C'est le moment ou jamais
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Pai, só porque a Chase & Coo decidiu investir em moda, não quer dizer que é um bom negócio – Tritão disse, o que parecia ser, a decima burrada do dia.
Meu pai o olhava incrédulo. Seu cabelo preto como o meu contrastava com os fios brancos decorrentes da idade, o rosto, antes jovem, tinha rugas e marcas originadas pelo estres. Não demoraria muito mais para ele se aposentar, e como clara consequência eu assumiria seu lugar na Náuticos Jackson.
— A Chase & Coo tem 78% dos investimentos direcionados somente na indústria da moda, e você, meu filho, realmente acha que não é um bom negócio? – Ele perguntou retoricamente, segurei a minha vontade de rir – Tritão, a NJ é uma das maiores empresas do mundo. Nos começamos com barcos na costa leste, depois adquirimos terrenos no centro-oeste, e então investimos em fábricas em Detroit, e em siderúrgicas em Ottawa. Você percebe o quanto conquistamos? Cada concorrência, cada inimigo, nos esmagamos, como uma mosca, e agora a única empresa que está a nossa altura é a Chase & Coo, e por isso nós devemos esmaga-los! Então qualquer área que Atena Chase queira investir nos vamos investir também, e vamos supera-los, entendeu?
Tritão balançou a cabeça preguiçosamente.
— Eu tenho uma ideia – comecei – no final dessa semana vai ter uma pequena conferencia em Paris, ela é realizada todos os anos, e tem um foco local, mas acredito que a CC vai estar lá, é um lugar perfeito para entrar em contato com as grifes sem holofotes, fechar negócios sem chamar muita atenção e ver quais são as promessas de investimentos.
— Perfeito!! – O meu pai vocifero – Percy quero você nessa conferencia, quero todos os clientes e todos os investimentos da CC – Assenti, orgulhoso da minha sugestão, teria que agradecer o Nico mais tarde pela ideia — E você, Tritão, esperava que você servisse de exemplo pro seu irmão mais novo e não ao contrário!! Agora vou ter que chamar o Tyson para te ensinar finanças? – Meu pai disse rindo, acompanhado por mim.
Logo ambos fomos dispensados.
— Aproveita, Percy, enquanto pode, porque quando eu for dono de tudo isso – ele levantou os braços – não vai ter espaços para bastardos como você – disse presunçoso.
— Engraçado que mesmo sendo bastardo da amante do Poseidon, sua mãe ainda gosta mais de mim do que de você – falei dando dois leves tapinhas no seu ombro, deixando o embasbacado, enquanto me direcionava ao elevador.
—--
Estávamos em um barco no canal da mancha, o dia tinha sido especialmente quente, o céu estava límpido, o sol radiante, brilhava intensamente, tornando praticamente impossível ficar sem óculos escuros, as águas estavam calmas, como de uma piscina, tornando o balanço do barco agradável. Eu estava na proa do navio admirando uma loira que tomava sol, os cabelos presos em um coque desajeitado, uma perna esticada e a outra dobrada, as mãos estendidas ao lado do corpo, os maravilhosos olhos cinzas cobertos pelos óculos de sol e sua pele clara brilhava, refletindo os raios solares.
Havia encontrado aquela verdadeira deusa por acidente, em uma farmácia na região central da capital francesa, e por acaso do destino ou completa sorte estávamos hospedados no mesmo hotel. Desde de então tínhamos saído diariamente para aproveitar as paisagens paradisíacas europeias. Com certeza meu pai não aprovaria o meu desvio de foco, enquanto devia estar destruído os negócios da CC estava curtindo o verão europeu com a Annabeth, contudo, mesmo assim, não sentia nem um pingo de remorso, fazia tempo que eu não me sentia tão... feliz.
Era o nosso último dia, e eu estava arrumando coragem para pedir o seu telefone.
— Sabe o que a gente devia fazer? – Ela me perguntou, se sentando na canga e esboçando um sorriso travesso, e eu conseguia imaginar as orbes cinzas me encarando por trás das lentes escuras.
Com a minha falta de resposta verbal, ela se levantou e olhou em direção ao mar, tirando os óculos e se aproximando de mim em seguida.
— Dar um mergulho – seus olhos me desafiavam a recusar – ou você está com medo?
— Há! – Ri falsamente — Para sua informação, eu fui campeão de natação na faculdade – ela me encarou, com uma sobrancelha arqueada.
— Ótimo, porque eu larguei a natação com 7 anos – ela foi até a beira do barco e encarou a água a alguns metros de distância – será que está muito fria? – Disse mordendo o lábio e perdendo momentaneamente a coragem.
— Deve estar muito fria – eu disse, me lembrando de quando eu atravessei o canal da mancha a nado. Ela me encarou por um momento, debatendo internamente.
— Ok – Respirou fundo, encarou a agua com convicção, e pegou na minha mão, me puxando para perto – Pronto? — ela perguntou e eu murmurei um “uhum” – 1... 2... 3... – e pulamos.
A água gelada provocou um choque térmico quando entrou em contato com o meu corpo quente, eu e Annabeth afundamos e, eu, sentindo sua mão escapar a puxei para perto colando nossos corpos antes de voltarmos a superfície pela própria força do empuxo.
— Nossa tá muito gelada!! – Ela disse, e como uma prova de sua constatação seus lábios já estavam roxos – é meio fundo aqui né? – Ela se enroscou no meu braço e eu ri baixo – será que tem algum tipo de animal, ou algo assim? – Perguntou séria.
— Eu ouvi falar de alguns tipos de peixes carnívoros – disse sério, e seus olhos quase saltaram de seu rosto – Mas fica tranquila, não tem muito essa época do ano por causa dos tubarões...
Eu trilhei a pontas dos meus dedos por sua barriga de forma rápida, e Annabeth gritou, mergulhou e chutou a água ao seu redor, se distanciando, em uma tentativa de se livrar dos “peixes”, logo depois entendendo a minha brincadeira, e me olhando indignada.
— Nada engraçado – ela disse tentando ficar seria, mas um traço de sorriso desmentia a sua revolta.
Eu mergulhei, e me aproximei a nado, segurando a sua cintura e grudando nossos corpos, novamente. Ela me olhou seria, e depois riu, ou melhor gargalhou, levou a mão a minha cabeça e retirou uma alga marinha de lá.
— Cabeça de algas – eu a encarei cético, e ela riu ainda mais alto.
Sua risada era tão gostosa, que eu não conseguiria me irritar. Estávamos tão próximos que eu podia sentir seu hálito de menta, e analisar cada centímetro do seu rosto, especialmente seus lábios convidativos, os quais chamavam e prendiam a minha atenção. De repente a risada cessou, e sua mão acaricio gentilmente o meu rosto, eu me aproximei devagar, encarando seus olhos enigmáticos, que se fechavam. Nossas bocas se encontraram e nos selamos um beijo calmo a princípio, e que logo se tornou ardente e desesperado. Nossas línguas dançavam um tango sensual, e eu tentava nos manter na superfície, enquanto meu cérebro parecia se desconectar do mundo, e mergulha num turbilhão de sentimentos. Logo o ar se fez necessário, e nós, nos afastamos, mantendo as testas coladas, e trocando ocasionais selinhos, quando, finalmente, abri os olhos ela tinha um sorriso nos lábios, provavelmente muito parecido com o meu.
---
— Qual o nome da menina que conquistou o coração de Perceu Jackson, o solteiro mais cobiçado da américa, segundo a Forbes? – Nico disse brincalhão, enquanto conversávamos pelo Skype.
— Annabeth – ele fez uma cara estranha por um segundo – diferente né?
— Sim, mas você não vai acreditar quem tem esse nome... – ele parou subitamente, e pensou por um instante – ou será que é Annabel, ou Elizabeth? Calma que eu vou pesquisar – ele pareceu procurar algo no computador, e eu continuei sem entender nada – Como você disse que ela era mesmo?
— Linda, ela tem um nariz pequenininho muito fofo, e a boca dela é...
— Algo mais concreto, já entendi que ela é linda. Que tal falar a cor dos cabelos ou algo assim...? – ele disse me interrompendo.
— Os cabelos dela são dourados como ouro, macios como seda e brilhantes como diamante.
— Ok loira então, mas alguma coisa? – Disse, desmerecendo a minha descrição poética.
— Olhos cinzas – respondi, e nico abriu um sorriso no rosto – Porque?
— Nada não, só algo que eu achei na internet, que ia te deixar louco – antes que proferisse a pergunta correta para a premissa confusa de Nico, ouvi batidas na porta.
— Ok.... Falo com você depois, tem alguém na minha porta...
— Falou, se divirta com a sua loira – ele disse antes que eu desligasse a conversa. E por um momento me pareceu que ela tirava sarro de alguma forma da situação.
No caminho para a porta reflito a atitude suspeita de Nico. O meu amigo de longa data tinha uma memória moldada na mesma forma que a dos elefantes, o que o fazia o melhor agente de relações públicas dos estados unidos, ele sabia tudo sobre todos e nunca esquecia um rosto. Provavelmente já devia ter esbarrado ou até mesmo encontrado com Annabeth. Eu, sabia muito pouco sobre ela, mas pelo seu modo de falar, portar e vestir, deduzia que vinha de uma família rica e provavelmente bem importante, além dela já ter comentado que morava em Nova York, o que aumentava as chances de um possível encontro entre eles. Apostaria, que ela é a herdeira de algum dono de alguma grife que estava na conferência, e que aproveitou a viagem da empresa dos pais para passear pela cidade luz.
Abro a porta dando de cara com uma loira de pijamas. Deviam ser por volta das duas da manhã, e apesar do short e da blusa amassadas, Annabeth parecia estar completamente sem sono. Levo a mão aos meus cabelos me espreguiçando.
— A que deve a visita da belíssima?
— Eu te acordei? Te acordei né? Vou deixar você dormir, boa noite – ela disse, se virando para ir embora, contudo antes que ela pudesse concretizar tal ação, eu agarrei, delicadamente, o seu pulso e a puxei para dentro do quarto.
— Fica tranquila, estava conversando com um amigo por Skype – ela assentiu, e esboçou um meio sorriso envergonhado.
— Que bom.... Ficaria extremamente injuriada se tivesse o despertado do seu sono da beleza – ela disse, fazendo graça, e depois olhando para as minhas acomodações nada simples – Enfim.... Eu estava no meu quarto, meio entediada, e comecei a imaginar o que será que o Perceu está fazendo? – Ela concluiu, mordendo o lábio levemente, enquanto colocava todo o peso do corpo em uma perna só e mantinha as mãos recatadamente para traz.
Se não fosse pela postura da uma menina inocente, a sua expressão maliciosa e seus olhos selvagens me levariam a acreditar que ela estava flertando comigo. Mas eu não tinha como ter certeza.
— Hum ... – respondi, sem saber o que dizer, estava em parte distraído com o pijama nada recatado dela, e em parte tentando descobrir quais eram suas intenções – talvez a gente poderia... não sei... ver um filme ...? – E então fudeu tudo, eu já não estava cem por cento presente emocionalmente na conversa antes, até que ela começou a mexer delicadamente numa corrente que estava sempre em seu pescoço, e a me olhar de um jeito bem ... animalesco, e, assim, de repente nada na minha cabeça fazia sentido, eu só queria agarrar ela e fazer muitas coisas proibidas para menores.
Ela riu com a minha confusão, as vezes parecia que os seus olhos cinzas conseguiam ler a minha alma e desvendar todos os meus segredos. Ela se aproximou lentamente, ali colada em mim, mas sem encostar definitivamente, ela perguntou:
— Tem certeza que você quer ver um filme?
Eu não esperei nem mais dois segundos para colar nossos lábios, em um beijo ardente.
Fale com o autor