o que aconteceu comigo, com Aurora e até mesmo com a própria Anna foram consequências disso.

Amor não era paixão, e sim um estágio muito superior, construído entre alegrias e dores, muito mais complexo de ser entendido e difícil de ser encontrado, mas de uma coisa eu tinha certeza o amor sempre existiu.

A relação com a minha mãe Evelyn Dushkin melhorava a cada dia, não havia mais mágoas entre nós. Ela já não estava mais sob o mesmo teto do marido, porém o ajudava no tratamento da dependência. Abaixei a guarda numa tentativa de aproximação ao meu sogro, precisávamos de um recomeço por amor à nossa família.

Eu tive notícias através do Gerard que o Ivan Stepanov estava como o nômade que era em terras distantes numa busca implacável por algo que ele desconhecia pelo que eu soube Aurora foi categórica em não reatar, então, o Ivan voltou a se aventurar pelo mundo, talvez esteja em busca de algo que ele desesperadamente fugiu por anos. Eu desejava a ele toda a sorte e que encontrasse o que tanto procurava.

Seria eufemismo dizer que eu nunca me senti tão feliz em toda a minha vida, muito mais do que a consolidação profissional estava a minha família, a razão da minha felicidade. Eu amava Anna, ela era a mulher que foi feita para me pertencer, feita como um poema em vida feito especialmente para mim. A nossa filha Abbie crescia feliz e saudável, aprendendo, sorrindo e sendo apenas criança, vivendo o que para muitos era a melhor fase, a infância.

Para a alegria da nossa família Anna estava grávida outra vez, o seu ventre ganhava forma, tão formoso em gerar mais um pequeno milagre da vida. Perder o amor da minha vida quase me custou a felicidade de ter ao meu lado, a minha amada, a mesma mulher que me fez muito feliz e me deu a oportunidade de ser pai de Abigail e desse bebê que está sendo gerado.

A pequena tormenta enfrentada fez-me compreender que muitas vezes nós tínhamos que estar perto de perder para entender o valor e a importância que a família possui. Eu não conseguia imaginar a minha vida sem elas, sem as minhas três pedras preciosas. O significado da palavra amor ganhou formas reais, nomes e endereço certo.

Afaguei o rosto sereno da minha mulher, enquanto nos olhávamos com a certeza que os nossos olhares se expressavam de maneira silenciosa com a alegria da alma, a cumplicidade, a ternura, o respeito e toda a entrega que os nossos espíritos possuíam. Quando eu mergulhava no oceano dos seus olhos tão afetuosos e cheios de amor. Eu chegava à conclusão que eu nunca amei ninguém e jamais, amaria alguém como eu amo Anna Dushkin mais conhecida como o meu chá verde.

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