Cerejeira
11 11 - Viva
Mal pude vê-lo, foi tudo muito rápido. Meu corpo fora jogado para o alto, arremessado em direção à parede. Depois o senti segurando-me pela cintura, e então colocando-me no chão com cautela.
— Que tipo de homem coloca as mãos em uma mulher assim?
Sasuke estava à minha frente, seu corpo entre mim e o outro homem.
— Quem diabos é você?
Perguntou o estranho.
Mas Sasuke se virou para mim, o olho de íris vermelha característico dos Uchihas me encarava.
— Você está bem?
Perguntou ele.
Eu não sabia o que dizer. Havia uma mistura de sentimentos que eu não soube lidar, não naquele momento. Então eu apenas assenti, sem dizer nada. Sentindo o chakra circulando um pouco mais pelo meu corpo, agora eu poderia centralizá-lo no lugar correto.
— Ei, imbecil, eu estou falando com você!
Sasuke então se virou para o estranho, sua destra segurando algo por dentro do sobretudo preto. Sua postura era tranquila, relaxada, não parecia preocupado.
Sem dizer nada Sasuke avançou, eu o vi desaparecer a reaparecer atrás do desconhecido. Ele levantou a espada, mas quando a abaixou ele só encontrou o chão, o homem havia desaparecido e reaparecido em outro lugar do quarto.
— Você é rápido — falou o estranho — Mas não o suficiente.
Eu mal podia acompanhar a rapidez de ambos, eles trocavam alguns golpes no ar, só tive tempo de desviar do homem quando ele se lançou contra mim, com os olhos matadores. Seu chakra parecia de um animal feroz, ansioso por matar.
Desviei e pulei em direção à porta, Sasuke estava ao meu lado.
Sasuke avançou novamente em direção ao homem, mas então de repente seu corpo parou, estático no meio do caminho e depois de alguns segundos desabou no chão.
— Sasuke!
Então me lembrei. Os receptores negros. Como ele havia injetado aquilo sem que Sasuke percebesse? Seria impossível! Eles estavam rápidos demais, eu não o teria visto, mas será que Sasuke percebeu?
— Que lindo, ele veio resgatar a namorada!
Falou ele, as palavras debochadas saíam cínicas.
— Ele não é meu namorado, e com certeza eu não preciso ser resgatada.
Ouvi quando os dentes enormes dele rangeram, com raiva, seus olhos animalescos me encarando.
— Sua vadiazinha... Vai ter o que merece.
E então eu esperei, parada, o chakra concentrado onde eu queria, onde eu precisava. Era um risco, eu o vi lutar com Sasuke, ele era rápido, mas eu também era.
Quando ele estava à minha frente, a milímetros de mim a ponto de ouvir sua respiração eu me virei rápida o suficiente para que ele ficasse vulnerável, seu corpo passado em minha frente em uma fração de segundos, e com toda a força eu empurrei a mão contra sua costela, o chakra impulsionando o golpe.
— Impulso do punho certeiro.
Ele voou para longe atravessando parede atrás de parede até cair em um monte de escombros. Corri até Sasuke que ainda estava caído, não conseguia se mexer e eu senti muito por aquilo, eu sabia exatamente como era estar inválida daquela forma.
Passei o braço dele pelo meu, sabia que era melhor sair dali, mas quando estávamos prestes a nos levantar senti a mão do homem afundar no meu estômago jogando-me de costas na parede de pedras.
Meu corpo estava mole, dolorido. Olhei para cima e eu o vi, o lado esquerdo de seu corpo parecia destroçado, completamente quebrado com o meu soco, mas ainda assim ele se mantinha de pé, ávido por mais.
Ele me levantou pelo cabelo e me bateu minha cabeça uma, duas vezes contra a parede, senti o sangue escorrer na nuca.
Minha visão estava turva, minha cabeça latejava, eu não conseguia focá-lo, mas precisava tentar.
— Você acha mesmo que uma verme como você vai conseguir me acertar?
De repente a dor lacerante. Quando dei por mim ele havia aproximado os lábios do meu braço esquerdo e o mordeu, tão forte que senti a pele se rasgou em seus dentes.
O sangue escorreu quente, a dor da carne exposta me fez gritar, chorar, implorar. Pensei em Kakashi, seus olhos, seu corpo. Em Naruto, na briga que tivemos. Em como seria o filho de Ino e Sai. Engraçado as coisas que pensamos nos momentos mais inoportunos.
E então, ainda com o braço lacerado, rasgado por aqueles dentes nojentos eu o puxei para mais perto de mim com todas as forças e o ouvi rosnar. Concentrei o restante do chakra na ponta do dedo indiciador e do meio da mão direita, não iria ser fatal, mas o suficiente para pará-lo por um tempo. Com rapidez levantei os dedos e o empurrei um em cada olho do homem.
— Bisturi de Chakra.
Senti o sangue escorrer pelo meu rosto, mas tinha certeza de que era dele.
Quando, aos berros, ele levou as mãos ao rosto e me soltou, caí no meio dos escombros do qual ele havia me jogado, minha perna bateu contra uma pedra e senti o osso se quebrar, mas eu já estava ficando inconsciente demais para gritar. Ouvi ao longe quando o outro homem entrou, o que havia me carregado.
— Vamos, senhor. É melhor irmos, estão vindo mais deles.
— Vadia!! — berrava o homem — Você me paga! Eu vou te matar! Você a sua vila inteira!
Meus olhos estavam se fechando, eu vi duas silhuetas se afastarem e uma silhueta escura no chão. Sasuke. Pensei.
Eu finalmente adormeci a abracei a escuridão do meu próprio inconsciente.
Acordei em um lugar onde as paredes eram brancas e o cheiro de remédios e flores me eram familiar. Eu estava no hospital. Foi difícil abrir os olhos e encarar a luz clara enuviando a minha visão. Pisquei algumas vezes até me adaptar, alguém estava sentado na cadeira ao lado da cama.
Naruto dormia sentado, braços cruzados e a cabeça caída para frente.
Apertei os olhos e me ajeitei na cama ficando com as costas eretas. O silêncio pairava no cômodo. Então é assim que meus pacientes se sentem? Que horrível. A sensação de solidão somada ao corpo dolorido e a confusão mental não boa, muito pelo contrário, parecia que havia um buraco em minha cabeça.
Por alguns segundos fiquei pensando no que havia acontecido, mas minhas memórias eram apenas flashes, resquícios de lembranças misturadas à minha imaginação. Eu me lembrava de estar em uma cela escura, depois de ficar deitada na cama imóvel enquanto aqueles olhos ferozes se aproximavam. A lembrança do som do zíper se abrindo fez meu estômago se revirar. Depois me recordei de Sasuke no chão e então a dor lacerante no braço.
Olhei para o lugar onde havia sido mordido e o tecido começava a se restaurar, mas ainda não estava cem por cento.
Me assustei quando ouvi a voz de Naruto me chamar.
— Sakura, você acordou.
Assenti, minha cabeça latejava de dor. Quando levei os dedos à ela percebi que estava com uma faixa enrolada.
— Por sorte você não sofreu algum traumatismo.
Flashes da minha cabeça sendo forçada contra uma parede.
— O que aconteceu?
Perguntei.
— Você não se lembra de nada?
— Mais ou menos.
— Você foi raptada, injetaram algo semelhante aos receptores negros em você. Karin está fazendo os exames no laboratório.
Naruto estava sério, os olhos azuis olhando profundamente nos meus, depois esticou uma das mãos e tocou em meu braço.
— Você poderia ter morrido Sakura, e eu não estava lá pra salvar você.
Não. Era Sasuke quem estava lá, o que será que aconteceu com ele? Antes que eu pudesse perguntar Naruto continuou.
— Por sorte eu e Sai chegamos a tempo. Você estava sozinha, largada em um monte de escombros e tinha tanto... sangue na sua cabeça, eu achei que estivesse morta... Vasculhamos todo o lugar e não encontramos ninguém.
Fiquei sem palavras. Sasuke tinha ido embora e me abandonado lá sozinha?
— Eu... Eu não me lembro muito... Mas tinham pessoas no subsolo, em celas.
Naruto baixou os olhos e eu entendi, estavam todos mortos.
Ino entrou no quarto, os olhos claros estavam vermelhos de choro. Ela me abraçou, forte o suficiente pra me fazer gemer.
— Ah, desculpa! Meu Deus Sakura, o que aconteceu com você?
Ela chorava enquanto falava, me fazendo chorar também.
— Eu estou bem também, graças a... — Sasuke? — Naruto e Sai. Agradeça-o por mim.
Ela abriu um sorriso largo, parecia orgulhosa e feliz.
— Naruto — disse ela — Preciso fazer uns exames nela, pode nos dar licença.
Eu sabia que era mentira, conhecia minha amiga muito bem. Mas Naruto pareceu não notar, estavam com o semblante cansado, preocupado.
— Tudo bem, vou pra casa, mais tarde Hinata vem trazer alguma coisa pra você comer, Sakura. Até mais vocês duas.
Ele saiu e no momento em que fechou a porta atrás de si Ino apertou levemente meu braço direito. Seu olhar era o mesmo tempo duro e ao mesmo tempo carinhoso.
— Sakura, eu não sei o que está acontecendo, mas isso tudo é uma loucura. Por quem você foi sequestrada?
— Eu não sei Ino, juro que não me lembro.
— Isso não faz sentido... Bem, de qualquer forma o Hokage vem te ver — e olhou o relógio — Daqui há alguns minutos.
Senti meu rosto corar. Os olhos de Ino me encarando, confusos, ela apertou os lábios e segurou nas minhas duas mãos.
— Eu não vou querer saber, não é? Você e o Hokage...
— Não, não vai.
Respondi.
Ela piscou, parecia atônita com a minha resposta, talvez não fosse o que ela queria ouvir, mas senti compreensão no fraco sorriso que me deu e então saiu.
Fiquei encarando o horizonte pela janela, estava começando a escurecer e os últimos raios de Sol iluminavam o quarto, as luzes automáticas se acenderam.
Ouvi quando a porta abriu e Kakashi entrou, trazia um buquê simples de flores coloridas. Ele me deu um sorriso amarelo e se sentou ao meu lado, havia olheiras debaixo de seus olhos escuros.
— Como você está se sentindo?
— Um pouco confusa.
Ele suspirou e deixou as flores na mesa de cabeceira e se aproximou de mim, baixou a cabeça e me beijou com cuidado. Foi quando senti algo pingar em minha bochecha.
Kakashi esfregou o rosto como se eu não tivesse percebido que estava chorando.
— Quando eu soube que você não estava mais na vila... Foi como... Achei que fosse... Droga!
— Tudo bem Kakashi, eu estou bem.
— Não! Não está tudo bem Sakura, eu quase perdi você... E eu nem pude te resgatar, eu quase morri de preocupação! Eu não dormi, não consegui fazer nada além de pensar que talvez você estivesse morta. Naruto e Sai só conseguiram resgatar você quase 48 horas depois de sumir da vila, e você tinha perdido tanto sangue...
Ele colocou a mão no rosto escondendo as lágrimas.
— Kakashi...
— Desculpe por não conseguir proteger você, Sakura.
Havia desapontamento em sua voz, era claro a decepção em seu rosto.
Com muito esforço me levantei colocando os pés para fora da cama e fui em direção à ele. Segurei seu rosto e o puxei até que nossas bocas se encontrassem. Sentei em seu colo e me aninhei entre os seus braços enquanto nosso beijo ficava cada vez mais intenso.
Aquela noite nada me importava, eu estava viva e isso era motivo o suficiente para celebrar, e nada melhor do que fazê-lo nos braços de Kakashi.
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