Cerejas Roubadas
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Me desculpem a demora >.< mas as aulas voltaram e vcs sabem como é ¬¬'
Espero que gostem! *O*
Boa leitura!!!
O vapor denso cobria cada canto do banheiro.
Brendon tirou devagar minha roupa, e depois se despiu na minha frente, quase me provocando. Ele continuava com aquele olhar, como se pudesse me ver por dentro. Eu estava corado e um tanto encolhido contra a parede, tentando me cobrir com as mãos e com a cabeça baixa.
Ele deslizou a mão pelo meu braço, e me puxou pela mão até a banheira grande que ficava no centro do banheiro. Era de madeira escura, com um ferro e pequenos detalhes. Dentro havia uma parte de madeira para se sentar, ela dava a volta na banheira por dentro.
A água estava bem quente, eu me sente e imediatamente relaxei fechando os olhos.
Brendon estava perto de mim, e logo começou a passar um sabonete rosa pela minha pele. Tinha um cheiro forte de rosas, e parecia hidratar minha pele. Como prometido, ele não tentou nada estranho, não tentou me apalpar, ou qualquer coisa. Apenas fez uma leve massagem nos meus ombros, e depois me deixou relaxar em quanto se ensaboava. Mas nunca parou de me analisar, cada centímetro de pele.
Me encostei em seu corpo e fechei os olhos, somente inspirando o vapor cheiroso. Ficamos um tempo à deriva na banheira, meus dedos já estavam enrugados e eu me sentia muito quente. Olhei o rosto ao meu lado e sorri.
O rei parecia tão relaxado. Estava com a cabeça encostada na banheira e olhava o teto, respirando profundamente.
- No que está pensando? – perguntei e seu sorriso se abriu ainda mais, de um jeito pervertido e assustador.
- Como é lindo sem roupas. – ele mordeu o lábio e voltou a sorrir.
Bufei e me levantei saindo da banheira.
- O que há? Não disse nenhuma mentira. – ele sorriu, se levantando também.
- Prometeu não fazer nada estranho. – falei nervoso, me enrolando em uma toalha.
- Fazer, não falar. – ele sorriu e me abraçou por trás.
- Agora esta fazendo. – tentei me livrar de seus braços.
- Não estamos mais no banho. – ele riu divertido mordiscando minha nuca.
- Você é muito espertinho, sabia? – reclamei, me debatendo ainda mais em seus braços.
Uma de suas mãos escorregou pelo meu corpo, e parou no lugar onde a toalha branca estava amarrada. Sutilmente ele desamarrou a toalha e a deixou cair no chão. Virou meu corpo, me encostou à parede e colou seu peito no meu, sorrindo de lado.
- O...O que vai fazer? – perguntei engolindo em seco.
- Nada que não queira. – ele sorriu.
- Não quero fazer nada com você. – falei me encolhendo ainda mais contra a parede. A verdade é que eu quero, mas não admito.
- Tudo bem então. – Brendon sorriu de lado e retomou sua postura, cruzando os braços. – Mas quando você quiser, você vai implorar.
- Nunca vou implorar por você! – rugi mal humorado e peguei minha toalha do chão, voltando a me enrolar. – Agora você fique ai em quanto eu me visto.
- Não há nada que eu não tenha visto... – ele riu e pegou uma toalha dobrada sobre uma bancada e começou a se enxugar.
- Não verá novamente então. – sorri e sai do banheiro batendo a porta.
Me enxuguei e me vesti o mais rápido que consegui, me enfiando em baixo dos cobertores. Brendon saiu do banheiro pouco tempo depois, ainda enrolado na toalha. Foi até seu closet e saiu de lá vestido para dormir.
Deitou-se ao meu lado e pegou o livro que estava em seu criado mudo. Sem proferir uma palavra para a minha pessoa, começou a ler.
- O que esta lendo? – não aguentei a curiosidade.
Ele não disse nada, apenas virou a capa do livro na minha direção.
Era algum livro em francês, do qual não sabia nem ler as palavras, apenas vi que havia um lindo castelo desenhado na capa. Suspirei e me ajeitei na cama, olhando para frente.
Fiquei em silencio até ouvir alguém bater na porta. Franzi o cenho e olhei Brendon ir abri-la. Rapidamente deu passagem a uma senhora com uma enorme bandeja nos braços. Com rapidez e delicadeza a deixou em cima da cama e se retirou. O rei fechou a porta e voltou para cama. Colocou a bandeja próxima a nos dois, e começou a comer sua janta em silencio.
- Não vai mais falar comigo? – perguntei começando a cortar um pedaço de frango com mel.
- Vou. – ele falou e bebeu da taça.
- Então fale. – resmunguei mastigando a ave.
- Estou pensando em contratar uma professora para você. – ele falou e sorriu de lado, bebendo mais um pouco da taça.
- O que? – quase gritei – Porque? Eu sei ler e escrever!
- Sei que sabe, mas precisa aprender outras línguas, e aulas de etiqueta seriam bem vindas também. – ele aumentou o sorriso sapeca nos lábios.
- Não acho necessário. – falei bravo e bebi da taça, sentindo meus olhos lacrimejarem. Aquilo era vinho. Um vinho dos bons, aquele tipo de garrafa que só os nobres compravam. Era antigo e forte. Forte demais para mim.
- Mas eu acho. – ele falou e voltou a comer. – Vou ver isso amanha bem cedo.
- Pois veja o que quiser, não participarei dessas aulas. – sorri voltando a comer.
- Você não tem escolha Eric. – ele falou e mordeu um pedaço de pão.
- Sim, eu tenho. – rugi – Não sou seu escravo.
- Sei que não é. Mas esta no meu castelo e sob a minha proteção. – ele falou e bebeu mais do vinho forte. Como ele aguentava? – O mínimo que pode fazer é aceitar essas aulas.
- Não seja por isso, amanha volto para minha casa. – sorri satisfeito.
- Claro, volte para sua casa e seja morto. – ele franziu o cenho e eu parei, me encostando a cabeceira da cama. Mordi meu lábio e senti minhas mãos suarem. – Desculpe, eu...
- Eu aceito as aulas... – falei baixo, o interrompendo. – Estou grato por me dar essa oportunidade meu rei... – quase sussurrei.
- Tudo bem... – ele falou amargo.
Terminamos de comer em silencio, não um silencio bom, mas aquele que fez a comida descer raspando a garganta e cair como uma pedra no estomago.
Brendon tirou a bandeja da cama e a deixou em uma mesinha perto da lareira, voltou para cama e se arrumou para dormir. Esperei um tempo, deitado na cama, esperando o rei cair num sono profundo. Quando achei que já estava em tal estado saída cama em silencio, coloquei um casaco longo e em passos leves sai do quarto.
Fiquei aliviado ao ver que limparam todo o sangue do corredor. Andei devagar até a cozinha do castelo, e lá vi uma senhora lavar a louça com calma e cantarolar uma musica qualquer.
Bati na porta, e ela sorriu abertamente ao me ver.
- Entre querido, vou fazer um chocolate quente para você. – ele sorriu meiga, lavou as mãos e foi fazer o chocolate. – Porque um menino tão fofo esta acordado tão tarde? – ela perguntou.
- Não consigo dormir... – falei meio triste, me sentando na mesa de madeira. Apoiei meus cotovelos ali, e minha cabeça nas minhas mãos. – E a senhora?
— Gosto de deixar algumas coisas preparadas para a manha seguinte. – Ela sorriu e limpou as mãos no avental branco. – Não me chama de senhora, não sou tão velha assim! – ela riu e arrumou o coque branco. – Me chame de Melanie.
- Me desculpe Melanie. – sorri.
- Você deve ser o menino Eric. – ela se voltou para o fogão, fazendo algumas coisas. – Acertei?
- Sim... – falei baixo. – Como sabe? – perguntei curioso.
Ela riu e colocou duas xícaras a mesa.
- Se importa? – perguntou se referindo a comer comigo.
- Claro que não! Seria uma honra! – sorri indo ajuda-la, mas ela me lançou um olhar furioso quando viu o que ia fazer, então fiquei sentado a olhando arrumar a mesa.
- Você esta famoso entre os nobres meu querido, fico surpresa que não saiba disso. – ela falou e descobriu dois bolos, cortando alguns pedaços. – Eric Moore, o menino que fez o rei desmanchar um noivado. – ela riu e voltou ao fogão.
- Como? – engasguei.
Ela voltou a mesa com o bule e serviu o chocolate quente com o cenho franzido. Se sentou na cadeira ao meu lado e voltou a falar. – Não sabe mesmo não é? – ela sorriu e eu neguei com a cabeça. – Vou contar então, mas antes sirva-se! – ela sorriu e eu peguei um pedaço gordo de bolo e comecei a comer. – Bom, o Rei DeLuise estava noivo da filha do general Hemingway Russeau, a senhorita Alerie Russeau, uma linda e jovem nobre com o sangue puro e um e sobrenome respeitado. Ela estava aqui no dia que o Rei o conheceu. – ela parou para bebericar do chocolate. – Estavam passeando pelo jardim quando ele viu a confusão em volta do seu corpo desmaiado! – ela riu fazendo suas bochechas corarem. – Me lembro muito bem. O Sr. Brendon correu preocupado e um tanto nervoso. Ele já não gostava muito de passar o tempo com a Senhorita Alerie, mas quando o viu, seus olhos brilharam e logo tratou de se ajoelhar ao seu lado, vendo se estava vivo. Mandou que o levassem para o melhor quarto do castelo e que eu ficasse com você até que ele pudesse ir ao seu encontro. – ela comeu um pedaço do bolo de chocolate com morango. – Nesse dia ele dispensou a senhorita Alerie, o que a fez ficar muito nervosa, e gritar com todos seus empregados. No dia seguinte desfez o noivado com a seguinte justificativa ao general... – Ela se arrumou na cadeira e começou a imitar a voz de Brendon. – “O casamento não irá para frente, sua filha e eu somos diferentes demais general. Creio que ela encontrar alguém que a ama verdadeiramente.” — Começamos a rir de sua imitação e da desculpa esfarrapada. – O General ficou furioso, saiu do castelo em passos firmes e não retornou por uma semana inteira! Mas quando voltou já estava normal, e parecia ter aceitado bem o fim do noivado. Então desde esse dia Brendon tem estado com você, e a cada dia seu humor fica melhor, o que agrada muito a todos os empregados. – ele terminou rindo, junto comigo.
- O humor dele era pior? – perguntei surpreso.
- Oh, era sim, acredite em mim criança! – ela riu e bebeu mais do chocolate.
- Difícil imaginar alguém conviver com ele. – eu rir e me servi mais do chocolate. – Mas Melanie, como sabe de tudo isso?
- Sou uma das cozinheiras meu amor. – ela abocanhou mais um pedaço do bolo. – O mordomos desse castelo nos contam tudo! – nos rimos e voltamos a comer.
- O que mais pode me contar? – perguntei todo curioso me apoiando na mesa em sua direção, como se ela fosse me contar um segredo.
- Sei que o rei esta perdidamente apaixonado por você. – ela sorriu. Eu corei com tal fala e enchi minha boca de bolo. – Não fique envergonhado! Posso ver nos seus olhos que o ama com a mesma intensidade!
- Você é sabia... – falei baixo e bebi mais chocolate. – Não quero admitir isso...
- Porque? – ela franziu o cenho.
- Bom... Ele deveria estar com Alerie, não comigo! Sou um plebeu e ele o rei, não é certo! – falei suspirando.
- Claro que é! Os dois estão felizes com isso, deve apenas aceitar. – ela falou roubando os morangos de cima dos bolos.
- Não acho que consigo aceitar isso. – falei cutucando o bolo no meu prato.
- Deve ser difícil para você estar tão apaixonado por alguém... Mas não tem mais volta – ela riu – Esse é aquele tipo de amor que só encontramos em livros.
- Mas... – ela me interrompeu.
- Não precisa ser radical, apenas deixe que ele faça tudo. – ela riu. – Se acostume aos poucos, e não fique pensando em coisas como “isso não é certo” ou “não pertenço a esse lugar”. – ela falou se levantando.
- Vou tentar... – sorri e terminei de beber do chocolate.
- Isso mesmo! – ela sorriu e bagunçou meu cabelo. – Agora volte para cama e descanse, já esta muito tarde.
- Sim... – sorri e me levantei, abraçando a senhora. – Obrigada pelo bolo e pelo chocolate, estavam deliciosos. – Falei sorrindo.
- Venha me ver mais vezes, você é adorável. – ela sorriu e beijou minha bochecha, apertando em seguida.
- Claro que vou. – sorri, e voltei correndo para o quarto.
Entrei no lugar devagar, tranquei a porta e tirei o casaco, me deitando ao lado do rei, que estava todo largado pela cama. Olhei seu rosto calmo e sorri.
Me aconcheguei entre seus braços e dormi profundamente.
Notas finais
Gi Wentz!
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