Chá verde

10 X. Eu me lembro de você


O inverno chegou para alegrar os que amavam entretenimento no gelo, no entanto sair com Anna me intimidava, não por vergonha mas por pensar que talvez o passo pudesse ser maior do que as minhas pernas. Eu sabia o que as pessoas do meio de Anna pensavam de mim. Então, ficar em casa foi uma boa opção. Nós tínhamos a companhia um do outro, TV a cabo para filmes e séries, uma geladeira abastecida e diversão pessoal entre nós. Todavia, com o tempo isso pareceu não ser o suficiente para a minha garota, Anna não manifestava o seu descontentamento, o seu rosto expressivo era fácil de ler. Não queria vê-la triste, se ela queria sair. Ok. Nós sairíamos. Sua escolha foi The Clean Ponds, que no inverno servia como um bom ringue de atmosfera pessoal.

Diante da minha relutância Anna me lembrou.

— Você mesmo me disse que faria qualquer coisa para me ver feliz hoje.

As mãos enluvadas de Anna puxavam-me e eu não mostrei resistência. — Vai desistir justo agora que estamos aqui? Fez um bico fofo.

Sem me conter, beijei-a demoradamente.

— Não estou desistindo dessa condessa. — Ela sorriu feliz. — Mas você sabe que patinação não é o meu forte.

Ela sorriu mais ainda.

— Não se preocupe com meu temperamento, eu não vou deixá-lo cair. — Caçoou da minha cara.

Eu fingir irritação ao olhá-la de olhos em fendas.

— Então vamos calçar os nossos patins.

Calçados com uma lâmina de metal fixada no solado, nós entramos na área livre sobre o lago congelado.

A patinação no gelo era um bom divertimento, mais um esporte apreciativo que Anna mandava bem. Aquela cena foi uma ilustração interessante. Especialmente na troca de carícias e beijos que sucederam. Segurei em sua fina cintura numa ação de posse, o ar quente que saia de nossas bocas aquecia o corpo por debaixo de todo aquele agasalho. Agradá-la tinha me trazido satisfação.

{...}

O fato de Anna passar muito tempo em minha casa despertou o interesse dos seus pais sobre nós, ao ponto de Anna fixar na cabeça a ideia de me levar para conhecê-los. Sendo que nós já nos conhecíamos pelo relacionamento profissional do Sr. Stepanov com a Sra. Dushkin, na festa de funcionários em que a minha mãe participou eu conheci Kátia Stepanov a mãe de Anna, ela me tratou de uma maneira formal com demasiada educação. Às vezes eu tinha a sensação de estar sendo avaliado, desde o instante em que o marido dela me viu olhava-me de cara feia, enquanto sua filha sorria educada em minha direção.

A apresentação formal ocorreu em um jantar na casa grande, eu nunca havia entendido a marcação cerrada dele comigo. Eu não fiz nada que tivesse o ofendido e ainda assim era tratado com secura, me passou pela cabeça que o real motivo do seu comportamento era por não aprovar o nosso namoro.

Com mais de um ano de relacionamento Anna e eu tínhamos desenvolvido muita intimidade, depois do inevitável encontro com os pais dela, Anna ficava dias sem ir à casa dos pais, ela havia trocado sua casa grande pelo meu cubículo de três cômodos.

Envolvidos pela agradável sensação de relaxamento dos músculos, ambos estávamos na banheira, comigo apoiado na base sólida Anna estava sentada de costas para mim, as nossas peles se tocavam ela tombou a cabeça para trás na intenção de me beijar, enquanto minhas mãos deslizavam sobre a sua pele carinhosamente.

O distanciamento de Anna sempre me alertava que havia algo de errado com ela, ou melhor, dizendo que ela estava me escondendo algo, pequenos detalhes me afirmavam que eu estava certo, desvio dos olhos, sorriso tímido, relutância nas respostas quando eu a questionava.

No dia em que eu descobri a gravidez de Anna foi um dos melhores dias da minha vida, eu senti tanta emoção que chorei abraçado a uma temerosa Anna.

— Você não ficou irritado comigo?

O medo de Anna em me contar sobre o nosso filho era até compreensível, afinal toda a estabilidade financeira que ela tinha vinha do pai, e eu não aceitaria que o Stepanov influenciasse na criação do meu filho.

Depois de um curto período nós fomos até a casa dos pais dela comunicar a sua gestação.

Assim que o susto inicial passou, a mãe de Anna, Kátia Stepanov demonstrou preocupação com a instabilidade da filha o que me irritou, eu saberia cuidar de Anna e do nosso filho.

Não era um esbanjador de dinheiro, entretanto estava formando-me e teria um emprego que me pagaria mais.

Eu nunca fui visto com bons olhos naquela família soube disso desde o momento em que aparece naquele palacete de cristal.

Eu queria fazer as coisas da maneira certa, do jeito que fui ensinado pelo meu pai a fazer, eu seria pai de um filho que a minha namorada estava gerando.

Sob uma tenda transparente numa decoração campestre a imagem da natureza que atravessava a cobertura podia ser vista, havia alguns guarda-sóis distribuídos no jardim dos Stepanov com uma diversidade ímpar no arranjo de flores, estavam ali Gerard, Kátia, alguns amigos, conhecidos e muitos não conhecidos.

Os passos lentos e calculados de Anna a traziam cada vez mais para perto.

Ela estava radiante, o sorriso cativante revelava a alegria e emoção que estava sentindo, de olhar iluminado, maquiagem em tons naturais, um batom de cor realçava os lábios cheios, o rubor nas maçãs do rosto trazia um ar saudável com um toque de luminosidade.

Anna estava deslumbrante.

O vestido branco sem alças possuía o decote em formato de coração, o pequeno volume em seu ventre estava imperceptível por conta do corte imperial do vestido.

Ela estava delicada, sensual e romântica nas mãos repousava o pequeno buquê de flores azuis e brancas.

A adrenalina nas minhas veias liberava em meu âmago uma alegria interna.

Olho no olho, o toque das nossas mãos unidas e o sorriso de felicidade de Anna afirmava-me a escolha perfeita que eu fizera ao casar-me com ela.

Na presença de um reverendo eu confirmo cada palavra dita a ela.

— Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe. Comecei a pôr a aliança de ouro no dedo anelar de Anna e continuei. — Recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. O anel chegou à base. Beijei seus dedos.

A celebração do nosso casamento transformou algo dentro de mim, eu estava feliz por ter tomado aquela decisão, principalmente por ter sido aceito.

A fila que se formou para nos dar as devidas felicitações pelo matrimônio parecia não ter fim. Os primeiros a nos parabenizar foram os pais da minha mulher.

— Bem-vindo a família Aleksandr. Iniciou Gerard sem nenhuma demonstração de alteração na voz.

— Obrigado.

— Eu estou muito feliz por vocês, minha filha. Kátia se manifestou ao abraçar Anna.

— Isso é muito importante para mim, mamãe.

E seguimos em direção a uma configuração parecida nos próximos casais que vieram depois. Eu não os conhecia, mas sabia que a mulher loira acompanhada do homem mais velho não era a sua esposa.

— Obrigada pelas palavras Sr. Kuznetsov. Agradeceu Anna.

Foi difícil manter o semblante sereno devido à repetição de frases.

Mas eu me mantive bem disposto, afinal era o meu casamento! A realidade me aquecia o coração como se eu me queimasse por inteiro.

Observei que Anna procurava por alguém, os olhos calorosos passeavam entre os convidados.

Prestes a perguntar o que ela procurava, Anna me encarou com certa cautela.

— Não fique errado, ok? Não seria justo não ter sido convidada para o casamento do seu único filho. Ela beijou na lateral do meu maxilar direito. Assim que ela se afastou, eu pude ver Evelyn impecável na sua roupa de festa.

— Oi filho. Ela me abraçou.

— Olá.

Evelyn se virou para Anna.

— Você está perfeita Anna. Abraçou-a também.

— Obrigada Sra. Dushkin. Evelyn sorriu minimamente.

— Tudo está tão bonito, os recém-casados a festa... Realmente tudo está em total sintonia. Estou feliz por ter conseguido vim.

— Nós estamos felizes por tê-la aqui conosco. Anna falou por nós.

A minha mãe olhava de Anna para mim com admiração, ela também estava feliz com o casamento.

— Como você está? Perguntei um tempo depois.

— Estou. Um pouco atarefada com o trabalho, mas nada que me prejudique.

— Que bom.

— Como estão? E o nosso pequeno anjo?

— Nós estamos bem, na verdade, muito bem. Afirmou Anna contente com a pergunta. — Nada com que se preocupar.

Com a presença da minha mãe tudo pareceu se encaixar, como no filme em que a alegria compartilhada apagava qualquer vestígio ruim.

O banquete dado por Gerard era majestoso. O cardápio da festa oferecia uma variedade impressionante de comidas, entre massas, carnes e até uma diversidade de aperitivos.

Os pais de Anna convidaram a minha mãe para sentar com eles, ela gostou do convite e logo os acompanhou.

Toquei a mão de Anna em que repousava a aliança de compromisso.

Olhei-a nos olhos vendo-a brilhar lindamente. Abaixei a vista para fitar a sua barriga. Pus a mão livre nas suas costas.

— Você está feliz? Sussurrou perto do meu ouvido.

— Como eu poderia não está? Apertei seus dedos em minha palma.

Nós estávamos finalmente casados, e eu gostei da sensação.

Ela havia se tornado um arco-íris no meu céu cinzento com ela a minha vida possuía tudo o que eu precisava quando eu nem sabia o que estava procurando, juntos nós éramos multicoloridos.

O tempo ao ar livre sempre foi um dos passatempos favoritos da minha mulher, quando o clima melhorava ou até mesmo em períodos de neve ela adorava se aventurar.

Uma herdeira aventureira poderia defini-la. O lugar escolhido para a gente curtir a nossa lua de mel foi à fazenda Gaivota, uma propriedade rural localizada no distrito de Dmitrovsky na região de Moscou.

Um imenso casarão de um andar que exalava conforto.

Os funcionários que trabalhavam no lugar estavam a postos numa clara recepção, ao todo eram 12. O responsável pela propriedade se apresentou como Yure Sidorov, um homem robusto de aproximadamente 43 anos extremamente sério, em seguida uma mulher com a metade da idade do homem deu um passo à frente.

— Seja muito bem vinda Sra. Stepanov juntamente com o seu marido, eu sou a Polina Sidorov e sou responsável por fazer a alimentação e coordenar os serviços domésticos da fazenda.

— Obrigada, Polina. Anna falou educadamente.

Eu só fiz balançar a cabeça.

Após a ordem de deixar as bagagens no quarto, Anna me levou para olhar através da sua janela a vista dos campos que se perdiam no horizonte.

— Eu amo esse lugar, me trazem boas memórias.

Abracei-a por trás e beijei seu rosto.

— Me conte uma.

— Quando eu era menina eu costumava passear a cavalo com o meu pai por essas terras. A sensação de liberdade era indescritível. O vento no cabelo parecia me acariciar a pele. — O meu pai me pediu para ir mais devagar que poderia ser perigoso.

— Eu me lembro de você quando menina.

Ela virou a cabeça para me encarar com um olhar duvidoso.

Arqueei as sobrancelhas.

Eu lembrava mesmo! Loirinha, magra e pálida como um papel.

— Não foi o que pareceu quando eu disse que te conhecia desde os 12 anos.

Anna havia percebido...

Beijei a ponta do seu nariz.

— Só fiquei surpreso com a quantidade de tempo.

— Naquela época eu já tinha uma quedinha por você.

Fitei-a surpreso.

— Mas eu era magrelo e esquisito.

Anna se virou para mim

— O magrelo mais bonito que eu já vi na minha vida.

Segurei-a em meus braços e iniciei um beijo calmo que foi aumentando até se transformar em um turbilhão de sensações deliciosas.

A conduzi até a cama de casal e a deitei delicadamente.

— Eu não vou quebrar, Sr. Meu marido.

Eu sorrio de canto.

— Eu sei. Comecei a tirar as suas botas, as deixei no chão e subi lentamente sobre o seu corpo.

— Mas não tem como eu não ser cuidadoso com você, não com a minha criança aqui. Levei a cabeça na altura da sua barriga ainda lisa e beijei de maneira casta.

— Você sabe que o bebê está muito bem protegido aqui, não é? Ela me questionou de testa franzida.

— Eu sei. Mas não tem como eu não ficar delicado com você, faz parte de quem eu sou cuidar de você e do nosso bebê da maneira que eu julgar melhor.

— Tão mandão. Ela falou baixinho.

Lentamente fui subindo até estar próximo dos seus lábios, as suas mãos vieram para o meu cabelo, tive o cuidado de não esmagá-la com o meu peso ao me apoiar nos meus antebraços.

Jamais pensei que teria tudo o que desejei um dia, mas nunca pedi por isso.

Uma mulher incrível que me amava, uma criança a caminho.

Meu pai ficaria feliz em ver a bonita família que eu construí.

Mais uma caricia em meus cabelos.

— Está feliz?

Fiquei sério e a olhei fixamente, uma piscada ansiosa depois eu disse.

— Bem mais do que feliz e você, digo, era isso que você imaginou?

Anna sorriu fraco.

— Meu lindo marido. Ela deslizou as pontas dos dedos numa carícia em meu rosto. — Estar ao seu lado é o que mais me faz feliz.

Eu faria de tudo para fazê-la feliz.

Sair de cima dela e a puxei para o meu peito a apertei contra mim.

— O que você quer fazer? Perguntei curioso.

Mas o bico que apareceu não era o esperado.

— Estou com fome, você não?

Hm. Eu não estava com fome, no entanto eu a acompanharia na refeição.

— Vamos a uma saborosa refeição.

A jovem moça responsável pela alimentação tinha nos preparado um Strogonoff de carne com acompanhamento Picles de endro e purê de batatas.

O bife estava com uma boa qualidade à carne suculenta e macia o molho cremoso de cogumelos e creme de leite a sua acidez proporciona um grande equilíbrio ao prato.

Quando Anna pensava que eu não estava olhando-a, ela discretamente lambeu os lábios, após a repetição da minha mulher, nós deixávamos à mesa rasgando elogios à jovem cozinheira.

Dia bom para um passeio no campo, as gramíneas aparadas eram confortáveis de pisar.

Anna ao se aproximar dos celeiros dos animais, não continha a animação. Diante das alpacas, lhamas, ovelhas e coelhos.

— É um belo dia para um passeio a cavalo.

— Não é não. Beijei a ponta do seu nariz.

— Estraga prazeres.

Arqueei as sobrancelhas.

Não comentei sobre a frase, no entanto a convence a deixar a ideia de montar a cavalo para outro momento.

Horas mais tarde e por sua insistência, nós fizemos uma trilha numa área pitoresca. Ela conhecia cada canto daquela fazenda e era gratificante observar como Anna ficava confortável nos ambientes rurais.

Vez ou outra eu resmungava sobre o esforço que ela estava fazendo e ao invés dela se irritar simplesmente me dizia.

— Está tudo bem conosco. E me beijava. Puxei seu corpo de encontro ao meu e deslizei a mão pela sua barriga.

Não tinha como eu não me preocupar. Aquela criança era tudo para mim.

Não havia sido planejada, mas no meu subconsciente eu queria vivenciar a experiência de ter um filho e só me dei conta disso ao saber que um bebê estava a caminho.

Em dias de sol a flora silvestre é encantadora, banho de rio e deitar na grama, após nadar, é uma sensação deliciosa.

Mas eu estava preocupado com o esforço físico, e antes do pôr do sol eu levei Anna de volta a fazenda.

— Tão preocupado. Ela disse ao sair do banheiro de roupão com a pele limpa.

Fiquei atrás dela, próximo o suficiente para inalar o cheiro de sabonete no seu pescoço. Com uma mão eu apertava seus seios, levei a boca até a sua nuca e mordisquei os lóbulos da delicada orelha…

Vi-la-ei de frente e a levantei do chão no processo as mãos de Anna vieram para o meu pescoço. Segurei-a pelas nádegas, Anna enlaçou as pernas no meu corpo.

Aticei-a com a ponta dos nossos narizes se tocando, as nossas bocas quase se tocavam.

Nossos olhares se encontraram.

Busquei os lábios dela para um beijo de volúpia, mas a minha mulher se impulsionou para frente numa clara intenção. Nós caímos sobre a cama, comigo por baixo.

— Anna. Alertei em um tom cuidadoso.

— Estou com saudades.

Eu podia senti-la colada em mim. Levei a mão que carregava uma suntuosa aliança até o seu rosto.

— Eu também estou.

Comecei a beijá-la no pescoço, descendo para o colo, os pelos da macia pele de Anna estavam arrepiados. Parei para fita-la. Ela me olhava como se me visse pela primeira vez eu me perdi naquele lago azul.

As minhas mãos foram para as suas coxas. Voltei a beijar o seu pescoço, fui até o ouvido dela e dei aquela mordida no lóbulo da orelha.

— Você não sabe o quanto esperei por isso.

Anna suspirou ao fechar os olhos, enquanto apertava os meus braços.

Era difícil descrever como eu me sentia ao tocá-la. O cheiro da sua pele me atraía como se fosse heroína.

Eu olhava para Anna o tempo inteiro, ela não falava só me seduzia nas trocas de olhares, entre gemer baixinho e morder os lábios, entre me puxar ao seu encontro ou se render por inteira.

A única certeza que eu tinha era que nós dois estávamos completamente envolvidos um no outro.